• Descrição: Possui de 31 a 42 cm de comprimento. O nome popular "carijó" refere-se ao padrão de estrias encontrado no peito. O nome popular "gavião-pega-pinto" se deve ao hábito das galinhas darem alarme de sua presença, ao sobrevoar um terreiro, embora essa reação ocorra com qualquer outro gavião ou ave com silhueta idêntica em vôo. Apresenta uma grande variação de cores na plumagem, conforme a região do país (Sick, 1997; Santos¹, 2009). Outra característica de plumagem comum a todas as populações é o tom avermelhado das longas penas da asa. Pouco visível quando pousado, ao voar destaca-se essa cor da asa, mesmo quando está sobrevoando alto. Macho e fêmea são idênticos, exceto pelo maior tamanho da fêmea. Quando saem do ninho, as aves juvenis possuem uma plumagem diferente da dos adultos, isso ocorre com a maioria das espécies de aves de rapina. Conhecido também como gavião-marrom, indaié, gavião-pega-pinto e gavião-indaié (Sick, 1997; Santos¹, 2009).
• Alimentação: Este gavião se alimenta de Artrópodes, pequenos lagartos, cobras e pássaros e roedores, Captura também morcegos quando estes encontram-se pousados, durante o dia. De acordo com Panasci e Whitacre (2000), seu principal método de caça consiste em sair a partir de um poleiro (galhos, postes, fi os de eletricidade), se atirando sobre a presa em seguida. Ataca ninhos de outras aves e por isso é ferozmente perseguido por suiriris, bem-te-vis e tesourinhas (Sick, 1997; Santos¹, 2009).
• Reprodução: Constroem um ninho de gravetos revestido por folhas com cerca de meio metro de diâmetro, geralmente no topo de uma árvore grande. Põe 1 ou 2 ovos brancos, pontilhados ou levemente estriados de marrom, no período de incubação a fêmea é alimentada pelo macho. O macho fica vigiando o ninho nas proximidades, geralmente em árvores mais altas da mata, para obter um maior campo de visão da área, vocalizando sempre em sinal de alerta na presença de algum intruso. Na época de reprodução defende sua prole contra qualquer invasor que se aproximar do ninho, dando voos rasantes e atacando intrusos, inclusive o homem, como já foi visto em um trabalho da biologia da especie realizado em Maringá-PR (Sick, 1997; Santos², 2009).
• Distribuição Geográfica: O gavião carijó se distribui desde o México até a Argentina. Está presente em todo o Brasil, sendo uma espécie bastante comum e bem adaptada as ações antrópicas, sendo encontrado facilmente nos centros urbanos. Devido a essa grande adaptação, este gavião passou a se tornar mais comum no país nas ultimas décadas, pois nas cidades a oferta de presas é maior e os seus predadores naturais (outras aves de rapina) são escassos (Sick, 1997; Santos¹, 2009).
• Hábitos/Informações Gerais: Habita campos com árvores, bordas de florestas, capoeiras, margens de rios e lagos e áreas urbanas. Vive solitário ou aos pares. Sobrevoa cidades em vôos circular. Ele é extremamente territorial, anuncia sua presença circulando em vôos altos, aproveitando as correntes de ar quente (Sick, 1997; 1 Santos, 2009). Quando o intruso persiste em se aproximar do ninho por exemplo, o gavião realiza vôos rasantes podendo atacar o invasor se utilizando de suas garras afiadas. Nessas ocasiões, mais comuns no período reprodutivo, emite o grito territorial, uma espécie de risada longa e ascendente, repetida várias vezes. Quando o casal está em vôo de patrulha territorial, um responde ao outro durante vários minutos. Além desse chamado, possui um grito de alerta característico, emitido assim que qualquer intruso chega ao território ("pinhée"). Dentre as principais ameaças para esta espécie, talvez a principal seja referente à má fama que essas aves têm entre a população, sendo acusados de matar crias domesticas a acabam sendo abatidos indiscriminadamente (Sick, 1997; Santos¹, 2009).

Gavião carijó se alimentando de roedor, Peabiru-PR, Jan 2009.
Foto: Willian Menq S |

Filhote com aproximadamente 8 Semanas, no ninho, Peabirú - PR, 2006.
Foto: Willian MenQ S. |

Gavião-carijó em vôo. Bom Jesus - RS. Abril de 2009
Foto: Juliana N. Martins |

Gavião carijó. Rebio das Perobas/PR, Jul 2010
Foto: Willian MenQ S. |
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
PANASCI, T.; WHITACRE, D. Diet and Foraging Behavior of Nesting Road-side Hawks in Pete´n, Guatemala. Wilson Bull, v. 112, n. 4, p. 555-558, 2000.
1 Santos, W. Menq; Rosado, F. Rogério. 2009. Dados Preliminares da Biologia do Gavião-Carijó (Rupornis magnirostris, Gmelin, 1788) na Região Noroeste do Paraná. RAMA - Revista em Agronegócio e Meio Ambiente, Vol. 2, No 3.
2 Santos, W. Menq; Copatti, J. Ferreira; Rosado, F. Rogério. 2009. Nidificação de gavião carijó Rupornis magnirostris (Falconiformes, Accipitridae) no município de Peabiru (Paraná, Brasil). SaBios: Rev. Saúde e Biol., v.4, n.2, p.52-55, jul./dez. INSS 1980-0002
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997
