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Notas sobre falcão-peregrino (Falco peregrinus, Tunstall 1771)
em período de invernagem na Bahia

Autor: Sávio Drummond
Revisão e edição:
Willian Menq
Publicado em: 20 de julho de 2010

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Fêmea adulta de falcão-peregrino
Foto: Sávio Drummond

O presente texto apresenta informações sobre o Falco peregrinus em período de invernagem na Bahia. Os dados são parte do estudo do biólogo Sávio Drummond, que faleceu precocemente em 2010. Os dados aqui apresentados foram coletados a partir de suas postagens nas listas de discussões, fóruns e trocas de e-mail.


O falcão-peregrino (Falco peregrinus, Tunstall 1771), cosmopolita, é uma ave de rapina de porte médio, muito conhecida pela velocidade, comportamento de caça e instintos migratórios. Os falcões-peregrinos da América do Norte migram para outras regiões dentro do continente atingindo até o extremo sul da América do Sul. No Brasil aparece entre os meses de outubro e abril, vindo da América do Norte, fugindo do inverno boreal.

Período médio de chegada da espécie no Brasil

A partir do fim de setembro já se pode observar alguns falcões peregrinos em território brasileiro, mas o grande pico de chegada aos sítios regulares de invernagem ocorre entre os 10 últimos dias de outubro e primeiras semanas de novembro. Em setembro e primeira quinzena de outubro podem ser vistos alguns peregrinos, mas normalmente são animais que ainda estão se deslocando para o destino final de invernagem e adotando “stopover”, que são paradas de pouso temporário para alimentação e descanso antes de chegar à área definitiva de invernagem.

Um indivíduo monitorado há vários anos na cidade de Ilhéus/BA, tinha sua média de chegada era entre 20 e 25 de outubro. Em 2007, esse indivíduo não foi mais visto e entre as possíveis hipóteses de sua ausência seria a mudança do ponto de invernagem, que não é comum acontecer, ou tenha falecido. A morte seria a hipótese mais provável, pode ter ocorrido na viagem migratória (tiros por pessoas, choques contra fios e janelas durante acrobacias de caça na área de stopover em cidades), ou por causas naturais.

Período médio de retorno da espécie para o hemisfério norte

O tempo médio em que os falcões começam a retornar para suas áreas de invernagem é entre o fim de março e começo de abril, sendo mais comum entre as duas primeiras semanas de abril. Registros mais tardios de migração já foram observados no estado da Bahia, onde um indivíduo foi monitorado em seu poleiro de caça no dia 17 de abril. Outro registro foi verificado em 2005, onde um jovem foi visualizado em seu poleiro de caça no dia 07 de maio.

Rotas migratórias

O tempo médio da viajem de migração dos falcões-peregrinos que vêm do norte do Canadá, Ártico, Alasca e Groenlândia até chegarem à América do Sul é de aproximadamente 30 a 40 dias, o tempo de volta é basicamente o mesmo. Existem pelo menos duas rotas bem definidas conhecidas para os falcões que migram da América do Norte para o sul, incluindo os falcões que residem no Ártico e Groenlândia (subespécie tundrius). A primeira é através da faixa terrestre do continente, atravessando a América Central e passando pela região amazônica até chegarem ao seu destino final. Essa travessia pela América do Norte varia em linha e direção de voo dependendo da origem de cada falcão, mas o destino é a travessia da faixa continental da América Central. Outra rota utilizada é a que cruza as faixas oceânicas, passando pelo Golfo do México e atravessando as ilhas da costa leste da América Central, como Cuba, conjunto de ilhas caribenhas, República Dominicana, até chegar na parte norte da América do Sul, seguindo até o destino final.

Durante as viagens migratórias os falcões não param toda hora para se alimentarem, geralmente se instalam em pontos mais ou menos determinados para se alimentar e caçar. Um desses pontos é a área da Costa do Texas, onde uma grande quantidade de peregrinos podem ser observados, realizando paradas de descanso e caça.

Distribuição da espécie no Brasil

Pode ser encontrado em todo o Brasil, contando com poucos registros no estado de Mato Grosso e Goiás. Há uma grande presença da espécie nos centros urbanos, principalmente nas cidades costeiras, de norte a sul do país. Mas há uma maior ocorrência deles ao que parece, na região Nordeste, especialmente nos limites de Pernambuco. Em trechos da região sudeste e sul também há grande número de falcões peregrinos usando áreas regulares de invernagem, principalmente em área urbana próxima à costa, mas no interior também e até em áreas de campos abertos e regiões serranas e sem urbanização. Geralmente eles têm preferência em usar áreas costeiras de grandes centros urbanizados, com grandes construções possibilitando poleiros altos propiciando grande visibilidade. Cidades como Recife, Rio de janeiro, Salvador, dentre outras, possuem um grande número de edifícios, que são recursos estratégicos de pouso e caça para essas aves. Nestas cidades também apresentam um alto número de presas potenciais, como pombos e aves marinhas (andorinhas do mar, principalmente), viabilizando a permanência dos falcões nestas cidades.

Poleiros de invernagem em áreas urbanas

Em ambientes urbanos, o F. peregrinus costuma pousar em poleiros altos, como torres de celulares, prédios altos com colunas de caixas de ar condicionado, catedrais com torres altas, quinas e bordas de terraços de prédios altos. Usa estes locais como poleiro de repouso e de caça. Normalmente pode ser visualizado em voo e principalmente nos pontos regulares de pouso para caça, entre 05h e 09h da manhã e entre 16 h e 18h30 min. Em um dos indivíduos monitorados em Salvador, a distância entre os poleiros utilizados por um mesmo falcão chegava a 1.4 km de um poleiro de caça a outro. Dentro dessa área há alternância entre poleiros estratégicos regulares e menos regulares, com distâncias médias variando entre 150 m (poleiros dentro de um mesmo subsetor) a 400 m (poleiros regulares entre dois subsetores regulares).

A distância entre áreas distintas adotadas como sítios de invernagem por cada falcão individualmente, varia bastante, geralmente há um intervalo o suficiente para que cada área regular de caça não se sobreponha, e essa distância pode ir de 1 km até a distância de áreas ocupadas em bairros totalmente distintos (10 a 20 km). Às vezes, um falcão pode adentrar em um voo mais longo o território de caça de outro indivíduo, nesses casos sempre ocorre à expulsão pelo falcão dominante.

Nos poleiros de invernagem, principalmente os poleiros dormitórios e os de repouso diurno mais regular, é comum encontrar penas de falcão-peregrino, já que quando vêm para área de invernagem geralmente estão em uma fase intermediária do seu estágio de muda, soltando penas ou retiradas voluntariamente. No caso dos poleiros diurnos de repouso/sombra, a presença de penas é devido ao comportamento de arrumação/limpeza/eliminação de penas velhas.

Poleiros de invernagem em áreas rurais

Em áreas rurais, os falcões-peregrinos adotam os eucaliptos como um dos poucos poleiros-árvores aqui no Brasil. Usa-se essa árvore por causa da configuração alta e esguia, dos galhos meio horizontais e mais regulares e menos frondosos, permitindo que o falcão tenha uma visão não muito interceptada por folhagens densas como as de outras árvores. Araucárias ao sul do Brasil também podem ser utilizadas pelos falcões já que apresentam estas mesmas características.

Relações intraespecíficas

Em Salvador foram observadas diversas relações intraespecíficas, na maioria das vezes o falcão-peregrino dominante da área expulsava o invasor por meio de perseguições, mergulhos e rasantes contra o outro indivíduo. As vocalizações de alerta mais utilizadas para de interação direta e agonística é a sequência de voz transcrita como “ii-chuip iii-chuip” e a “kaaa kaaa”.

Dois falcões acompanhados em Ilhéus e outro em Salvador possuíam poleiros de caça bem reduzidos (um poleiro ou dois no máximo em toda a vasta área de atividade) e em compensação os falcões tinham comportamento de voos mais longos, sejam voos direcionais retilíneos, seja por planeio. Os indivíduos do município de Ilhéus usavam áreas bem distantes um do outro e por conta desses voos, os dois costumavam se encontrar com frequência, e um afugentava o outro.

A maioria dos falcões monitorados eram solitários, não havendo uma partilha regular e harmônica da área por um segundo ou terceiro peregrino. Nas ocasiões em que um segundo peregrino foi presenciado, logo passou a existir uma reação agonística por parte do peregrino dominante através de vocalizações de alerta e voos rasantes, com expulsão do intruso.

Porém, foi observado em Salvador um encontro de dois peregrinos que não resultou em interação agonística. Nesse caso foi possível perceber que era um macho e uma fêmea (o macho era o "forasteiro"), e o encontro se deu exatamente em cima dos observadores, quando observava a fêmea em voo. Ambos vocalizaram, emitindo chamados sequenciais que não era o de alerta territorial. Eles realizam planeio circular juntos por alguns segundos, depois se tocaram, se afastaram novamente e voltaram a voar em círculos por mais alguns segundos. Em seguida se separaram, sem haver expulsão de um sobre o outro. Essa observação sugere que seja o primeiro registro de um casal se encontrando numa área comum de invernagem não compartilhada.

Relações interespecíficas

Normalmente, os encontros do falcão-peregrino com outros rapinantes resultam em interações agonísticas e expulsão. O comportamento ativo nesses encontros geralmente parte do falcão-peregrino e não das outras aves, já que é bastante territorial. Na área de invernagem, onde a prioridade no território adotado gira em torno das atividades de caça, esse comportamento tende a ser mais predominante em relação a qualquer outra ave de rapina que constitua uma ameaça ao seu território. Nos horários de caça, o comportamento agressivo do falcão frente a outros rapinantes tende a ser mais evidente, acuando qualquer gavião que ronde sua área de caça.

Na Bahia, já foi observado carcarás (Caracara plancus) revidarem contra as investidas de expulsão dos falcões. Os caracarás viravam o corpo esticando as garras em um comportamento de defesa contra os falcões. Nas interações de peregrinos com urubus, não foi observado nada que indicasse ataques predatórios, apenas abordagens curtas, sem prolongamento de perseguição e sem tentativa de contato agressivo, que remetem muito mais a comportamentos de brincadeira ou exercícios de mergulhos pré-investidas. Muitas vezes os falcões foram observados voando junto aos urubus, pacificamente, acompanhando eles nas mesmas térmicas, nas mesmas manobras inclusive, sem qualquer atitude agonísticas, e em um dado momento, os falcões executam rápidos mergulhos contra algum dos urubus que esteja mais abaixo, mantendo um contato curto com ele e depois voltando a planar com o mesmo urubu ou com outro. Por vezes o mergulho é continuado por uma perseguição breve, quando o urubu assustado resolve acelerar o voo com manobras, e o falcão acompanha junto as mesmas manobras.

Na América do Norte o F. peregrinus é frequentemente atacado pela águia americana (Haliaeetus leucocephalus) a e pela jacurutu (Bubo virginianus). Na Bahia, o F. peregrinus é muitas vezes atacado, através de voos e mergulhos rasantes, por bem-te-vis, suiriris, beija-flores e andorinhas, num comportamento de defesa por reconhecerem o falcão como ameaça em potencial, tentando afugentá-lo através do comportamento de tumulto para outra área.

Comportamento de caça e dieta dos falcões em área urbana

O falcão-peregrino, em geral, caça qualquer ave menor ou até o seu tamanho havendo relatos de presas maiores que seu próprio tamanho. Pode ocorrer uma possível seletividade de presas pelo falcão, e isso pode influenciar a escolha de certas áreas de invernagem. Em geral os falcões-peregrinos que adotam área urbana têm duas tendências na dieta:

1 Generalistas: predam aves pequenas e não necessariamente pombos, podendo consumir algumas aves de porte médio, embora sem padrão tão seletivo na dieta nem forma de uso da área para caça.

2 Especialistas: tendem a adotar áreas que respondam mais diretamente à sua dieta, como presença maior das aves preferidas, maior vantagem na presença ou configuração dos poleiros em relação a essas aves, etc. No Brasil os peregrinos mais especialistas são os que direcionam a dieta principalmente em relação à predação dos pombos.

Há também falcões especializados em predar, por exemplo, aves marinhas, como andorinhas-do-mar, gaivotas, etc. Nesse caso, o falcão sempre vai adotar áreas costeiras. Nas áreas urbanas, o F. peregrinus, mesmo após escurecer, ainda pode continuar caçando, predando insetos voadores (mariposas e libélulas) e morcegos, as vezes favorecido pela iluminação artificial da cidade. O pico de atividade para a caça contra morcegos ocorre no crepúsculo, onde preda principalmente morcegos molossídeos, que voam alto de forma retilínea, em áreas abertas, se tornando excelentes presas para ataques por mergulho e mesmo em linha reta, já que esses morcegos não percebem com facilidade a presença do falcão-peregrino no seu encalço.

Um indivíduo acompanhado em Salvador era altamente especializado em predar pombo-doméstico (Columba livia). Todo o padrão de atividade e adoção de pontos e estratégias de caça, rotatividade de usos de pontos de caça era voltado para a captura dos pombos. Dessa forma, 90% das presas desse indivíduo são C. livia. O restante eram aves capturadas em momentos oportunistas de abordagem, como por andorinhas, rolinhas fogo-pagou, pardais e morcegos.

Outro indivíduo estudado ao longo de alguns anos em Salvador possuía outro padrão de seletividade de caça, não tinha preferência por C. livia, possuía um cardápio mais variado, com vários representantes de Cuculidae, Tyrannidae, Columbidae, Rallidae, Emberizidae, morcegos e insetos.

