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Harpia (gavião-real)
(Harpia harpyja)

Harpia harpyja (Linnaeus, 1758)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Àguias-florestais
Nome popular: Harpia / Gavião real

Nome em inglês: Harpy eagle
Tamanho: 105 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Mamíferos e Aves

Distribuição no Brasil:



Status: (NT) Quase ameaçada

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Indivíduo adulto. Zoo da UFMT, Junho de 2011.
Foto: Willian Menq


Vocalização típica (A) - (gravado por: Bradley davis)

• Descrição: A harpia é a maior águia encontrada no Brasil, podendo atingir até 105 cm (fêmeas) de comprimento. Os machos pesam entre 4 e 5 kg e as fêmeas entre 7,6 e 9 kg,  possuem asas largas e arredondadas que pode atingir até 2 m de envergadura. É inconfundível pelo tamanho, papo negro e robustez. Apresenta uma cabeça cinzenta com um penacho bipartido formando duas pontas negras. Parte inferiores das asas e calções brancos com estrias negras. A cauda é comprida com três barras cinzas e os tarsos e garras são bem desenvolvidos, principalmente o hálux (que mede 7 cm), unhas poderosas que permite a captura de mamíferos com mais do que 6 kg. Indivíduos imaturos não possuem o papo negro e tem a plumagem mais clara (Sick, 1997; Ferguson-Lees & Christie, 2001). Linnaeus cientista que a descreveu serviu-se do nome dos monstros alados da mitologia grega para designar a mais possante espécie de nosso país.

• Alimentação: A base da sua alimentação é constituída principalmente de mamíferos arbóreos, como preguiças e primatas, terrestres, como cachorros-do-mato, veados, quatis, tatus e outros. Também captura aves, como seriemas, araras e cracídeos, ou répteis, incluindo grandes lagartos (Mikich & Bérnils, 2004; Sick, 1997). A harpia se desloca com agilidade surpreendente entre as copas das árvores atingindo suas vítimas em vôos rápidos. Caça por espreita, fica observando suas presas por longos períodos, o que a torna discreta e pouco notada apesar de seu grande tamanho (ICMBio, 2008; Robison, 1994). Como é grande a diferença de tamanho entre os sexos, o casal caça presas diferentes, o macho por ser menor e mais ágil caça pequenos mamíferos terrestres enquanto a fêmea maior e mais lenta, captura macacos e preguiças. Assim, o casal evita a competição direta por presas. . Mais sobre alimentação...

• Reprodução: São monogâmicas. Constrói o ninho em formato de plataforma no alto de árvores emergentes, usando geralmente a primeira ramificação da árvore. O ninho é construído com pilhas de galhos e ramos secos. Coloca até dois ovos que são esbranquiçados, pesando em média 110g com tempo de incubação de aproximadamente 56 dias (Retting, 1978). Somente um filhote sobrevive, os primeiros vôos do filhote são dados com 141 a 148 dias de idade, mantendo-se sempre no ninho ou em galhos próximos e recebendo nesta fase alimento dos pais com menos frequência (às vezes, uma vez a cada cinco dias) (Retting, 1978). O jovem mantém um período de dependência dos adultos superior a um ano, o que faz com que os casais de harpias se reproduzam a intervalos de pelo menos dois anos. Em 2 a 3 anos o individuo imaturo já adquire a maturidade (Mikich & Bérnils, 2004; Sick, 1997). Mais sobre reprodução...


Fêmea Jovem em vôo. rio Kuluene - Canarana/MT, Julho de 2009. Foto: Isabel Pellizzer

Adulto e filhote no ninho. Alta Floresta/MT, Junho de 2009. Foto: Rudimar Cipriani

• Distribuição geográfica e Registros recentes: Habita grandes florestas preservadas, ocorrendo desde o sul do México à Bolívia, nordeste da Argentina e por quase todo o Brasil (Sick, 1997; Ferguson-Lees & Christie, 2001). É possível que muitos outros países não mais a possuam, pois a maioria das grandes florestas em que habitava está sendo totalmente destruída (Albuquerque et al, 2006).  No Brasil, historicamente já foi registrada em quase todos os estados, com exceção de alguns na região nordeste, e a maior parte da população remanescente está atualmente concentrada na região amazônica (Sick, 1997).

Em áreas de Mata Atlântica, os registros tornaram-se escassos nas últimas décadas, sendo considerada extinta em alguns estados, como o Rio Grande do Sul. Em Minas Gerais em 1996 um exemplar foi fotografado em Cataguases, na Zona da Mata. Em 2006 um exemplar adulto de Harpia foi registrado em vegetação de Cerrado, no municipio de Tapira, em Minas Gerais. Em Santa Catarina existem registros em Lontras e Rancho Queimado, da década de 1960, e, recentemente, na Serra do Tabuleiro (Rosário, 1996). No Paraná, o unico registro recente é datado de 2003 onde um gavião-real foi visto planando sobre a baia de Guaratuba, feito por Pedro Scherer Neto. No sul do Brasil existe ainda possibilidades de ocorrência no Parque Estadual do Turvo, no RS, e no Parque Nacional do Iguaçu, Paraná, devido às grandes áreas florestais e à proximidade com a floresta semidecidual de Misiones, na Argentina, onde a espécies ocorre (Chebez, 1990). Existe também uma população de Harpias no norte do Espirito Santo e Sul da Bahia (GALETTI et al. 1997). Em 2009 foi registrado pelo biólogo Flávio Kulaif Ubaid, um casal de Harpias nidificando na RPPN Sesc no Pantanal mato-grossense, no município de Barão Melgaço (O ECO, 2009).
Mais sobre registros recentes no Brasil...

• Hábitos/Informações gerais: A harpia (Harpia harpyja) é a maior espécie de ave de rapina da região neotropical e também considerada a mais possante do mundo (Sick, 1997). Ocorre em florestas de planícies e altitudes de até 2.000 m do nível do mar. Seu canto é um assobiado, forte e bem audível à distância.

Aparentemente, as harpias podem sobreviver em fragmentos isolados de floresta primária, desde que haja presas disponíveis. Embora seja uma ave grande, são extremamente discretas, prefere pousar entre a vegetação e não no topo da copa das árvores, raramente voa acima da copa das árvores, também raramente aparece em áreas mais abertas.

Sick (1997) sugere que exista uma migração parcial da espécie no sul do Brasil, especialmente no estado do Rio Grande do Sul, pelo menos até 1968. Os registros nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina sugerem uma migraçãode indivíduos vindos, provavelmente, de Misiones, na Argentina, sendo residente a população do Espírito Santo e do sul da Bahia (Galleti et al., 1997).


Indivíduo Jovem.
Parque Estadual do Cantão - Pium/TO, Set de 2010.
Foto:
Marco Crozariol

Indivíduo jovem fotográdo em Camacan/Bahia. (Agradecimentos ao Instituo Uiraçu).
Foto:
Catalina Sanchez-Lalinde

Harpia defendendo ativamente o ninho contra intruso, na foto voando contra a cabeça do pesquisador.
Foto:
Angel Muela

• Ameaças e Preservação: A exemplo de outras grandes aves de rapina, que são exclusivas de matas preservadas de consideráveis dimensões, a harpia esta correndo sério risco de extinção devido a falta de habitats disponíveis, podendo também sofrer deterioração genética em virtude da existência de poucos indivíduos nas áreas onde ainda ocorre. Além disso, deve-se salientar que os indivíduos que vivem próximas a áreas habitadas sofrem com abates por parte de avicultores, com o intuito de evitar ataques à criação, o que é lamentável (Mikich & Bérnils, 2004). Sempre foi troféu cobiçado tanto por índios como por caçadores. Dentre as principais recomendações para preservação desta espécie é a proteção em áreas com registros de nidificação; educação ambiental; estudo populacional em região de ocorrência da espécie. Estudos demográficos e monitoramento de mamíferos arborícolas de médio porte em áreas onde a espécie foi registrada.

