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Caracará
(Caracara plancus)

Caracara plancus (Miller, 1777)
Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Caracaras
Outros Nomes: Carancho, carcará
Nome em inglês: Southern Caracara
Tamanho: 56 cm de comprimento
Habitat:
Borda de matas, savanas, campos e áreas urbanas.
Alimentação:
Aves, roedores, invertebrados e carniça.

Distribuição no Brasil:



Status no Brasil: (LC) Baixo Risco


Indivíduo adulto. Porto Alegre/RS, Julho de 2012.
Foto: Willian Menq



Vocalização típica - (gravado por: Rosendo Fraga)

• Descrição: Mede cerca de 56 cm de comprimento, envergadura de até 123 cm, peso médio de 834 g (macho) e 953 g (fêmea) (Márquez et al. 2005). Adulto apresenta plumagem geral que varia do marrom ao preto, cabeça branca com um penacho preto, pescoço branco listrado de preto, tarsos amarelos. Em voo, assemelha-se a um urubu mas é reconhecível por duas manchas de cor clara na ponta das asas, além da cabeça diferenciada. O jovem diferencia-se pelo peito sem o padrão de listras e o branco do peito e cabeça, essas áreas são claras, com riscas longitudinais mais escuras (Antas, 2005; Sick 1997). Conhecido também como carancho (sul do Brasil), carcará e caracaraí (na Ilha de Marajó) gavião-de-queimada e carcará.

É muito semelhante ao Caracara cheriway (caracará-do-norte), a principal diferença entre eles é que o C. cheriway apresenta o dorso baixo uniformemente preto, ou seja, mais preto na parte mais baixa da região dorsal.



Indivíduo adulto. Rio Grande/RS, Março de 2015.
Foto: Willian Menq

Grupo de caracarás. Rio Grande/RS,
Março de 2015.
Foto: Willian Menq

Indivíduo jovem. Rio Grande/RS
Dezembro de 2014.
Foto: Willian Menq

• Alimentação: Onívoro, é bastante oportunista, aproveita de todas as fontes disponíveis, ou seja, "come de tudo". Alimenta-se de invertebrados que são capturados em suas caminhadas no solo, peixes morrendo em poças, lagartos, cobras e caranguejos, além de capturar animais moribundos ou atropelados nas estradas. Saqueia ninhos de outras aves, inclusive aves grandes como os ninhos de tuiuiú (Jabiru mycteria), e às vezes, fica nas proximidades dos ninhais para comer restos de comida caídos no chão, ovos ou filhotes deixados sem a presença dos pais (Antas 2005; Vargas 2007). Ocasionalmente consome a polpa de alguns frutos, como o coco acuri (Antas 2005). Pode se aproximar de gado, capivaras e outros mamíferos, para retirar carrapatos, bernes e outros parasitas (obs. pess. Willian Menq).

Também pode vir a caçar, podendo capturar aves e outros pequenos vertebrados. Quando caça, costuma matar suas presas com bicadas na nuca. No interior do Mato Grosso, foi observado um caracará adulto capturando um filhote de ema (Rhea americana) com tamanho próximo ao do falcão (obs. pess. Willian Menq). Chega a reunir-se a outros carcarás para matar uma presa maior, comportamento não muito comum para a espécie (Vargas, 2007; Sick, 1997).

É também uma ave comedora de carniça, chegando logo a uma carcaça. Pode ser visto facilmente voando ou pousado junto a urubus (Coragyps atratus) pacificamente. Geralmente voa e segue os urubus para localizar uma carcaça. É dotado de poderoso sistema digestivo e o que não consegue digerir é regurgitado (Hofling 1993; Sick 1997).

• Reprodução: Constrói o ninho com galhos e ramos com estrutura rasa de gravetos e pedaços de madeira ou usa ninhos abandonados. Coloca de 2 a 3 ovos, mais raramente 4, de colorido que varia entre branco, vermelho-esbranquiçado, camurça ou vináceo, com manchas vermelho-pardas. Os ovos medem 56-61 x 44-47 mm e são chocados pelo casal durante 28 dias, com filhote voando no terceiro mês de vida. Normalmente os pais criam somente um filhote por temporada (Antas, 2005; Sick, 1997).

• Distribuição Geográfica: Possui distribuição neotropical, ocorrendo desde o centro do Peru, Sul da Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai até a Terra do Fogo. No Brasil, ocorre ao sul do rio Amazonas até o Rio Grande do Sul (Hofling, 1993; Dove e Banks, 1999).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita campos abertos, savanas, borda de matas, praias e áreas urbanas (Almeida et al, 2009; Sick 1997). Geralmente busca seu alimento no solo ou pousado a baixa altura, onde passa maior parte do tempo, seja no meio da vegetação, margens de rios ou praias. Adaptou-se à presença humana, comendo restos de comida no lixo das casas ou vísceras de peixes nos acampamentos de pescadores (Antas, 2005; Sick 1997). Também é visto com frequência caminhando sobre a plantação recém colhida de soja a procura de invertebrados, e animais afugentados pelas colheitadeiras. Durante a noite ou nas horas mais quentes do dia, costuma ficar pousado nos galhos mais altos, sob a copa de árvores isoladas ou nas matas ribeirinhas. Para avisar os outros carcarás de seu território ou comunicação entre o casal, possui um chamado que origina o seu nome comum, "caracará". Nesse chamado, dobra o pescoço e mantém a cabeça sobre as costas, enquanto emite o som (algumas espécies de aves de rapina tem o mesmo hábito de dobrar o pescoço para trás quando emitem som). Voa com batidas rápidas de asas ou aproveitando as correntes de ar ascendente (Antas, 2005; Sick 1997).



Indivíduo adulto. Tuneiras do Oeste/PR, Agosto de 2009.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Luís Correia/PI, Janeiro de 2010.
Foto:
Marisa Balieiro

Indivíduo adulto. Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Set 2010.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes


Adulto levando material para o
ninho. Nova Iguaçu/RJ, Jan 2008.
Foto:
Humberto Marques

Adulto coletando material para o ninho. Miranda/MS. Set 2010.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes

Indivíduo adulto e jovem (à direita). Rio Grande/RS, Março de 2015.
Foto: Willian Menq


Indivíduo retirando parasitas de capivara em descanso. Curitiba/PR, Jan 2015. Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Miranda/MS. Setembro de 2010.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes

Grupo forrageando na beira da estrada. Astorga/PR, Jan. 2015.
Foto:
Jessica M. Nascimento

 


:: Página editada por: Willian Menq em Mar/2015. ::



Contato



• Referências:

Almeida, B. J. M; A. G. de Souza; J. M. R. E. e Aguilar; S. F. Ferrari. ABUNDANCIA COMPARATIVA DOS REGISTROS DO CARACARA (CARACARA PLANCUS MILLER 1777) FEITOS NOS PERIODOS DE 2004 - 2005 E DE 2008 A JUNHO DE 2009, NA PRAIA DE ATALAIA, ARACAJU - SERGIPE. Anais do III Congresso Latino Americano de Ecologia, 10 a 13 de Setembro de 2009, São Lourenço - MG.

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc: 2005.

CBRO – Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Resolução nº33 e nº34, disponível em: <http://www.cbro.org.br/CBRO/explica/car_pla.htm> Acesso em Fev de 2010.

Dove, C.J., and R.C. Banks. 1999. A taxonomic study of crested caracaras (Falconidae). Wilson Bulletin 111:330-339.

Hofling, E. 1993. Aves no Campus. São Paulo. Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, 126 p.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

Vargas, R. J; Susana-Bó, S; Fávero, M. DIET OF THE SOUTHERN CARACARA (CARACARA PLANCUS) IN MAR CHIQUITA RESERVE, SOUTHERN ARGENTINA. Journal of Raptor Research 41(2):113-121. 2007.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)