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Acauã
(Herpetotheres cachinnans)

Herpetotheres cachinnans
(Linnaeus, 1758)

Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Falcões-florestais

Nome em inglês: Laughing Falcon
Tamanho: 45-53 cm de comprimento
Habitat:
Borda de matas e savanas
Alimentação:
Serpentes.


Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco

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Indivíduo adulto. Ribeirão Cascalheira/MT, Setembro de 2013.
Foto: Willian Menq


Vocalização típica (C) - (gravado por: Dan Mennill)

• Descrição: Mede de 45-53 cm de comprimento, peso de 408-597 g (macho), 590-655 g (fêmea) (Márquez et al. 2005). Apresenta coloração branco-creme predominante, com dorso marrom e uma máscara negra estendendo-se dos olhos até a nuca. A cauda, longa e negra, possui 5 listras brancas estreitas. A íris é escura, com a cera e tarsos amarelados. As penas do alto da cabeça tanto podem estar abaixadas, formando uma silhueta arredondada, como eriçadas, aumentando o tamanho da cabeça, dando a impressão de ser "cabeçudo". Em voo, as asas parecem curtas e arredondadas, pequenas em proporção à cabeça e cauda (Antas, 2005; Sick, 1997). Conhecido também como macauá, acanã e falcão deus-quer-um.

• Alimentação: É um especialista na captura de serpentes, inclusive as peçonhentas, apesar de caçar principalmente espécies inofensivas, como a cobra-cipó. Ocasionalmente pode capturar lagartos e morcegos (Sick 1997). Como principal técnica de caça, fica pousado em galhos altos, expostos, de onde patrulha as imediações, e quando visualiza a presa, se atira sobre ela rapidamente dominando-a com uma bicada atrás da cabeça (Sick, 1997; Antas, 2005). Normalmente voa para um poleiro para se alimentar, levando cobras pequenas no bico e cobras grandes nas garras. Cobras pequenas são engolidas inteiras enquanto as maiores são ingeridas em pequenos pedaços (Skutch 1960, Sick 1993).

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Sequência do acauã adulto capturando e predando uma cobra no solo.
Porangatu/GO, Setembro de 2010. Foto:
Maurício Peixoto

• Reprodução: Usa cavidades de árvores e buracos para nidificar, e de forma mais rara, usa ninhos abandonados de outros gaviões. Coloca em média 2 ovos, com período de incubação que vai de 45 a 50 dias. Os filhotes ficam totalmente emplumados em aproximadamente 57 dias, os pais dividem os cuidados parentais (Wolfe, 2959; Brown e Amadon, 1968). Dados mais detalhados de sua biologia reprodutiva ainda são escassos (Del Hoyo et al. 1994).

Cada casal delimita um território de caça próprio, para demarcá-los, vocaliza alto, começando com chamados sequenciados, graves e curtos, semelhantes a uma risada, os quais aumentam em intensidade e duração, até chegar à frase final, traduzida como acauã ou macauã (frequentemente o canto inicialmente consiste em uma sílaba, depois em duas e no final, depois de algum tempo, em três sílabas A-CAU-Ã) (Antas, 2005).

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Casal em dueto. Ribeirão Cascalheira/MT, Setembro de 2013.
Foto: Willian Menq
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Filhote sob um Buriti.
Brasília/DF, Nov 2011.
Foto: Geremias Pignaton
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Macho adulto engolindo uma serpente. Ribeirão Cascalheira/MT, Set 2013. Foto: Willian Menq

• Distribuição Geográfica e subspécies: Ocorre desde o México até a Argentina, incluindo todo o território Brasileiro (Sick, 1997). São conhecidas três subspécies. H. c. chapmani: México até o norte de Honduras; H. c. cachinnans: Honduras, Nicarágua, Colômbia até o noroeste do Peru (Tumbes) e Brasil central; H. c. queribundus: leste da Bolívia e sudeste do Brasil, até o Paraguai e norte da Argentina.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Rio Grande do Sul: Vulnerável (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Quase ameaçado (Silveira et al., 2009).

• Hábitos/Informações Gerais: Pode ser encontrado em bordas de florestas, capoeiras, florestas de galeria e savanas. Vive solitário ou aos pares, permanece boa parte do tempo pousado a média altura em árvores isoladas (Ferguson-Lees and Christie, 2001). Costuma cantar ao entardecer e ao amanhecer, esses chamados duram vários minutos, pode ser realizados por um indivíduo solitário ou pelo casal em um dueto. Seus chamados são tão altos que cobre a maioria dos sons produzidos na mata.

O acauã é citado na música “acauã”, cantada por Luiz Gonzaga e composição de Zé Dantas, na qual os autores relatam um pouco de seu hábito de cantar nos finais de tarde.

• Crendices populares: O chamado do acauã tanto é considerado bom, como de mau agouro, dependendo da região do país. No folclore amazonense, diz-se que os gritos do acauã prenunciam chegada de forasteiros. Em alguns lugares, acredita-se que anuncia a morte de alguém da casa, enquanto em outros, a chegada da boa sorte e fortuna. Entre os índios, esse falcão é denominado como uira, jeropari que significa demônio, e, na época da postura põe os ovos em lugares diversos, que, segundo a lenda, são chocados pelo diabo. Em algumas partes do México, os indígenas acreditam que o canto desta espécie é um aviso de chuvas fortes. No nordeste do Brasil, diz a lenda que se o acauã cantar em uma árvore seca, o ano será de seca, se for em uma árvore com folhas, a chuva será boa (Antas, 2005).

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Indivíduo adulto. Extrema/MG, Outubro de 2011.
Foto: Ricardo Q. T. Rodrigues
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Indivíduo em voo. São Luís do Paraitinga/SP, Nov 2009 Foto: Emerson Kaseker
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Indivíduo adulto. Petrópolis/RJ. Fevereiro de 2010.
Foto: Sylvio Adalberto

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Fêmea adulta. Ribeirão Cascalheira/MT, Setembro de 2013.
Foto: Willian Menq
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Indivíduo adulto. Santa Fé do Sul/SP, Agosto 2012.
Foto:
Alan Souza
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Fêmea adulta. Ribeirão Cascalheira/MT, Setembro de 2013.
Foto: Willian Menq


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2015. ::



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• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN: Sesc.

Brown, L., & D. Amadon. (1968) Eagles, Hawks, and Falcons of the World. New York, NY: McGraw-Hill Book Company.

Del Hoyo, J., A. Elliott, J. Sargatal. (1994) Handbook of Birds of the World. Barcelona: Lynx Edicions.

Ferguson-Lees, J. & D. Christie. (2001). Raptors of the World. London: Christopher Helm.

Marques, A. A. B. et al . (2002) Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11).

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. RJ. Editora Nova Fronteira.

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009). Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Skutch, A.F. (1960). The laughing reptile hunter of tropical America. Animal Kingdom 63:115-119.

Wolfe, L.R. (1959). Nesting of the Laughing Falcon (Herpetotheres cachinnans chapmani). Oologists' Record 33:6-9. 

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)