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Chimango
Milvago chimamgo (Vieillot, 1816)

Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Caracarás

Nome em inglês: Chimango caracara
Habitat:
Campos, pastagens e praias
Alimentação:
Anfíbios, peixes, insetos


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Florianópolis/SC, Set de 2012.
Foto: Willian Menq


Vocalização de chamado (B) - (gravado por: Fernando Jacobs)

Falconídeo muito comum nos campos, pastagens, restingas e praias do sul do Brasil. Pode ser encontrado em campos naturais, áreas agrícolas, pastagens, praias e restingas e em alguns centros urbanos, especialmente de cidades litorâneas. Oportunista, alimenta-se de uma grande variedade de pequenos invertebrados, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos.

• Descrição: Mede de 37 a 43 cm de comprimento, peso de 290 g (macho) e 300 g (fêmea) (Bierreaard & Boesman 2013). Adulto possuí plumagem marrom-acanelado e íris escura; penas superiores da cauda e algumas áreas das asas brancas. O jovem apresenta coloração menos homogênea, com estrias no peito e manchas claras no dorso (Antas, 2005; Sick, 1997). No macho adulto os tarsos são amarelos, enquanto que na fêmea e no jovem são azulados (Sarasola, 2011).

• Alimentação: Oportunista, alimenta-se de uma grande variedade de pequenos invertebrados, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos (Antas, 2005; Sick, 1997). Saqueia filhotes e ovos no ninho de aves e ovos de tartarugas. Também pode alimentar-se de sementes e bagas de frutas (Antas, 2005). Assim como os caracarás, o chimango costuma caminhar pelo solo a procura de suas presas. Pode ser visto alimentando-se de animais mortos em estradas e carcaça de peixes na praia. Sazima & Olmos (2009) registraram a espécie pescando num estuário no Chile.

• Reprodução: Nidifica em ninhos abandonados no alto de árvores, normalmente a 5 e 15 m de altura. A nidificação pode ser separadamente ou em colônias. A postura ocorre a partir de setembro e início de outubro (Bierreaard & Boesman 2013). Coloca de 1 a 5 ovos de coloração marrom-avermelhado, com período de incubação de 27-32 dias, após cinco semanas os filhotes deixam o ninho. Ambos os sexos participam da incubação, alimentação dos filhotes e defesa do ninho (Morrison et al. 2000; Antas, 2005).

• Distribuição Geográfica: Ocorre no sul do Brasil, norte do Chile até a Terra do Fogo e sul da Argentina, Paraguai e Uruguai.

No Brasil, é considerado habitante comum no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, em particular nas porções litorâneas, tornando-se gradativamente menos frequente no sentido sul-norte e nos planaltos do interior de Santa Catarina (Belton 1984, Rosário 1996). No Paraná a ocorrência do chimango foi verificada no Parque Estadual Na Ilha do Mel, no Parque Nacional de Superagui e no Parque Nacional do Iguaçu. Também conta com registros esporádicos no interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

• Subespécies: Existem duas subespécies, o M. c. chimango: norte e centro do Chile e do norte e centro da Argentina ao Uruguai e sul do Brasil; M. c. temucoensis: sul do Chile e sul da Argentina até o norte da Terra do Fogo.

• Hábitos/Informações Gerais: Pode ser encontrado em campos naturais, áreas agrícolas, pastagens, praias e restingas e em alguns centros urbanos, especialmente de cidades litorâneas (Sick, 1997). Habita áreas desde o nível do mar até 1500 m. Vive solitário ou aos pares, formando grandes concentrações quando há fartura de alguma fonte de alimento (Antas, 2005). Durante o período reprodutivo ele joga a cabeça para trás ao mesmo tempo em que emite uma vocalização característica. É parcialmente migratório, indivíduos que se reproduzem no sul da Argentina (Patagônia) migram para o norte do país, Cordilheira dos Andes, Bolívia, até o norte do Peru (Bierreaard & Boesman 2013).


Casal. Novo Hamburgo/RS.
Setembro de 2009.
Foto:
Paulo Fenalti

Indivíduo adulto consumindo carcaça de peixe. Imbituba/SC, Abril 2004.
Foto:
James Faraco Amorim

Indivíduo adulto.
Florianópolis/SC, Set de 2012.
Foto: Willian Menq


Indivíduo jovem. Rio Grande/RS, Janeiro de 2015. Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Osório/RS, Fev 2010. Foto: Caco Schwertner

Indivíduo jovem. Rio Grande/RS
Março 2015. Foto: Willian Menq



:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::


• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN: Sesc.

Bierregaard, R.O., Jr & Boesman, P. (2013). Lined Forest-falcon (Micrastur gilvicollis). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2013). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona.

Global Raptor Information Network. (2010). Species account: Chimango Caracara Milvago chimango. Downloaded from http://www.globalraptors.org on 22 Mar. 2010

Morrison, J.L, & L.M. Phillips. (2000). Nesting habitat and success of the Chimango Caracara in southern Chile. Wilson Bulletin 112:225-232.

Sarasola, J. H.; Negro, J. J; Bechard, M. J.; & Lanusse, A. (2011). Not as Similar as Thought: Sexual Dichromatism in Chimango Caracaras is Expressed in the Exposed Skin but Not in the Plumage. Journal of Ornithology, 152(2), 473-479.

Sazima, I. & Olmos, F. (2009) The Chimango Caracara (Milvago chimango), an additional fsher among Caracarini falcons. Biota Neotrop. 9(3): 403-405.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira.

Sick, H. (1993). Birds in Brazil: a natural history. Princeton University Press, Princeton, NJ.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Chimango (Milvago chimango) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/milvago_chimango > Acesso em: