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Coruja-orelhuda
Asio clamator (Vieillot, 1808)

Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Striped Owl
Habitat:
Bosques, savanas e borda de matas
Alimentação:
Pequenos vertebrados e insetos.


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Caraguatatuba/SP, Nov. de 2015.
Foto: Willian Menq

Vocalização de chamado [A] - (gravado por: Willian Menq)



• Descrição:
Mede de 30-38 cm de comprimento e peso de 320-546 gramas (Holt et al. 1999). Adulto apresenta coloração geral parda com destacadas estrias verticais escuras no peito, face branca contornada com uma fina listra preta e íris escura. O jovem apresenta coloração geral creme com dorso marrom levemente barrado e disco facial ferrugíneo. Emite vocalizações bastante variadas, geralmente sequência prolongada de "áut-áut-áut". É também conhecida como mocho-orelhudo e coruja-gato (Sick, 1997; Kurazo & Naiff 2009).

• Alimentação: Alimenta-se principalmente de aves, roedores, morcegos (inclusive morcegos-vampiros Desmodus rotundus) e insetos (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009). Geralmente caça a partir de um poleiro, observando a presa e se atirando a ela em seguida. Pode ficar pousada sobre mourões de cerca ou postes a espreita de presas. Aproveita a luminosidade lunar para aumentar sua chance de capturar uma presa noturna, como roedores e marsupiais, os quais demonstram uma menor atividade em noites claras de lua cheia para diminuir o risco de sua predação (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009).

• Reprodução: Nidifica em ocos de árvores, em vegetação rasteira ou até mesmo no solo. No período de cortejo, o macho pode oferecer uma presa, como um roedor ou um inseto, como presente de núpcias. Coloca de dois a quatro ovos que são postos em intervalos de poucos dias. A fêmea permanece no ninho chocando por aproximadamente 33 dias, sendo o macho responsável pela alimentação. Normalmente apenas um filhote sobrevive. Nos primeiros dias de vida do filhote, somente a fêmea o alimenta, depois ambos os pais participam do cuidado da prole (Sick 1997; Kurazo & Naiff 2009). O filhote torna-se apto ao voo após 37-46 dias, e com 130-140 dias são expulsos pelos pais do território (Konig & Weick, 2008). Sua reprodução está diretamente relacionada com a disponibilidade de alimento, quanto maior a oferta maior será o número de filhotes. Porém, quando há escassez de alimento, a postura tende a ser menor e/ou ocorre a morte de filhotes mais fracos.

• Distribuição Geográfica: Apresenta uma distribuição descontínua na região neotropical, ocorre desde o extremo sul do México até o Panamá, da Venezuela à Bolívia, além do Paraguai, Argentina, Uruguai e em quase todo o Brasil, exceto nas regiões densamente florestadas do norte do país (Sick 1997; Holt et al. 1999).

• Subespécies: São conhecidas quatro subespécies, A. c. forbesi: sul do México até Panamá; A. c. clamator: Colômbia e Venezuela até Guianas, sudeste do Peru e norte, nordeste e centro-oeste do Brasil; A. c. oberi: Tobago e nordeste de Trinidade (possivelmente extinta); A. c. midas: leste da Bolívia, sul e sudeste do Brasil até Argentina e Uruguai (Holt et al. 1999).

• Hábitos/Informações Gerais: Pode ser encontrada em savanas, borda de matas e áreas urbanas mais arborizadas, aparentando certo grau de tolerância aos impactos antrópicos. Principalmente noturna, tornando-se ativa já no pôr-do-sol. Durante o dia fica camuflada nas árvores (Sick, 1997). São bastante territoriais, os pais defendem ativamente o ninho na época reprodutiva, emitindo vocalizações de alarme e dando voos rasantes sobre os invasores. Em situações de perigo, a coruja “infla” o corpo ao eriçar as penas e estala o bico na tentativa de intimidar o predador (Sick 1997; Kurazo & Naiff, 2009).



Indivíduo Jovem.
(CIDADE/ESTADO), Julho de 2012.
Foto: Matias H. Ternes

Indivíduo adulto no Parque Villa Lobos,
São Paulo/SP, Maio de 2014.
Foto: Willian Menq



Indivíduos jovens. Taubaté/SP, Julho de 2011
Foto: Lucas Valério (COAVAP)

Jovem em posição de defesa para intimidar invasor. Contagem/MG. Foto: Fernando Araújo

 

:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::



• Referências:

Holt, D.W.; Berkley, R.; Deppe, C.; Enriquez-rocha, P.L.; Petersen, J.L.; Rangel-salazar, J.L.; Segars, K.P. & Wood, K.L. (1999) Species acounts of Strigidae. Em: Del Hoyo, J., A. Elliott, e J. Sargatal, (eds.) Handbook of the birds of the world. V. 5, Barn-owls to hummingbirds. Barcelona, Espanha. Lynx Edicions. 759p.

Konig, C. & Weick, F. (2008) Owls of the world. 2º Edição. New Haven, Connecticut: Yale University Press.

Kurazo M.O.A & Naiff R.H. (2009) Aspectos reprodutivos e dieta alimentar dos ninhegos de Rhinoptynx clamator (Aves: Strigidae) no campus Marco Zero da Universidade Federal do Amapá, Macapá-AP. Acta Amaz, 39(1):221-224.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira.

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Coruja-orelhuda (Asio clamator) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/rhinoptynx_clamator.htm > Acesso em: