• Descrição: O Falcão-caburé é conhecido também como Gavião-mateiro, Gavião-rasteiro e Gavião-caburé. Com aproximadamente 36 cm de comprimento, possui plumagem cinza-escura ou parda, nas partes superiores, garganta, peito e partes inferiores barradas de branco e negro, cauda negra com finas faixas brancas, face nua com região perioftálmica amarelo-esverdeada e pés alaranjados (Antas, 2005; Thorstrom, et al., 2000; Sick, 1997; Baker, et al. 2000).
• Alimentação: Alimenta-se de grandes besouros e outros insetos, passarinhos, pequenos lagartos e cobras. O gavião-caburé geralmente caça sua presa por meio de ataques aéreos surpresa vindos de poleiros escondidos. Eventualmente captura insetos afugentados por formigas-de-correição, inclusive no chão (Assim como fazem outras aves de rapina florestais). Quando segue as formigas de correição fica 1 a 2 metros acima da trilha de formigas este alimentando de baratas, grilos e besouros que atacavam as formigas. Eles também perseguem pequenos pássaros que geralmente são atraídos pelas trilhas de formigas (Antas, 2005).
Em um trabalho realizado por (Olmos et al, 2006) registrou a grande audácia e capacidade de predação desta espécie, em armadilhas tipo gaiola com iscas, o gavião capturava roedores e marsupiais atráves das grades da armadilha despedaçando-os em seguida com suas garras.
• Reprodução: Seu período de reprodução é geralmente ao fim da estação seca. Ovos chocam 33-35 dias depois da postura os filhotes eclodem 35-44 dias depois de chocar. O local de postura, defendido como territórios, é ocupado ano após ano; a fidelidade do casal é alta (Thorstrom, et al., 2000; Baker, et al. 2000).
• Distribuição Geográfica: Esta espécie se distribui do México à Argentina. Está presente em quase todo o Brasil, com exceção da Região Nordeste (Sick 1997).
• Hábitos/Informações Gerais: Comum em florestas densas e capoeiras altas. Vive escondido no sub-bosque e no estrato médio, sendo mais ouvido do que observado, evita áreas com grande perturbação humana. Vive principalmente em florestas planas, na América Central a espécie é restrita as florestas tropicais. Na América do Sul, porém, ele habita em outros tipos de florestas e bosques e locais relativamente áridos.
O falcão-caburé é 3 ou 4 vezes menor do que os gaviões-relógio, em algumas florestas tropicais, ambas as espécies são encontradas. Quando duas ou mais espécies vivem na mesma área, os ecologistas as denominam simpátricas. Na América do Sul, entretanto, o gavião-caburé vive em outros tipos de florestas. Por exemplo, na Amazônia, ocorre mais freqüentemente em florestas secundárias, matas de galerias, florestas de várzea, florestas semi-decíduas e arredores de florestas (Haemig PD 2005). Na Guatemala já foi visto a predação sobre gaviões-caburés jovens recém-emplumados, 2 ou 3 dias após abandonarem o ninho. Um foi morto por uma raposa-cinzenta Urocyon cinereoargenteus, o outro por uma jibóia Boa constrictor (Bierreaard, 1994; Haemig PD 2005; Baker et al. 2000).

Falcão caburé fotografado na estrada lateral ao horto em Campos do Jordão/SP, Jan 2009
Foto: Cláudia Komesu

Parque Estadual da Cantareira N. Engordador - São Paulo/SP, Julho de 2009
Foto: Demis Bucci
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc: 2005.
Baker AJ, Aguirre-Barrera OA, Whitacre DF, White CM (2000) First record of a Barred Forest Falcon (Micrastur ruficollis) nesting in a cliff pothole. Ornitologia Neotropical 11: 81-82.
Bierregaard RO (1994) Species accounts - Genus Micrastur. In: Del Hojo J, Elliott A, Sargatal J (eds) Handbook of the Birds of the World, Volume 2. Lynx Ediciones, Barcelona, pp 252-254.
Thorstrom, R; José D. Ramos and Cristobal M. Morales. Breeding Biology of Barred Forest-Falcons (Micrastur ruficollis) in Northeastern Guatemala. The Auk, Vol. 117, No. 3 (Jul., 2000), pp. 781-786.
Haeming PD (2005). Gaviões Simpátricos do Gênero Micrastur - ECOLOGIA.INFO. Disponivel: <http://www.ecologia.info/micrastur.htm> Acesso em Maio de 2009.
Olmos, Fábio; Pacheco, José Fernando & Silveira, Luís Fábio (2006): Notas sobre aves de rapina (Cathartidae, Acciptridae e Falconidae) brasileiras [Notes on Brazilian birds of prey]. Revista Brasileira de Ornitologia 14(4): 401-404
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.
