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Mocho-dos-banhados
Asio flammeus (Pontoppidan, 1763)

Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Short-eared Owl
Habitat:
Campos e banhados
Alimentação:
Roedores e insetos.


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Americana/SP, Junho de 2014.
Foto:
Gustavo Pinto

Vocalização de alarme - defendendo área do ninho
(gravado por: Nunes D'Acosta - Xenocanto)

Trata-se de uma bela e possante coruja. Ativa tanto à noite quando de dia, é frequentemente encontrada em campos naturais, pastagens e banhados, onde pode ser vista voando baixo a procura de presas ou pousada sobre arbustos, mourões de cerca ou no solo. Também pode ser encontrada em áreas próximas a cidades ou até terrenos baldios dentro das áreas urbanas.

• Descrição: Mede, em média, 37 cm de comprimento, peso de 206-396 g (macho) e 260-475 g (fêmea). Apresenta dorso marrom escuro estriado e salpicado de pardo, com partes inferiores pardo, com estrias escuras mais espessas no pescoço. Possui "orelhas" curtas pouco visiveis, curta sobrancelha clara e face parda, com mascara escura contornando os olhos amarelos. (Sick 1997; Gwynne et al. 2010). Assim como outras corujas, possui tarsos e dedos recobertos por penas (Sick 1997).


Indivíduo adulto. Fz. Nova Suécia - Sacramento/MG, Nov 2009.
Foto:
Alessandro Abdala

Fêmea adulta em voo
Americana/SP, Julho de 2014.
Foto:
Gustavo Pinto

Indivíduo adulto Serra da Canastra - Sacramento/MG, Janeiro 2012.
Foto:
João Sérgio Barros

• Alimentação: É uma especialista em pequenos mamíferos, especialmente roedores, mas também se alimenta de insetos (Sick 1997). Pode caçar durante o dia, no crepúsculo e a noite. A atividade de caça da espécie em todos os períodos do dia pode estar relacionada a fatores como escassez de presas e necessidade de alimentar filhotes. Normalmente sobrevoa campos e pastos, em voos rasantes, para procurar suas presas.

• Reprodução: Constrói seu ninho diretamente no solo pantanoso, ou em meio ao capim, debaixo de arbustos ou até mesmo em uma suave depressão (Pearson 1936). O tamanho da postura é bastante variável, muitas vezes está relacionada à abundância de presas. Normalmente coloca de 4 a 8 ovos, podendo chegar até a 16 (Sick 1997, Antas 2005). A fêmea realiza a incubação no ninho, que pode durar de 24 a 29 dias. Os filhotes podem abandonar o ninho muito cedo, mesmo antes de aprenderem a voar, isso porque ficam no solo e se tornam bastante vulneráveis a outros predadores (Konig 2008).

No município de Americana/SP, Gustavo Pinto (obs. pess. 2014) encontrou três ninhos da espécie. De forma geral, os ninhos estavam localizados em meio à vegetação de capim (Brachiaria sp). Em um dos ninhos monitorados, foi verificada a postura de 4 ovos. A fêmea, responsável pela incubação, era alimentada pelo macho diariamente; a maioria das presas levadas ao ninho pelo macho eram roedores. O macho apresentava atividades de caça concentradas entre 15 e 16 hs com um segundo pico entre 18 e 20 hs. Após aproximadamente 40 dias apenas dois filhotes sobreviveram e saíram do ninho, permanecendo na área de entorno sendo alimentado pelos pais.

No município de Peabiru, noroeste do Paraná, Willian Menq (obs. pess. 2008) encontrou um ninho ativo da espécie. O ninho havia sido construído no meio de um capinzal com cerca de 80 cm de altura, suficiente para camuflar a coruja. No ninho foram encontrados dois ovos, que eram incubados pela fêmea. O macho permanecia nos arredores vigiando o ninho. Após duas semanas do primeiro registro, o casal não foi mais verificado no local, e o ninho encontrava-se abandonado com os ovos. A causa do desaparecimento das corujas são desconhecidas. Um mês após o evento, o casal foi visto pelas redondezas, mas sem indícios que estavam nidificando. Em outra observação no município de Peabiru, foi visualizado um indivíduo adulto pousado em um mourão de cerca ao lado de uma pastagem, talvez indicando que este seja o único tipo de ambiente capaz de sustentar a A. flammeus na região.


Filhotes (ninhegos) no ninho.
Americana/SP. Junho de 2014.
Foto:
Gustavo Pinto

Filhote no ninho. Sao Joaquim da Barra/SP, Abril de 2013.
Foto:
Francielly Reis

Ninho com dois ovos encontrado em Peabiru/PR. Setembro de 2008.
Foto: Willian Menq

• Distribuição Geográfica: É uma coruja cosmopolita, ocorre nas regiões setentrionais da Europa, Ásia, América do Norte e Oceania (Konig 2008). Na America do Sul é encontrada na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Sul da Bolívia, seguindo pela porção Andina do Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Brasil (Sigrist, 2006). No Brasil ocorre da Bahia e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul (Sick 1997, Freitas & França 2009).

• Subespécies: São conhecidas dez subespécies: A. f. bogotensis: Colômbia, Equador e noroeste do Peru; A. f. domingensis: Hispaniola e Cuba; A. f. flammeus: Ásia, Europa e América do Norte; A. f. galapagoensis: Ilhas Galápagos; A. f. pallicaudus: norte da Venezuela e Guiana; A. f. ponapensis: Ilha Carolina; A. f. portoricensis: Porto Rico; A. f. sandwichensis: ilhas havaianas; A. f. sanfordi: Ilhas Falklands; A. f. suinda: sul do Peru, oeste da Bolívia, Paraguai, sudeste do Brasil até a Tierra del Fuego.

• Migração: No hemisfério norte, trabalhos com anilhamento indicaram migrações norte/sul e oeste/sudoeste da raça A. f. flammeus. Por enquanto pouco se sabe se o mesmo ocorre com a subspécie brasileira, a A. f. suinda.

• Hábitos/Informações Gerais: Habita campos abertos e banhados onde pode ser visualizada caçando mesmo durante o dia, pousada sobre o solo ou peneirando. Pode ser ativa tanto de dia como de noite e também no crepúsculo. No crepúsculo, gosta de sobrevoar campos e pastos, a procura de presas. No período reprodutivo é bastante territorialista, defende seu ninho com voos rasantes contra intrusos a fim de intimidá-los.

• Status nas listas vermelhas estaduais: Embora seja uma ave de distribuição global, no Brasil está presente nas listas vermelhas de alguns estados:

  Paraná: Dados desconhecidos - DD (Mikich & Bérnils, 2004).
  São Paulo: Em Perigo - EN (Silveira et al., 2009).
  Rio Grande do Sul: Dados desconhecidos - DD (ICMBio, 2008).
  Minas Gerais: Provavelmente ameaçada - DD (ICMBio, 2008).
  Santa Catarina: Vulnerável - VU (Consema 2011).

• Ameaças e Medidas para conservação: Assim como toda uma variedade de aves que ocupam áreas de cerrado e campos naturais, a A. flammeus possivelmente esteja ameaçada devido supressão dessas paisagens pela inserção e proliferação da agropecuária, e da cultura de arbóreas exóticas (especialmente Pinus) (Mikich & Bérnils, 2004) e de queimadas em terrenos baldios e plantações, onde a espécie pode nidificar.


Indivíduo adulto. Americana/SP, Outubro de 2014.
Foto:
Gustavo Pinto

Indivíduo adulto em voo sobre o ninho. Peabiru/PR Setembro 2008.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Americana/SP. Junho de 2013.
Foto:
Gustavo Pinto


Indivíduo adulto. Rio Claro/SP,
Set 2014. Foto:
Gustavo Pinto

Indivíduo adulto, Sacramento/MG, Jan 2012. Foto: João Sérgio Barros

Indivíduo em Formosa do Rio Preto/BA. Foto: Marco A. de Freitas


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::


• Referências:

Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) (2011) Resolução   nº02/2011—Reconhece a lista oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção no Estado de Santa Catarina e dá outras providências. Florianópolis: CONSEMA/ SDS.

Freitas, M. A. França, D. P. F. (2009) Primeiro Registro do Mocho-dos-banhados Asio Flammeus Aves; Strigidae para o Nordeste Brasileiro. Atualidade Ornitológicas n 148, p 15.

Gwynne, J. A.; Ridgely, R. S.; Tudor, G. & Argel, M. (2010) Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado. São Paulo: Ed. Novo Horizonte.

ICMBio (2008) Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

Konig, Claus & Weick, Friedhelm. (2008) "Owls of the World". 2a edição.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. IAP: Curitiba.

Pearson, T. G., ed. (1936) Birds of America. Garden City Books, Garden City.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Sigrist, T. (2006) Aves do Brasil, uma visão artistica. Editora AvisBrasilis, São Paulo, 672p.

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Mocho-dos-banhados (Asio flammeus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/asio_flammeus.htm > Acesso em: