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Falcão-caburé
Micrastur ruficollis (Vieillot, 1817)

Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Falcões-florestais

Nome em inglês:Barred Forest-falcon
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Insetos, aves e lagartos.


Distribuição no Brasil:



Status:(LC) Baixo risco


Indivíduo adulto (forma ferrugínea).
Santo André/SP, Setembro de 2016.
Foto:
Ivan Marques

Canto - (gravado por: Willian Menq)

Falcão de difícil observação, bastante arredio, normalmente é mais ouvido do que visto. Encontrado em grande parte do Brasil, vive em florestas, borda de matas, capoeiras e cerrado mais arbóreo. Caça principalmente pequenas aves e insetos, sendo bastante rápido em suas investidas. É conhecido também como gavião-mateiro, gavião-rasteiro e gavião-caburé.

• Descrição: Mede de 31-38 cm de comprimento, peso de 144-84 g (macho) e 200-322 g (fêmea) (Bierreaard & Boesman 2013). Possuí diversas variações de plumagem. De modo geral, adulto na forma cinza apresenta dorso cinza-escuro ou pardo, garganta clara; partes inferiores branca com finas barras cinza-escuro; cauda preta com 3-4 finas faixas brancas, face nua cor amarelo-vivo, tarsos longos amarelos. Adulto na forma ferrugínea apresenta dorso mais amarronzado com papo ferrugíneo. Jovem é mais escuro, com colar esbranquiçado incompleto na nuca, partes inferiores parda com barrado escuro e fino (Antas 2005; Thorstrom et al. 2000; Sick 1997; Baker et al. 2000).

• Alimentação: Alimenta-se de grandes insetos como besouros, aves, pequenos lagartos e cobras. Geralmente caça sua presa por meio de ataques aéreos vindos de poleiros escondidos. Segue formigas-de-correição para capturar insetos, inclusive no chão. Quando segue as formigas-de-correição fica de 1 a 2 metros acima da trilha. Também persegue pequenos pássaros que geralmente são atraídos pelas formigas (Antas 2005).

Olmos et al. (2006) registraram o comportamento oportunista de M. ruficollis em armadilhas tipo gaiola com iscas, capturando roedores e marsupiais através das grades da  armadilha despedaçando-os com suas garras.

• Reprodução: Seu período de reprodução é geralmente ao fim da estação seca. O cortejo é composto por chamados que começam de 30 a 40 min antes do nascer do sol, com entrega de alimento para a fêmea. Nidifica em cavidades de árvores, com abertura de 12 a 23 m do solo, local que pode ser reaproveitado pelo mesmo casal por vários anos consecutivos. Em média, coloca dois ovos com período de incubação de 35 dias; a fêmea permanece no ninho cuidando dos filhotes e defendendo o local contra potenciais competidores, como tucanos e papagaios. Os jovens ficam emplumados após 38 dias, e duas semanas depois já começam a caçar insetos. São muito territoriais e monogâmicos (Thorstrom et al. 2000; Baker et al. 2000).

• Distribuição Geográfica e subespécies: Ocorre desde o sul do México, Nicarágua até a Argentina, incluindo todo o Brasil (Sick 1997). São conhecidas cinco subespécies, M. r. interstes: Ocorre na Costa Rica, Panamá, oeste da Colômbia e Equador. M. r. zonothorax: Colômbia, Venezuela e leste dos Andes. M. r. concentricus: sul da Venezuela, Guianas e norte da Floresta Amazônica. M. r. ruficollis: sul da Floresta Amazônica, Paraguai, e nordeste da Argentina. M. r. olrogi: noroeste e oeste da Argentina.

• Hábitos/Informações Gerais: Comum em florestas densas, capoeiras altas, borda de matas, florestas alagadas e matas de galeria. Vive escondido no sub-bosque e no estrato médio, sendo mais ouvido do que observado, evita áreas com grande perturbação humana. Vive principalmente em florestas planas, na América Central é restrito as florestas tropicais. Na América do Sul, porém, ele habita outros tipos de florestas, bosques e locais relativamente áridos.

Em algumas florestas tropicais, pode ser simpátrico com o M. semitorquatus e M. gilvicollis (Haemig PD 2005). Na Guatemala já foi visto a predação de cobras e mamíferos sobre gaviões-caburés jovens recém-emplumados, com 2 ou 3 dias após abandonarem o ninho. Um foi morto por uma raposa-cinzenta (Urocyon cinereoargenteus), o outro por uma jiboia (Boa constrictor) (Haemig PD 2005; Baker et al. 2000; Bierreaard & Boesman 2013).


Indivíduo adulto (forma cinza).
Gurupi/TO, Agosto de 2016.
Foto:
Willian Menq

Indivíduo adulto (forma ferrugínea). Campos do Jordão/SP, Jan 2010.
Foto: Francisco Kallen

Indivíduo adulto (forma ferrugínea)
São Paulo/SP, Julho 2009
Foto: Demis Bucci



:: Página editada por: Willian Menq em Set/2016. ::



• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN. Sesc.

Baker A.J.; Aguirre-Barrera O.A.; Whitacre D.F.; White C.M. (2000) First record of a Barred Forest Falcon (Micrastur ruficollis) nesting in a cliff pothole. Ornitologia Neotropical 11: 81-82.

Bierregaard, R.O., Jr & Boesman, P. (2013). Lined Forest-falcon (Micrastur gilvicollis). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2013). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Thorstrom, R; J. D. Ramos & Cristobal M. M. (2000) Breeding Biology of Barred Forest-Falcons (Micrastur ruficollis) in Northeastern Guatemala. The Auk, v. 117(3): 781-786.

Haeming PD (2005). Gaviões Simpátricos do Gênero Micrastur - ECOLOGIA.INFO. Disponivel: <http://www.ecologia.info/micrastur.htm> Acesso em Maio de 2009.

Olmos, F.; Pacheco, J. F & Silveira, L. F. (2006) Notas sobre aves de rapina (Cathartidae, Acciptridae e Falconidae) brasileiras. Revista Brasileira de Ornitologia 14(4): 401-404.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Falcão-caburé (Micrastur ruficollis) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/micrastur_ruficollis.htm > Acesso em: