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Aves de Rapina da Floresta Amazônica


Foto: AmazonasTur

Texto de: Willian Menq
Publicado em: 29 de Maio de 2010.

A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical úmida do mundo e possui uma área de cerca de 5,5 milhões de km², fazendo parte de nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. No Brasil, a floresta se estende por nove Estados: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional. A biodiversidade da região amazônica é única, e a mais rica do mundo. Suas florestas concentram 60% de todas as formas de vida do planeta, mas calcula-se que somente 30% de todas elas são conhecidas pela ciência. Existem inúmeras espécies de peixes, mamíferos, aves e outros pequenos animais como insetos, as quais muitos fogem do conhecimento do homem. A biodiversidade de aves é grande, hoje, existem cerca de 1,3 mil espécies de aves na bacia amazônica, estimativa feita com base em observações, coletas e catalogação, sendo 1,2 mil na Amazônia brasileira, o que representa dois terços da avifauna no país, dessas quase 200 só ocorrem lá (endêmicas).

A biodiversidade das aves de rapina na floresta amazônica também é grande. De todas as aves de rapina existentes no território brasileiro (incluindo as corujas), quase a metade ocorrem na floresta amazônica, sendo que 12% dessas espécies só ocorrem lá, ou seja, são endêmicas da amazônia. Dentre os gaviões endêmicos, o gavião-vaqueiro (Leucopternis kuhli) é restrito a floresta amazônica. Outras espécies do gênero Leucopternis que ocorrem na amazônia são: gavião-azul L. schistaceus; o gavião-de-cara-preta L. melanops e o gavião-pombo-da-amazônia L. albicollis; tais espécies têm sua biologia pouco conhecida sendo escassos os estudos com esses gaviões.


Gavião-vaqueiro (L. kuhli)
Rio Roosevelt. Foto:
Luis F. Silveira

Gavião azul. Macapá/AP. Dez. de 2010. Foto: J. Augusto Alves

Canção-de-anta. Cacaulândia/RO Dez 2009. Foto: Luiz Mazzoni

O gavião canção-de-anta Daptrius ater, presente em toda a amazônia brasileira é um falconídeo diferente, não parecendo nem um pouco com uma ave de rapina. De porte pequeno e com uma plumagem preta, é um gavião onívoro, se alimentando de larvas de insetos, pequenos vertebrados e também de alguns frutos como os côcos de dênde e buriti. O canção-de-anta possui este nome pois costuma tirar carrapatos de antas e veados, sendo que alguns autores dizem que uma Anta ao ouvir a vocalização deste gavião, ela emite um piado para atrair a ave para que tire os carrapatos dela. O gavião-do-igapó Helicolestes hamatus, ocorre no norte do Brasil e países sob abrangência da amazônia, é a versão amazônica do gavião-caramujeiro R. sociabilis, assim como ele, o gavião-do-igapó caça moluscos nos igapós e matas inundáveis.

O falcão-amazônico, também conhecido como falcão-críptico (Micrastur mintoni) foi recentemente descoberta pelo ornitólogo inglês Andrew Whittaker, é uma ave pouco conhecida. Ele é raramente visto devido ao habitat remoto que vive além de ser muito arisco. Fica boa parte do tempo empoleirado no alto da vegetação cantando. Ele é restrito às florestas úmidas do sudeste da Amazônia. E provavelmente apresenta uma população disjunta na mata atlântica do leste do Brasil (população conhecida por espécimes de museu). O falcão-mateiro (Micrastur gilvicollis) também de distribuição amazônica, por muito tempo acreditava-se que também tinha uma população isolada na mata atlântica, só recentemente descobriu-se que os espécimes coletados na mata atlântica eram o Micrastur mintoni. Outra espécie do gênero Micrastur exclusiva da amazônia, é o falcão-de-buckley Micrastur buckleyi, com distribuição no Equador, Peru, Colômbia e no Brasil foi registrado no alto rio Juruá no estado do Acre.


Falcão críptico. Rio teles pires, Paranaita - MT. Setembro de 2009.
Foto: Andrew Whittaker

Caburé-da-amazônia. Serra dos Caiabis - Juara/MT, Maio de 2009
Foto:
Bradley Davis

Micrastur buckeyi. Rio Madre de Dios, Bolivia. Nov 2004
Foto:
Joe Tobias

Dentre as corujas amazônicas, podemos citar a corujinha-de-roraima Megascops guatemalae; corujinha-orelhuda Megascops watsonii e da corujinha-relógio Megascops usta que substitui a espécie anterior ao sul do rio Amazonas. A caburé-da-amazônia Glaucidium hardyi, é uma corujinha muito pequena e foi descrita recentemente, em 1990. É uma espécie de dificil observação, pois além de pequena costuma viver na copa das árvores, assim como as outras espécies do gênero Glaucidium, essa ave possui uma face occipital, ou seja, duas manchas pretas na plumagem formando olhos falsos na nuca para enganar presas e predadores.

Se tratando das poderosas aves de rapina, o gavião-real Harpia harpyja e o gavião-real-falso Morphnus guianensis, apesar de terem distribuição por quase todo o Brasil, suas populações atuais estão quase todas concentradas na Amazônia, sendo portanto, raras fora dela. A Harpia é uma predadora voraz, vive no topo das árvores a mais de 50 metros de altura de onde mergulha para os galhos mais baixos atrás de presas como aves e pequenos mamíferos. É uma águia que exige grandes dimensões de floresta para sobreviver, e o desmatamento e a alteração de seu habitat o colocaram na lista dos animais em risco de extinção por mais de uma década, atualmente só não está na lista vermelha de animais ameaçados de extinção do Brasil por ainda ter populações consideráveis na floresta amazônica. Sabe-se que na Amazônia as aves de rapina de grande porte são caçadas por alguns povos para alimentação, podendo esse ser um grande problema para a sua conservação, pois o gavião-real é uma espécie rara e dependente de indivíduos adultos para a estabilidade populacional, é uma ave extremamente sensível à caça.


Bacia Amazônica.

Foto: AmazonasTur

 

Bibliografia: Todas as informações científicas contidas nesse texto retirei das respectivas fichas das espécies citadas desse mesmo site, portanto as referências bibliográficas esta na página das espécies.