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Caracará
(Caracara plancus)

Caracara plancus (Miller, 1777)
Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Caracaras
Outros Nomes: Carancho, carcará
Nome em inglês: Southern Caracara
Tamanho: 56 cm de comprimento
Habitat:
Campos abertos, área urbana
Alimentação:
Pequenos vertebrados, invertebrados e animais mortos.

Distribuição no Brasil:



Status no Brasil: (LC) Baixo Risco


Caracará. Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Setembro de 2010. Foto: Douglas P.R. Fernandes


Vocalização típica - (gravado por: Rosendo Fraga)

• Descrição: Mede cerca de 56 cm de comprimento com envergadura de até 123 cm. Apresenta plumagem na parte superior preta e o peito é uma combinação de marrom claro com riscas pretas rajadas; patas compridas e de cor amarela. Em voo, assemelha-se a um urubu, mas é reconhecível por duas manchas de cor clara na ponta das asas. Como principal caracteristica, possui cabeça clara com um penacho preto na cabeça. A ave juvenil diferencia-se pelo peito sem o padrão de listras e o branco do peito e cabeça. Essas áreas são claras, com riscas longitudinais mais escuras, além do corpo ser cinza escuro, quase negro (Antas, 2005; Sick 1997). Conhecido também como carancho (sul do Brasil), carcará e caracaraí (na Ilha de Marajó) além de gavião-de-queimada, etc.

Dove & Banks (1999) elevaram a forma Caracara plancus cheriway à condição de espécie independente e monotípica, com base na análise da distribuição geográfica, plumagem e morfometria vários exemplares dos três táxons envolvidos (C. p. plancus, C. p. cheriway e C. lutosus) (CBRO, 2010). A principal diferença entre o Caracara plancus é que o C. cheriway diferencia no dorso baixo uniformemente preto, ou seja, tem mais preto na parte mais baixa da região dorsal comparado com o C. plancus.

• Alimentação: É um falcão bastante oportunista, aproveita, literalmente, de todas as fontes disponíveis, ou seja, "come de tudo". Alimenta-se de invertebrados que são capturados em suas caminhadas no solo, peixes morrendo em poças, lagartos, cobras e caranguejos, além de capturar animais moribundos ou atropelados nas estradas. Saqueia ninhos de outras aves, inclusive aves grandes como os ninhos de tuiuiú (Jabiru mycteria), e às vezes, fica nas proximidades dos ninhais para comer restos de comida caídos no chão, ovos ou filhotes deixados sem a presença dos pais (Antas 2005; Vargas 2007). Também alimenta-se da polpa de alguns frutos, como o coco acuri Antas 2005).

Também pode vir a caçar, podendo capturar aves e outros pequenos vertebrados. Quando caça, costuma matar suas presas com bicadas na nuca. No interior do Mato Grosso, já pude observar um caracará adulto capturando um filhote de ema (Rhea americana) com tamanho próximo ao do falcão (obs. pess. W. Menq). Chega a reunir-se a outros carcarás para matar uma presa maior, comportamente não muito comum (Vargas, 2007; Sick, 1997).

É também uma ave comedora de carniça, chegando logo a uma carcaça. Pode ser visto facilmente voando ou pousado junto a urubus (Coragyps atratus) pacificamente (Obs. pess. W. Menq). Geralmente voa e segue os urubus para localizar uma carcaça. É dotado de poderoso sistema digestivo e o que não consegue digerir é regurgitado (Hofling 1993; Sick 1997).

• Reprodução: Constrói um ninho com galhos e ramos com estrutura rasa de gravetos e pedaços de madeira ou usa ninhos abandonados. Coloca de 2 a 3 ovos, às vezes (raramente) 4, de colorido que varia entre branco, vermelho-esbranquiçado, camurça ou vináceo, com manchas vermelho-pardas. Os ovos medem 56-61 x 44-47 mm e são chocados pelo casal durante 28 dias, com filhote voando no terceiro mês de vida. Normalmente os pais criam somente um filhote por temporada (Antas, 2005; Sick, 1997).

• Distribuição Geográfica: Possui distribuição neotropical, ocorrendo desde o centro do Peru, Sul da Bolívia e Norte do Amazonas, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai até a Terra do Fogo. No Brasil, ocorre ao sul do rio Amazonas até o Rio Grande do Sul (Hofling, 1993; Dove e Banks, 1999).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita campos abertos, cerrados, borda de matas, praias e centros urbanos de grandes cidades (Almeida et al, 2009; Sick 1997). Geralmente busca seu alimento no solo, onde passa maior parte do tempo, seja no meio da vegetação, seja em praias de rios. Adaptou-se à presença humana, comendo restos de comida no lixo das casas ou vísceras de peixes nos acampamentos de pescadores (Antas, 2005; Sick 1997). Também é visto com frequência caminhando sobre a plantação recém colhida de soja a procura de invertebrados, e animais afugentados pelas colhetadeiras. Durante a noite ou nas horas mais quentes do dia, costuma ficar pousado nos galhos mais altos, sob a copa de árvores isoladas ou nas matas ribeirinhas. Para avisar os outros carcarás de seu território ou comunicação entre o casal, possui uma chamado que origina o seu nome comum, "caracará". Nesse chamado, dobra o pescoço e mantém a cabeça sobre as costas, enquanto emite o som (algumas espécies de aves de rapina tem o mesmo hábito de dobrar o pescoço para trás quando emitem som). Voa com batidas rápidas de asas ou aproveitando as correntes de ar ascendente (Antas, 2005; Sick 1997).



Caracará na margem da estrada, Tuneiras do Oeste-PR, Ago 2009.
Foto: Willian Menq

Caracara alçando vôo. Coqueiro - Luís Correia/PI, Janeiro de 2010.
Foto:
Marisa Balieiro

Caracará. Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Setembro de 2010. Foto: Douglas P.R. Fernandes


Indivíduo adulto levando material para o ninho. Nova Iguaçu/RJ, Janeiro de 2008.
Foto:
Humberto Marques

Caracará coletando material para o ninho. Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Setembro de 2010.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes

Caracará caminhando e vasculhando o solo atrás de alimento.
Cuiabá/MT, Junho de 2011
Foto: Willian Menq


:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::



Contato



• Referências:

Almeida, B. J. M; A. G. de Souza; J. M. R. E. e Aguilar; S. F. Ferrari. ABUNDANCIA COMPARATIVA DOS REGISTROS DO CARACARA (CARACARA PLANCUS MILLER 1777) FEITOS NOS PERIODOS DE 2004 - 2005 E DE 2008 A JUNHO DE 2009, NA PRAIA DE ATALAIA, ARACAJU - SERGIPE. Anais do III Congresso Latino Americano de Ecologia, 10 a 13 de Setembro de 2009, São Lourenço - MG.

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc: 2005.

CBRO – Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Resolução nº33 e nº34, disponível em: <http://www.cbro.org.br/CBRO/explica/car_pla.htm> Acesso em Fev de 2010.

Dove, C.J., and R.C. Banks. 1999. A taxonomic study of crested caracaras (Falconidae). Wilson Bulletin 111:330-339.

Hofling, E. 1993. Aves no Campus. São Paulo. Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, 126 p.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

Vargas, R. J; Susana-Bó, S; Fávero, M. DIET OF THE SOUTHERN CARACARA (CARACARA PLANCUS) IN MAR CHIQUITA RESERVE, SOUTHERN ARGENTINA. Journal of Raptor Research 41(2):113-121. 2007.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)