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SOS AVES DE RAPINA
(Socorrendo filhotes abandonados, aves feridas, inquilinos no forro)

Filhotes abandonados (gaviões, corujas, falcões):
Na época de reprodução das aves é comum encontrar filhotes no chão ou em galhos baixos. E, infelizmente, muitas pessoas acabam recolhendo essas aves por equivocadamente acharem que estão abandonados. Na maioria das vezes, essas aves estão apenas aprendendo a voar e se aventurando nas redondezas da área do ninho e não está abandonado como parece. Geralmente o filhote está sendo observado pelos pais e continuará sendo alimentado por eles. Além disso, muitas aves jovens são capazes de subir de volta para sua árvore usando bicos e garras. Portanto, antes de recolher qualquer filhote, tenha em primeiro lugar, a certeza que a ave está precisando ser retirada daquele local.

O que fazer quando encontrar um filhote? Há situações em que realmente os filhotes estão abandonados, muitas vezes vítimas de chuvas ou ventos fortes, quedas de ninho, etc. Para evitar equívocos, você deve fazer um diagnóstico da situação:

1) Os pais estão por perto? Primeiro de tudo, tenha certeza que o filhote precisa ser ajudado. Tente encontrar seu ninho ou seus pais, se não achar o ninho mas perceber que os pais estão nas proximidades deixe a ave ali. Vale lembrar que, quando os filhotes estão maiores, apesar de não estarem totalmente aptos para o voo, não ficam mais nos ninhos, por isso o melhor a fazer é deixar que os pais os encontrem através de seus chamados/pios para continuar o ciclo. Se perceber que o filhote realmente está abandonado, leia o item 4.

2) O filhote está ferido? A ave possui uma fratura na asa, não consegue se movimentar, ou coisa do tipo? Se sim siga as dicas do item “Aves de Rapina feridas” nesta mesma página. Se o filhote não está ferido e os pais estão próximos, fique tranquilo! deixe a natureza seguir seu curso.

3) O Filhote está em um local seguro? A ave corre risco de ser atropelada por veículos, pessoas? ou capturada por cachorros? Se sim, coloque o filhote próximo ao antigo ninho, caso encontre, ou em arbusto próximo. E não se preocupe! os pais não vão abandoná-lo só porque você tocou nele.

4) Constatei que o filhote está abandonado!Caso tenha recolhido o filhote por ter constatado a impossibilidade de devolvê-los aos pais e ao seu ambiente natural, a ave deve ser imediatamente encaminhada aos órgãos competentes, como IBAMA, CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) e Centros de Zoonose.

5) Como cuidar/alimentar do filhote abandonado? Na impossibilidade de levar o filhote aos órgãos competentes, a pessoa deverá alimentá-lo imediatamente. Gaviões e corujas, em geral, se alimentam de insetos e pequenos vertebrados na natureza. Provisoriamente, eles podem ser alimentados com carne moída úmida com carbonato de cálcio em pó. O filhote não precisa de água, pois ele absorve a água do próprio alimento. Quando for preciso um atendimento prolongado é sugerido dar animais inteiros como ratos e insetos, para evitar carências vitamínicas e minerais. Evite "humanizar" a ave, pois um dos grandes problemas para a posterior soltura é o fato dos filhotes, alimentados por humanos, acabarem por ter suas características de comportamento alteradas. Uma das alternativas é o uso de fantoches ou caixas-ninho que impeçam a visualização do tratador pelos filhotes. E claro, lembre-se: criar aves silvestres sem autorização dos órgãos competentes é contra a lei, podendo ser enquadrado na Lei de crimes ambientais.


Aves de rapina machucadas/feridas
Se encontrar alguma ave de rapina ferida, a primeira medida é minimizar o estresse da ave, pois muitas vezes elas são mortas pelo estresse e não pelo ferimento. Se a ave não reagir quando se aproximar para socorrê-la, é provável que ela esteja em um estado muito grave de estresse. Não tente você mesmo fazer um diagnóstico da ave ferida, isso deve ser feito por um especialista.

Passos para socorrer a ave:
1° Passo: Com o máximo de cuidado, suavemente envolva a ave com um pano ou cobertor para mantê-la aquecida.

2° Passo: Coloque a ave em um local bem ventilado, pode coloca-la em uma caixa de papelão, não muito pequena que pode agravar mais ferimentos na ave. A caixa deve ser revestida com um pano ou jornal para mantê-lo aquecido. O voluntário deverá cuidá-lo da melhor maneira possível, de preferência, levando o animal a um médico-veterinário especialista em aves. Em situações de emergência os médicos-veterinários podem atender animais silvestres livres, mediante controle de entrada e saída de indivíduos atendidos e posterior encaminhamento aos órgãos competentes.

3° Passo: Evite alimentar, leve-a até um centro de reabilitação próximo, zoológico, contate o mais rápido possível algum órgão competente como o IBAMA, CETAS, Centro de Zoonose ou algum órgão ambiental de sua região. Outra coisa importante é você informar o local exato onde encontrou a ave, de modo que ela seja devolvida na natureza em seu próprio território.


Corujas nidificando no forro da casa, o que fazer?

Deparou-se com alguma coruja vivendo ou mesmo nidificando no forro de sua casa? Se isso não for te incomodar, divida o espaço com elas, as deixe vivendo em paz e a natureza seguir seu curso. Vale lembrar que elas estavam aqui bem antes da gente, portanto os invasores somos nós e não elas.

Caso por algum motivo precise fazer a retirada delas, olhe o abrigo e verifique se elas estão nidificando ou estão apenas usando o local como “dormitório”. Caso elas estejam apenas usando o lugar como abrigo, a solução é simples, vede as entradas do forro ou sótão. Se elas estiverem se reproduzindo aguarde o término do período reprodutivo (esperar os filhotes ficarem maiores) para então vedar o local. Com aproximadamente 7 semanas de vida os filhotes já estão aptos a voar. Não é recomendável fazer transferência do ninho durante o ciclo reprodutivo da ave, elas podem ficar muito estressadas e abandonar o ninho (mesmo com ovos ou crias). Mas se não for possível esperar, a solução é construir um ninho artificial de madeira, com uma abertura pequena na frente (semelhante a aqueles de papagaios só que maiores). Coloque o ninho em uma área próxima e deixe-o à pelo menos 3 metros de altura e transfira os filhotes.


Considerações Finais:
Lembre-se: um filhote recolhido e criado pelo ser humano, dificilmente poderá ter uma vida normal, uma vez que não aprenderá com os pais a caçar ou buscar alimentos, se proteger de predadores e, terá extrema dificuldade de readaptação ao ambiente em que ele vive. Além disso, é extremamente proibido a criação ilegal de aves de rapina, a guarda doméstica sem origem legal é proibida pela legislação brasileira, prevista no Decreto Federal N° 3.179.

Texto compilado por: Willian Menq em Novembro de 2011. ::