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Quiriquiri
(Falco sparverius)

Falco sparverius (Linnaeus, 1758)
Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Falcões
Nome popular: quiriquiri

Nome em inglês: American Kestrel
Tamanho: 23-27 cm de comprimento
Habitat:
campos abertos, borda de matas, áreas urbanas.
Alimentação:
Insetos e pequenos animais

Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Quiriquiri (Macho adulto). Porto Alegre/RS Janeiro de 2013.
Foto:
Willian Menq


Vocalização: chamado de alerta (A)
(gravado por: Bernabe Lopez-Lanus)

• Descrição: Mede de 23 a 27 cm de comprimento e pesa de 85 a 140 gramas. É muitas vezes considerado a menor ave de rapina brasileira, o que é errado, pois o gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii) é ainda menor. Assim como no Circus buffoni o quiriquiri também apresenta acentuado dimorfismo sexual na plumagem, são poucas as aves de rapina que apresentam coloração diferente entre os sexos. O macho é cinza azulado no alto da cabeça e asa, enquanto as costas e a cauda são marrom avermelhado, finamente estriadas de negro. Uma larga faixa negra sub terminal na cauda e ponta branca. As partes inferiores são brancas, com pontos negros no peito e barrigas, mais densos nos lados do corpo. Possui um desenho de lágrima, negra, abaixo do olho; uma outra linha vertical no lado da cabeça e um ponto negro na nuca (White, et al. 1994).

A fêmea têm as costas e asas marrom avermelhada, com as estrias negras finas, sem o cinza azulado do dorso do macho ou a faixa negra subterminal na cauda. As partes inferiores são de tom marrom alaranjado claro, com riscos finos, verticais e negros, sem o padrão de pontos do macho. O desenho e cores da cabeça são iguais. Os filhotes já saem do ninho com a plumagem do sexo correspondente (Antas, 2005; Sick, 1997). Seu nome "quiriquiri" é onomatopéia de sua vocalização que repete várias vezes, Voz: "gli-gli-gli", i-i, i, i, i". Também conhecido como falcão-americano, falcão-quiriquiri, gavião-mirim, gavião-quiriquiri, gavião-rapina e gaviãozinho.


Fêmea adulta. Foto: José Paulo Dias

Macho adulto. Foto: Willian Menq

• Alimentação: A alimentação de F. sparverius é composta principalmente por invertebrados. Eventualmente, o quiriquiri também apanha pequenos vertebrados, como camundongos, cobras, morcegos e aves (SICK, 1997). Caça a partir de poleiros fixos, naturais ou artificiais (como os fios ao longo da estrada). Além de apanhar a presa a partir do poleiro, também costuma “peneirar” (voo no mesmo lugar como no gavião-peneira). A presa é capturada e morta no solo, sendo carregada depois para o poleiro (Antas, 2005). Realiza também forrageamento no solo, Teixeira & Teixeira (2008) registraram o quiriquiri remexendo o solo de gramíneas com o bico, de onde ergueu vôo com um pequeno artrópode preso em seu bico.

Em épocas de revoadas de insetos, pode caçar saúvas, libélulas e cupins em voo, os quais captura com os pés comendo ainda em pleno voo (obs. pess. Willian Menq). No município de Peabiru/PR, este comportamento de caça foi observado próximo ao anoitecer, na ocasião, três quiriquiris foram observados sobrevoando por quase 1 hora uma área rural, onde capturavam os insetos em voo, comendo tanto em voo quanto em poleiros (obs. pess. Willian Menq).

• Reprodução: Não constrói ninho, nidifica em ocos naturais ou artificiais, como cavidades em árvores, buracos feito por pica-paus, estruturas em postes, edifícios e também pode utilizar ninhos abandonados de outras aves. O local do ninho pode ser utilizado por vários anos consecutivos. Pode colocar até 4 ovos, que são brancos com pequenas manchas de coloração castanho-calro e marrom-avermelhado. Grande parte da incubação é realizada pela fêmea, e o período de incubação é de 27-30 dias. O macho é responsável pela caça, fornecendo alimento à fêmea durante a incubação e aos filhotes. Os filhotes saem do ninho entre 29 e 31 dias após o nascimento. Após este evento ainda continuam dependentes do adultos por várias semanas. É um falcão bastante agressivo contra invasores, os pais fazem vôos rasantes sobre o intruso. Menq & Copatti (2009) observaram um F. sparverius defendendo ativamente o território contra um Spizaetus melanoleucus, dando voos rasantes contra o intruso.

• Distribuição Geográfica: Desde o Alasca e Norte do Canadá até à ponta Sul da América do Sul (Terra do Fogo), em todo Brasil, com exceção das partes mais densamente florestadas da Amazônia (White, et al. 1994; Sick, 1997).

• Subspécies: São conhecidas 17 subspécies. F. s. sparverius : ocorre na América do Norte, desde o Alasca até o sul do Canadá (exceto sudeste) e oeste do México. Está é uma subspécie migratória, no inverno migra para o México, América Central até o Panamá. F. s. paulus : ocorre nos EUA (Carolina do Sul e Flórida). F. s. peninsularis : México (sul da Baixa Califórnia, Sonora, Sinaloa); F. s. tropicalis : sul do México até o norte de Honduras; F. s. nicaraguensis : ocorre do leste de Honduras e oeste de Nicarágua. F. s. sparverioides : ocorre exclusivamente em Cuba, Ilha de Pinos, Bahamas. F. s. dominicensis : ocorre na Ilha de São Domingos, do Haiti,; F. s. caribaearum : Porto Rico e Granada. F. s. brevipennis : Antilhas Holandesas (Aruba, Bonaire, Curaçao); F. s. caucae : oeste da Colômbia; F. s. aequatorialis : norte do Equador; F. s. peruvianus : sudoeste Equador, Peru e norte do Chile; F. s.ochraceus : leste da Colômbia e noroeste da Venezuela; F. s. isabellinus :Venezuela até o norte do Brasil; F. s. cearae : ocorre no nordeste do Brasil, sudoeste e leste da Bolívia; F. s. cinnamominus : sudeste do Peru, Chile, Bolívia, sul e sudeste do Brasil, Paraguai, Uruguai, e Argentina até a Terra do Fogo; F. s. fernandensis : . Ilhas Juan Fernandez do centro-oeste do Chile. 


• Hábitos/Informações Gerais: Ocupa áreas urbanas, margens de estradas e ambientes abertos, produzidos pela atividade humana. Em areas naturais seu principal habitat é campos e cerrados, evitando as matas, cerradões e formações de vegetação adensada (Antas, 2005; Sick, 1997). Em áreas urbanas é facilmente visto pousado sobre postes, fios de eletrecidade, antenas e mourões de cerca, de onde fica observando insetos e pequenos animais no solo. É muito ativo durante todo o dia, principalmente durante o período de reprodução.

Algumas populações são migratórias (Bildstein 2006). Populações do extremo norte dos EUA e do Canadá migram para o sul no outono. Indivíduos nidificantes na Terra do Fogo (extremo sul da América do Sul) migram para o norte do continente sul-americano no inverno austral (Humphrey et al. 2004). 



Indivíduo Fêmea. Conceição da Barra/ES, Janeiro de 2008. Foto: Fernando Flores

Casal copulando. Porto Nacional/ TO. Abril 2010.
Foto:
Wélison Aldo


Indivíduo macho adulto. São Gabriel/RS, Junho de 2011.
Foto:
José Paulo Dias

Indivíduo macho adulto. Porto Alegre/RS
Foto: Willian Menq


Quiriquiri em ninho artificial. Miranda/MS. Setembro 2010. Foto: Douglas P.R. Fernandes

Indivíduo macho se alimentando. Jundaí - SP, Abril de 2010. Foto: Roberto Gallacci


:: Página editada por: Willian Menq em 2013. ::



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• Referências:

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc: 2005.

Balgooyen, T.G. 1976. Behavior and ecology of the American Kestrel (Falco sparverius) in the Sierra Nevada of California. University of California Publications in Zoology 103:1-83.

Bildstein, K.L. 2006. (Book) Migrating raptors of the world: their ecology and conservation. Cornell University Press, Ithaca, NY. 

del HOYO, J., ELLIOTT, A. e SARGATAL, J. 1994. Handbook of the birds of the world. Vol 2. New World vultures to Guineafowl. Lynx Edicions, Barcelona. 639pp.

Santos,Willian Menq & Copatti, Jean F. (2009) Registro documentado de Spizaetus melanoleucus na reserva biológica das perobas, Paraná. Atualidades Ornitológicas nº 151, p 18-19.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

Smallwood, J.A., and D.M. Bird. 2002. American Kestrel (Falco sparverius)In A. Poole and F. Gill (eds.), Birds of North America no. 602. Academy of Natural Sciences, Philadelphia, PA, and American Ornithologists' Union, Washington, D.C.

TEIXEIRA, Edson C. & TEIXEIRA, Eduardo C. OBSERVAÇÕES SOBRE O COMPORTAMENTO DE CAÇA DE FALCO SPARVERIUS (LINNAEUS, 1758) EM ÁREAS ABERTAS DO RIO GRANDE DO SUL. BIODIVERSIDADE PAMPEANA ISSN 1679-6179 PUCRS, Uruguaiana, 6(1): 20-24, jun. 2008.

White, C. M., V. D. Olsen, e L. F.Kiff (1994) Family Falconidae (Falcons and Caracaras), p. 216-275. In: del Hoyo J., Elliot, A. e Sargatal, J. (eds.). Handbook of the bird of the world. Vol. 2. New world vultures to guineafowl Barcelona: Lynx Edicions

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)