• Descrição: O mocho-dos-banhados, coruja de boa envergadura e tamanho, mede cerca de 37 cm de comprimento, aspecto delgado e partes inferiores finamente estriadas, possui penas na cabeça em formato de orelhas. Assim como outras corujas, a mocho-dos-banhados possui tarsos e dedos recobertos por penas (Sick, 1997). Pesa cerca de 206-396g (machos) e 260-475g (fêmeas).
• Alimentação: Em grande parte da área de distribuição, a coruja-dos-banhados é uma especialista em pequenos mamíferos, sobretudo roedores, mas também se alimenta de insetos.
• Reprodução: Essa espécie, constroe o ninho diretamente no solo pantanoso, ou em meio ao capim (Ver imagem abaixo) debaixo de arbustos ou até mesmo em uma suave depressão (Pearson, 1936). O número de ovos é bastante variavel, dependendo da abundância de presas. As posturas mais frequentes é de 4 a 8 ovos, podendo chegar até a 16. A fêmea realiza a incubação no ninho, que pode durar de 24 a 29 dias. Os filhotes podem abandonar o ninho muito cedo, mesmo antes de aprenderem a voar, isso porque ficam no solo e se tornam bastante vulneráveis a outros predadores. A coruja-dos-banhados geralmente defende seu ninho com vôos rasantes contra intrusos afim de intimidá-los (inclusive o homem).

Ninho de Asio flammeus, escondido pela vegetação. Peabirú - PR. 2008.
Foto: Willian MenQ S. |

Asio flammeus em vôo sobre o ninho, Peabiru/PR Set 2008.
Foto: Willian MenQ S. |
• Distribuição Geográfica: Espécie bastante comum nas regiões setentrionais da Europa e Ásia, na America do Sul é encontrada em países como Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Sul da Bolívia, seguindo pela porção Andina do Peru, Equador, Colômbia e Venezuela (Sigrist, 2006).
No Brasil ocorre de Minas Gerais e São Paulo até o Rio Grande do Sul. Recentemente foi registrado essa espécie para a região Nordeste do Brasil, registro feito no Distrito de Coaceral, Município de Formosa do Rio Preto, a coruja havia sido avistada por volta das 17 h, Com este registro inédito amplia consideravelmente a distribuição de Asio flammeus para a região Nordeste do Brasil em 430 km a partir do registro mais próximo que seria na Região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Freitas e França, 2009). De acordo com Sick (1997) é uma espécie que realiza migrações, comunente vista em areas campestres.
• Subspécies: A. f. bogotensis: Colômbia, Equador e noroeste do Peru; A. f. domingensis: Hispaniola e Cuba; A. f. flammeus: Ásia, Europa e Américado Norte; A. f. galapagoensis: Ilhas Galápagos; A. f. pallicaudus: norte da Venezuela e Guiana; A. f. ponapensis: Ilha Carolina; A. f. portoricensis: Porto Rico; A. f. sandwichensis: ilhas havaianas; A. f. sanfordi: Ilhas Falklands; A. f. suinda: sul do Peru, oeste da Bolívia, Paraguai, sudeste do Brasil até a Tierra del Fuego (ICMBio, 2008).
• Migração: No hemisfério norte, pesquisadores, nos trabalhos com anilhamento nesta espécie indicam migrações norte/sul e oeste/sudoeste da raça A. f. flammeus, sendo que a população brasileira (A. f. suinda) não apresenta indícios, mas é pouco estudada quanto à migração (ICMBio, 2008).
• Hábitos/Informações Gerais: Habita campos abertos e banhados onde pode ser visualizada caçando mesmo durante o dia, pousando sobre o solo ou peneirando. Pode ser ativa tanto de dia como de noite e também no crepúsculo. A atividade em todos os períodos pode estar relacionada a fatores como escassez de presas e necessidade de alimentar filhotes. Com esses habitos campestres e diurnos torna-se uma espécie inconfundivel pelos seus habitos lembra muito o gavião-do-mangue Circus buffoni tanto pelos hábitos como pelo modo de vôo a baixa altura e lento (Obs. pess. Willian menq).
• Status nas listas vermelhas estaduais: Embora seja uma espécie de distribuição global, no Brasil esta espécie consta na lista vermelhas de alguns estados como no Paraná e São Paulo.
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Paraná: Dados desconhecidos - DD (Mikich & Bérnils, 2004). |
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São Paulo: Em Perigo - EN (Silveira et al., 2009). |
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Rio Grande do Sul: Dados desconhecidos. |
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Minas Gerais: Provavelmente ameaçada (ICMBio, 2008). |
• Ameaças e Medidas para conservação: O mocho-dos-banhados, assim como toda uma variedade de aves que ocupam áreas de Cerrado e Campos Naturais, possivelmente se encontra ameaçada pela supressão dessas paisagens pela inserção e proliferação da agropecuária e da cultura de arbóreas exóticas (especialmente pínus) (Mikich & Bérnils, 2004).
As medidas emergenciais a serem tomadas para a proteção desta espécie, extensivas a toda uma variedade de aves campícolas, é a proteção e recuperação de seus hábitats naturais mediante a criação ou ampliação de unidades de conservação que amparem e permitam a regeneração da paisagem dos Campos Naturais paranaenses. Com especial ênfase ao diagnóstico dos micro-ambientes campestres ocupados por esta espécie, são necessários estudos visando um maior grau de detalhamento de suas características biológicas, ecológicas e de distribuição, fornecendo pormenores de suas exigências ambientais e, conseqüentemente, medidas conservacionistas mais efetivas (Mikich & Bérnils, 2004).

Asio flammeus registrada no município de Formosa do Rio Preto - Bahia. Registro inédito desta espécies para esta região do Brasil. Foto: Marco Antônio de Freitas

Asio flammeus registrada no município de Formosa do Rio Preto - Bahia. Registro inédito desta espécies para esta região do Brasil. Foto: Marco Antônio de Freitas
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
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• Referências:
Freitas, M. A. França, D. P. F. 2009. Primeiro Registro do Mocho-dos-banhados Asio Flammeus Aves; Strigidae para o Nordeste Brasileiro. Atualidade Ornitológicas n 148, p 15.
ICMBIO, 2008. Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004.Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná.
Pearson, T. G., ed. 1936. Birds of America. Garden City Books, Garden City.
Sick, H. 1997. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.
Silveira, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
Sigrist, T. 2006. Aves do Brasil, uma visão artistica. Editora AvisBrasilis, São Paulo, 672p.
