• Descrição: A coruja-orelhuda Rhinoptynx clamator, é uma espécie de porte médio, possui de 30 a 38 cm de comprimento, com asas de 22.8 a 29.4 cm, e peso em torno de 320 a 546 gramas. Seus olhos são relativamente grandes, quase imóveis dentro do crânio resultando num campo visual bastante limitado na qual é compensado pela grande capacidade que possuem de girar a cabeça (mais de 270º). Além da poderosa visão, assim como nas outras espécies de corujas, a coruja-orelhuda possui um disco facial bem destacado que desempenha importante papel de refletor sonoro, que amplia o volume do som facilitando a localização da presa. . A plumagem é muito macia, o que reduz bastante o ruído da batida de suas asas. Seu vôo extremamente silencioso permite a aproximação em relação a suas presas sem que sejam percebidas. Esta coruja tem "orelhas" bem destacadas, possuindo tarsos poderosos para seu tamanho. Emite vocalizações bastante variadas, geralmente seqüência prolongada de "áut-áut-áut". É também conhecida como mocho-orelhudo e coruja-gato já que lembra um miado de gato a vocalização (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009).
• Alimentação: Alimenta-se de aves, grandes insetos e pequenos mamíferos como roedores, morcegos (inclusive morcegos-vampiros Desmodus rotundus) etc., caçando geralmente a partir de um poleiro observando a presa e se atirando a ela em seguida. Aproveita a luminosidade lunar para aumentar sua chance de capturar uma presa noturna, como roedores e marsupiais, os quais demonstram uma menor atividade em noites claras de lua cheia para diminuir o risco de sua predação (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009).
• Reprodução: Constroem o ninho no solo, capim ou em ocos de arvores. Põem de dois a quatro ovos que são postos em intervalos de poucos dias, a fêmea permanece no ninho chocando por aproximadamente 33 dias, período durante o qual ela é alimentada pelo macho. Geralmente somente um filhote sobrevive, embora já foram observados dois também. Os filhotes apresentam penugem clara ao nascerem. Somente a fêmea cobre e alimenta os filhotes nos primeiros dias, mas depois ambos os pais participam do cuidado da prole. Geralmente essa espécie cria uma vez ao ano, mas em tempos de fartura de alimento, pode criar duas e até três vezes num mesmo ano. Sua reprodução, portanto, está diretamente relacionada com a disponibilidade de alimento: quanto maior for esta maior é o número de filhotes criados. Porém, quando há escassez de alimento, a postura tende a ser menor e/ou ocorre a morte de filhotes mais fracos. Os pais defendem ativamente o ninho na época reprodutiva, emitindo vocalizações de alarme e dando vôos rasantes sobre os invasores. A coruja “infla” o corpo ao eriçar as penas e estala o bico na tentativa de intimidar o predador (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009).
• Distribuição Geográfica Ocorre da Venezuela a Bolivia, Paraguai, Argentina, Uruguai e em todo o Brasil com exceção da floresta amazônica (Sick, 1997).
• Hábitos/Informações Gerais: Vive em bosques, borda de matas e áreas abertas com árvores. Principalmente noturna, tornando-se ativa já no pôr-do-sol. Durante o dia fica camuflada nas arvores. O macho seleciona o território de acordo com o potencial para reprodução e locais apropriados para ninhos. Além de tentar conquistar a fêmea pelo seu território, o macho pode oferecer uma presa, como um roedor ou um inseto, como presente de núpcias. É relativamente comum em paisagens abertas com arvoredo, Cerrado, Caatinga e até dentro de cidades, desde que haja arborização suficiente para sua sobrevivência (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009).

Coruja-orelhuda imatura em posição de defesa (para intimidar). Contagem - MG
Foto: Fernando Araújo
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
Kurazo M.O.A, Naiff R.H. Aspectos reprodutivos e dieta alimentar dos ninhegosde Rhinoptynx clamator (Aves: Strigidae) no campus Marco Zero da Universidade Federal do Amapá, Macapá-AP. ActaAmaz. 2009 mar; 39(1):221-224. doi: 10.1590/S0044-59672009000100024.
Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira.
