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Gralhão
(Ibycter americanus)

Ibycter americanus (Boddaert, 1783)
Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Caracarás
Outros Nomes: canção-preto, cançã
Nome em inglês: Red-throated caracara
Tamanho: 48-61 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Invertebrados, frutos


Distribuição no Brasil:


Status: (DD) Baixo risco


Gralhão, Fazenda Bocaina - Palmeirante/TO , Jan 2010.
Foto:
Wanieulli Pascoal


Vocalização típica (A) - (gravado por: Bob Planqué)

• Descrição: O Canção é um falconídeo com tamanho de 48 a 61 cm, pesando 510 a 680 g, e diferentemente da maioria dos Falconiformes, fêmea e macho não apresentam dimorfismo sexual em relação ao tamanho (apenas 2-3%) (Silveira, et al., 2009). Os formatos do bico, do corpo e da cauda fazem com que este falconídeo se assemelhe a um jacu. Sua plumagem geral é preta com o ventre branco, enquanto os tarsos são avermelhados (Sick, 1997; Mikich e Bérnils, 2004). Conhecido também como gralhão, alma-de-tapuio (Maranhão), cã-cã, caracará-preto, cacão e cancão-grande.

• Alimentação: Sua alimentação inclui ovos e larvas de vespas e abelhas, outras espécies de invertebrados, ovos de tartarugas e frutos pequenos, derruba casas de maribondos para comelos. Os resultados de algumas pesquisas sugerem que a espécie desenvolveu algum tipo de repelente que impede que as vespas se aproximem. (Mikich e Bérnils, 2004).

• Reprodução: Realiza postura de um a três ovos de cor branca ou camurça (Mikich e Bérnils, 2004).Aparentemente não se reproduz anualmente – um grupo estudado por cinco anos reproduziu-se uma única vez (Fergunson-Lees & Christie, 2001)

• Distribuição Geográfica e Subspécies: Presente na Amazônia, Piauí e, em direção sul, até o Paraná. Encontrado também do México ao Equador e Peru. (Mikich e Bérnils, 2004; Sick, 1997). Pinto (1978) aponta duas subespécies para o Brasil: Daptrius americanus americanus e Daptrius americanus pelzelni, sendo a segunda encontrada, originalmente, a leste do Brasil, da Bahia até São Paulo, na divisa com o Paraná e a outra é a forma amazônica.

• Status nas listas vermelhas estaduais: Os registros para o Estado de São Paulo são restritos a cinco indivíduos depositados no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. A espécie é rara ao longo de sua distribuição e, aparentemente, mais rara ainda em São Paulo limite sul de sua ocorrência. Não há evidências recentes de populaçõe desta espécie no território paulista (Silveira et al., 2009). No Estado do Paraná os dois únicos registros desta espécie procedem de espécimes coletados em 1903 e 1951, respectivamente na região do norte pioneiro e atualmente é considerada extinta no Paraná (Mikich & Bérnils, 2004).

  Paraná: RE - Regionalmente Extinta (Mikich & Bérnils, 2004).
  São Paulo: CR - Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).

• Hábitos/Informações Gerais: Ocorre nas bordas de florestas primárias e secundárias, particularmente próximo de grandes rios. Geralmente é encontrado em pares ou formando grupos de três a sete indivíduos. Sempre que forrageiam, uma sentinela permanece atenta, empoleirada em locais elevados. Barulhento, vive sempre em pequenos bandos com cerca de 5 indivíduos. Normalmente pousa no alto de árvores ao longo de rios ou da borda da floresta; às vezes é visto no estrato baixo ou mesmo no chão. No período reprodutivo se torna extremamente agressiva, defendendo o território de nidificação com vigor contra predadores e outros gralhões. (Mikich e Bérnils, 2004). Segundo Thiollay (1989), em uma área de 10.000 ha, no Suriname, podem ser encontrados até 200 individuos distribuídos em pequenos grupos. No estado do Paraná e São Paulo essa espécie é categorizada como provavelmente extinta, essa é uma espécie essencialmente florestal que habita vegetação primária e secundária às margens de grandes rios. Tal tipo vegetacional, nesses dois estados encontra-se quase que completamente suprimido, sendo substituído, quase que em sua totalidade, por agricultura e áreas de pecuária extensiva que, não raramente, estendem-se ao leito do rio (Mikich e Bérnils, 2004).


Gralhão, Faz. Bocaina - Palmeirante/TO , Jan 2010
Foto:
Wanieulli Pascoal

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

del HOYO, .J., ELLIOT, A. E SARGATAL, J. Handbook of the birds of the world (2 v). Bird Life International Lynx Editions, 1994. 638p.

Ferguson-Lees, J. & Christie, D.A. 2001. Raptors of the World. New York, USA. Houghton and Mifflin Company.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap Acessado em: 27 mar 2010.

PINTO, O. M. de O. Novo catálogo das aves do Brasil: Primeira parte. São Paulo: Empresa
Gráfica da Revista dos Tribunais, 1978.

Sick, H.1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.

SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Thiollay, J.-M. 1991. Foraging, home range use and social behavior of agroup-living forest raptor, the Red-throated Caracara. Ibis 133:382-383.


 
 


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