• Descrição: Essa espécie foi descrita pelo pesquisador Johann Gmelin em 1788, vista pela primeira vez pelo cientista em Virgínia, nos EUA, razão do nome cíentifico virginianus que foi em homenagem a esta região. A Bubo virginianus, popularmente chamada de Jucurutu ou Corujão possui cerca de 50 cm de comprimento, envergadura de 101 a 153 cm e peso de mais de um quilo, é um predador de topo, é a maior coruja do continente americano, é também a única espécie do gênero (Bubo) no continente. No adulto, destacam-se as “orelhas”, penas mantidas altas nos lados da cabeça, embora não tenham qualquer auxiliar na audição. O disco facial tem papel importante como refletor sonoro, ampliando o volume do som aprimorando a localização da presa. O corpo é todo cinza escuro, com finas listras transversais mais claras na barriga. Garganta toda branca e íris amarelo alaranjado.
Também é conhecido pelos nomes de mocho-orelhudo, jucurutu ou corujão-orelhudo. No período de reprodução, canta muito, um chamado relativamente longo e com um ano meio, parecendo estar dizendo “João...curutu”. A primeira parte é mais grave e a segunda, mais aguda e rápida. Responde a uma imitação e aproxima-separa verificar a fonte. Canta mais de julho a dezembro (Antas, 2005).

Parque Estadual do Cantão. Caseara - TO
Foto: Bruno Rennó
• Alimentação: Alimenta-se de pequenos mamíferos como filhotes de cutia, gatos e preás, porém não rejeita insetos. Caça também outras aves, muitas vezes no interior de ocos. Aparece, com freqüência, nos ninhais de garças e cabeça-seca, podendo ser um predador eficaz de filhotes dessas aves. Como método de caça, ficam em um poleiro até localizar a presa para que então voe silenciosamente até ela e a capture com as garras. Há registros dessa espécie investindo contra galinhas domésticas em areas habitadas, roedores e coelhos também podem ser predadados por esta coruja.
• Reprodução: Coloca seus ovos nos ninhos de outras aves e caturrita ou no chão, entre capins (raramente). Nidifica em ninhos abandonados, cavernas ou penhascos. postura de 1 ou 2 ovos nas regiões tropicais e 6 a 7 nas regiões mais ao norte (Millidge, 1999). Os ovos são incubados pela fêmea por 26-35 dias, os jovens começam a alçar os primeiros vôos e sair do ninho com 6 a 7 semanas de vida. O território é mantido pelo casal por vários anos (Owl pages, 2010).
• Distribuição Geográfica: Ocorre da América do Norte à Terra do Fogo. No Brasil, aparece na Amazônia, na região Centro-oeste, Nordeste e Leste do Brasil (Sick, 1997).
• Subspécies: Existem 14 subspécies dessa espécie, são elas: B. v. virginianus, B. v. elachistus, B. v. heterocnemis, B. v. lagophonus, B. v. mayensis, B. v. mesembrinus, B. v. nacurutu, B. v. nigrescens, B. v. pacificus, B. v. pallescens, B. v. saturatus, B. v. subarcticus, B. v. wapacuthu, B. v. deserti. Dentre estas citadas, as subespécies que ocorrem no Brasil é a Bubo virginianus nacurutu, encontrada na Amazônia, Mato Grosso, Goias e Rio Grande do Sul e a Bubo virginianus deserti que habita a região árida do nordeste do Brasil (Burton, 1973), a B. v. deserti esta na lista de espécies ameaçadas nos estados em que ela ocorre devido a insuficiência de dados do tamanho populacional desta subspécie (ICMBio, 2008).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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São Paulo: Vulnerável (Silveira et al., 2009). |
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Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000). |
• Hábitos Informações Gerais: Habita beira da mata, capões e nos campos, normalmente próximo da água. Apesar do tamanho, não é fácil de ser encontrada durante o dia. Esconde-se no meio da folhagem das árvores ou sobre ninhos abandonados. Como na maioria das aves noturnas, esta coruja é mais ouvida anoite do que observada (Antas, 2005). Noturna, assim como nas outras espécies, ela possui vôo silencioso, possibilitado pela estrutura das penas a qual elimina componentes ultra-sônicos, facilitando a caça e a orientação da ave. Na natureza essa espécie pode viver até 13 anos, a maioria da mortalidade dessa espécie na natureza está relacionada ao homem: caça indiscriminada, armadilhas, atropelamentos e electrocuções. São pouquissimos inimigos naturais da Bubo virginianus, geralmente alguns gaviões e outras corujas da mesma espécie. Há registros de falcões peregrinos atacando individuos adultos dessa espécie (Owl pages, 2010).

Bubo virginianus fotografado nas matas ciliares do rio Vacacai. Santa Maria - RS. Foto: Marcelo Xavier
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN: Sesc. 2005.
Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Boyer and Hume. 1991. "Owls of the World". BookSales Inc
BURTON, J.A. ed.1973. Ows of the world: their evolution, structure and ecology. Milano, Librex.
Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.
ICMBIO (2008).Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: ICMBio, 2008. 136 p. (Série Espécies Ameaçadas, 5).
Millidge, J. Aves de Rapina; guia prático. Editora Nobel, 1999.
Owl Pages - Great Horned Owl - Bubo virginianus - Information, Pictures, Sounds, from The Owl Pages. Disponivel em <http://www.owlpages.com/owls.php?genus=Bubo&species=virginianus> Acesso em Fevereiro de 2010
SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