Em aldeias indígenas (Xingu), eram mantidas em gaiolas desde filhotes para serem retiradas penas para ornamentos. Para algumas tribos, a harpia é considerada símbolo de liberdade e altivez. Em outras tribos ela é mantida em cativeiro como propriedade do cacique, e quando o cacique morre, a ave também é morta ou até enterrada viva com seu dono (Sick, 1997).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: CR - Criticamente em perigo (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Provavelmente extinta (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: CR - Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: CR - Criticamente em Perigo (Drummond et al. 2008).
  Rio de Janeiro: EN - Em Perigo (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: CR - Criticamente em Perigo (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Criticamente em Perigo (Ignis, 2008).

• Pesquisas: Desde 1997 o INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia realiza o projeto gavião-real com o desafio de conhecer e conservar esta espécie na amazônia, protegendo o gavião-real de suas principais ameaças: a caça e o desmatamento. Hoje o projeto conta com a participação vários pesquisadores que monitoram mais de 40 ninhos nos estados do Amazonas, Pará, Rondônia e outros cinco ninhos no Pantanal e Mata Atlântica. Estabelecer um Programa de Conservação da espécie somente foi possível com a parceria de várias instituições e Ong nacionais e regionais. A participação ativa de comunidades que habitam a floresta no entorno das árvores com ninhos são a razão do sucesso da sobrevivência dos filhotes até serem capazes de voar e partirem em busca de outras terras. Mais sobre pesquisas...

• Video-documentário: Assista o video produzido pelo Globo repórter, um documentário sobre os primeiros meses de vida da Harpia, uma das mais poderosas aves de rapina do mundo. Conheça um pouco mais da vida dessa maravilhosa ave de rapina nesta produção fantástica com excelentes imagens e trilha sonora. .:: Assistir o video ::.


Indivíduo adulto. Alta Floresta/MT.
Junho de 2009.
Foto:
Rudimar Cipriani

Harpia com um quati nas garras. Rio Javaés - Pium/TO. Julho de 2008. Foto: Robson Silva e Silva

Registro de nidificação de Harpia harpyja na RPPN Sesc Pantanal, MT Agosto de 2009.
Foto: Flávio Kulaif Ubaid


:: Página editada por: Willian Menq em 2013. ::



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• Referências:

Albuquerque, J. L. B. (1995) Observations of rare raptors in southern Brazil. Journal of Field Ornithology, EUA, v. 66, p. 365-369.

Aletti, M.; Carvalho-junior, O. (2000) Sloths in the diet of a Harpy Eagle nesting in eastern Amazon. Wilson Bulletin, v. 112, n. 4, p. 535-536.

Chebez, J. C. (1990). La nidificación de la Harpia (Harpia harpyja) en Argentina. Hornero, v. 13, p. 155-158.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. (2009) Projeto Gavião Real. disponivel em: Fev de 2010 <gaviaoreal.inpa.gov.br> Acesso: Fevereiro de 2010.

Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.

Machado, A. B. M., G. A. B. da Fonseca, R. B. Machado, L. M. de S. Aguiar e L. V. Lins (orgs.) (1998) Livro vermelho das espécies ameaçadas de extinção da fauna de Minas Gerais. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004). Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: < http://www.pr.gov.br/iap > Acesso em Fevereiro de 2010

Oliveira, A. L., Silva e silva, R. (2006) Registro de Harpia (Harpia harpyja) no cerrado de Tapira, Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4) 433-434.

Retting, N. L. (1978) Breeding behavior of the Harpy eagle (Harpia harpyja). Auk, v. 95, n. 4, p. 629-643.

Robinson, S. K. (1994) Habitat selection and foraging ecology of raptors in Amazonian, Peru. Biotropica, v. 26, n. 4, p. 443-158.

Srbek-Araujo, A. C.; Chiarello, A. G. (2006). Registro recente de harpia, Harpia harpyja (Linnaeus) (Aves, Accipitridae), na Mata Atlântica da Reserva Natural Vale do Rio Doce, Linhares, Espírito Santo e implicações para a conservação regional da espécie. Rev. Bras. Zool. vol.23 no.4 Curitiba.

Sick, H. (1997). Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

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