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Gavião-pombo-grande
Pseudastur polionotus (Kaup, 1847)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-planadores

Nome em inglês: Mantled Hawk
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Aves, répteis e roedores

Distribuição no Brasil:



Status: (NT) Quase ameaçado
Endêmico da Mata Atlântica

Indivíduo adulto. Ribeirão Grande/SP, Set. de 2011.
Foto:
Antonio Pessoa

Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Ciro Albano)

Gavião grande de plumagem branca chamativa. Endêmico da Mata Atlântica, normalmente encontrado nos trechos mais preservados do domínio, especialmente em terrenos acidentados e vales, onde é frequentemente observado planando nas horas mais quentes da manhã.

• Descrição: Mede de 48 e 53 cm de comprimento (Mikich & Bérnils, 2004). O adulto apresenta a cabeça, nuca e partes inferiores brancas, enquanto o dorso e as asas são cinza-escuro, quase preto. A cauda é curta, apresenta cor preta na base e branca no restante, sendo que em voo só é possível visualizar o branco da cauda. O jovem apresenta pequenas estrias na cabeça e no pescoço.

• Espécies similares: Pode ser confundido com o gavião-pombo-pequeno (Amadonastur lacernulatus), sendo diferenciado pelo padrão da cauda. O A. lacernulatus tem uma faixa preta terminal na cauda, enquanto a do P. polionotus é predominantemente branca.

• Alimentação: Alimenta-se de aves, répteis e pequenos mamíferos (ICMBio, 2008; Mikich & Bérnils, 2004). Martuscelli (1996) descreve observações de capturas de sabiá (Turdus albicollis), papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), alma-de-gato (Piaya cayana) e roedores. Caça no solo, mas é frequentemente avistado planando sobre a floresta alta. Posiciona-se também próximo de árvores em frutificação para atacar aves atraídas pela árvore (ICMBio, 2008; Mikich & Bérnils, 2004). Em Santa Catarina, J. Albuquerque (obs. pess. 2003) relata que a espécie gosta de ficar pousada em araucárias para espreitar presas, onde já foi visto capturando lagartixas.

Apesar de intimamente associados a cobertura florestal, Salvador-Junior (2010) observou alguns hábitos oportunistas desta espécie, realizando a captura em área aberta de um pequeno roedor desalojado pela atividade de desmate e utilizando a borda do fragmento para emboscar presas em locais recém desbastados. Foram também registradas cinco capturas de serpentes e uma tentativa frustrada de predação de uma jacupemba Penelope superciliaris (Salvador-Junior, 2010).

• Reprodução: Na época da reprodução constrói o ninho com galhos secos no alto das árvores (Sick, 1997; Mikich e Bérnils, 2004).

• Distribuição geográfica: Ocorre na faixa litorânea brasileira (Pernambuco, Minas Gerais até o Rio Grande do Sul), nordeste da Argentina e Paraguai (Ferguson-Lees & Christie, 2001; Sick, 1997; Roda & Pereira, 2006).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Quase Ameaçado (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Vulnerável (Rio Grande do Sul, 2014).
  São Paulo: Vulnerável (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Criticamente em Perigo (Copam 2010).
  Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).

• Hábitos/Informações gerais: Endêmico da Mata Atlântica (Stotz et al. 1996, Menq 2016), pode ser encontrado nos trechos mais preservados do domínio, especialmente em terrenos acidentados e vales, habitando Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista e Floresta Semidecidual (ICMBio, 2008; Silveira et al., 2009). Costuma sobrevoar a mata nas horas mais quentes da manhã.

Aparentemente é bastante territorial. Willian Menq (obs. pess. 2014) observou um casal planando sobre uma área de floresta e atacando através de voos rasantes um gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus) que apareceu no local. Um dos indivíduos executou diversos mergulhos sobre o S. tyrannus, até acuá-lo do local.

Salvador-Junior (2010) monitorou entre setembro e novembro de 2008 um casal de Pseudastur polionotus durante a supressão vegetal de um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual na região do Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. Inicialmente a espécie se mostrou extremamente irritada com a presença humana no interior do remanescente, realizando voos circulares sobre o dossel, vocalizando intensamente, investindo contra trabalhadores e regurgitando conteúdo estomacal sobre o pesquisador. Com o avançar da frente de desmate, os indivíduos se tornaram mais tímidos e reservados, até abandonarem definitivamente o fragmento. Os rapinantes se mostraram ativos durante todo o dia, com pico de atividade associado as horas mais quentes. Apesar dos esforços despendidos, nenhum ninho foi detectado. Em outro fragmento de maior porte localizado na mesma região, a espécie foi também avistada, tendo sido registrados indivíduos adultos solitários e um casal formado.

• Conservação: A ocorrência exclusiva no domínio da Mata Atlântica associada à alta dependência de habitat florestal torna esta espécie especialmente sensível ao avanço das atividades humanas (Silveira et al., 2009). Está ameaçado de extinção em vários estados devido a destruição do hábitat pelo desmatamento. Ataques fortuitos desse rapineiro a animais de criação acabam por estimular abates, os quais, ainda que pontuais, colaboram com o seu declínio (Mikich e Bérnils, 2004; Sick, 1997).



Indivíduo adulto em voo.
Itaguai/RJ, Maio de 2015.

Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Apiúna/SC,
Janeiro de 2005.
Foto:
Gregory Thom

Indivíduo junto a um S. tyrannus logo após atacá-lo. Caraguatatuba/SP. Foto: Willian Menq



Indivíduo adulto. São Miguel Arcanjo/SP, Junho de 2008.
Foto:
Eduardo Joel

Indivíduo adulto. Santo André/SP, Fevereiro de 2009.
Foto:
Bruno Salaroli

Indivíduo adulto.
Caraguatatuba/SP, Junho de 2015.
Foto: Willian Menq



:: Página editada por: Willian Menq em Jun/2016. ::



• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Copam (2010) Deliberação Normativa COPAM nº 147, de 30 de abril de 2010: Aprova a Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais (Diário do Executivo), 04 Maio 2010.

CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2011) Listas das aves do Brasil. 10 ª Edição, 25/01/2011, Disponível em <http://www.cbro.org.br>. Acesso em: Janeiro de 2011.

ICMBIO, (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília

Menq, W. (2016) Aves de rapina da Mata Atlântica - Aves de rapina Brasil (publicações online). Disponível em: <http://www.avesderapinabrasil.com/arquivo/artigos/avesderapina_mataatlantica.pdf> Acesso em setembro de 2016.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004). Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap Acessado em: 25 mar 2010

Rio Grande do Sul (2014) Táxons da fauna silvestre do Estado Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção. Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014. (publicado no DOE n.º 173, de 09 de setembro de 2014).

RODA, S. A.; PEREIRA, G. A. (2006) Distribuição recente e conservação das aves de rapina florestais do Centro Pernambuco. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, n. 4, p. 331-344.

Salvador-Junior, L. F. (2010). Behaviour and diet of the Mantled Hawk Leucopternis polionotus (Accipitridae; Buteoninae) during deforestation of an Atlantic Rainforest landscape in Southeast Brazil. Revista Brasileira de Ornitologia, 18(1):68-71.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Simon, J. E. et al. (2007) As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, p. 47-64

Stotz, D. F.; FITZPATRICK, J. W.; PARKER III, T. A.; MOSKOVITS, D. K. (1996) Neotropical Birds: ecology and conservation. Chicago: University of Chicago Press.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Gavião-pombo-grande (Pseudastur polionotus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/leucopternis_polionotus.htm > Acesso em: