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Falcão-de-coleira
Falco femoralis (Temminck, 1822)

Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Falcões

Nome em inglês: Aplomado Falcon
Habitat:
Borda de matas, savanas,
campos e áreas urbanas.
Alimentação:
Insetos, aves e roedores.

Distribuição no Brasil:


Status:(LC) Baixo risco

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Indivíduo adulto. Cocalinho/MT, Setembro de 2013.
Foto: Willian Menq

Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Andrew Spencer)

• Descrição: Mede de 35-45 cm de comprimento, peso de 208-305 g (macho) e 271-460 g (fêmea) (Bierregaard & Kirwan, 2013). Apresenta dorso cinza-ardósia, nas partes inferiores peito branco, ventre escuro com fino barrado, com crisso e calções castanhos. Na cabeça é visível uma listra superciliar branca, a qual se prolonga até a nuca. Abaixo do olho, apresenta uma marca cinza escura, quase negra, em forma de lágrima. A cauda é escura, finamente barrada com cinco faixas brancas e faixa terminal branca. Em voo, é possível ver a linha branca da ponta das penas das asas.  Possuí íris castanho-escuro com anel periocular amarelo, além dos tarsos e dedos amarelados. O jovem é mais amarronzado, com dorso marrom-escuro, peito manchado e sobrancelha mais clara.

• Alimentação: Caça pequenos invertebrados, aves, lagartos e serpentes, inclusive espécies peçonhentas (Sick, 1997). Suas presas em geral são pequenas, raramente captura aves maior que um sabiá. Hector (1985) registrou o F. femoralis predando um aracuã (Ortalis vetula), espécie que pesa entre 470-685 g, sendo esta uma das maiores presas já registradas para a espécie. Em áreas urbanas, caça pardais, pombos, periquitos e insetos.

Como tática de caça, procura suas presas através de poleiros fixos e perseguições, as vezes "peneira" a baixa altura (igualmente faz o Elanus leucurus). Pode caçar em dupla, comportamento de cooperação pouco comum entre os rapinantes. A partir de pousos fixos, o casal costuma cercar a vítima, o macho iniciando a perseguição cansando a presa, para a fêmea abatê-la. Nas queimadas, fica pousado próximo à frente do fogo, capturando insetos e pequenos vertebrados assustados pelas labaredas.

• Reprodução: Não constrói ninhos, usa ninhos abandonados ou cavidades em árvores. Coloca de 2 a 3 ovos, raramente 4, com um período de incubação de 31 a 32 dias (Antas, 2005; Lencione-Neto 1996; Sick, 1997). Os ovos, brancos ou branco-avermelhados e manchados de pardo, normalmente vermelho-pardos, medem 40-48 x 31-36 mm. No período de reprodução é bastante agressivo, geralmente os casais vocalizam quando um intruso se aproxima do ninho, podendo realizar sobrevoos rasantes contra o invasor (Del Hoyo 1994; Granzinolli, et al. 2002).

No município de Santo André/SP, Miguel M. Magro (obs. pess.) monitorou um casal de F. femoralis nidificando no parque central da cidade por três anos consecutivos (2012 a 2015). Nos anos de 2012 e 2013 foi detectada a presença de um único filhote/ano, enquanto que nos anos de 2014 e 2015 foi observada a presença de três filhotes/ano. Em média, os filhotes começaram a sair do ninho em meados de novembro, tornando-se independentes após alguns meses.

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Adulto alimentando filhote.
Santo André/SP, Outubro de 2015. Foto:
Miguel Malta Magro
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Filhote em cavidade usada como ninho. Santo André/SP, Outubro de 2015. Foto: Miguel Malta Magro
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Ninho monitorado em
Piraí do Sul/PR. Setembro de 2010.
Foto:
Tony Andrey Bichinski

• Distribuição Geográfica: Apresenta uma ampla distribuição geográfica, ocorrendo desde o sudeste dos Estados Unidos até a Terra do Fogo, incluindo todo o território brasileiro, exceto nas regiões densamente florestadas (Sick 1997).

• Subespécies: São conhecidas 3 subespécies, F. f. septentrionalis: ocorre do sul dos Estados Unidos (Texas, Arizona e Novo México) ao sul do México (Chihuahua, Oaxaca, Sinaloa) e Guatemala; F. f. femoralis: Belize, Honduras e Nicarágua oriental (Mosquitia) Panamá, leste da Colômbia, Guianas, Bolívia oriental, Brasil, Argentina até Uruguai; F. f. pichinchae: sudoeste da Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, até o noroeste do Chile (Arico de Curicó e noroeste da Argentina (Tucumã).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita áreas abertas, como borda de matas, campos, savanas e áreas urbanas. Costuma fazer planeios longos e altos, utilizando-se das correntes de ar quente ascendente para ganhar altura. Sua silhueta de longa cauda, com as asas pontiagudas e longas é notável nessas ocasiões. Populações setentrionais e meridionais são provavelmente migratórias, embora os movimentos sejam em grande parte irregulares (Bildstein, 2006).

No Parque Nacional das Emas, foi visto associar-se ao lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) para capturar animais por ele espantados na vegetação rasteira (Silveira et. al 1997). No interior do Mato Grosso do Sul, o F. femoralis foi registrado associando-se a emas (Rhea americana) e seriemas (Cariama cristata), para capturar animais espantados pelas atividades das aves (Nascimento & Menq 2016).



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Indivíduo adulto predando rolinha.
Brasília/DF, Out 2010.
Foto:
Jussara Gruber
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Indivíduo adulto em voo.
Lagoa de Praia Seca - Araruama/RJ, Set de 2008. Foto:
Helio Pereira
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Indivíduo atacando um gavião-de-cauda-branca. S. J. dos Campos/SP.
Foto: Marcos Eugênio

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Jovens no Parque Central de Santo André/SP, Outubro de 2015.
Foto:
Miguel Malta Magro
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Indivíduo jovem. Parque Central de Santo André/SP, Novembro 2015.
Foto:
Miguel Malta Magro
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Indivíduo adulto.
Naviraí/MS, Agosto de 2015.
Foto: Willian Menq


:: Página editada por: Willian Menq em Set/2016. ::



• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN. Sesc.

Bierregaard, R.O., Jr & Kirwan, G.M. (2013). Aplomado Falcon (Falco femoralis). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2013). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona.

Bildstein, K. (2006) Everywhere birds. Hawk Mountain News 105:10-12.

Del Hoyo, J., Ellioit, A. & Sargatal, J. (1994) Handbook of the birds of the world. Vol 2. New World vultures to Guineafowl. Lynx Edicions, Barcelona.

Granzinolli, M. A. M., Rios, C. H. V., Meireles, L. D., Monteiro, A. R. (2002) Reprodução do falcão-de-coleira Falco femoralis Temminck 1822 (Falconiformes: Falconidae) no município de Juiz de Fora, sudeste do Brasil.Biota Neotropica, v. 2(2).

Hector, D.P. (1981) The habitat, diet and foraging behavior of the Aplomado falcon, Falco femoralis (Temminck). M.S. thesis, Oklahoma State Univ. Stillwater.

Hector, D.P. (1985) The diet of the Aplomado Falcon (Falco femoralis) in eastern Mexico. Condor 87:336-342.

Lencine-Neto, F. 1996. Reprodução sincrônica entre Elanus leucurus (Vieillot, 1818) e Falco femoralis Temminck, 1822 (Aves, Accipitridae). Comum. Mus. Ciênc. Tecnol. PUCRS. Ser. Zool. 9: 37-44. Oklahoma. 189pp

Nascimento, J. M. & Menq, W. (2016) Associação de forrageio entre o falcão-de-coleira (Falco femoralis) e aves terrícolas em áreas de pastagem no centro-oeste do Brasil. AO 192. p. 24.

Olmos, F., Pacheco, J. F. & Silveira, L. F. (2006) Notas sobre aves de rapina (Cathartidae, Acciptridae e Falconidae) brasileiras. Revista Brasileira de Ornitologia 14(4): 401-404.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Silveira, L. J., Anah, T. A., Rodrigues, F. H. G. , E Crawshaw J. R., P. G. (1997) Hunting Association Between the Aplomado Falcon (Falco femoralis) and the Maned Wolf (Chrysocyon brachyurus) in Emas National Park, Central Brazil". The Condor, v. 99:201–02.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Falcão-de-coleira (Falco femoralis) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/ > Acesso em: