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Gavião-bombachinha-grande
Accipiter bicolor (Vieillot, 1817)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Açores

Nome em inglês: Bicolored Hawk
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Aves


Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Itabira/MG, Outubro de 2012.
Foto:
Haroldo Londero

Vocalização típica - (gravado por: Fabricio Gorleri)

Trata-se de um especializado caçador de aves, persegue desde sabiás, pombas até outras aves maiores. É um gavião florestal bastante discreto, raramente plana, costuma ficar em silêncio empoleirado no interior da mata de onde se lança atrás de suas presas.

• Descrição: Mede de 33 a 46 cm de comprimento com peso médio de 204-250 g (macho) e 342-454 g (fêmea) (Del Hoyo et al. 1994). Possui plumagem variável, em geral, macho adulto possui a plumagem cinza na parte ventral e cinza-escuro no dorso, com calções avermelhados e cauda com três barras cinza; Fêmea adulta com dorso mais amarronzado com rufo na barriga chegando até quase o peito; Jovem apresenta plumagem castanha, com dorso mais escuro e partes inferiores que varia do creme, castanho até o branco (Fergunson-lee e Christie 2001; Sick 1997). Nesta espécie, a íris varia do amarelo ao laranja, aparentemente quanto mais velho o indivíduo mais alaranjado é a íris.

• Espécies similares: Indivíduos jovens podem ser confundidos com falcões do gênero Micrastur, como por exemplo, o M. semitorquatus, que possui uma meia-lua bem visível atrás dos olhos, pernas mais longas e cauda mais volumosa. As populações do norte do Brasil têm subadultos com cinza mais claro, quase branco, as vezes sem calções avermelhados, podendo ser confundido com Accipiter poliogaster. Tanto pousado quanto em voo, adultos podem ser confundidos com o Harpagus diodon que é menor, de morfologia e comportamento diferente, além de possuir uma faixa escura na garganta.

• Alimentação: Bastante habilidoso em suas caçadas, alimenta-se quase que exclusivamente de aves. Caça sabiás (Turdus e Mimus), pequenas pombas e outras aves. Ocasionalmente pode predar pequenos mamíferos e lagartos. Caça utilizando poleiros para localizar suas presas ou voando sobre as copas (Mikich & Bérnils 2004; Sick 1997). Um indivíduo foi observado caçando como um falcão, planando a grande altitude e posteriormente fazendo um mergulho picado sobre um grupo de canário-da-terra (Sicalis flaveola) e tico-tico (Zonotrichia capensis) (com. pess. Jorge Albuquerque). Já foi relatado seguindo grupos de macacos-prego (Cebus sp) para alimentar-se de insetos espantados por eles. Também já foi visto tentando atacar macacos-de-cheiro (Saimiri sp) e saguis (Saguinus sp) (Marquez et al. 2005).


• Reprodução:
Constrói o ninho em formato de plataforma, com ramos e galhos secos, no alto de árvores em alturas variadas. Coloca de um a quatro ovos que são incubados durante 33 a 37 dias. A fêmea incuba os ovos e o macho responsável por levar alimento ao ninho. Os filhotes ficam sob cuidados dos pais por aproximadamente sete semanas, após esse período começam a caçar e se afastar da área do ninho, embora alguns retornem para o ninho por algumas semanas seguintes de modo que os pais o deem a algo comer.

Em uma área rural de Sacramento/MG, Douglas Fernando (obs. pess.) monitorou as atividades de um ninho de A. bicolor, entre os meses de outubro e dezembro de 2016. O ninho estava situado no alto de uma árvore, a cerca de 4 m do solo. A fêmea, bastante agressiva, durante aproximações humanas sempre defendia a área do ninho através de voos rasantes e vocalizações frenéticas. No final de novembro notou-se a existência de um único filhote, totalmente emplumado, em poleiro nos arredores do ninho ainda dependente dos pais.

• Distribuição Geográfica: Ocorre do sul do México até o nordeste da Argentina, incluindo todo o Brasil.

• Subespécies: São conhecidas quatro subespécies, Accipiter bicolor fidens: ocorre das provínicias de Yucatán, Oaxaca e Veracruz do México ao sul do mesmo país; Accipiter bicolor bicolor: sul do México (Peninsula de Yucatán), América Central até o oeste dos Andes e noroeste do Perú (Lambayeque), Bolívia, leste do Peru e do Brasil; Accipiter bicolor pileatus: Brasil, sul da Amazônia (leste do Mato grosso até o sul do Maranhão e Ceará). Accipiter bicolor guttifer: Brasil (oeste de Mato Grosso), Bolívia até chaco no Paraguai e missiones na Argentina (Del Hoyo et al. 1994; Marquez et al. 2005).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  Espírito Santo: Dados desconhecidos (Simon et al, 2007).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita vários típos de florestas, desde florestas mais densas, matas de galeria, matas secundárias até cerrado mais arbóreo (Sick, 1997; Mikich & Bérnils, 2004). É um gavião florestal de difícil detecção, dificilmente pousa em lugares abertos e raramente plana acima de florestas, costuma ficar em silêncio empoleirado no interior da mata de onde se lança atrás de pequenas aves.

Durante o período reprodutivo costuma voar a grandes altitudes, solitariamente ou em pares, realizando uma série de acrobacias e vários mergulhos que são executados após uma sequência de batidas rápidas de asas (obs. pess. D. Kajiwara, J. L. B. Albuquerque e L. G. Trainini). Devido ao seu comportamento críptico, é provavelmente subestimado em levantamentos ornitológicos, podendo ser mais comum do que aparenta.


Indivíduo adulto.
Sacramento/MG, Nov de 2016.
Foto:
Douglas Fernando

Ninho da espécie.
Sacramento/MG, Nov de 2016.
Foto: Douglas Fernando

Indivíduo jovem.
Sacramento/MG, Nov de 2016.
Foto: Douglas Fernando


Indivíduo jovem.
Ilha do Mel/PR, Maio de 2008
Foto:
Diogo Lagroteria Faria

Indivíduo adulto. Jardim Botânico, Brasília/DF, Nov de 2010.
Foto: Jacek Kisielewski

Indivíduo jovem. Cássia/MG.
Fevereiro de 2010
Foto: José Laerte Casoni



:: Página editada por: Willian Menq em Jan/2017. ::


• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Del Hoyo, .J., ELLIOT, A. E SARGATAL, J. Handbook of the birds of the world (2 v). Bird Life International Lynx Editions, 1994. 638p.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná.

Sick,, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997

Simon, J. E. et al. As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Gavião-bombachinha-grande (Accipiter bicolor) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/accipiter_bicolor.htm > Acesso em: