• Descrição: A Murucututu é uma coruja grande, mede aproximadamente 48 cm de comprimento. Sua característica mais marcante é uma faixa branca que se estende desde a sobrancelha até a lateral do bico, num desenho que lembra a letra X. O restante da face é rufa, a região ventral é creme barrada de rufo, o peito é constituído por manchas rufas que quase se encontram na região mediana do tórax e o dorso é uniformemente marrom-escuro. A plumagem da ave juvenil é diferente da do adulto, da mesma forma que as outras corujas. o filhote tem uma penugem branca ou amarelada contrastando com o disco facial preto (Mikich e Bérnils, 2004). Não apresentam dimorfismo sexual, a fêmea as vezes pode ser maior, cerca de 680-906g e o macho 453-680g.
Segundo Miller citado por Sick (1997), ambos os sexos cantam, o casal de várias corujas cantam em dueto ou diálogo e as estrofes diferem, até certo ponto o da fêmea pode ser um pouco diferente, mais alta e rouca, devido ao tamanho menor da siringe. Não abrem o bico quando gritam, todos os filhotes estalam com o bico, batendo as mandíbulas. Como nas outras corujas, mais ouvida do que observada. Seu canto é um chamado grave, longo e um pouco descendente. O timbre lembra o som produzido por uma folha de zinco chacoalhada a distância, interpretado como murucututu. Conhecido também como corujão, coruja-do-mato, mocho-mateiro e coruja-de-garganta-preta. O disco facial da murucututu, assim como nas outras corujas, atua como um refletor parabólico dos sons, focando sons com freqüências acima de 5 Quilohertz no meato acústico externo, e amplificando-os em 10 decibéus (Sick,1997).
• Alimentação: A alimentação é variada, desde mamíferos do porte de um gambá até pequenas lagartas. Inclui outras aves na dieta e chega a capturar caranguejos nas praias. Espera a presa pousada em um galho, apanhando-a sobre o solo ou nas árvores (Mikich e Bérnils, 2004). Geralmente suas atividades de caça se dá nos periodos do crepúsculo e no começo da noite. Dentre algumas curiosidades, os sucos digestivos das corujas limpam os ossos, ficando inalterados os pêlos, penas e escamas, enquanto aos vegetais contidos nas pelotas provêm do conteúdo intestinal dos roedores devorados. As pelotas variam conforme a espécie e sua alimentação (Sick,1997; Silva et al, 1997).
• Reprodução: Nidifica em ocos de árvores onde põe dois ovos brancos que medem aproximadamente 50,5 x 42,5 mm. A fêmea costuma começar a chocar após ter posto o primeiro ovo, o que resulta em um tempo diferente de eclosão e tamanho dos filhotes, diferenças ainda permanecem quando a prole abandona o ninho, em P. perspicillata a fêmea choca durante cerca de 5 semanas, os jovens deixam o ninho em 5-6 semanas, mas ficam com os pais por até um ano, mesmo após de formar as penas definitivas. Muitas vezes apenas um filhote sobrevive.
• Distribuição Geográfica: Ocorre do México à Bolívia, Paraguai e Argentina; provavelmente em todo o Brasil, sobretudo na Amazônia (Sick,1997).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
| |
Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004). |
|
Rio Grande do Sul: Em perigo (Marques, et al. 2002).
|
|
São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009). |
• Hábitos/Informações Gerais: Pulsatrix perspicillata habita florestas, savanas, plantações e em áreas abertas com árvores dispersas, mostrando preferência por sítios próximos de corpos d’água, devido ao hábito de se banhar na chuva (Sick,1997). Durante o dia, dorme pousada em galhadas densas do interior da mata, as vezes em casais. Esta coruja pode estar ativa durante dias nublados. Descansa a alturas variáveis entre 2 m e o topo da copa. A presença de uma coruja, descoberta no seu esconderijo diurno, irrita certas aves, sobretudo Passeriformes, cujos gritos de advertência chamam vizinhos e revelam a presença da coruja inclusive ao homem. Além de molestarem tanto a coruja que acaba saindo a procura de outro esconderijo. Aves de rapina maiores, como alguns gaviões são os predadores naturais dessa espécie.
• Ameaças e Conservação: Além de ser uma espécie tipicamente florestal, esta ave possui hábitos pouco conhecidos, problemática que se acentua frente à carência generalizada de informações acerca de sua distribuição, devido ao número reduzido de registros. As corujas tradicionalmente possuem registros escassos devido principalmente ao hábito noturno, o qual dificulta o seu encontro. Por se tratar de rapineira de grande porte e essencialmente florestal, registrada apenas em remanescentes de mata com grandes dimensões, acredita-se que as principais ameaças às populações desta espécie sejam a supressão e a alteração vegetacional, assim como as conseqüências decorrentes, tais como maior competitividade por sítios de nidificação e abrigo e escassez de itens alimentares específicos. Adicionalmente, o abate dessas aves é bastante comum, devido a ataques fortuitos a animais de criação e crendices populares, como as que falam em mau agouro. Portanto as corujas necessitam de proteção integral, pois proporcionam benefícios ao homem controlando a população de animais como camundongos, insetos (Mikich e Bérnils, 2004). Nesse sentido, a principal medida para a conservação desta espécie consiste em gerar conhecimentos sobre sua biologia, ecologia e distribuição nos Estados de ocorrência além da proteção e preservação dos seus habitats preferenciais (Mikich e Bérnils, 2004).

Filhote de Murucututu fotografado no Parque Zoobotânico - Belém/PA
Foto: Marcos Cruz
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná, 2004.
MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.
Silva, H. G; Villafanã, M. P; Moreno, J. A. S, 1997. Diet of the spectacled owl (Pulsatrix perspicillata) during the rainy season in Northern Oaxaca, México.
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
