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Gavião-pato
(Spizaetus melanoleucus)

Spizaetus melanoleucus(Vieillot, 1816)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias-florestais
Nome popular: gavião-pato

Nome em inglês:
Black-and-white-hawk-eagle
Tamanho: 51-61 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Aves

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco

Gavião-pato predando uma ave. Floresta de Puerto Maldonado no Peru. 26 de Maio de 2009. Foto: Grace Montalvan N.


Vocalização de chamado (C)- (gravado por: David Geale)

• Descrição: O gavião-pato, categorizado como uma águia-florestal mede de 51 a 61 cm, com envergadura de até 117 cm, pesa entre 700g a 800g sendo o menor dos Spizaetus brasileiros (Márquez et al, 2005; Mikich & Bérnils, 2004). Apresenta plumagem branca na cabeça, nuca, região superior do dorso e toda a parte inferior. O dorso e as asas são cinza escuros, quase negros. No alto da cabeça há um diminuto topete preto em forma de coroa e esta espécie apresenta ainda uma máscara preta que contrasta e destaca a íris amarela, enquanto os tarsos são completamente emplumados (Sick, 1997). