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Gavião-carijó
(Rupornis magnirostris)

Rupornis magnirostris (Gmelin, 1788)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões
Outros nomes: gavião-pega-pinto

Nome em inglês: Roadside Hawk
Tamanho: 33-41 cm de comprimento
Habitat:
Campos, savanas, borda de matas e áreas urbanas.
Alimentação:
Pequenos vertebrados.

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Caxias do Sul/RS, Março de 2015.
Foto: Willian Menq


Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Mauricio Alvarez)

• Descrição: Mede de 33-41 cm de comprimento, peso de 206-290 g (macho) e 257-350 g (fêmea) (Márquez et al. 2005). Apresenta uma grande variação de plumagem, com indivíduos mais acizentados, outros com tonalidades mais pardas, conforme a região do país. De modo geral, o adulto apresenta o dorso e cabeça marrom-escuro, com partes inferiores creme com listras horizontais mais escuras; íris, bico e tarsos amarelos. O jovem é mais claro, com cabeça creme, além de listras verticais grossas abaixo do pescoço. Conhecido também como gavião-marrom, indaié, gavião-pega-pinto e gavião-indaié. Estudos moleculares recentes mostraram que esta espécie é a mais primitiva de todos os Buteo's, razão pela qual ganhou um gênero próprio: Rupornis (Riesing et al. 2003; Lerner et al. 2008).

Melanismo: Em dezembro de 2010, no Suriname, um indivíduo adulto, totalmente escuro foi fotografado em uma área rural, sugerindo ser o primeiro registro de melanismo nesta espécie (detalhes).

• Alimentação: Apresenta dieta variada, alimenta-se de artrópodes (mariposas, besouros, gafanhotos, cigarras), pequenos répteis (lagartos, lagartixas, cobras), pássaros e roedores. Também captura morcegos em seus poleiros diurnos (Sick 1997). Caça a partir de um poleiro, permanecendo na espreita até avistar uma presa e atirar-se sobre ela (Panasci & Whitacre 2000). Às vezes, segue formigas-de-correição para capturar insetos e pequenos vertebrados espantados pelas formigas. Também saqueia ninhos de outras aves, e de forma menos frequente pode caminhar no solo para capturar invertebrados (Sick, 1997; Panasci & Whitacre 2000; Menq, 2009).

Camacho et al (2012) observaram a espécie forrageando tanajuras (Atta sp.) em revoada sobre um fragmento florestal em Cachoeiras de Macacu, RJ. O gavião forrageava junto a outros rapinantes (Harpagus diodon, Heterospizias meridionalis e Milvalgo chimachima), sem nenhum comportamento agonístico registrado entre as espécies, provavelmente devido à abundância de alimento local e efêmero.



Indivíduo adulto alimentando-se de um pombo-de-bando (Z. auriculata). Peabiru-PR. Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Ribeirão Cascalheira/MT, Fevereiro de 2014.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Ago 2010.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes


• Reprodução:
Constrói o ninho no alto de árvores, em alturas que podem variar de 3 a 15 m de altura. O ninho é construído em formato de plataforma rara, possuindo em média, 50 cm de diâmetro (Sick 1997; Márquez et al. 2005; Menq 2009). Coloca de 1 a 2 ovos brancos pontilhados ou levemente estriados de marrom, com período de incubação de 35-37 dias. A fêmea é responsável pela incubação, e nesse período é alimentada pelo macho. Nos horários em que não está caçando, o macho fica vigiando a área do ninho pousado em poleiros próximos, vocalizando sempre que avista um intruso. Durante o período reprodutivo torna-se agressivo, acuando e dando voos rasantes em qualquer intruso que aproximar-se da área do ninho (Sick 1997; Márquez et al. 2005; Menq 2009).

No interior do Paraná, W. Menq (obs. pess.) acompanhou durante três anos consecutivos (2005 a 2007) um casal de uma área rural do município de Peabiru. Em cada temporada de reprodução, o casal construía um novo ninho, normalmente em árvores próximas do ninho antigo.


Filhote com 1 semana no ninho, Peabiru/PR, Setembro 2006.
Foto: Willian Menq

Casal de gavião-carijó. Florianópolis/SC, Setembro de 2012.
Foto: Willian Menq

Filhote com 8 Semanas no ninho, Peabiru/PR, Novembro 2006.
Foto: Willian Menq

• Distribuição Geográfica: Ocorre desde norte do México, América Central até a Argentina, Peru e por praticamente todo o Brasil, exceto nas áreas densamente florestadas do norte do país.

• Subspécies: São conhecidas 12 subspécies. R. m. griseocauda: México (Colima, Nuevo León, Tamaulipas), Costa Rica e oeste do Panamá (Chiriquí); R. m. sinopse: sudeste do México (Tabasco e Yucatán) e Belize; R. m. gracilis: México (Cozumel, Holboxra); R. m. petulans : sudoeste da Costa Rica e noroeste do Panamá; R. m. alius : Panamá (Ilhas Pérola); R. m. sinushonduri Honduras; R. m. magnirostris : leste do Panamá, Colômbia, oeste do Equador, leste do sul dos Andes a leste do Equador, Venezuela, Guianas e porção sul da floresta amazônica (Brasil). R. m.occiduus : leste do Peru, norte da Bolívia e oeste do Brasil; R. m. saturatus : Bolívia, Paraguai, sudoeste do Brasil até o oeste da Argentina; R. m. nattereri : nordeste do Brasil (Maranhão até o sul da Bahia); R. m.magniplumis : sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), até o norte da Argentina (Misiones), e áreas adjacentes do Paraguai (Alto Paraná); R. m. pucherani : Uruguai e nordeste da Argentina.

• Hábitos/Informações Gerais: Pode ser encontrado em savanas, campos naturais, borda de matas, capoeiras, margem de rios e lagos, florestas e áreas urbanas (Sick 1997). É um dos gaviões mais comuns e abundantes dos centros urbanos, podendo ser encontrado em praticamente todas as cidades. Vive solitário ou aos pares, passando maior parte do tempo empoleirado no alto de árvores, mourões de cerca, postes e fios de eletricidade (Sick 1997; Márquez et al. 2005). Possui um grito de alerta característico, emitido assim que qualquer intruso se aproxime de seu território. Nas horas mais quentes da manhã costuma planar em círculos, patrulhando seu território. Quando voa em casal, um vocaliza para o outro durante vários minutos.



Adulto próximo a um anu-branco (Guira guira). Jussara/PR, Abr 2015
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto.
Tuneiras do Oeste/PR, Abr 2015.
Foto:
Jessica M. Nascimento

Indivíduo adulto. Porto Alegre/RS
Abril de 2012.
Foto: Willian Menq



Indivíduo jovem.
Florianópolis/SC, Março de 2010.
Foto:
Rodrigo Cezar Pamplona

Indivíduo jovem. Cianorte/PR.
Abril de 2015.
Foto: Jessica M. Nascimento

Indivíduo jovem.
Florianópolis/SC, Março de 2010.
Foto:
Rodrigo Cezar Pamplona



Indivíduo adulto. Rebio das Perobas/PR, Julho de 2011.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Campinas/SP, Setembro de 2010
Foto:
Pedro A M Vazquez

Indivíduo em voo. Bom Jesus - Rio Grande do Sul. Abril de 2009
Foto:
Juliana N. Martins


:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2015. ::



Contato



• Referências:

Camanho, I.; Honorato, R. S.; Fernandes, B. C.; Boechat, R. F.; Souza-Filho, C. & Kanegae, M. F. (2012) Aves de rapina diurnas forrageando tanajuras (Atta sp.) em revoada em uma paisagem fragmentada de floresta atlântica, sudeste do Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia, 20(1), 19‑21

Panasci T.; Whitacre, D. (2000). Diet and Foraging Behavior of Nesting Road-side Hawks in Pete´n, Guatemala. Wilson Bull, v. 112, n. 4, p. 555-558.

Lerner, H.R.L., M.C. Klaver, and D.P. Mindell. (2008). Molecular  phylogenetics of the buteonine birds of prey (Accipitridae). Auk  125:304-31.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Menq, W. Rosado, F. Rogério. (2009). Dados Preliminares da Biologia do Gavião-Carijó (Rupornis magnirostris, Gmelin, 1788) na Região Noroeste do Paraná. RAMA - Revista em Agronegócio e Meio Ambiente, Vol. 2, No 3.

Riesing, M.J., L. Kruckenhauser, A. Gamauf, and E. Haring. (2003). Molecular  phylogeny of the genus Buteo (Aves: Accipitridae) based on mitochondrial marker sequences. Molecular Phylogenetics and Evolution 27:328-342.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Souza, J. L. Pereira, G. A. Alves, G. C. Silva, E. M. Santos, D. L. A. & Rocha, A. C. (2013). Uma investigação sobre a entrega e apreensão de aves de rapina no CETAS/PE de 2007 a 2011. Atualidades Ornitológicas 174: 18-21.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)