Variação da coloração

São conhecidas 19 subespécies de F. peregrinus, as variações de coloração e nuances de tons variam entre as subespécies existentes. A região peitoral e ventral varia do totalmente branco (F. p. tundrius, F. p. japonensis, F. p. callidus) até tons avermelhados, como o do F. p. ernesti. As variações entre branco e amarelo claro ou salmão claro ocorre no F. p. tundrius, e amarelado, salmão claro, salmão meio escuro, camurça e alaranjado no F. p. anatum. Além das variações aleatórias de coloração, há o padrão de dominância e densidade de manchas em variações geográficas dentro da própria subespécie, por exemplo, os falcões da Groenlândia apresentam um padrão um pouco mais denso de manchas e com faixa malar mais larga (e a área branca auricular é por consequência mais estreita) e menos colunar do que outros peregrinos do Alasca e tundras canadenses. Os machos geralmente apresentam menor densidade de manchas ventrais.

Marcas de identificação do F. p. tundrius e F. p. anatum:

O F. p. tundrius é uma das subespécies com região dorsal mais clara, com variações de cinza azulado. A região peitoral é muito pálida (branca) e com uma concentração de manchas pouco menos carregadas na altura do peito do que no F. p. anatum. No F. p. anatum a região peitoral possui um tom menos pálido, sendo meio salmão ou castanho amarelado. No F. p. tundrius a faixa malar (a faixa preta característica abaixo dos olhos) é mais estreita que no F .p anatum com a faixa auricular (a parte branca logo atrás da faixa malar) mais larga que do F.p. anatum. A mancha auricular no F. p. tundrius apresenta quase o dobro da largura da faixa malar. O F. p. tundrius possui uma coloração geral das coberteiras dorsais e das asas mais clara que no F. p. anatum, geralmente cinza azuladas (cinza grafite).

As barras escuras que existem na região ventral e peitoral são menos carregadas (mais claras) no F. p. tundrius e geralmente menos intensas (mais escassas), especialmente quando chegam da região ventral para a peitoral. Na altura do peito essas barras chegam a ser ausentes, deixando mais contrastante a área bem pálida do peito do F. p. tundrius. Portanto, a principal dica para diferenciar as duas subespécies é a palidez e menor intensidade de manchas no peito no F. p. tundrius e a largura da faixa malar e mancha auricular.

Porém, na década de 60 houve um processo de hibridização F. peregrinus para recuperar a espécie no continente, isso acabou afetando um pouco o padrão de identificação de algumas subespécies, como o F. p. tundrius. Como os pesquisadores entrecruzaram o tundrius até com subespécies europeias (F. p. peregrinus), hoje percebe-se variações não muito definidas, que apresentam características da mancha malar do F. p. tundrius (com faixa auricular extensa e menor comprimento da distância com o olho) mescladas com dimensão, coloração ventral e disposição das faixas peito-ventrais do F. p. anatum e do F. p. peregrinus.

Agradecimentos do editor

Agradeço a todos os amigos que participaram ativamente da lista de discussão “Falco peregrinus no Brasil” no Orkut, especialmente ao Jorge Albuquerque e Julio Amaro B. Monsalvo. Também agradeço ao Sávio Drummon (in memorian), pela amizade e conhecimento compartilhado, que infelizmente faleceu precocemente em julho de 2010. A elaboração desta nota apresentando seus dados foi uma forma de homenageá-lo e deixar disponível à comunidade científica parte do trabalho deste grande biólogo/amigo.

Sobre Sávio Drummond

Biólogo, nascido em Salvador/BA, em 05/04/1978, cursou a graduação na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e mestrado em Zoologia, pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Foi um apaixonado pela biologia em todos os aspectos, respectos e espectros, especialmente nos temas envolvendo falcões-peregrinos, morcegos e comportamento animal. Também foi cantor, compositor, escritor, poeta e fotógrafo. Por profissão e paixão, foi biólogo. Por paixão, por fascínio, foi músico. Atuou nas áreas de comportamento animal, ecologia, consultoria e levantamento de biodiversidade, estudos com mamíferos e aves de rapina, e principalmente no monitoramento de atividades de falcões-peregrinos que migram para o Brasil no qual dedicou vários anos de sua vida estudando essas aves na Bahia. Também dedicou parte de sua carreira científica aos morcegos, tema de sua dissertação de mestrado. Em março de 2005, Sávio criou em uma rede social a comunidade “Falco peregrinus no Brasil” com objetivo de discutir e apresentar informações sobre a espécie no Brasil, comunidade aberta para biólogos, fotógrafos de vida silvestre ou mesmo curiosos sobre o tema. Através desta comunidade coletei e disponibilizei grande parte dos dados aqui apresentados do Sávio Drummond.

Bibliografia de Sávio Drummond disponível neste link.

 

• Citação recomendada:

Drummond, W. (2010) Notas sobre falcão-peregrino (Falco peregrinus, Tunstall 1771) em período de invernagem na Bahia. (Editado e revisado por W. Menq) Aves de Rapina Brasil. Disponível em: <http://www.avesderapinabrasil.com/arquivo/artigos/ARB1_1.pdf >, Acesso em: