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Corujas: Predadoras da noite


Corujão Bubo virginianus. Parque Estadual do Cantão. Foto: Bruno rennó

As corujas são criaturas fantásticas, algumas as consideram aves maravilhosas, outros muitos, porém, ainda as associam a assustadores sinais de infortúnio, aves de mau agouro, o que é lamentável. Na verdade seus hábitos noturnos e suas estranhas habilidades dão margem a tais associações. São encontradas em todos os habitats, florestas densas, campos abertos, desertos, áreas de clima frio, bosques, áreas rurais e inclusive tem algumas espécies que habitam centros urbanos, são aves que não transmitem doenças.

As corujas como principais características gerais, possuem plumagem extremamente macia e um vôo silencioso devido à adaptação especial das penas que elimina turbulências durante o vôo. Possuem olhos grandes, praticamente imóveis dentro de seu crânio, campo visual limitado na qual é compensada com a excelente capacidade de girar a cabeça a quase 360 graus. Além disso, a audição das corujas é apuradíssima, conseguem detectar um roedor caminhando entre as folhagens na completa escuridão. A maioria das espécies são noturnas, porém existem algumas que são diurnas e outras que podem ser vistas tanto durante o dia quanto a noite, como é o caso da coruja-buraqueira Athene cunicularia. O dedo externo (nº4) pode virar voluntariamente para trás reforçando o hálux para segurar a presa além de aumentar a superfície de contato para captura da mesma.


A. Pena de vôo de um pombo, bastante rígida e causa turbulência no vôo
B. Pena de vôo de uma coruja, bastante macia garante o vôo silencioso

Caçar a noite é uma habilidade que as corujas possuem em maior grau do que qualquer outra ave de rapina. Enquanto os falcões, gaviões e águias dormem, elas ocupam o mesmo habitat e caçam muito das mesmas espécies de presas, porém, métodos de caça mais aperfeiçoados, por causa da ausência de luz na maioria das vezes. Durante a noite a pupila se abre deixando entrar toda a luz possível, tendo uma visão noturna melhor do que qualquer outra criatura da floresta, facilitando as caçadas, principalmente em noites claras, de lua cheia, onde a luminosidade é maior. Muitas espécies porém preferem usar a audição para localizar a presa, como é o caso da Suindara Tyto alba. Ao caçar, essas espécies ficam empoleiradas silenciosamente de um galho, observando e escutando os ruídos vindos do chão, logo que percebe algum animal ou ouve o ruído, elas mergulham em direção a ele guiada pelo som, ela pára de bater as asas e plana, preparando para o ataque surpresa. Logo após a captura ela pousa em algum poleiro e o come. Muitas espécies costumam engolir a presa inteira. As partes não digeridas, como penas, pêlos e ossos são regurgitadas algum tempo depois de degluidos.


Suindara com um roedor, essa espécie costuma carregar o alimento no bico para deixar as patas livres e facilitar o acesso ao ninho por exemplo, que geralmente é em locais de dificil acesso.

È grande a variedade de presas que as corujas se alimentam, a espécies pescadoras que se alimentam de peixes, a corujas especializadas na captura de aves, outras maiores capturam até mamíferos médios, no entanto a maioria das espécies são especialistas na captura de roedores e insetos. Não temos duvida que as corujas sejam aves muito úteis, muitas espécies são eficientes caçadoras de roedores e de insetos, espécies que consideradas pragas pelo homem, com isso auxiliam a manutenção do equilíbrio da natureza e colaboram com os agricultores combatendo pragas.

Existem pouco mais de 200 espécies de corujas em todo o mundo, no Brasil de acordo com o Comitê brasileiro de registros ornitológicos, existem 23 espécies em nosso território. Algumas espécies são tão pequenas como as do gênero Glaucidium com 30 cm de envergadura, e outras imensas como o Corujão Bubo virginianus que é a maior espécie que ocorre no Brasil. Na maioria das espécies Machos e fêmeas são praticamente iguais, diferindo apenas no tamanho, sendo as fêmeas geralmente maiores.


Video youtube: Neste video mostra a incrivel capacidade de vôo das corujas na quase completa ausência de luz, são capazes de voar e desviar dos obstáculos com incrivel precisão.

Toda coruja, possui seu próprio território de caça, que é atentamente protegido para evitar a presença de algum rival, porém, espécies que não são competidoras vivem no mesmo território pacificamente, caçando animais diferentes ou em horários diversos. A exemplo disso é a Coruja disso é a Suindara Tyto alba que geralmente compartilha território com a Corujinha-do-mato Megascops choliba, enquanto uma caça roedores pela noite, a corujinha do mato já prefere capturar insetos.


É grande as variedade de espécies de corujas, existem mais de 100 espécies de corujas no planeta, no Brasil existem 23 espécies.

Ao pulverizar com agrotóxicos suas plantações, os fazendeiros podem involuntariamente provocar a morte das corujas e outros predadores. Isso ocorre porque esses animais caçam insetos, aves e roedores que se envenenam com os inseticidas lançados para acabar com as pragas. O futuro das corujas, como a maioria dos animais selvagens, está diretamente ligado ao comportamento do homem, no sentido de preservá-las, Uso de agrotóxicos, desmatamento e destruição de habitats e falsas crendices em torno das corujas contribuem para o extermínio das corujas. Nessas condições, as espécies mais sensíveis necessitam serem respeitadas e preservadas.


É comum encontrar corujas atropeladas na estrada, são vitimas frequentes ja que algumas espécies costumam durante a noite pousar na rodovia em busca de insetos.

Texto de: Willian Menq S.
Publicado em: Fevereiro de 2010.

Bibliografia:
BURTON, J.A. ed.1973. Ows of the world: their evolution, structure and ecology. Milano, Librex. 216 p.

CBRO. 2009. Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. LISTAS DAS AVES DO BRASIL. Atualização: 9/8/2009

SICK, Helmut. 1997. Ornitologia Brasileira.



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