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A Situação da Harpia no sul do Brasil


Filhote de Harpia no ninho. Alta Floresta/MT.
Foto:
Fabiano Ficagna

A Harpia, conhecida também como Gavião-real, originalmente ocorria desde o México até a América do Sul, com exceção do Uruguai e Chile, mas atualmente é bem provável que muitos países não mais a possuem, já que as grandes florestas estão cada vez mais raras. Em nosso país, é considerada rara fora da floresta amazônica, sua situação atual de acordo com o Ibama é de “quase ameaçada de extinção” (2005).No sul do país a situação da harpia é critica. No estado do Rio Grande do Sul de acordo com seu livro vermelho da fauna ameaçada de extinção (2002) está considerada como: "provavelmente extinta", mas apesar disso existe uma provável ocorrência na região das encostas da serra geral, nas baixadas do Parque Nacional dos Aparados da Serra, no Parque estadual do Turvo e também nas bordas com a Argentina e do estado de Santa Catarina.

Em Santa Catarina, a harpia conta com dados antigos: registrada em outubro 1989 em Calda de Imperatriz um casal em vôo, e em 1980 em pilões (Albuquerque, 1995). Não há dados de registros recentes confirmados. Há um relato recente de um individuo de harpia visto por um piloto de asa delta em 2002, no município de Timbó do Sul, próximo a Serra do Rio do Rastro, de Bom Jardim da Serra, existe uma grande chance de este relato ser verdadeiro. A região da serra geral e serra do tabuleiro grande area verde bem preservada, abriga uma grande biodiversidade, conta com 28 espécies de aves de rapina diurnas, dentre elas espécies raras como Spizaetus ornatus, Leucopternis lacernulata, etc. esta é uma área que provavelmente abriga gaviões-reais, condições de habitat (presas potenciais, territórios) para esta espécie ainda persistem na região, sem dúvida uma area prioritária para conservação.


Florestas do sopé da Serra Geral. Foto: Jorge Albuquerque

As florestas de Missiones - ARG, é uma área de extrema importancia para conservação, nela ainda habita varios casais de harpias, podendo até haver de acordo com Albuquerque (1995) um possivel intercâmbio de individuos entre as costas do atlantico e de Missiones.No Estado do Paraná de acordo com seu livro vemelho da fauna ameaçada de extinção, é considerada "rara". Essa poderosa ave de rapina conta com poucos registros de ocorrência. O registro mais recente é datado de 2003 onde um gavião-real foi visto planando sobre a baia de guaratuba, feito por Pedro Scherer Neto. Outro registro foi de 1984, sendo que o espécime, ainda vivo, foi enviado ao Passeio Público de Curitiba (Straube, 2003). Informações antigas foram colhidas com base em exemplares de museu, para os municípios de Laranjeiras do Sul, Palmas, Cascavel e Turvo (Straube, 2003). Por volta da década de 30 houve um registro de Harpia nas imediações de Londrina, onde um individuo foi abatido por caçadores, era o inicio da colonização da região norte do estado. De acordo com Bornschein & Straube (1991) é bem provavel a ocorrência de gaviões-reais no Parque Nacional do Iguaçu, proximo as florestas de Missiones e também em todas as outras regiões densamentes florestas do estado.


Com isso, pode-se ver que dados atuais da Harpia no Sul do Brasil são precários, mas é possivel afirmar claramente que eles ainda habitam a região. As medidas necessarias de preservação de acordo com o Livro vermelho do Estado do Paraná são: Proteção e incremento de unidades de conservação e busca por populações residuais, associadas a estudos de história natural, fiscalização e educação ambiental. O importante é lutarmos pela sua conservação, preservar os remanescentes que ainda restam já que necessitam de grandes areas para sobrevirerem, e permitir que gerações futuras tenham a felicidade de ver nossos gaviões reais habitanto as florestas não só do Sul, mas do País inteiro.

Texto de: Willian Menq S.
Publicado em: Fevereiro de 2009

Bibliografia:
• Projeto Gaviões de Penacho – Hawk Eagle Project: www.projetogavioesdepenacho.blogspot.com
• Albuquerque, J.L.B. 1995. Observations of rare raptors in Southern Atlantic Rainforest of Brazil. Journal of Field Ornithology, Berlin, 66 (3): 363-369.
• Bornschein, M. R. & F. C. Straube. 1991. Novos registros de alguns Accipitridae nos Estados do Paraná e Santa Catarina (sul do Brasil). Resum. Encuent. Ornitol. Paraguay, Brasil y Argentina, p. 38.
• Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná
• Straube, F. C. A harpia (Harpia harpyja): timbre do brasão de armas do Estado do Paraná.. Palotina/PR: Centro Acadêmico de Medicina Veterinária Harpia/UFPR- Campus Palotina, 2003


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