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Gavião-peneira
Elanus leucurus (Vieillot, 1818)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-milano

Nome em inglês: White-tailed Kite
Habitat:
Campos e áreas urbanas
Alimentação:
Roedores

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Área urbana de Cianorte/PR, Abril de 2015.
Foto:
Jessica de Moraes do Nascimento

Vocalização de chamado (A)
(gravado por: Daniel González Amat)

Esta espécie é assim chamada devido ao seu hábito de "peneirar" no ar, ou seja, pairar a baixa altura à procura de presas no solo. Pode ser encontrado em campos, pastagens, e em áreas abertas inseridas na matriz urbana, caça principalmente roedores. É conhecido também como gavião-peneirador, peneira e peneireiro-cinzento.

• Descrição: Mede de 38-43 cm de comprimento, peso de 174 a 186 g (Marquez et al. 2005). Apresenta asas e cauda longas, partes superiores cinza-claros, coberteiras superiores das asas formando larga mancha negra, laterais da cauda brancos; partes inferiores brancas com uma nódoa negra na região da asa; o jovem é estriado com as costas pardas (Antas, 2005; Ferguson-Lees & Christie 2001). O gênero  Elanus  possui quatro espécies pelo mundo, sendo o Elanus leucurus a maior delas e única que ocorre no Brasil (Del Hoyo et al. 1994).

• Alimentação: É um predador especializado em pequenos mamíferos, principalmente roedores. Ocasionalmente pode capturar outros animais como lagartos, insetos e pequenas aves em voo (Sick, 1997). Sua principal técnica de caça é a de "peneirar" no ar, ou seja, de pairar no ar a pouca altura (8 a 20 m) para localizar as presas em solo. Ao observar um roedor ou inseto, coloca as asas para cima, e deixa o corpo cair, e ao chegar próximo do solo, dá uma batida de asa para frear a queda e apanhar a presa. Caso a caçada seja bem sucedida, leva o alimento para um poleiro preferencial, onde devora a presa (Antas, 2005).

Faria (2007) relatou um indivíduo jovem capturando uma ave, o tico-tico-do-campo Ammodramus humeralis. O gavião, após um breve período de sobrevoo pelo pasto, investiu velozmente sobre o A.  humeralis que forrageava no solo em uma área de pastagem.



Indivíduo adulto. Área urbana de Cianorte/PR, Abril de 2015.
Foto: Willian Menq

Adulto alimentando-se de um lagarto. Ponta Porã/MS, Jan 2011.
Foto:
Jarbas Mattos

Indivíduo "peneirando" a procura de presas no solo. São Paulo/SP, Julho de 2010. Foto: Thiago Fenolio


• Reprodução:
Na região do pantanal, possui o hábito de nidificar em colônias, com ninhos próximos entre si por algumas centenas de metros; também nidifica isoladamente (Antas, 2005). Usa ninhos abandonados de outras aves, no topo de árvores altas, aos quais acrescenta capins e gravetos para realizar a postura. Coloca de 3 a 5 ovos (número pouco comum em gaviões), com período de incubação de 30 a 32 dias, com os filhotes voando entre 35 e 40 dias após o nascimento. Tanto o macho quando a fêmea participam da construção do ninho, cabendo ao macho o papel de alimentar os filhotes e a fêmea, até os filhotes voarem (Sick, 1997; Antas, 2005).

• Distribuição Geográfica/subespécies: Ocorre desde o sul e oeste dos Estados Unidos, norte do México, América Central, centro e leste da América do Sul, até o sul da Argentina e Chile (Ferguson-Lees & Christie, 2001), incluindo todo o Brasil, ausente apenas nas áreas densamente florestadas, como na Amazônia (Sick, 1997).

São conhecidas duas subespécies, o E. l. majuscurus: ocorre na região ocidental e meridional dos EUA, indo até o México, Panamá e parte da América Central; E. l. leucurus: ocorre do centro-oeste do Panamá indo aos Andes, nordeste do Equador, Bolívia, Chile, Uruguai, Argentina incluindo o Brasil (Del Hoyo et al. 1994).

• Hábitos/Informações Gerais: Pode ser encontrado em savanas, campos com árvores ou áreas florestadas, permeadas de vegetação aberta, e também em áreas urbanas. É beneficiado pelo desmatamento causado pelo avanço de áreas agrícolas e pastagens, tornando-se numeroso em alguns locais. No Brasil possui populações residentes e migratórias, como as do sul do país. Em suas migrações de outono/inverno austrais (maio a julho), passam pelo pantanal, cerrrado rumo ao norte do continente. Detalhes de seus movimentos são pouco conhecidos (Antas, 2005; Sick, 1997).

Aparentemente, é bastante territorial, defendendo seu território de caça contra qualquer potencial competidor. No municipio de Cianorte/PR, W. Menq & J. M. Nascimento (obs. pess. 2015) observaram um indivíduo adulto de E. leucurus perseguindo e acuando um jovem Falco femoralis. Na ocasião, o E. leucurus, pousado no alto de um poste próximo a outro indivíduo (prov. um casal), saiu velozmente do poleiro em direção ao F. femoralis que passava pelo local, iniciando uma breve perseguição. O E. leucurus voava rápido, acompanhando a velocidade do falcão, e em alguns momentos executou mergulhos contra o F. femoralis, tentando atingi-lo. O F. femoralis, assustado, saiu rapidamente da área voando em direção a uma mata, escapando das investidas do gavião.



Indivíduo adulto. Área urbana de Cianorte/PR, Abril de 2015.
Foto: Willian Menq

Adulto procurando presas no solo.
Maracaju/MS, Janeiro de 2011
Foto:
Jarbas Mattos

Casal adulto. Fortaleza/CE.
Março de 2010.
Foto:
Arnaldo de Araujo B.S


Indivíduo adulto. Arapongas/PR, Junho de 2010.
Foto: Vanildo Cesar Muzi

Adulto em voo. Bairro Tropical - Itaúna/MG, Outubro de 2008.
F oto:
Daniel Guimarães

Indivíduo adulto. Área urbana de Cianorte/PR, Abril de 2015.
Foto: Willian Menq



:: Página editada por: Willian Menq em Abr/2016. ::



• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN. Sesc.

Del Hoyo, .J., Elliot, A. E Sargatal, J. (1994) Handbook of the birds of the world (2 v). Bird Life International Lynx Editions, 638p.

Faria, I. P. (2007) Registro de Elanus leucurus (Falconiformes, Accipitridae) predando Ammodramus humeralis (Passeriformes, Emberizidae) no Brasil central. BOL. MUS. BIOL. MELLO LEITÃO (N. SÉR.) 21:79-84.

Freguson-Lees, J. & D. A. Christie (2001) Raptors of the world. Boston, New York: Houghton Miffin Company.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Gavião-peneira (Elanus leucurus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/elanus_leucurus.htm > Acesso em: