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Falcão-de-peito-laranja
Falco deiroleucus (Temminck, 1825)

Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Falcões

Nome em inglês: Orange-breasted Falcon
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Aves e morcegos

Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Foto: Yeray Seminario

Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Andrew Spencer)

• Descrição: Mede de 33-39 cm de comprimento, peso de 338-340 g (macho) e 550-654 g (fêmea) (Márquez et al, 2005). Apresenta o peito anterior avermelhado, peito posterior, flancos e faces inferiores das asas negros com bordas e manchas redondas amareladas. No jovem o peito anterior é creme ferrugíneo, estriado de negro. Um fator que pode dificultar sua identificação em campo é a semelhança com o cauré (Falco rufigularis), da qual se difere, na forma adulta, pela coleira peitoral alaranjada, porte maior, cabeça proporcionalmente mais larga, comprimento dos pés mais avantajados e cauda com silhueta um pouco arredondada na extremidade.

• Alimentação: Caça principalmente pombinhas (Columbina), periquitos (Aratinga) e andorinhões (Streptoprocne), que são capturados em pleno voo (Sick 1997). Pode caçar a baixa altura, conforme registrado por Márquez et al. (2005) perseguindo bando de andorinhões-de-rabo-curto (Chaetura brachyura), e por Pacheco (1992) atacando codornas (Nothura spp) em áreas de pastagem.

Geralmente procura suas presas a partir de um poleiro em locais estratégicos, realizando também perseguição acima do dossel da mata. Jenny & Cade (1986) já registraram o falcão descer em picado igual fazem os falcões-peregrinos. Baker et al. (1998) observou um baixo sucesso de caça nesta espécie (somente 4% para 208 tentativas) por razões desconhecidas, trata-se da taxa de sucesso mais baixa documentada entre as aves de rapina.

• Reprodução: Na época de cortejo, o macho entrega ao menos três itens alimentares para a fêmea, a cópula é feita normalmente após a entrega do alimento (Del Hoyo et al. 1994). Não constrói ninhos, usa ninhos abandonados por outras aves ou ocos de árvores. Na América Central costuma nidificar em penhascos, incluindo construções humanas como os templos Maias (Parque Nacional de Tikal). Na Guatemala, foi registrado um casal nidificando em uma palmeira (Baker et al. 1998, 2000). Na América do Sul a maioria dos registros são de casais nidificando em árvores emergentes (Jenny & Cade 1986), cavidades naturais de árvores, palmeiras e penhascos (Cornel Lab of Ornithology).

Geralmente coloca de 2-3 ovos de coloração clara e manchados, com peso médio de 39 a 45 g (Kiff 1988), e período de incubação de aproximadamente 30 dias (Jenny & Cade 1986). Os filhotes crescem rapidamente, alimentados principalmente pela fêmea. Os filhotes ficam totalmente emplumados com aproximadamente 45 dias, adquirindo plumagem jovem com 75 dias. O tempo que ficam dependentes dos pais ainda são desconhecidos.

• Distribuição Geográfica: Ocorre do sul do México até o norte da Argentina. No Brasil, ocorre em toda a região amazônica e em todos os estados sob domínio da Mata Atlântica (Sick 1997). Registros recentes na região sul e sudeste são extremamente raros.

• Hábitos/Informações Gerais: Habita áreas densamente florestadas de regiões equatoriais, tropicais e subtropicais, especialmente próximo a rios e paredões rochosos. Dentre as prováveis ameaças a espécie, destaca-se a perda e fragmentação de seu habitat, especialmente em florestas adjacentes à rios, e encostas. Provavelmente, a espécie é também alvo de perseguições, eliminados indiscriminadamente por fazendeiros interessados em proteger seus animais domésticos (Ferguson-Lees & Christie, 2001; Sick 1997).

Além disso, apesar da ampla distribuição, o F. deiroleucus parece ser naturalmente raro, com populações pequenas e esparsas. Devido a raridade e comportamento inconspícuo da espécie, é chamado de "espécie_fantasma" (Menq, 2011). Segundo Del Hoyo et al. (1994), esta espécie pode ser considerada uma substituta ecológica do falcão-peregrino em áreas tropicais.

• Status nas listas vermelhas estaduais: No Brasil possui populações consideráveis na região amazônica. Já na Mata Atlântica a espécie é rara, com pouquíssimas localidades com registros recentes (últimos 20 anos).

  Rio Grande do Sul: Provavelmente extinta (Rio Grande do Sul, 2014).
  São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Criticamente em Perigo (Copam 2010).
  Rio de Janeiro: Provavelmente extinto (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Dados desconhecidos (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Criticamente em Perigo (Consema 2011).

• Ameaças e conservação: Os dados sobre a ocorrência da espécie são insuficientes para apontar se a espécie teve declínio na população ou se corre risco de extinção (Baker et al. 2000). Está listado como uma espécie de pouco interesse de conservação pela IUCN por causa de sua ampla distribuição geográfica nas Américas. Entretanto, diversos países categorizaram este falcão como ameaçado de extinção.


Indivíduo adulto. Paragominas/PA,
Novembro de 2010. Foto: Alexander Lees

Indivíduo adulto. Fundão,ES,
Julho de 2008. Foto: Gustavo Magnago


Indivíduo adulto. Manaus/AM, Agosto de 2011.
Foto: Adriano Antunes

Indivíduo jovem. Vila Bela da Santíssima
Trindade/MT, Nov. 2012. Foto: Renato S. Moreira

 

:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::


• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Baker, A.J. (1998) Status and breeding biology, ecology, and behavior of the Orange-breasted Falcon (Falco deiroleucus) in Guatemala and Belize. M.Sc. thesis, Brigham Young University, Provo, UT.

Baker, A.J., D.F. Whitacre, O. Aguirre-Barrera, and C. White. (2000) The Orange-breasted Falcon Falco deiroleucus in Mesoamerica: a vulnerable, disjunct population? Bird Conservation International 10:29-40.

Copam (2010) Deliberação Normativa COPAM nº 147, de 30 de abril de 2010: Aprova a Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais (Diário do Executivo), 04 Maio 2010.

Cornel Lab of Ornithology (2010) Orange-breasted Falcon Disponível em: <http://www.birds.cornell.edu/obf> Acesso em Fevereiro de 2010.

Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) (2011) Resolução   nº02/2011—Reconhece a lista oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção no Estado de Santa Catarina e dá outras providências. Florianópolis: CONSEMA/ SDS.

Del Hoyo, J. e Sargatal, J. (2004) Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions.

Faria, I. P. & Kanegae, M. F. (2014) Ocorrência de Falco deiroleucus na Mata Atlântica de Minas Gerais, Brasil. Atualidades Ornitológicas nº 177, p 24.

Ferguson-Lees, J. & D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Jenny, J.P., & T.J. Cade. (1986) Observations on the biology of the Orange-breasted Falcon Falco deiroleucus Birds of Prey Bulletin 3:119-123.

Kiff, L.F. (1988) Eggs of the Orange-breasted Falcon (Falco deiroleucus). Journal of Raptor Research 22:117-118.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Menq, S. (2011) Aves de Rapina Brasil - Espécies Fantasmas. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/materias/especies_fantasmas.htm > Acesso em: Setembro de 2011.

Rio Grande do Sul (2014) Táxons da fauna silvestre do Estado Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção. Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014. (publicado no DOE n.º 173, de 09 de setembro de 2014).

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Simon, J. E. et al. (2007) As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, p. 47-64

Zorzin, G., C.E.A. Carvalho, and E.P.M. Carvalho Filho. (2007) Breeding biology, diet, and distribution of the Black-chested Buzzard-eagle (Geranoaetus m. melanoleucus) in Minas Gerais, southeastern Brazil. Pp. 40-46 in K.L Bildstein, D.R. Barber, and A. Zimmerman (eds.), Neotropical raptors. Hawk Mountain Sanctuary, Orwigsburg, PA.

Zorzin, G., Carvalho, C.E.A., Carvalho Filho, E.P.M. & Canuto, M. (2006) Novos registros de Falconiformes raros e ameaçados para o estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4): 417-421.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Falcão-de-peito-laranja (Falco deiroleucus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/falco_deiroleucus.htm > Acesso em: