• Descrição: O Acauã é um falcão bastante diferente, mede aproximadamente 47 cm de comprimento. Seu formato é único entre os gaviões e falcões (Obs: de fácil identificação visual quando em pouso). Bastante cabeçudo, possui uma máscara negra estendendo-se dos olhos até a nuca. A cauda, longa e negra, possui 5 listras brancas estreitas. O olho é negro, com a pele em volta das narinas e os pés amarelados. Bico negro. As penas do alto da cabeça tanto podem estar abaixadas, formando uma silhueta arredondada, como eriçadas, aumentando o tamanho da cabeça. Em vôo, as asas parecem curtas e arredondadas, pequenas em proporção à cabeça e cauda. Bate as asas de modo especial, rapidamente e em pequena amplitude, parecendo estar fazendo um grande esforço para voar. Conhecido também como macauá e acanã. Em algumas regiões do Brasil, como por exemplo no interior de Minas Gerais, sua vocalização é transcrita por alguns como "Deus-quer-um".
• Alimentação: Se alimenta de lagartos, morcegos e principalmente cobras, na qual é um famoso caçador podendo capturar até mesmo espécies peçonhentas, mas geralmente captura espécies inofensivas, como a cobra-cipó e outras espécies de campos abertos. Como principal técnica de caça, ele fica pousado em galhos altos, expostos, de onde patrulha as imediações e quando visualiza a presa apanha ela rapidamente. Apanha tanto as cobras no solo, como entre a vegetação (Sick, 1997; Antas, 2005).
• Reprodução: São monogâmicos. Faz ninho em cavidades de árvores, podendo se aproveitar de ninhos de outros gaviões. Geralmente poem 2 ovos com um periodo de incubação que vai de 45 a 50 dias, os filhotes se emplumam em aproximadamente 57 dias. Os pais dividem os cuidados parentais com os filhotes, (Brown e Amadon, 1968). Dados de sua biologia reprodutiva são escassos (del Hoyo, Elliott, e Sargatal, 1994).
• Distribuição Geográfica: Ocorre em todo o Brasil além do México até a Argentina (Sick, 1997).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Rio Grande do Sul: Vulnerável (Marques, et al. 2002).
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São Paulo: Quase ameaçado (Silveira et al., 2009). |
• Hábitos/Informações Gerais: Comum em bordas de florestas, capoeiras, florestas de galeria, campos com árvores e cerrados. Vive solitário, permanecendo pousado por longos períodos a média altura em árvores isoladas, que ofereçam boa visibilidade (Ferguson-Lees and Christie, 2001). Costuma cantar ao entardecer e ao amanhecer (obs: no qual tem um canto bastante curioso). Cada casal delimita um território de caça próprio (de acordo com o livro de Paulo Zuquim Antas, as medições chegam a valores entre 400 e 2.500 ha). Para demarcá-los, possuem um grito longo, começando com chamados sequenciados, graves e curtos, semelhantes a uma risada, os quais aumentam em intensidade e duração, até chegar à frase final, traduzida como acauã ou macauã (Frequentemente o canto inicialmente consiste em uma sílaba, depois em duas e no final, depois de algum tempo, em três sílabas A-CAU-Ã).
Esses chamados duram vários minutos. Pode ser dado por um indivíduo solitário ou pelo casal em um dueto. O grito é tão alto que cobre a maioria dos sons produzidos na mata. É mais freqüente ao amanhecer ou escurecer, embora possa ser escutado no meio do dia ou à noite. O chamado do acauã tanto é considerado de bom, como de mau agouro, dependendo da região do país. No folclore amazonense,diz-se que os gritos do acauã prenunciam chegada de forasteiros. Em alguns lugares, acredita-se que anuncia a morte de alguém da casa, enquanto em outros, a chegada da boa sorte e fortuna. No nordeste do Brasil, diz a lenda que se o acauã cantar em uma árvore seca, o ano será de seca, se for em uma árvore com folhas, a chuva será boa (Antas, 2005).

Acauã. Itaipava - Petrópolis/RJ. Fevereiro de 2010.
Foto: Sylvio Adalberto
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
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• Referências:
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN: Sesc. 2005.
Brown, L., D. Amadon. 1968. Eagles, Hawks, and Falcons of the World. New York, NY: McGraw-Hill Book Company.
del Hoyo, J., A. Elliott, J. Sargatal. 1994. Handbook of Birds of the World. Barcelona: Lynx Edicions.
Ferguson-Lees, J., D. Christie. 2001. Raptors of the World. London: Christopher Helm.
Fundação Parque Zoológico de São Paulo, Setor de Aves. Ficha do ACAUÃ.
MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)
Sick, H.1997. Ornitologia Brasileira. RJ. Editora Nova Fronteira.
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
