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Caburé-acanelado
(Aegolius harrisii)

Aegolius harrisii (Cassin, 1849)
Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome popular: caburé-acanelado

Nome em inglês: Buff-fronted Owl
Tamanho: 20 cm de comprimento
Habitat:
Florestas, borda de matas
Alimentação:
Insetos e pequenos vertebrados.

Distribuição no Brasil:



Status: (DD) Dados desconhecidos


Indivíduo adulto - Meruoca/CE, Dezembro de 2013.
Foto: Willian Menq



Vocalização típica [C] - (gravado por: Weber Girão)

• Descrição: A caburé-acanelado (Aegolius harrisii) é uma das corujas menos conhecidas do Brasil, mede cerca de 20 cm de comprimento com peso de 104-155 gramas; apresenta coloração dorsal negra contrastando com disco facial amarelado margeado por uma listra negra e asas e cauda com nódoas brancas e íris amarela (Koing, 1999; Sick, 1997). O termo "canela" refere‑se à coloração predominante da espécie, enquanto "caburé" designa um grupo de corujas pequenas. Também conhecida como caburé-canela e corujinha-de-barriga-amarela..

• Alimentação: Sua alimentação consiste de pequenas aves, insetos, morcegos, marsupiais e roedores (Sick, 1997). Studer & Teixeira (1994) analisaram pelotas regurgitadas próximas aos ninhos, onde constataram a predação de insetos, inclusive coleópters, e crânios do morcego Sturnira lilium, além de ossos de roedores como Oryzomys sp. Morcegos foram capturados junto a esta coruja em redes de neblina, inclusive do gênero Sturnira (Barrionuevo et al. 2008), indicando tentativas de predação.

• Reprodução: Assim como a maioria dos Strigiformes neotropicais, a A. harrisii possui sua biologia reprodutiva pouco conhecida. O período reprodutivo parece variar de acordo com as condições climáticas. Nidifica em cavidades de árvores, especialmente buracos pica-pau, de alturas variadas acima do solo (Konig & Wick 2008). No Brasil, um ninho foi localizado no oco de uma palmeira morta no mês de março contendo três ovos pesando 12,27 g em média, nidificação que resultou em um filhote (Studer e Teixeira 1994). Koing (1999) relatou no noroeste da Argentina (Floresta de Misiones), ninhadas de até três filhotes em árvores ocas. Os ocos são ocupados pelos mesmos indivíduos em anos consecutivos, contudo, o período reprodutivo pode ocorrer em épocas distintas. No período reprodutivo em Salta, Argentina, constatou-se a vocalização mais frequente de machos nos meses de Outubro e Novembro (Koing 1999). Ainda, no final de Setembro, na mesma localidade, jovens já emplumados foram vistos mas nenhuma vocalização foi gravada. Em 1995, a postura de ovos foi registrada no começo de Novembro

Segundo Koing (1999) as vocalizações de machos e fêmeas apresentam diferenças, sendo possível a identificação de machos jovens, com características vocais intermediárias. Cinco tipos de sons foram citados, inclusive um sem registro, associado à cópula. Durante a incubação, e pós eclosão, machos raramente cantam ou respondem ao playback, o que dificulta ainda mais a detecção desta espécie em campo.

• Distribuição Geográfica: Ocorre em quase toda a América do Sul, desde a Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela até o Paraguai e Uruguai. No Brasil ocorre no Planalto Central (Goiás  e Distrito  Federal); Nordeste (Ceará, Pernambuco, Alagoas); e de São Paulo ao Rio Grande do Sul (Sick, 1997).


Indivíduo adulto - Meruoca/CE, Dezembro de 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto - Meruoca/CE, Dezembro de 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto - Campos do Jordão/SP, Junho de 2013.
Foto: Willian Menq

• Subspécies: São conhecidas três subspécies, A. h. harrisii: Venezuela e Bolívia; A. h. ihieringi: norte da Argentina, Paraguai, Uruguai  e Brasil,  entre  os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul; e a subspécie A. h. dabbenei é restrita ao noroeste da Argentina (ICMBIO, 2008).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Dados desconhecidos (ICMBio, 2008).
  São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita os mais variados ambientes, desde florestas densas, mata rala, cerrado, alternando com clareiras e pastagens, até próximo a áreas urbanas (Garcia et al. 2013), com altitudes que podem chegar até 3000 m. Já foi registrada nos pampas gaúchos, indicando que a espécie pode utilizar áreas abertas e degradadas (Rebelato et al 2010). Esta ave conta com poucos dados e carece de estudos sobre distribuição, biologia e ecologia, é considerada uma "espécie-fantasma", ou seja, de dificil detecção em campo (Menq 2011). Acredita-se que esta coruja seja mais discreta do que rara, por talvez apresentar deslocamentos altitudinais sazonais, ter períodos restritos de atividade, e vocalizar pouco, evitando disputas com espécies mais sedentárias (Girão e Albano, 2010).

É uma coruja de temperamento tranquilo, tolerando muitas vezes a aproximação humana, sua vocalização é baixa, é também discreta, talvez seja uma de suas estratégias para evitar a predação de corujas maiores, como Strix hylophila, Strix virgata, Asio clamator e outras potenciais predadores. Se imitada, pode responder ao playback, ou simplismente pousar em galhos baixos próximos procurando a possível "intrusa" (obs. pess. Willian Menq).

•Conservação: No Brasil, já foram encontrados indivíduos de A. harrisii mortos por atropelamentos em rodovias (Santos, 2009; Rebelato et al 2010). Acredita-se que os casos de atropelamentos de A. harrissi e de outras corujas, acontecem quando elas utilizam a rodovia como área de forrageamento, em razão da disponibilidade de pequenos roedores que ocupam o acostamento da rodovia, em busca de recursos como grãos ou brotos de plantações.

A descaracterização de seu habitat preferencial e o pouco conhecimento acerca de sua biologia dificulta a definição de ameaças e a determinação de medidas efetivas para sua conservação. É de extrema importância desenvolver pesquisas sobre sua distribuição, biologia e ecologia, assegurando-lhe um status adequado de conservação e medidas mais efetivas de conservação (Mikich & Bérnils, 2004).



Indivíduo adulto - Meruoca/CE, Dezembro de 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto - Campos do Jordão/SP, Junho de 2013.
Foto: Willian Menq

Fêmea adulta. Dourado/SP,
Maio de 2013
Foto: Matias H. Ternes



Indivíduo adulto - Meruoca/CE, Dezembro de 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto - Campos do Jordão/SP, Junho de 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto - Meruoca/CE, Dezembro de 2013.
Foto: Willian Menq


:: Página editada por: Willian Menq em 2014. ::



Contato



• Referências:

Antas, P. t. Z. e Palo Jr., h. (2009). Guia de Aves: Espécies da Reserva Particular do Patrimônio Natural do SESC Pantanal. Rio de Janeiro: SESC Nacional.

Barrionuevo, C.; Ortiz, d. e Capllonch, P. (2008). Nuevas localidades de la lechucita canela (Aegolius harrisii dabbenei) (Strigidae) para la Argentina. Nuestras Aves, 53:45-47.

Belton W. (1994). Aves do Rio Grande do Sul: distribuição e biologia. Tradução de Teresinha Tesche Roberts. São Leopoldo: Ed. Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Ferguson-Lees, J., and D.A. Christie. (2001). Raptors of the world. Houghton Mifflin, Boston, MA.

Garcia, S.A., S.R. Michel & M. Sander (2013) Primeiro registro documentado do caburé-acanelado Aegolius harrisii para a região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Atualidades Ornitológicas 171: 16-17.

Girão, W. & Albano, C. (2010). Sinopse da história, taxonomia, distribuição e biologia do caboré Aegolius harrisii (Cassin, 1849). Revista Brasileira de Ornitologia, 18 (2):102-109.

ICMBIO, (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

Kaminski, N. (2009). Primeiro registro documentado de Aegolius harrisii para o Estado de Santa Catarina, Brasil. Cotinga, 31:79.

Konig, Claus & Weick, (2008) Friedhelm - “Owls of the World”, 2a edição - 2008 - Christopher Helm - Londres - páginas 447 e 448

König, C. (1999). Zur Ökologie und zum Lautinventar des Blaßstirnkauzes Aegolius harrisii (CASSIN 1849) in
Nordargentinien. Ornithologische Mitteilungen, 51(4):127‑138.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004). Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap. Acessado em: 31 mar 2010.

Menq, S. (2011) Aves de Rapina Brasil - Espécies Fantasmas. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/materias/especies_fantasmas.htm > Acesso em: Setembro de 2011.

Paraná, Instituto Ambiental do. (2009) Planos de Conservação para Espécies de Aves Ameaçadas no Paraná. IAP/Projeto Paraná Biodiversidade, 279 p.

Rebelato, M. M.; Cunha, G. G.; Machado, R. F.; Hartmann, P. A. (2010). Novo registro do caburé-acanelado (Aegolius harrisii) no Bioma Pampa, sul do Brasil. Biotemas, 24 (1): 105-107.

Santos, R. E. F. (2009). Ampliação da distribuição de Aegolius harrisii a partir de coleta por atropelamento. Atualidades Ornitológicas On-line Nº 147 - Janeiro/Fevereiro 2009 - www.ao.com.br.

Sick, H. (1997). Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira.

Silveira, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. (2009). Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Studer, A. & Teixeira, d. M. (1994). Notes on the Buff‑fronted o Aegolius harrisii in Brazil. Bull. Brit. Orn. Cl., 114(1):62‑63.