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Gavião-pato
(Spizaetus melanoleucus)

Spizaetus melanoleucus(Vieillot, 1816)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias-florestais
Nome popular: gavião-pato

Nome em inglês:
Black-and-white Hawk-eagle
Tamanho: 51-61 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Aves

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco

Indivíduo adulto predando uma ave. Puerto Maldonado, Peru. Maio de 2009. Foto: Grace Montalvan N.




Vocalização de chamado (C)- (gravado por: David Geale)

• Descrição: Mede de 51-61 cm de comprimento, peso de 750-850 g (Márquez et al. 2005; Bierregaard et al. 2013). Adulto apresenta o dorso preto; partes inferiores, cabeça e pescoço branco, além da cauda barrada. Possuí uma notável máscara preta que contrasta e destaca a íris amarela e um pequeno topete preto em forma de coroa. Indivíduo jovem é parecido com o adulto, com topete e máscara com pequenos pontilhados brancos (Phillips & Seminario, 2009). Assim como os outros rapinantes do gênero Spizaetus, seus tarsos são completamente emplumados (Sick 1997).

• Alimentação: Alimenta-se principalmente de aves como tucanos, papagaios, periquitos, maitacas e urus. Também preda, com menor frequência, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos (Sick 1997; Márquez et al, 2005). Brown & Amadon (1989) relatam ataques contra o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) e biguá (Phalacrocorax brasilianus). Costuma forragear sobrevoando florestas e áreas descampadas, podendo executar mergulhos na copa das árvores ou próximo ao solo para capturar suas presas.

Na Guiana Francesa, Thiollay (2007) relatou ataques frequentes do S. melanoleucus contra aves em árvores frutíferas. No Paraná, Menq (no prelo) relatou a captura de pequenos mamíferos em áreas semiabertas. O mesmo autor também observou a espécie forrageando sobre o dossel da mata, executando mergulhos, provavelmente na tentativa de capturar presas.

Indivíduo adulto predando uma ave. Puerto Maldonado, Peru. Maio 2009. Foto: Grace Montalvan

Tentativa de caça contra um bando de Aratinga aurea. Itacaré/BA. Maio 2010 Foto:
Leonardo Patrial

• Reprodução: Constrói o ninho com gravetos e ramos secos no alto de árvores emergentes. Os ninhos são grandes, podendo chegar até 1 m de diâmetro, os filhotes ficam dependentes dos pais por mais de um ano, não se afastando do ninho durante este período (Phillips & Seminario, 2009). Canuto (2008) encontrou um ninho no Parque Estadual do Rio Doce/MG. O ninho estava situado no alto de uma árvore emergente a cerca de 37 m do solo, e contava com um único filhote.

• Distribuição geográfica: Neotropical, ocorre desde o México até Argentina, incluindo todo o Brasil (exceto região nordeste e pampas gaúchos).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Em perigo (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Em perigo (Rio Grande do Sul, 2014).
  São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Em perigo (Drummond et al. 2008).
  Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al. 2007).
  Santa Catarina: Em Perigo (Ignis 2008).

• Hábitos/Informações gerais: Habita florestas, clareiras e bordas de matas, matas de galeria e porções mais arbóreas do Cerrado, parece preferir áreas semiabertas com mosaicos de florestas altas e campos ou cerados, ocorrendo também ao longo de rios (Bierregaard et al. 2013). Vive solitário ou em pares, costuma voar alto planando por longas horas, especialmente entre 9 e 12 h, podendo passar despercebido por um observador (Menq, no prelo). Thiollay (1989) sugere que numa área de 10.000 ha, no Suriname, possam ser encontrados até sete indivíduos.

• Conservação: Segundo a Birlife Internacional (2009), não encontra-se globalmente ameaçado, com população global estimada em 10.000-100.000 indivíduos. No Brasil encontra-se ameaçado de extinção na maioria dos estados sob domínio da Mata Atlântica, devido a desfragmentação e descaracterização do hábitat. Também pode-se mencionar que ataques fortuitos deste rapineiro a animais de criação acabam por estimular abates, os quais, ainda que pontuais, colaboram com o declínio desta espécie (Mikich & Bernils, 2004; ICMBio, 2008).

 


Indivíduo adulto no Centro de Resgate e Reabilitação Guira Oga. Missiones/Argentina
Foto:
Aldo Fabrício S. Mancini

Indivíduo adulto próximo ao Parque Estadual do Turvo, Derrubadas, RS. Junho de 2010.
Foto:
Dante Meller

Casal em voo na RPPN Serra Bonita/Instituto Uiraçu
Sudeste da Bahia.
Foto:
Pedro Figueiredo


Indivíduo adulto próximo ao Parque Estadual do Turvo, Derrubadas, RS. Jun 2010 Foto:
Dante Meller

Indivíduo adulto em voo.
Capanema/PR. Jan de 2015.
Foto:
Andre J. Pieri

Indivíduo adulto sendo acuado por araras vermelhas. Buraco das Araras/MS. Foto:
Marcos Violante



:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2015. ::




Contato




• Referências:

Bierregaard, R.O., Jr, Sharpe, C.J. & Boesman, P. (2013). Black-and-white Hawk-eagle (Spizaetus melanoleucus). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2013). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from http://www.hbw.com/node/53172 on 7 May 2015).

BirdLife International (2009) Species factsheet: Spizaetus melanoleucus. Downloaded from http://www.birdlife.org on 13/10/2009.

Brown, L., & D. Amadon. (1989) Eagles hawks and falcons of the wor1d. The Wellfleet Press, New Jersey, USA.

Canuto, M. (2008). First description of the nest of the black-and-white hawk eagle (Spizaetus melanoleucus) in the Brazilian Atlantic Rainforest, southeast Brazil. Neotropical Ornithology 19: 607-610.

CBRO - Comitê Brasileiro de Registro Ornitolológicos (2008) Lista Primária das aves do brasil. <www.cbro.org.br > Acesso em Agosto de 2008.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

GRIN - Global Raptor Information Network (2010) Species account: Black-and-white Hawk-eagle Spizaetus melanoleucus.

Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.

Phillips. R.; Seminario, Y. (2009) Caracterização da idade em Spizaetus melanoleucus: Primeira documentação fotográfica. Neotropical Raptor Network (NRN). Boletim #8. Dez.

Santos,Willian Menq & Copatti, Jean F. (2009) Registro documentado de Spizaetus melanoleucus na reserva biológica das perobas, Paraná. Atualidades Ornitológicas nº 151, p 18-19.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira. RJ.

Thiollay, J. M. (1989) Area requirements for the conservation of raiforest and game birds in French Guiana. Cons. Biol. 3:128-137.

Thiollay, J.-M. 2007. Raptor communities in French Guiana: distribution, habitat selection, and conservation. Journal of Raptor Research 41:90-105.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Menq, W. (no prelo). Registros e comportamentos de caça do gavião-pato (Spizaetus melanoleucus) no Estado do Paraná.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap.

Rio Grande do Sul (2014) Táxons da fauna silvestre do Estado Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção. Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014. (publicado no DOE n.º 173, de 09 de setembro de 2014).

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

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