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Gavião-carijó
(Rupornis magnirostris)

Rupornis magnirostris (Gmelin, 1788)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões
Outros nomes: gavião-pega-pinto

Nome em inglês: Roadside Hawk
Tamanho: 31-42 cm de comprimento
Habitat:
Campos, pastagens, borda de matas, áreas urbanas, vegetação aberta.
Alimentação:
Pequenos vertebrados.

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo Adulto. Porto Alegre/RS, Abril de 2012.
Foto: Willian Menq


Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Mauricio Alvarez)

• Descrição: Possui de 31 a 42 cm de comprimento e pesa de 250 a 300 gramas, sendo o macho menor que a fêmea. Apresenta uma grande variação de cores na plumagem, conforme a região do país. De modo geral, possui partes inferiores de cor creme com listras horizontais mais escuras, dorso e cabeça marrom-escuro. Quando em voo, é possível observar o tom avermelhado nas longas penas das asas. Macho e fêmea são idênticos, exceto pelo maior tamanho da fêmea. Quando saem do ninho, as aves juvenis possuem uma plumagem diferente da dos adultos, com padrão de listras mais grosas e verticais abaixo do pescoço. O nome popular "carijó" refere-se ao padrão de estrias encontrado no peito. O nome popular "gavião-pega-pinto" se deve ao hábito das galinhas darem alarme de sua presença, ao sobrevoar um terreiro, embora essa reação ocorra com qualquer outro gavião ou ave com silhueta idêntica em vôo. Conhecido também como gavião-marrom, indaié, gavião-pega-pinto e gavião-indaié. Estudos moleculares recentes mostraram que esta espécie é a mais primitiva de todos os Buteos, razão pela qual ganhou um gênero próprio: Rupornis (Riesing et al. 2003; Lerner et al. 2008).

Até pouco tempo, o melanismo (fase escura) não era conhecido nessa espécie. Mas em dezembro de 2010, Carl Beel fotografou um provável Rupornis magnirostris melânico em uma área rural próximo a capital Paramaribo, no Suriname.

• Alimentação: O gavião-carijó alimenta-se de artrópodes (mariposas, besouros, gafalhotos, cigarras), pequenos répteis (lagartos, lagartixas, cobras), pássaros e roedores, captura também morcegos quando estes encontram-se pousados, durante o dia. De acordo com Panasci e Whitacre (2000), seu principal método de caça consiste em sair a partir de um poleiro (galhos, postes, fios de eletricidade), se atirando sobre a presa em seguida. Ataca também ninhos de outras aves (Sick, 1997; Menq¹, 2009). O gavião-carijó também pode caminhar no solo para capturar pequenos animais com suas garas ou mais raramente capturar aves em voo (Panasci & Whitacre 2000). Ás vezes, segue formigas-de-correição para capturar insetos e pequenos vertebrados espantandos pelas formigas.


Gavião-carijó alimentando-se de um pombo-de-bando (Z. auriculata). Peabiru-PR. Foto: Willian Menq

Gavião-carijó alimentando-se de roedor. Peabiru-PR, Jan 2009.
Foto: Willian Menq

Indivíduo Adulto. Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Ago 2010.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes

• Reprodução: Constroi o ninho em formato de plataforma rasa possuindo, em média, 50 cm de diâmetro, geralmente no topo de uma árvore grande. Utiliza gravetos secos e reveste o interior com folhas. Coloca de 1 a 2 ovos brancos, pontilhados ou levemente estriados de marrom, no período de incubação (que dura aproximadamente 35-37 dias) a fêmea é alimentada pelo macho (Sick, 1997). O macho fica vigiando o ninho nas proximidades, geralmente em árvores mais altas da mata, para obter um maior campo de visão da área, vocalizando sempre em sinal de alerta na presença de algum intruso. Quando está reproduzindo pode tornar-se agressivo, atacando até mesmo seres humanos que se aproximem de seu ninho.

Os ninhos são raramente reutilizados nos anos seguintes, a maioria dos casais preferem construir novos ninhos em árvores diferentes. No Paraná, Willian Menq e Jean Copatti (obs. pess.) acompanharam durante três anos consecutivos (2005, 2006 e 2007) um casal de gavião-carijó em uma área rural no município de Peabiru. Em cada temporada de reprodução, o casal construia um ninho em uma árvore diferente, mas sempre na mesma área.


Filhote com 1 semana no ninho, Peabiru/PR, Setembro 2006.
Foto: Willian Menq

Casal de gavião-carijó. Sul da ilha de Florianópolis/SC, Setembro de 2012.
Foto: Willian Menq

Filhote com 8 Semanas no ninho, Peabiru/PR, Novembro 2006.
Foto: Willian Menq

• Distribuição Geográfica e Subspécies: Ocorre desde norte do México, América Central indo até a Argentina, Peru e por quase todo o Brasil. São conhecidas 12 subspécie. R. m. griseocauda : Ocorre no México (Colima, Nuevo León, Tamaulipas), Costa Rica e Panamá ocidental (Chiriquí); R. m. sinopse: sudeste do México (Tabasco e Yucatán Peninsula) e Belize; R. m. gracilis : México (Cozumel, Holboxra); R. m. sinushonduri :Honduras; R. m. petulans : sudoeste da Costa Rica e noroeste do Panamá; R. m. alius : Panamá (Ilhas Pérola); R. m. magnirostris : Parte oriental do Panamá, Colômbia, oeste do Equador, leste do sul dos Andes a leste do Equador, Venezuela até as Guianas e sul da floresta amazônica no Brasil. R. m.occiduus : leste do Peru, norte da Bolívia e oeste do Brasil; R. m. saturatus : Bolívia, Paraguai e sudoeste do BRASIL até o oeste da Argentina; R. m. nattereri : região nordeste do Brasil (Maranhão até o sul da Bahia); R. m.magniplumis : sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), até o norte da Argentina (Misiones), e áreas adjacentes do Paraguai (Alto Paraná); R. m. pucherani : Uruguai e nordeste da Argentina.

• Hábitos/Informações Gerais: Habita campos com árvores, bordas de florestas, capoeiras, margens de rios e lagos e áreas urbanas. Vive solitário ou aos pares. É extremamente territorial, anuncia sua presença circulando em vôos altos, aproveitando as correntes de ar quente (Sick, 1997; 1 Menq, 2009). Quando o casal está em vôo de patrulha territorial, um responde ao outro durante vários minutos. Além desse chamado, possui um grito de alerta característico, emitido assim que qualquer intruso chega ao território ("pinhée").

Nas últimas décadas este gavião passou a se tornar mais comum nos centros urbanos, se adaptando com sucesso a este ambiente, pois nas cidades a oferta de presas é maior e os seus predadores naturais (outras aves de rapina maiores) são escassos. Durante os período da manhã costuma sobrevoar a cidade vocalizando e em voos circulares.


Adulto em voo. Porto Alegre/RS, Junho de 2012.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto pousado na Araucária. Canela/RS. Julho 2012.
Foto: Willian Menq

Individuo adulto. Tuneiras do Oeste/PR, Out de 2011.
Foto: Willian Menq


Indivíduo jovem.
Florianópolis/SC, Março de 2010.
Foto:
Rodrigo Cezar Pamplona

Indivíduo adulto. Rebio das Perobas/PR, Julho de 2010.
Foto: Willian Menq

Indivíduo jovem.
Florianópolis/SC, Março de 2010.
Foto:
Rodrigo Cezar Pamplona


Indivíduo adulto. Rebio das Perobas/PR, Julho de 2011.
Foto: Willian Menq

Gavião-carijó. Campinas/SP, Setembro de 2010
Foto:
Pedro A M Vazquez

Indivíduo em voo. Bom Jesus - Rio Grande do Sul. Abril de 2009
Foto:
Juliana N. Martins

:: Página editada por: Willian Menq em 2013. ::



Contato



• Referências:

PANASCI, T.; WHITACRE, D. 2000. Diet and Foraging Behavior of Nesting Road-side Hawks in Pete´n, Guatemala. Wilson Bull, v. 112, n. 4, p. 555-558.

Lerner, H.R.L., M.C. Klaver, and D.P. Mindell. 2008. Molecular  phylogenetics of the buteonine birds of prey (Accipitridae). Auk  125:304-31

1 Menq, W. Rosado, F. Rogério. 2009. Dados Preliminares da Biologia do Gavião-Carijó (Rupornis magnirostris, Gmelin, 1788) na Região Noroeste do Paraná. RAMA - Revista em Agronegócio e Meio Ambiente, Vol. 2, No 3.

2 Menq, W. Copatti, J. Ferreira; Rosado, F. Rogério. 2009. Nidificação de gavião carijó Rupornis magnirostris (Falconiformes, Accipitridae) no município de Peabiru (Paraná, Brasil). SaBios: Rev. Saúde e Biol., v.4, n.2, p.52-55, jul./dez. INSS 1980-0002.

Riesing, M.J., L. Kruckenhauser, A. Gamauf, and E. Haring. 2003. Molecular  phylogeny of the genus Buteo (Aves: Accipitridae) based on mitochondrial marker sequences. Molecular Phylogenetics and Evolution 27:328-342.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)