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Urubu-rei
(Sarcoramphus papa)

Sarcorhamphus papa (Linnaeus, 1758)
Ordem: Cathartiformes
Família:Cathartidae
Nome em inglês: King Vulture
Tamanho: 71-81 cm de comprimento
Habitat:
Borda de matas e florestas
Alimentação: Carniça

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo Risco


Indivíduo adulto. Ribeirão Cascalheira/MT, Novembro de 2013.
Foto: Willian Menq

• Descrição: Mede 71-81 cm de comprimento, com envergadura de asas que pode chegar a 180 cm. Pesa em média 3.000 g (macho) e 3.700 g (fêmea) (Márquez et al. 2005), sendo o maior e o mais colorido urubu do Brasil. Adulto apresenta plumagem predominante branco, com cauda, primárias e parte das coberteiras pretas; pescoço e cabeça nua, toda colorida, com pescoço alaranjado ou vermelho; íris branca. O jovem apresenta colocaração preta até os seis meses de idade, após esse período começa a adquirir a plumagem branco amarelada do corpo; só as penas da cauda e as longas penas das asas continuam pretas. Demora de três a quatro anos para atingir a plumagem adulta. Em voo alto, adulto pode ser confundido com cabeça-seca (Mycteria americana), joão-velho (Ciconia maguari) e com o tachã (Chauna torquata), já o jovem pode ser confundido com urubus do gênero Cathartes e com a águia-cinzenta (Urubitinga coronata).

A denominação urubu-rei segue a tradução literal do nome científico. Onde Sarcoramphus papa lido em partes pode ser entendido como “O pai dos comedores de carne podre”; Sarco é carne, ramphus é podre e papa pode ser entendido como o pai, como o papa católico. Conhecido também como corvo-branco, urubu-real, urubu-branco, urubutinga, urubu-rubixá e iriburubixá (Antas, 2005; Sick, 1997).

• Alimentação: É estritamente carnívoro, mas nunca se alimenta de animais vivos, salvo se estiver faminto e a presa estiver agonizando (Antas, 2005). De modo geral, alimenta-se de carcaças de antas, capivaras, jacarés, e qualquer outro animal morto. Em áreas antropizadas e nas proximidades de fazendas, pode aparecer nos cadáveres de gado e outros animais de criação. É imune, aparentemente, ao botulismo, doença que ataca o homem e outras aves por ingestão de alimentos enlatados, como patê, contaminado pela bactéria Clostridium botulinum. As toxinas botulínicas são proteínas, constituindo-se nos mais potentes venenos conhecidos. Frequenta carniças com os outros urubus, onde devido a seu tamanho, deixa as outras espécies afastadas, parecendo ser o rei entre elas. Aparentemente, espera que os outros urubus encontrem a carniça através do cheiro ou da visão. Quando as espécies menores estão pousando para alimentar-se, esse comportamento denuncia a presença de carniça e o urubu-rei aproveita-se disso para chegar à fonte de alimentação (Antas, 2005; Sick, 1997).


Indivíduo adulto. Fazenda Barranco Alto – Pantanal, Aquidauana/MS. Maio de 2009.
Foto: Lucas Leuzinger

Indivíduo jovem adquirindo plumagem adulta. Faz. Bom Jesus - Monte Alegre do Sul/SP. Setembro de 2009. Foto: Luís Gonzaga Truzzi

Indivíduo adulto. Entorno do
PARNA Serra da Canastra - Sacramento/MG. Janeiro de 2012.
Foto:
João Sérgio Barros

• Reprodução: Nidifica no chão da mata, no meio de pedras ou em morros e montanhas. Coloca um único ovo com período de incubação que vai de 53 a 58 dias, com o casal revezando-se ou somente a fêmea incubando (Antas, 2005). No período de paradas nupciais, o macho corteja a fêmea empoleirado ou no solo, abrindo e fechando as asas e exibindo a vértice vivamente colorido para a fêmea, abaixando a cabeça.

• Distribuição Geográfica: Ocorre do sul do México até o norte da Argentina, incluindo todo o Brasil. (Sick, 1997).

• Status nas listas vermelhas estaduais: As populações do sul e sudeste brasileiro sofreram um declínio considerável devido à caça e perda de hábitat (Sick, 1997), figurando nas listas regionais em diferentes categorias de ameaça.

  Rio Grande do Sul: Criticamente em perigo (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Em perigo (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).

• Hábitos/Informações Gerais: Pode ser encontrado em florestas com clareiras (campos, pastagens), cerrado e bosques. É visto normalmente voando alto, sozinho ou aos pares, raramente em grupos de vários indivíduos. Pousa nas árvores mais altas da mata, onde costuma dormir. Quando está sobrevoando uma área, chama a atenção o contraste entre o negro da cauda e asas com o corpo todo branco do adulto (Antas, 2005; Sick, 1997; Ferguson-Lees & Christie, 2001).

Quando o urubu-rei está com a cabeça abaixada e um pouco inclinada pode ser interpretado como desconfiança, ou que está observando algo com atenção. Esta mesma posição da cabeça abaixada e um pouco inclinada é usada, pelo macho no cortejo do acasalamento. Uma maneira interessante que o urubu-rei e outros urubus tem de se refrescar (perder temperatura) é defecando nas próprias pernas, por isso não é difícil ver ele com as pernas esbranquiçadas. Na natureza tem poucos predadores naturais, mas, devido à baixa reprodutividade da espécie e à degradação do seu habitat, é uma espécie sensível aos impactos antrópicos.

Porque Urubu rei?: O urubu-rei recebe este nome por vários motivos, dentre eles, pela exuberante coloração, presente principalmente na cabeça e pelo seu forte bico que lhe proporciona ser o único urubu a conseguir a abrir as partes mais difíceis de seu alimento, como a carcaça de um animal grande. Frequenta carniça com outros urubus e assim que ele "abre" uma carcaça é seguido por outras aves necrófagas, que se aproveitam da carcaça já aberta para se alimentarem. E quando está se alimentando, por causa do tamanho, as outras espécies ficam afastadas aguardando terminar o banquete, dando a ele o aspecto de ser o rei entre os urubus (Antas, 2005).


Indivíduo adulto junto a um imaturo. Castilho/SP. Foto: Maciel Santana, Sérgio Paulo, Pedro Thiago e Kreyto Francisco

Indivíduo adulto planando
sobre o Parque da Ferradura.
Canela/RS, Julho de 2012.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Valparaíso/SP. Fazenda Jacarezinho - Oeste Paulista. Março de 2010.
Foto:
Oscar Farina Junior


Indivíduo adulto. Cristalino Lodge - Alta Floresta/MT. Junho de 2009. Foto:
Aditi Jain Chaves

Indivíduo Jovem. Monte Alegre do Sul/SP, Agosto de 2010.
Foto:
Elisa Torricelli

Indivíduo adulto planando sobre o Parque da Ferradura, Canela/RS.
Foto: Willian Menq


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2015. ::



Contato



• Referências:



Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN. Sesc.

Ferguson-Lees, J. & D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). (2003) Lista das espécies da fauna ameaçada de extinção. Instrução Normativa n. 3, de 27 de maio de 2003. Ministério do Meio Ambiente, IBAMA, Brasília, Brasi

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves rapaces diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Marques, A. A. B. et al . (2002) Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)

SICK, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Silveira, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Simon, J. E. et al. (2007) As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, p. 47-64.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)