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Milhafre-preto
Milvus migrans (Boddaert, 1783)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-milano

Nome em inglês: Black Kite
Habitat:
Savanas, campos naturais e áreas antrópicas.
Alimentação:
Invertebrados e pequenos vertebrados.

Ocorrência no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco
Espécie Vagante no Brasil


Indivíduo adulto. Monfrague/Espanha, Abril de 2016.
Foto: Willian Menq

Vocalização de chamado
(gravado por: Guido O. Keijl)

Gavião migratório bastante abundante no Velho Mundo. No Brasil é considerado vagante, conta com um único registro no Arquipélado de São Pedro e São Paulo, na costa nordestina, próximo de Fernando de Noronha. É normalmente observado voando em pequenos grupos, mas pode aglomerar-se em centenas de indivíduos durante revoadas de gafanhotos ou durante a migração.

• Descrição: Mede de 44-56 cm de comprimento, peso de 630-928 g (macho) e 750-1080 g (fêmea) (Orta et al. 2016). Plumagem predominantemente marrom-avermelhada, cabeça e pescoço pálido, cauda marrom levemente bifurcada. Jovem apresenta coloração mais clara, com dorso e ventre estriados de marrom-pardo. Os indivíduos europeus são menores, enquanto que os do sul da Ásia são maiores com fêmeas ultrapassando 1 kg (Ferguson-Lees & Christie 2001). Pode ser facilmente confundido com o milhafre-real (Milvus milvus), diferenciando-se principalmente pela cauda marrom e menos bifurcada.

• Alimentação: Oportunista, alimenta-se de lagartos, pequenos mamíferos, aves e insetos. Captura animais moribundos ou doentes, animais atropelados, vasculha praias atrás de peixes mortos, visita lixões e matadouros (Ferguson-Lees & Christie 2001). Também segue queimadas em busca de animais mortos ou afugentados pelas chamas. Costuma forragear em bando, por vezes roubando presas de outras aves de rapina (Ferguson-Lees & Christie 2001; Orta et al. 2016).

• Reprodução: Constrói o ninho no alto de árvores, penhascos ou até em sacadas de prédios e postes de eletricidade. Também pode usar ninhos abandonados de outras espécies. Coloca de 2 a 3 ovos, com período de incubação de 26-38 dias. Os filhotes tornam-se independentes após dois meses (Ferguson-Lees & Christie 2001).

• Distribuição Geográfica:
De ampla distribuição, ocorre na África, Europa, Ásia, Médio Oriente e Austrália. É parcialmente migratório, as populações que vivem em regiões quentes são residentes enquanto as de regiões temperadas são migratórias (Orta et al. 2016).

Ocorrência no Brasil: Nunes et al. (2015) registraram um único indivíduo (M. m. migrans) no Arquipélago de São Pedro e São Paulo/PE, localizado a aproximadamente 1.100 km da costa nordestina. O indivíduo permaneceu na ilha por 32 dias, desaparecendo no final da estação chuvosa. Segundo os autores, o indivíduo aparentava estar saudável e foi observado predando filhotes de aves marinhas. Provavelmente a espécie saiu de sua rota migratória devido aos fortes ventos SW, responsáveis pelo deslocamento de várias outras aves do Velho Mundo para os arquipélagos do Atlântico equatorial oeste.

• Subespécies: São reconhecidas sete subespécies, M. m. migrans (Boddaert, 1783), M. m. govinda (Sykes, 1832), M. m. formosanus (Nagamichi Kuroda, 1920), M. m. affinis (Gould, 1838), M. m. lineatus (JE Gray, 1831), M. m. aegyptius (JF Gmelin, 1788) e M. m. parasitus (Daudin, 1800).

• Hábitos/Informações Gerais: Provavelmente uma das aves de rapina mais comuns do mundo, ocorre em uma grande variedade de habitats, desde florestas, matas de galeria, savanas, pastagens até áreas urbanas. É normalmente observado voando em pequenos grupos, mas pode aglomerar-se em centenas de indivíduos durante revoadas de gafanhotos ou durante a migração. No Butão, a subespécie M. m. govinda é abundante em áreas urbanas e rurais, enquanto que M. m. lineatus é mais relacionado a áreas montanhosas (Ferguson-Lees & Christie 2001; Orta et al. 2016).



Indivíduo adulto em voo. Valência/Espanha,
Abril de 2016. Foto: Willian Menq

Indivíduo subadulto no lixão de Guwahati/Índia,
Fevereiro de 2016. Foto:
Fabio Olmos



:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::

• Referências:

Ferguson-Lees, J. & D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Nunes, G. T., Hoffmann, L. S.; Macena, B. C. L.; Bencke, G. A. & Bugoni, L. (2015) A Black Kite Milvus migrans on the Saint Peter and Saint Paul Archipelago, Brazil. Revista Brasileira de Ornitologia, 23(1), 31-35.

Orta, J., Christie, D.A. & Garcia, E.F.J. (2016). Red Kite (Milvus milvus). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from http://www.hbw.com/node/52977 on 3 February 2016).

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Milhafre-preto (Milvus migrans) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/milvus_migrans.htm > Acesso em: