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Gavião-pato Spizaetus melanoleucus (Vieillot, 1816)
Ordem: Accipitriformes | Família: Accipitridae | Monotípica


Indivíduo adulto. Figueirópolis/TO. Foto: Willian Menq

Rapinante florestal belo e poderoso. Ocorre em grande parte do Brasil, pode ser encontrado em florestas, borda de matas e cerradões, costuma planar alto nas horas mais quentes da manhã. É um especialista na captura de aves, caça desde tucanos, papagaios, maitacas até urus. Também chamado de apacanim e apacanim-branco.


Descrição:
Mede de 51-61 cm de comprimento, peso de 750-850 g (Márquez et al. 2005; Bierregaard et al. 2013). Adulto apresenta o dorso preto, partes inferiores, cabeça e pescoço branco, além da cauda barrada. Possuí uma notável máscara preta que contrasta e destaca a íris amarela, além de um pequeno topete preto em forma de coroa. Indivíduo jovem é parecido com o adulto, com topete e máscara com pequenos pontilhados brancos. Assim como os outros rapinantes do gênero Spizaetus, seus tarsos são completamente emplumados, característica que serve para diferenciá-lo de outros rapinantes de colorações parecidas.

Dieta e comportamento de caça: Alimenta-se principalmente de aves como tucanos, papagaios, periquitos, maitacas e urus. Também preda, com menor frequência, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos. Brown & Amadon (1989) relatam ataques contra o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) e biguá (Phalacrocorax brasilianus). Costuma forragear sobrevoando florestas e áreas descampadas, podendo executar mergulhos na copa das árvores ou próximo ao solo para capturar suas presas.

Na Guiana Francesa, Thiollay (2007) relatou ataques frequentes do S. melanoleucus contra aves em árvores frutíferas. No Paraná, Menq (2015) relatou a captura de pequenos mamíferos em áreas semiabertas. O mesmo autor também observou a espécie forrageando sobre o dossel da mata, executando mergulhos, provavelmente na tentativa de capturar presas (Menq 2015).

Reprodução: Constrói o ninho com gravetos e ramos secos no alto de árvores emergentes. Os ninhos são grandes, podendo chegar até 1 m de diâmetro, os filhotes ficam dependentes dos pais por mais de um ano, não se afastando do ninho durante este período (Phillips & Seminario, 2009). Canuto (2008) encontrou um ninho no Parque Estadual do Rio Doce/MG. O ninho estava situado no alto de uma árvore emergente a cerca de 37 m do solo, e contava com um único filhote.

Distribuição Geográfica: Neotropical, ocorre desde o México até Argentina, incluindo todo o Brasil (exceto região nordeste e pampas gaúchos).

Habitat e comportamento: Habita florestas, clareiras e bordas de matas, matas de galeria e porções mais arbóreas do cerrado, parece preferir áreas semiabertas com mosaicos de florestas altas e campos ou cerrados para forragear. Vive solitário ou em pares, costuma voar alto planando por longas horas, especialmente nas horas mais quentes da manhã (entre 9 e 12 h), podendo passar despercebido por um observador (Menq & Delariva 2015). Thiollay (1989) sugere que numa área de 10.000 ha, no Suriname, possam ser encontrados até sete indivíduos.



Indivíduo adulto. Figueirópolis/TO. Foto: Willian Menq

Movimentos: Espécie residente.

Conservação: Segundo a Birlife Internacional (2009), não encontra-se globalmente ameaçado, com população global estimada em 10.000 a 100.000 indivíduos. No Brasil encontra-se ameaçado de extinção na maioria dos estados sob domínio da Mata Atlântica, devido a desfragmentação e descaracterização do hábitat (Mikich & Bernils, 2004; ICMBio, 2008).

 

 

:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2018. ::

 


Referências:

Bierregaard, R.O., Jr, Sharpe, C.J. & Boesman, P. (2013). Black-and-white Hawk-eagle (Spizaetus melanoleucus). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2013). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retrieved from http://www.hbw.com/node/53172 on 7 May 2015).

Canuto, M.; Zorzin, G.; Carvalho-Filho, E. P. M.; Carvalho, C. E. A.; Carvalho, G. D. M. & C. E. R. T. Benfica (2012) Conservation, management and expansion of protected and non-protected tropical forest remnants through population density estimation, ecology, and natural history of top predtors; case studies in birds of prey (Spizaetus taxon). pp. 359-388 in Dr. P. Sudarshana (ed.), Tropical Forests. InTech.

Canuto, M. (2008). First description of the nest of the Black-and-white hawk eagle (Spizaetus melanoleucus) in the Brazilian Atlantic Rainforest, southeast Brazil. Neotropical Ornithology 19: 607-610.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Menq, W. (2015). Observações comportamentais do gavião-pato Spizaetus melanoleucus (Accipitriformes, Accipitridae) no Estado do Paraná, Brasil. Arquivos de Ciencias Veterinárias e Zoologia da UNIPAR. 18(3): 175-178.

Menq, W., & Delariva, R. (2015). Aves de rapina (Cathartiformes, Accipitriformes, Strigiformes e Falconiformes) na Reserva Biológica das Perobas, Paraná, Brasil, e seu entorno. Biotemas. v. 28(4): 145-154.

Phillips. R.; Seminario, Y. (2009) Caracterização da idade em Spizaetus melanoleucus: Primeira documentação fotográfica. Neotropical Raptor Network (NRN). Boletim #8. Dez.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira. RJ.

Thiollay, J.-M. 2007. Raptor communities in French Guiana: distribution, habitat selection, and conservation. Journal of Raptor Research 41:90-105.


Site associado:
Global Raptor Information Network

 

 

Citação recomendada:

Menq, W. (2018) Gavião-pato (Spizaetus melanoleucus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/spizaetus_melanoleucus.htm > Acesso em: .




 
 

Distribuição Geográfica:

Status: (LC) Baixo risco

Canto - (gravado por: Willian Menq)
By: xeno-canto.




Indivíduo adulto.
Camacan/BA, Nov. de 2013.
Foto:
Pedro Ávila
 

Indivíduo adulto.
Laranja da Terra/ES, Set. 2016.
Foto:
Hudson Martins
 

Indivíduo jovem.
Derrubadas/RS, Fev. 2015.
Foto:
Dante Meller
 

Indivíduo adulto.
Caraguatatuba/SP, Jun 2015.
Foto: Willian Menq
 

Casal adulto no ninho.
Laranja da Terra/ES, Jul. 2016.
Foto:
Gustavo Magnago
 

Indivíduo predando uma ave.
Puerto Maldonado/Peru. Mai. 2009.
Foto:
Grace Montalvan N.
 

Indivíduo adulto.
Porangatu/GO, Nov de 2017.
Foto: Julian Stocker
 

Indivíduo adulto.
Laranja da Terra/ES, Ago. 2016.
Foto: Mel Simas
 

Tentativa de caça contra um bando
de Aratinga aurea. Itacaré/BA.
Foto:
Leonardo Patrial
 

Indivíduo adulto.
Vitória do Xingu/PA, Ago. 2015.
Foto:
Fernanda dos Santos