• Descrição: O gavião-pombo-grande mede entre 48 e 53 cm, apresenta a região do dorso e asas cinza escuro, quase negro, e algumas coberteiras margeadas de branco. A cabeça, nuca e região do peito e ventre são de um branco imaculado, enquanto a cauda curta apresenta cor preta da base até a região mediana, branca no restante, Imaturo: de cabeça e pescoço rajado. Espécie de porte avantajado é semelhante ao L. lacernulatus, diferindo quanto ao tamanho e à cor branca na extremidade da cauda. Voz: Seqüência de assobios finos "bibibi...bibibi...". (Mikich e Bérnils, 2004; Sick, 1997).
• Alimentação: Pode capturar aves do tamanho de um sabiá ou até o de um jacuguaçu. Martuscelli (1996) descreve observações de capturas de sabiá (Turdus albicollis), papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e alma-de-gato (Piaya cayana). Também captura répteis e pequenos mamíferos (roedores) ( Martuscelli, 1996 citado in: Mikich e Bérnils, 2004). Caça no solo, mas é freqüentemente avistado planando sobre a floresta alta. Posiciona-se também próximo de árvores em frutificação. Consome mamíferos e pequenos vertebrados, como répteis, roedores e aves Espreita em poleiros relativamente expostos, atacando aves que passam ao seu redor. (ICMBio, 2008; Mikich & Bérnils, 2004).
Apesar de intimamente associados a cobertura florestal, Salvador-Junior (2010) observou alguns hábitos oportunistas desta espécie, realizando a captura em área aberta de um pequeno roedor desalojado pela atividade de desmate e utilizando a borda do fragmento para emboscar presas em locais recém desbastados. Foram também registradas cinco capturas de serpentes e uma tentativa frustrada de predação de uma Jacupemba Penelope superciliaris (Salvador-Junior, 2010).
• Reprodução: Na época da reprodução faz o ninho com galhos secos no alto das árvores (Sick, 1997; Mikich e Bérnils, 2004).
• Distribuição geográfica: Ocorre na faixa litorânea; Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais também no nordeste da Argentina e Paraguai (Ferguson-Lees & Christie, 2001; Sick, 1997) Registros recentes em Pernambuco estendem a sua distribuição até aquele estado (Roda e Pereira, 2006).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Paraná: Quase Ameaçado (Mikich & Bérnils, 2004). |
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Rio Grande do Sul: Em perigo (Marques, et al. 2002).
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São Paulo: Vulnerável (Silveira et al., 2009). |
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Minas Gerais: Criticamente em Perigo (Drummond et al. 2008). |
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Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000). |
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Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).
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• Hábitos/Informações gerais: O gavião pombo grande vive em grandes florestas. Costuma sobrevoar a pouca altura das florestas. Ele é endêmico da Mata Atlântica (Stotz et al., 1996), sua distribuição está relacionada com terrenos acidentados e vales de matas preservadas, habitando Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista e Floresta Semidecidual (ICMBio, 2008; Silveira et al., 2009). Costuma ficar pousado em araucárias por longo tempo espreitando presas, ja visto caçando e comendo uma lagartixa em um dia frio de julho (Albuquerque, J. 2003). A ocorrência exclusiva no bioma Mata Atlântica associada à alta dependência de habitat florestal torna esta espécie especialmente sensível ao avanço das atividades humanas (Silveira et al., 2009). Está ameaçado de extinção devido a destruição do seu ambiente. Esta espécie, assim como outros rapineiros de grande porte, é ameaçada pela alteração e erradicação dos ambientes florestais. Com isso, desencadeia uma série de fatores que contribuem para seu rareamento, destacando-se a diminuição na disponibilidade de itens alimentares e de sítios adequados para reprodução e abrigo. Ataques fortuitos desse rapineiro a animais de criação acabam por estimular abates, os quais, ainda que pontuais, colaboram com o seu declínio (Mikich e Bérnils, 2004; Sick, 1997).
Salvador-Junior (2010) observou entre setembro e novembro de 2008 o comportamento de um casal de Leucopternis polionotus durante a supressão vegetal de um fragmento de Mata Atlântica estacional semidecidual localizado na região do Quadrilátero Ferrífero, MG. Inicialmente a espécie se mostrou extremamente irritada com a presença humana no interior do remanescente florestal, realizando
vôos circulares sobre o dossel, vocalizando intensamente, investindo contra trabalhadores e regurgitando conteúdo estomacal sobre
o pesquisador. Com o avançar da frente de desmate, os indivíduos se tornaram mais tímidos e reservados, até
abandonarem definitivamente o fragmento. Os rapinantes se mostraram ativos durante todo o fotoperíodo, com
pico de atividade associado as horas mais quentes do dia. Apesar dos esforços despendidos, nenhum ninho foi detectado. Em outro
fragmento de maior porte localizado na mesma região, a espécie foi também avistada, tendo sido registrados indivíduos adultos
solitários e um casal formado.
(Salvador-Junior, 2010).

Gavião Pombo grande em vôo. PARNASO, Teresópolis/RJ. Foto João Quental
• Registros recentes: PE - no Centro Pernambuco há vários registros oriundos do projeto do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), os quais estendem a distribuição da espécie até Pernambuco, nas localidades das usinas Trapiche e Frei Caneca (Roda e Pereira, 2006). Em Pernambuco, é encontrado ainda na Fazenda Pedra Danta, município de Lagoa dos Gatos e na Estação Ecológica de Saltinho (Roda e Pereira, 2006). AL: Há registros ainda na Estação Ecológica de Murici e na Usina Serra Grande, ambas em Alagoas. BA: Na Bahia, ocorre a nordeste do estado, no município de Boa Nova, Serra da Ouricana (Gonzaga, et al. 1995) e, a sudeste, na Serra das Lontras, Serra do Javi (Silveira et al., 2005) e Serra Bonita (Bencke, et al 2006). MG: Em Minas Gerais, foi encontrado em copa de mata pluvial fragmentada, rica em palmeiras (Attalea sp.), no município de Minas Novas, Alto Jequitinhonha, em 1992 (Brandt, 1993), Serra do Caraça (Vasconcelos e Melo-Júnior, 2001) e na Reserva Biológica da Mata Escura (Bencke, et al 2006). ES: No Espírito Santo, em remanescentes próximos a plantações de eucalipto, da empresa Aracruz Celulose, no município de Aracruz (Antas, 2003) e no município de Santa Teresa (Simon, 2000). RJ: No estado do Rio de Janeiro é registrado no Parque Estadual do Desengano (Pacheco, et al., 1996), no Parque Nacional do Itatiaia (Parker e Goeker, 1997), na Serra dos Órgãos (Noronha et al., 1996), na Reserva Biológica do Tinguá (Mendonça-lima e Pacheco, 2003) e na Reserva Ecológica de Guapiaçu (Olmos et al., 2006). SP: Em São Paulo, é encontrado no Parque Estadual da Serra do Mar (Goerck, 1999), em Ilhabela (Olmos, 1996) e em Ilha Comprida (Avanzo e Sanfilipo, 2000). PR: No Paraná existem vários registros, tanto próximo à costa, na Serra do Mar, como no interior, em Foz do Iguaçu, no vale do rio Iguaçu (Straube, 2003; Straube & Urben-filho, 2005), SC: Em Santa Catarina a maior parte dos registros concentra-se na vertente atlântica (Rosário, 1996), em Blumenau (Zimmerman, 1993), no Parque Estadual Serra do Tabuleiro (Albuquerque, 1995), no município de Urubici e no Parque Botânico do Morro do Baú (Marterer, 1996). RS: No estado do Rio Grande do Sul é avistado na região de Aparados da Serra, área de influência da hidrelétrica de Castro Alves, em Nova Pádua, e na bacia do rio das Antas (ICMBio, 2008).
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Contato
• Referências:
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DRUMMOND, G.; MACHADO, A. B. M.; MARTINS, C. S.; MENDONÇA, M. P. e STEHHAN, J. P. Listas das Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte, 2008.
ICMBIO, (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília
MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004). Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap Acessado em: 25 mar 2010
Obs. pess. Jorge Albuquerque. SC, 2003.
RODA, S. A.; PEREIRA, G. A. (2006) Distribuição recente e conservação das aves de rapina florestais
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Salvador-Junior, L. F. (2010). Behaviour and diet of the Mantled Hawk
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during deforestation of an Atlantic Rainforest
landscape in Southeast Brazil. Revista Brasileira de Ornitologia, 18(1):68-71.
Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
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Stotz, D. F.; FITZPATRICK, J. W.; PARKER III, T. A.; MOSKOVITS, D. K. (1996) Neotropical Birds:
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