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Murucututu
Pulsatrix perspicillata (Latham, 1790)

Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Spectacled Owl
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Pequenos vertebrados e insetos.

Distribuição no Brasil:



Status
P. p. pulsatrix (VU) Vulnerável
P. p. perspicillata (LC)
Baixo risco

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Macho adulto. Arenal Vulcan - Costa Rica, Nov. 2016.
Foto: Willian Menq

Vocalização típica [A] - (gravado por: Bernabe Lopez-Lanus)

• Descrição: Coruja grande, mede de 43-52 cm de comprimento e peso que varia de 550-980 g (P. p. perspicillata) a 1075-1250 g (P. p. pulsatrix) (Konig & Weick, 2008; Holt et al. 2015). Adulto apresenta dorso marrom-escuro, partes inferiores e peito creme, pescoço marrom-escuro com um colar branco abaixo do bico. Sua característica mais marcante é uma faixa branca que se estende desde a sobrancelha até a lateral do bico, num desenho que lembra um "X". O restante da face é marrom e íris amarelo-vivo; o jovem é todo branco com disco facial preto.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Em perigo (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009).

• Alimentação: Possui uma dieta variada, caça pequenos mamíferos, aves, morcegos, anuros, pequenos répteis e invertebrados (Konig & Weick, 2008). Em áreas de mangue, captura caranguejos, grandes aranhas e insetos (Koning & Weick 2008). Como tática de caça, espera a presa pousada em um galho, capturando-a no solo ou nas árvores (Mikich e Bérnils, 2004). Geralmente suas atividades de caça se dá nos  períodos do crepúsculo e início da noite, quando a claridade é maior. No Panamá, em 2009, o ornitólogo James Bryson Voirin encontrou evidências do ataque da espécie contra um bicho-preguiça (Bradypus variegatus) (Voirin, et al. 2009).

• Reprodução:
Nidifica em ocos de árvores, fendas em penhascos e cavidades naturais inseridas na floresta. Coloca em média, dois ovos brancos de aproximadamente 50,5 x 42,5 mm. A fêmea costuma iniciar a incubação após ter colocado o primeiro ovo, o que resulta em um tempo diferente de eclosão e tamanho dos filhotes (Koning & Weick, 2008). O período de incubação dura aproximadamente 35 dias, os jovens deixam o ninho em 5-6 semanas após o nascimento, mas ficam dependendo dos pais por quase um ano, mesmo após adquirir a plumagem definitiva. Segundo Koning & Weick (2008) os indivíduos demoram até cinco anos para adquirirem por completo a plumagem adulta.

A espécie pode reaproveitar o mesmo local de nidificação por vários anos consecutivos. Na RPPN Buraco das Araras, localizada em Jardim/MS, monitores da RPPN registraram por seis anos consecutivos a nidificação de um casal em uma das fendas do paredão rochoso.

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Fêmea e filhote no ninho. Buraco das Araras, Dezembro de 2012.
Foto:
Olivia Suzuki
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Filhote no solo. Reserva madeiras - Teotônio Vilela/AL, Dez 2007.
Foto:
Aldir Júnior
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Ninhego no ninho. Margem do rio Verdinho - Itarumã/GO. Nov 2009.
Foto:
Danilo Mota

• Distribuição Geográfica: Ocorre do México à Bolívia, Paraguai, Argentina e por grande parte do Brasil (Sick,1997). A espécie possui seis subespécies reconhecidas sendo duas delas ocorrentes em território brasileiro. Na região da Mata Atlântica ocorre a subespécie P. p. pulsatrix e na região amazônica a P. p. perspicillata.

• Hábitos/Informações Gerais: Habita florestas e matas com pouca perturbação, demostrando preferência por áreas próximas de corpos d’água (Sick,1997). Pode aparecer em borda de matas e árvores esparsas no entorno de sede de fazendas e áreas habitadas (obs. pess. W. Menq). Geralmente responde ao playback emitindo seu chamado de alerta que é descrito como um "aoooou". Durante o dia, dorme pousada em galhadas densas do interior da mata, às vezes em casal em alturas variáveis entre 2 m e o topo da copa, podendo ficar ativa durante dias nublados (Sick, 1997). Como as outras corujas, é mais ouvida do que observada.

Seu canto é um chamado grave, longo e um pouco descendente. O casal pode cantar juntos, em dueto, para demarcarem o território no período reprodutivo. Conhecida também como corujão, coruja-do-mato, mocho-mateiro e coruja-de-garganta-preta (Sick 1997).

• Ameaças e Conservação: Além de ser uma espécie tipicamente florestal, possui hábitos pouco conhecidos, problemática que se acentua frente à carência generalizada de informações acerca de sua distribuição. No sul do Brasil, por exemplo, a espécie possuí raríssimos registros recentes. Aparentemente, as principais ameaças às populações desta espécie sejam a supressão e a alteração vegetacional, assim como as consequências decorrentes, tais como maior competitividade por sítios de nidificação e abrigo e escassez de itens alimentares específicos. Além disso, o abate de corujas é relativamente comum, devido a ataques fortuitos a animais de criação e crendices populares negativas (obs. pess. W. Menq).

 

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Indivíduo adulto. Parque Zoobotânico - Belém/PA, Abril de 2009.
Foto:
Marcos Cruz
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Casal adulto (fêmea à direita).
Costa Rica, Out. 2016.
Foto: Willian Menq
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Filhote com cerca de 3 semanas, Buraco das Araras, dezembro 2012.
Foto:
Olivia Suzuki

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Indivíduo adulto. Caiman - Miranda/MS. Agosto de 2010
Foto:
Douglas Fernandes
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Indivíduo adulto. Cocalinho/MT,
Julho de 2014.
Foto: Willian Menq
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Filhote. Parque Zoobotânico - Belém/PA, Agosto de 2009.
Foto:
Marcos Cruz



:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016 ::



• Referências:

Holt, W., Berkley, R., Deppe, C., Enríquez Rocha, P., Petersen, J.L., Rangel Salazar, J.L., Segars, K.P., Wood, K.L. & Kirwan, G.M. (2015). Spectacled Owl (Pulsatrix perspicillata). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2015). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. 

Konig, C. & Weick, F. (2008) Owls of the world. Segunda Edição. New Haven, Connecticut: Yale
University Press.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná.Maternatura.

Marques, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Silva, H. G; Villafanã, M. P; Moreno, J. A. S, (1997). Diet of the spectacled owl (Pulsatrix perspicillata) during the rainy season in Northern Oaxaca, México.

Silveira, L.F.; Benedicto G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Voirin, J. B.; Kays, R.; Lowman, M. D.; Wikelski, M. (2009) Evidence for Three-Toed Sloth (Bradypus variegatus) Predation by Spectacled Owl (Pulsatrix perspicillata). Edentata 8-10 : pág. 15-20.

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Murucututu (Pulsatrix perspicillata) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/pulsatrix_perspicillata.htm > Acesso em: