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Coruja-buraqueira
Athene cunicularia (Molina, 1782)

Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Burrowing Owl
Habitat:
Campos e áreas urbanas
Alimentação:
Insetos e pequenos vertebrados.

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Caraguatatuba/SP, Novembro de 2016.
Foto: Willian Menq


Vocalização de chamado (B) - (gravado por: Glauco A. Pereira)

• Descrição: Possui de 19 a 26 cm de comprimento e peso de 147-240 g, apresenta as sobrancelhas brancas, olhos amarelos, asa arredondada, cauda curta e pernas longas (Sick, 1997). Apresenta coloração cor de terra, às vezes, avermelhada, estratégia natural para se camuflar no solo. Ao contrário a maioria das corujas o macho é ligeiramente maior que a fêmea, e devido aos hábitos terrícolas as fêmeas são normalmente mais "sujas" que os machos (Antas, 2005; Sigrist, 2007).

Recebe o nome científico cunicularia (“pequeno mineiro”) devido ao hábito de viver em buracos e cavidades no solo. Também conhecida pelos nomes de caburé-do-campo, coruja-do-campo, coruja-mineira, corujinha-do-buraco, guedé, urucuera, urucuréia e urucuriá.

• Alimentação: Alimenta-se de roedores, morcegos, répteis, anfíbios, insetos e pequenas aves. No Brasil grande parte de sua dieta é constituída de invertebrados, como insetos e aranhas (Sick, 1997; Motta-Jr, 1996; Teixeira & Melo, 2000).

Segundo Motta-Junior (2006), um casal de corujas-buraqueiras consome de 12.300 a 26.200 insetos, e de 540 a 1.100 roedores por ano, verdadeiras controladoras de pragas urbanas. Motta-Junior (2006) considera a espécie como insetívora em relação a quantidade de presas consumidas, mas em relação à biomassa, qualifica a espécie como sendo predadora predominantemente de pequenos roedores e, portanto, carnívora.

• Reprodução: Como seu próprio nome diz, nidifica no solo, seja em buracos abertos por ela mesma, seja abandonados por tatus, e readaptados pelas corujas. A qualquer sinal de perigo emitem um som alto, forte e estridente. Esse alarme é dado durante o dia, chamando a atenção para a coruja, os filhotes, ao escutarem o alerta, entram no ninho, enquanto os adultos voam para pousos expostos e atacam decididamente qualquer fonte de perigo para os filhos (Antas, 2005; Sick, 1997; Boyer and Hume, 1991). As covas possuem em torno de 1,5 a 3 m de profundidade e 30 a 90 cm de largura. Ao redor acumula estrume e se alimenta dos insetos atraídos pelo cheiro.

Coloca em média 6 a 11 ovos, o número mais comum é de 7 a 9 ovos. A incubação dura de 28 a 30 dias e é executada somente pela fêmea. Quando os filhotes estão com 14 dias podem ser vistos empoleirando a entrada da cova, esperando pelos adultos e pela comida. Os filhotes saem do ninho com aproximadamente 44 dias e começam a caçar insetos quando estão com 49 a 56 dias. Durante a noite emitem chamados de acasalamento e territorial, de tom semelhante a outras corujas, graves e completamente diferentes dos silvos diurnos de alarme (Antas, 2005; Sick, 1997; Boyer and Hume, 1991). Podem defender o ninho, voando em direção a um predador potencial, como serpentes, cachorros, gatos, inclusive pessoas, desviando no último momento (Sick, 1997).

• Distribuição Geográfica: Ocorre do Canadá à Terra do Fogo, bem como em quase todo o Brasil, exceto nas áreas densamente florestas (Sick, 1997).

• Hábitos/Informações Gerais: Vive em ambientes abertos, como campos naturais, cerrado, campo limpo, pastagens, áreas urbanas como aterros, campos de futebol, jardins, etc. Terrícola, tem hábitos diurnos e noturnos, mas é ativa, principalmente durante o crepúsculo. Adultos ou filhotes são facilmente encontrados em frente ao ninho ou pousados em postes e montes de terra próximos do seu abrigo. Vivem no mínimo 9 anos em habitat selvagem.

Lacava (2002) descreveu o fenômeno do "querido inimigo” na A. cunicularia, fenômeno já descrito algumas vezes em várias espécies de animais (Temeles, 1994). Esse fenômeno consiste quando um animal, dono de um território, responde menos agressivamente a um intruso que é seu vizinho (conhecido) do que a um que não seja seu vizinho (desconhecido). O animal reconhecendo seu inimigo vizinho estaria reduzindo a energia gasta na defesa do território, economizando para defender contra inimigos estranhos e potencialmente mais perigosos (Krebs 1971). Lacava (2002) observou esse comportamento de forma intraespecífica, onde as corujas de ambientes urbanos se habituaram a presença humana perto de seus ninhos, dependendo do grau de perturbação de seus ninhos.


Filhotes nas proximidades do ninho. Florianópolis/SC, Setembro de 2012.
Foto: Willian Menq


Casal adulto. Caraguatatuba/SP
Novembro de 2014.
Foto: Willian Menq

Filhotes no ninho. Engenheiro Coelho/SP. Novembro 2009.
Foto:
André L. M. C.




Indivíduo jovem. São Gabriel/RS.
Maio 2011. Foto: José Paulo Dias


Indivíduo adulto. Itamaraju/BA,
Jun 2009. Foto: Sávio Drummond

Indivíduo adulto. R. Cascalheira/MT, Fev. 2014. Foto: Willian Menq



:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::



• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN: Sesc.

Boyer & Hume. (1997) Owls of the World. BookSales Inc.

Sigrist, T. (2007) Guia de Campo - Aves do Brasil Central. Avis Brasilis.

Krebs, J. R. (1971) Territorial and breeding density in the great tit Parus major L. Ecology 52:2-22.

Lacava, R. V. (2002) Influência da ação agonística no comportamento agonístico da coruja buraqueira. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 10, p. 237-240.

Motta-Junior, J. C. (1996) Ecologia alimentar de corujas (Aves: Strigiformes) na região central do Estado de São Paulo: biomassa, sazonalidade. Universidade Federal de São Carlos.

Motta-Junior, J. C. (2006) Relações tróficas entre cinco Strigiformes simpátricas na região central do Estado São Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia, 14(4): 359-377.

Motta-Junior, J. C.; Bueno, A. A.; Braga, A. C. R. (2006) Corujas Brasileiras. Departamento de Ecologia, Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Link: < http://www.ib.usp.br/labecoaves/PDFs/pdf30CorujasIBC.pdf > Acesso em Maio de 2013

Owl Pages - Information, Pictures, Sounds, from The Owl Pages. Disponivel em <http://www.owlpages.com/owls.php?genus=Bubo&species=virginianus> Acesso em Fevereiro de 2010

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Teixeira, F. M. & Melo, C. (2000) Dieta de Speotyto cunicularia Molina, 1782 (Strigiformes) na região de Uberlândia, Minas Gerais. Ararajuba, v. 8, n. 2. p. 127-131

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Coruja-buraqueira (Athene cunicularia) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/athene_cunicularia.htm > Acesso em: