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Urubu-rei
(Sarcoramphus papa)

Sarcorhamphus papa (Linnaeus, 1758)
Ordem: Cathartiformes
Família:Cathartidae
Nome em inglês: King Vulture
Tamanho: 79 cm de comprimento
Habitat:
borda de matas, florestas

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo Risco


Uburu rei adulto. Janeiro de 2012. Foto:
João Sérgio Barros

• Descrição: O urubu rei tem de comprimento 79 cm e de envergadura 180 cm. os machos pesam cerca de 3 kg e as fêmeas 3.7 kg (Márquez et al, 2005). é o maior e mais colorido dos urubus, tem até 3 vezes o tamanho das outras espécies. Ao contrário dos outros urubus, é todo negro até o sexto mês de idade. A partir daí, começa a adquirir a plumagem branco amarelada do corpo; só as penas da cauda e as longas penas da asa continuam negras. É um processo de até 4 anos de duração. O pescoço é todo colorido, alaranjado ou vermelho. Essas cores fazem um intenso contraste com o olho branco, cor já exibida pela ave juvenil. Conhecido também como corvo-branco, urubu-real, urubu-branco, urubutinga, urubu-rubixá e iriburubixá (Antas, 2005; Sick, 1997).

Os urubus (família Cathartidae) são considerados por alguns cientistas como "aves de rapina", mas existem indícios de que sejam mais proximamente relacionadas aos Ciconiformes, diferente dos abutres do Velho Mundo, pertencentes à família Accipitridae (Sick, 1997). A denominação urubu-rei segue a tradução literal do nome científico. Onde Sarcoramphus papa lido em partes pode ser entendido como “O pai dos comedores de carne podre”; Sarco é carne, ramphus é podre e, papa pode ser entendido como o pai, como o Papa católico, ou como papa de comer, papar! Na natureza tem poucos predadores naturais, mas, devido à baixa reprodutividade da espécie e à degradação do seu habitat, é uma espécie cada vez mais rara de se observar.

• Alimentação: Sua dieta é estritamente carnívora, mas nunca se alimenta de animais vivos, salvo se estiver faminto e a presa estiver agonizando. Como consumidores de carne em putrefação desempenham importante papel saneador, eliminando matérias orgânicas em decomposição. São imunes, aparentemente, ao botulismo, doença que ataca o homem e outras aves por ingestão de alimentos enlatados, como patê, contaminado pela bactéria Clostridium botulinum. As toxinas botulínicas são proteínas, constituindo-se nos mais potentes venenos conhecidos. O suco gástrico dos urubus é bioquimicamente tão ativo que neutraliza as toxinas cadavéricas e bactérias, eliminando perigos posteriores de infecção. Quando são alimentados em cativeiro com carne fresca, são limpos e sem mau cheiro (Sick, 1997).

Frequenta carniças com os outros urubus, onde devido a seu tamanho, deixa as outras espécies afastadas, parecendo ser o rei entre elas. Aparentemente, espera que os outros urubus encontrem a carniça através do cheiro ou da visão. Quando as espécies menores estão pousando para alimentar-se, esse comportamento denuncia a presença de carniça e o urubu-rei aproveitase disso para chegar à fonte de alimentação. Em geral, um ou dois adultos, eventualmente algumas aves juvenis, estão em uma carniça. Isso parece indicar a existência de território, onde as aves adultas evitam a presença de outros urubus-rei. Em algumas carcaças grandes, é possível se observar mais adultos (Antas, 2005; Sick, 1997).


Indivíduo adulto. Fazenda Barranco Alto – Pantanal, Aquidauana/MS. Maio 2009.
Foto: Lucas Leuzinger

Urubu-rei jovem adquirindo plumagem adulta. Faz. Bom Jesus - Monte Alegre do Sul/SP. Setembro de 2009.
Foto:
Luís Gonzaga Truzzi

Porque Urubu rei?: O Urubu-rei recebe este nome por vários motivos: pela exuberante coloração, presente principalmente na cabeça e de seu forte bico que lhe proporciona ser o único urubu a conseguir a abrir as partes mais difíceis de seu alimento, como a carcaça de um animal grande e sendo capaz de rasgar o couro duro de um boi ou de um cavalo. Como é um urubu sociável frequenta carniça com outros urubus e assim que ele "abre" uma carcaça é seguido por outras aves necrófagas, que se aproveitam da carcaça já aberta para se alimentarem (Antas, 2005; Sick, 1997). E quando o urubu-rei está se alimentando, por causa do tamanho, as outras espécies ficam afastadas aguardando ele terminar o banquete, dando a ele o aspecto de ser o rei entre os urubus (Antas, 2005).

• Reprodução: Na época de cortejo, o macho corteja a fêmea empoleirado ou no solo, abre e fecha as asas e exibe a vértice vivamente colorido, abaixando a cabeça. O ninho é construido no chão da mata ou no meio de pedras, ou em morros e montanhas. Bota um único ovo no chão da mata ou no meio de pedras, em morros, mas com cobertura vegetal densa (del Hoyo et al. 1994). O choco dura de 53 a 58 dias, com o casal revezando-se ou somente a fêmea incubando. O macho é levemente maior do que a fêmea. Ao nascer, está coberto com uma fina penugem branca, mantida nas primeiras semanas de vida. Atinge a maturidade sexual aos 3 anos, quando já pode apresentam coloração típica (Antas, 2005).

• Distribuição Geográfica: Possui uma distribuição abrangente, que vai de toda a América Latina até ao sul do México. Habita florestas, mas principalmente áreas de Cerrado. Embora presente em todo o Brasil, é mais comum nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Encontrado também do México à Colômbia, Bolívia, Peru, norte da Argentina e Uruguai. É vulnerável à extinção, pois é o único urubu brasileiro que é afetado pela destruição de seu habitat, além de ser capturado para tráfico de animais por sua beleza, e ser captura para ser exposto como troféu (del Hoyo et al. 1994; Sick, 1997).

• Status nas listas vermelhas estaduais: Embora o urubu-rei não figure na lista da fauna brasileira ameaçada de extinção (IBAMA, 2003) por ser freqüentemente encontrado na região norte do Brasil, as populações do sul e sudeste brasileiro sofreram um declínio considerável devido à caça e perda de hábitat (Sick, 1997), figurando nas listas de espécies ameaçadas em diferentes categorias de ameaça.

  Rio Grande do Sul: Criticamente em perigo (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Em perigo (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita regiões de florestas com clareiras (campos, pastagens) distantes de centros urbanos. É visto normalmente voando bastante alto, sozinho ou aos pares, raramente em grupos de vários indivíduos. Destaca-se dos outros urubus - com os quais eventualmente se associa por períodos não prolongados - pelo desenho branco e preto da asa e pela cauda muito curta, o que lhe dá uma aparência arredondada em vôo. Pousa nas árvores mais altas da mata, onde costuma dormir. Quando está sobrevoando uma área, chama a atenção o contraste entre o negro da cauda e asas com o corpo todo branco do adulto (Antas, 2005; Sick, 1997; Ferguson-Lees & Christie, 2001).

Quando estão com a cabeça abaixada e um pouco inclinada estão desconfiados e observam algo com atenção. Esta mesma posição da cabeça abaixada e um pouco inclinada é usada, pelo macho no cortejo do acasalamento. Quando incomodados vomitam e sopram fortemente para afastar um intruso, característica também feita pelos filhotes, quando o intruso se aproxima o urubu-rei defende-se com as garras e, principalmente, com seu poderoso bico. Uma maneira interessante que o Urubu-rei e outros urubus tem de se refrescar (perder temperatura) é defecando nas próprias pernas, por isso não é difícil ver eles com as pernas esbranquiçadas.


Urubu-rei adulto e um imaturo. Castilho - SP. By Maciel Santana, Sérgio Paulo, Pedro Thiago e Kreyto Francisco

Urubu-rei adulto planando sobre o Parque da Ferradura, Canela/RS.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Valparaíso-SP. Fazenda Jacarezinho - Oeste Paulista. Março de 2010.
Foto:
Oscar Farina Junior


Uburu rei fotografado em Cristalino Lodge - Alta Floresta/MT. Junho de 2009. Foto:
Aditi Jain Chaves

Indivíduo Jovem. Monte Alegre do Sul/SP, Agosto de 2010.
Foto:
Elisa Torricelli

Urubu-rei adulto planando sobre o Parque da Ferradura, Canela/RS.
Foto: Willian Menq

 

• Video: Assista um video curto sobre o urubu rei. .:: Assistir o video ::.

 


:: Página editada por: Willian Menq em 2012. ::



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• Referências:



Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc: 2005.

del Hoyo, J. e Sargatal, J. 2004. Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). 2003. Lista das espécies da fauna ameaçada de extinção. Instrução Normativa n. 3, de 27 de maio de 2003. Ministério do Meio Ambiente, IBAMA, Brasília, Brasi

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

SIMON, J. E. et al. As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)