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Gavião-de-cauda-curta
(Buteo brachyurus)

Buteo brachyurus (Vieillot, 1816)
Ordem: Falconiformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões
Nome popular: gavião-de-cauda-curta

Nome em inglês: Short-taided-hawk
Tamanho: 37-46 cm de comprimento
Habitat:
Florestas, borda de matas
Alimentação:
Aves e pequenos animais


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Gavião de cauda curta em Voo. Goiânia - GO / maio de 2009.
Foto:
Wagner Machado C Lemes


Vocalização de chamado (C) - (gravado por: Sidnei de Melo)

• Descrição: Atinge de 37 a 46 cm de comprimento, os machos pesam de 450-470g e as fêmeas 425-530g (Marquez et al, 2005; del Hoyo et al. 1994). O gavião-de-cauda-curta possui uma cauda barrada, partes inferiores branco-puras e partes superiores e lados da cabeça pretos no adulto e pardos nos indivíduos de plumagem imatura (Sick, 1997). Existe individuos da espécie que possuem mêlanismo, ou seja, uma plumagem escura quase negra. Em vôo pode ser confundido com o Buteo albicaudatus diferenciando-se principalmente pela cauda que nesta espécie é barrada. A denominação brachyurus significa: cauda curta; “brachy” (latim) é curto, achatado, enquanto que “uros” é cauda (Márquez et al, 2005). Conhecido também como Gavião-de-rabadilha-branca.

• Alimentação: Estudos mais antigos sobre a dieta desta espécie, relatam uma alimentação variada, principalmente de invertebrados como gafanhotos, percevejos, formigas, vespas, cupins e aranhas. Insetos voadores são capturados com as patas e geralmente devorados em vôo; caçam também répteis, anfíbios, pequenas aves e roedores (del Hoyo et al, 2004; Sick, 1997). Segundo Ogden (1974) este gavião é um predador especializado em aves, mostrando adaptações tanto morfológicas quanto comportamentais para a captura desse tipo de presa.

A maioria dos datos sobre alimentação dessa espécie são de dados provenientes da Flórida - EUA, lá a a principal dieta desta espécie são aves pequenas (96,3 %) inclusive casos de predação contra Falco sparverius e Accipiter striatus, roedores (3 %), e ocasionalmente lagartos e insetos (del Hoyo et al. 1994). Essa dieta ornitófaga possibilita sua existência em plena metrópole, como na cidade de São Paulo por exemplo onde capturam pequenas aves em voo ou quando estão pousadas no topo de árvores (Monsalvo, 2010). Christianini (2005) registrou a predação de B. brachyurus sobre Crypturellus parvirostris (Inhambu-chororó) em um fragmento de floresta semidecídua no município de Gália-SP, no sul da distribuição deste gavião. Este é provavelmente o registro da maior ave já capturada por esta espécie.


Gavião-de-cauda-curta alimentando-se de uma ave. Morro do Boa Vista - Joinville/SC. Setembro de 2009

Foto: Marcos Piske

• Reprodução: No período de reprodução o macho realiza vôos nupciais, são vôos circulares seguido de descidas repentinas. Durante o acasalamento emitem seus gritos, sendo geralmente compostos de assobios finos. Constroem o ninho com ramos e gravetos com um cerca de 70cm de diâmetro, em árvores a uma altura que varia de 2 a a 30 metros (del Hoyo et al. 1994). A fêmea realiza a postura de 2 ovos que geralmente apenas um desenvolve, o filhote mais velho elimina o mais novo, a competição começa desde o ninho (Newton, 1977). Os ovos são manchados e tem coloração variada, tem um perido média de incubação de 34 dias. Os filhotes ficam dependente dos pais por aproximadamente 6 meses e se tornam adultos com 2-3 anos de idade (Marquez et al, 2005; Ferguson-Lees e Christie, 2001; del Hoyo et al, 2004; Newton, 1977).

Na capital de São Paulo, Monsalvo (2010) acompanhou um casal com plumagem Dark morph (melânico) se reproduzindo em um parque urbano da cidade desde 2008. O ninho estava localizado ao lado de uma via movimentada. Duas semanas pós o primeiro vôo, a filhote já havia abandonado definitivamente o ninho, mas ainda passava a maior parte do dia pousada em uma árvore a cerca de 50m dali, vocalizando constantemente, e seus voos se limitavam a um raio de 100m do ninho. Nesses voos às vezes acompanhava a mãe, e já tentava imitar suas manobras, como rasantes na copa das árvores. Também nessa fase, foi observada pela primeira vez a transferência de presa do macho (único responsável pela alimentação da família) para a filhote em pleno ar. O macho parava no ar, vocalizando e mantendo a posição apenas com sutis movimentos das asas e cauda, com a presa nas garras. Quando a filhote se aproximava voando por baixo, o pai soltava a presa e a filhote a agarrava durante a queda. No decorrer das semanas, o filhote vocalizava cada vez menos, e dedicava cada vez mais tempo a desenvolver atividades de caça. No entanto, até os 3 meses de idade ainda não fôra observada capturando nenhuma presa, ainda se mantendo a menos de 300m do ninho até os 4 meses de idade, quando deixou a área (Monsalvo, 2010). Mais sobre reprodução...


Gavião-de-cauda-curta fotografado em Santana de Parnaíba/SP, Maio de 2009
Foto:
Jean Santos

• Distribuição Geográfica: Presente desde o sul dos Estados Unidos (Flórida) e México até a Argentina e Paraguai, e em todo o Brasil (del Hoyo et al, 2004).

• Subspécies: São reconhecidas ao todo duas subspécies do Gavião-de-cauda-curta, são elas: Buteo brachyurus fuliginosus: ocorre do sul da Flórida (Estados Unidos), leste do México até o Panamá. Buteo brachyurus brachyurus: Colombia, oeste do Equador, Guianas, Peru, Bolívia Paraguai e por todo o Brasil até o norte da Argentina (Jujuy, Tucumán, Misiones) (Blake 1977; Marquez et al, 2005; del Hoyo et al. 1994).

• Hábitos/Informações gerais: È um dos mais acrobáticos gaviões do gênero Buteo voa com um falcão realizando võos picados espetaculares sobre o dossel da mata, as vezes próximo a copa das arvores onde costuma capturar as aves que posteriormente despluma no ar (Márquez et al, 2005). Vive nas bordas de florestas. Pode ser observado voando sobre a floresta e próximo a áreas urbanas. É incomum, habitando campos com árvores e áreas florestadas permeadas de vegetação aberta. Vive normalmente sozinho, ocasionalmente aos pares. Geralmente observado bem alto em vôos circulares, às vezes em meio a bandos de urubus-de-cabeça-preta. As fêmeas como a maioria dos falconiformes são maiores que os machos (Sick, 1997; del Hoyo et al, 2004).

Estudos nos EUA, Argentina e Brasil (Belton 1984; Monsalvo, 2010)  demonstram que esta espécie tem se revelado relativamente comum. Motivos pelos quais ela tende a passar despercebida seriam o fato de passar a maior parte do tempo planando a grande altitude, além dos indivíduos morfo escuro facilmente se passarem por Coragyps atratus, como citado por Roesler (2003). Talvez essa semelhança se deva à mesma espécie de mimetismo de Buteo albonotatus em relação à  Cathartes aura demonstrado por Willis(1963;1966)(Monsalvo, 2010).


Belo registro do gavião de cauda curta com Plumagem "Dark morph" (melânico)
Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET), Niterói-RJ,
Foto:
Igor Camacho

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

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• Referências:

Belton, W. (1984) Birds of Rio Grande do Sul, Brazil. Part 1. Rheidae through Furnariidae. Bulletin of the American Museum of Natural History 178:369-636.

Blake, E. R. (1977) Manual of Neotropical Birds. The University of Chicago Press. Chicago and London. 674 páginas.

Christianini, A. V. (2005) Afeeding record of the Short-tailed Hawk Buteo brachyurus in its southern range. Revista Brasileira de Ornitologia 13 (2):191-192.

Cottam, C. e Knappen, P. (1939) Food of some uncommon North American birds. Auk 56:138-169.

del Hoyo, J. e Sargatal, J. (2004) Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Jaksic, F. M. (1985) Toward raptor community ecology: behavior bases of assemblage strucuture. Raptor Research 19:107-112.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Newton, I. (1977) Breeding strategies in birds of prey. Living BIRD, v. 16. p.51- 82.

Monsalvo, Julio Amaro B. (2010) Observações pessoais sobre a reprodução do Buteo brachyurus em um parque urbano de São Paulo-SP. São Paulo - SP.

Ogden, J.C. (1974) The Short-tailed Hawk in Florida. I. Migration, hunting techniques, and food habits. Auk 91:95-110.

Roesler, I. (2003) El aguilucho cola corta (Buteo brachyurus) en la región chaqueña argentina. Hornero 18:123-126.

Sick, H. (1997). Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Willis, E. (1963) Is the Zone-tailed Hawk a mimic of the Turkey Vulture? Condor 68:104-105.


 
 


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