INICIO > ESPÉCIES DO BRASIL > JACURUTU  

Jacurutu
Bubo virginianus (Gmelin, 1788)

Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Great horned Owl
Habitat:
Campos e Savanas.
Alimentação:
Pequenos mamíferos
e aves.


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Rio Claro/SP, Julho de 2016.
Foto: Willian Menq


Vocalização típica (A) - (gravado por: Nathan Pieplow)

Grande e poderosa, é a maior coruja existente no Brasil e uma das maiores da América. Prefere viver em capões de mata, cerrado e áreas campestres. Possui dieta variada, caça desde pequenas aves até filhotes de cutias, gambás e roedores. Também conhecida como corujão, joão-curutu e corujão-orelhudo.

• Descrição: Possui cerca de 50 cm de comprimento, envergadura de 101 a 153 cm, com fêmeas que podem ultrapassar 2 kg (Burton, 1973; Sick, 1997). Apresenta plumagem que varia do marrom ao cinza escuro, com finas listras transversais mais claras na barriga. Garganta toda branca e íris amarelo alaranjado. No adulto, destacam-se as “orelhas”, tufo de penas localizados nos lados da cabeça, que na verdade não auxilia na audição (Burton, 1973; Sick, 1997).


• Status nas listas vermelhas estaduais:

  São Paulo: Vulnerável (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves et al. 2000).

• Alimentação: Dieta bastante diversificada, caça pequenos mamíferos como filhotes de cutias, preás, roedores, gambás; e aves grandes, como marrecas, garças, incluindo pequenos gaviões e corujas (Sick 1997, Dornas & pinheiro 2007). Em menor frequência, preda sapos, lagartos, aranhas e grandes insetos (Sick 1997; Holt 1999; Antas 2005). Há registros de Bubo virginianus investindo contra galinhas e outras aves domésticas em áreas habitadas. No pantanal, aparece nos ninhais de garças e de cabeça-seca atrás dos filhotes dessas aves (Antas 2005; Sick 1997).

Como método de caça principal, permanece em um poleiro até localizar a presa para então voar silenciosamente até ela e capturá-la com as garras. Também explora cavidades e ocos de árvores atrás de pequenos vertebrados. No município de Santa Margarida do Sul/RS, J. Paulo dias (obs. pess.) observou durante a noite, uma B. virginianus predando uma caturrita (Myiopsitta monachus) no ninho. A coruja voou até o ninho da caturrita, pousou na entrada deste e enfiou uma das garras no ninho, retirando a ave do interior.

• Reprodução: Utiliza ninhos abandonados para nidificar, penhascos, cavernas ou mais raramente entre capins no solo. A postura é de 1 ou 2 ovos nas regiões tropicais e 6 a 7 nas regiões mais frias do continente (Millidge 1999). Os ovos são incubados pela fêmea por 26-35 dias, os jovens começam a alçar os primeiros voos e sair do ninho com 6 a 7 semanas de vida. O território é mantido pelo casal por vários anos (Owl pages, 2010). No período de reprodução, canta muito, um chamado relativamente longo, parecendo estar dizendo “João...curutu”. A primeira parte é mais grave e a segunda, mais aguda e rápida (Antas, 2005).

No município de Pindamonhangaba/SP, Juliano M. Gomes (obs. pess.) monitorou, entre os meses julho e novembro de 2016, um ninho ativo de Bubo virginianus. O ninho foi encontrado em uma árvore baixa, acomodado com ramos e gravetos secos, localizado no interior de uma pequena mata ciliar na área rural do município. No dia 28/07 foi constatado a presença de três ovos no ninho, e na semana seguinte (06/08) um dos ovos foi encontrado quebrado no solo, talvez derrubado acidentalmente pela fêmea. No dia 20/08 os filhotes já haviam eclodidos, sendo que nas semanas seguintes (04/09) constatou-se que apenas um filhote sobreviveu. No mês seguinte, 04/10, o filhote encontrava-se totalmente emplumado e nos arredores do ninho, ainda dependente dos pais para alimentação. O filhote continuou sendo observado na área até o início de novembro, quando então não foi mais visto (obs. pess. J. M. Gomes).

• Distribuição Geográfica: Ocorre por toda a América, desde o Canadá até a Terra do Fogo. No Brasil, ocorre em quase todos os Estados, desde a região centro-oeste, nordeste até o extremo sul do país (Sick, 1997). Na região norte pode ser encontrada nos arredores de áreas urbanas ou zonas desmatadas da Amazônia.

• Subespécies: São conhecidas 14 subespécies: B. v. virginianus, B. v. elachistus, B. v. heterocnemis, B. v. lagophonus, B. v. mayensis, B. v. mesembrinus, B. v. nacurutu, B. v. nigrescens, B. v. pacificus, B. v. pallescens, B. v. saturatus, B. v. subarcticus, B. v. wapacuthu, B. v. deserti. Dentre estas citadas, as subespécies que ocorrem no Brasil é a B. v. nacurutu, encontrada na Amazônia, Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul e a B. v. deserti que habita a região árida do nordeste do Brasil (Burton, 1973), a B. v. deserti está na lista de espécies ameaçadas nos estados em que ela ocorre devido à insuficiência de dados do tamanho populacional desta subspécie (ICMBio, 2008).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita borda de matas, capões, matas secas, matas mesófilas, cerrado e campos naturais, sendo ausente em florestas densas e úmidas. É ativa durante a noite, durante o dia esconde-se entre densa folhagem de árvores ou arbustos, em reentrâncias de penhascos, entre rochas ou em rachaduras de grandes troncos (Antas, 2005). No crepúsculo, frequentemente vocaliza alguns chamados de seu poleiro antes de voar para um poleiro em áreas mais abertas, frequentemente uma rocha ou um galho exposto, de onde vocaliza.



Indivíduo adulto.
Stª Margarida do Sul/RS.
Foto: José Paulo Dias

Indivíduo adulto.
Stª Margarida do Sul/RS.
Foto: José Paulo Dias

Indivíduo adulto.
Stª Margarida do Sul/RS.
Foto: José Paulo Dias



Filhote junto ao adulto. Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Out 2010. Foto: Douglas P.R. Fernandes

Indivíduo no ninho. Santa Margarida do Sul/RS, Setembro de 2011.
Foto:
José Paulo Dias

Filhote no solo. Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Outubro 2010.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes


Indivíduo predando um gambá
(Didelphisaurita) adulto.
Divinópolis/MG, Set de 2016.
Foto:
Carlos H. P. Canaan

Indivíduo adulto.
Santa Margarida do Sul/RS.
Janeiro de 2013.
Foto: José Paulo Dias

Macho adulto.
Ribeirão Cascalheira/MT,
Dezembro de 2013.
Foto: Willian Menq



:: Página editada por: Willian Menq em Jan/2017. ::


• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN: Sesc.

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Boyer & Hume (1991) "Owls of the World". BookSales Inc

Burton, J.A. ed. (1973) Ows of the world: their evolution, structure and ecology. Milano, Librex.

Dornas, T. & Pinheiro, R. T. (2007) Predação de Opisthocomus hoazin por Spizaetus ornatus e de Bubulcus ibis por Bubo virginianus em Tocantins, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 15(4):601-604.

HOLT, D.W.; BERKLEY, R.; DEPPE, C.; ENRÍQUEZ-ROCHA, P.L.; PETERSEN, J.L.; RANGEL-SALAZAR, J.L.; SEGARS, K.P. & WOOD, K.L. (1999) Species acounts of Strigidae. Em: Del Hoyo, J., A. Elliott, e J. Sargatal, (eds.) Handbook of the birds of the world. Volume: 5: barn-owls to hummingbirds. Barcelona, Espanha. Lynx Edicions. 759p

ICMBio (2008).Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: ICMBio, 2008. 136 p. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

Millidge, J. (1999) Aves de Rapina; guia prático. Editora Nobel.

Owl Pages - Great Horned Owl - Bubo virginianus - Information, Pictures, Sounds, from The Owl Pages. Disponivel em <http://www.owlpages.com/owls.php?genus=Bubo&species=virginianus> Acesso em Fevereiro de 2010

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2017) Jacurutu (Bubo virginianus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/bubo_virginianus.htm > Acesso em: