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Águia-pescadora
Pandion haliaetus (Linnaeus, 1758)

Ordem: Accipitriformes
Família: Pandionidae
Grupo:
Águias-pescadoras

Nome em inglês: Osprey
Habitat:
Rios, estuários, área costeira
Alimentação:
Peixes

Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco
Migrante do Hemisfério Norte


Águia-pescadora em Iracemápolis/SP. Novembro de 2010
Foto: Tiago R. (Ecofoto)

Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Doug Knapp)

Esta espécie simplesmente viaja pelas Américas, fugindo todos os anos do inverno da América do Norte deslocando-se para regiões diversas da América do Sul, incluindo o Brasil. Em nosso país aparece entre outubro e abril. Alimenta-se quase que exclusivamente de peixes, que são capturados através de “mergulhos” com as garras abaixo da superfície da água. Pode ser encontrada em lagos, grandes rios, estuários e no mar próximo da costa.

• Descrição: Única representante da família Pandionidae, mede de 55-58 cm de comprimento, envergadura de até 1,74 m e peso de 990-1800 g (macho) e 1200-2050 g (fêmea) (Poole et al. 2014). Apresenta o dorso marrom-escuro, cabeça e partes interiores branco e uma fina listra escura atrás dos olhos que se estende até a nuca; íris amarela, cauda curta e barrada de cinza-claro. Em voo, é possível notar as asas estreitas e mantidas sempre semidobradas, como um cotovelo em “V” à frente do plano da cabeça. Jovem parecido com o adulto apresenta estrias marrom no pescoço e na coroa.

A espécie diferencia-se em vários aspectos (genéticos e morfológicos) das outras aves de rapina. Seus dedos de igual comprimento, são espinhosos, e o dedo externo (nº 4) é reversível, permitindo capturar peixes com dois dedos voltados para frente e dois para trás.

• Alimentação: Alimenta-se quase exclusivamente de peixes, com tamanhos que variam de 150 e 300 g (Sick 1997; Antas 2005). Sobrevoa os rios e grandes corpos d'agua a procura de peixes, às vezes "peneirando" para localizar sua presa na superfície ou logo abaixo dela. Ao visualizar o peixe, lança-se à água com as garras à frente do corpo para capturá-lo. Às vezes, o peixe está em profundidade que a obriga a mergulhar o corpo e cabeça, mantendo as asas fora d’água. Imediatamente após a captura, voa para um poleiro tradicional. Além das garras finas, a águia conta com uma série de pequenos espinhos na sola dos dedos evitando que a presa escorregue. Outra característica que a auxilia na pescaria é o 4º dedo móvel, que pode ficar tanto para frente quando para trás, aumentando a superfície de contato (Sick, 1997; Antas, 2005).

Segundo Sick (1993) ocasionalmente pode predar outras aves e pequenos mamíferos. Blinn et al. (2007) relataram a predação de um pato (Somateria mollissima) na Ilha de Grand Manan, New Brunswick/Canadá. Outro pesquisador relatou tal ave voando com uma ave do tamanho de um pombo no Rio Chimán, no Panamá (GRIN 2011).

• Reprodução: Nidifica no hemisfério norte utilizando o Brasil apenas como área de invernagem. A fêmea cuida e alimenta as crias enquanto que o macho procura alimento. Constrói o ninho com gravetos e galhos no alto de árvores. Coloca de 1 a 4 ovos com período de incubação de 37 a 41 dias. Após dois meses, os filhotes realizam os primeiros voos, atingindo maturidade sexual após 3 anos (Poole et al. 2014).

• Distribuição Geográfica: Cosmopolita, ocorre em quase todo o mundo, desde Ásia, Europa, Oceania e América; os indivíduos que aparecem no Brasil são originários da América do Norte. Durante o inverno, pode ser encontrada em toda a América do Sul, incluindo todo o Brasil (Antas, 2005; Poole et al. 2014).

• Subespécies: P. h. carolinensis: América do Norte (Alasca, Estados Unidos até o México), durante o inverno com migração para Cuba, Bahamas, México até o Peru e todo o Brasil; P. h. cristatus: Sulawesi e Java, Salomão, Nova Caledônia até o sul da Nova Guiné e costa Australiana; P. h. haliaetus: Encandeava e Escócia, leste da Europa, Ásia até o extremo leste da Rússia, Kamchatka, Japão (Kokkaido), sul do Mediterrâneo, Mar vermelho e ilhas de Cabo Verde, durante o inverno com migração até o sul da África, Índia, Indonésia e Filipinas; P. h. ridwayi: Caribe, Cuba, sul de Bahamas e Belize.

• Hábitos/Informações Gerais: Migratória, originária do hemisfério norte, habita os mais variados ambientes, normalmente avistada em regiões com grandes extensões de água (Sick, 1997). É comum em lagos, grandes rios, estuários e no mar próximo da costa. Também pode ser encontrada em ambientes aquáticos inseridos em centros urbanos, como é o caso dos municípios de Manaus/AM, Belém/PA, Rio de Janeiro/RJ, Florianópolis/SC, Porto Alegre/RS, Sobral/CE, dentre outros. Vive normalmente solitária, voando alto ou pousada sobre árvores isoladas. Ocasionalmente, usa as correntes aéreas para planar alto (Antas, 2005).

Migra ainda jovem e leva de 2 a 3 anos para tornar-se adulta, quando regressa à América do Norte para se reproduzir. Após este período, retorna periodicamente à América do Sul durante o inverno do hemisfério norte. No Brasil, apesar de mais numerosa no final e início do ano, tem sido encontrada durante todos os meses. Devido à maturação sexual após o segundo ou terceiro ano de vida, as águias-pescadoras observadas por aqui durante o inverno são indivíduos juvenis ou não-reprodutivos.



Indivíduo Adulto. Rio Branco, Boa Vista/RR. Setembro de 2008.
Foto:
Ed Andrade Júnior

Indivíduo em Iracemápolis/SP. Novembro de 2010.
Foto: Tiago R. (Ecofoto)

Delta do Parnaíba - Parnaíba/PI, janeiro de 2010.
Foto:
Ricardo Gentil


 

:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::



• Referências:

Antas,P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN, Sesc.

Blinn B.M., V. Violette, and A.W. Diamond. (2007) Osprey, Pandion haliaetus, depredates Common Eider, Somateria mollissima, duckling. Canadian Field-Naturalist 120:236-237

Del Hoyo, .J., Elliot, A. E Sargatal J. (1994) Handbook of the birds of the world (2 v). Bird Life International Lynx Editions. 638p.

GRIN (2011) Species account: Osprey Pandion haliaetus. Downloaded from http://www.globalraptors.org on 8 Jan. 2011.

Poole, A.F., Kirwan, G.M., Christie, D.A. & Marks, J.S. (2014) Osprey (Pandion haliaetus). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2014). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from http://www.hbw.com/node/52947 on 7 May 2015).

Sick, H. (1993) Birds in Brazil: a natural history. Princeton University Press, Princeton, NJ.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Texeira, E. C; Costa, E. S; Petry, M. V. (2005) Primeiro registro de águia pescadora (Pandion haliaetus, Linnaeus, 1758) no Parque estadual de Itapuã, Viamão, RS. Biodiversidade Pampeana, PUCRS, Uruguaiana ISSN 1679-6179 3:24-26, 28 de dezembro de 2005.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Águia-pescadora (Pandion haliaetus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/pandion_haliaetus.htm > Acesso em: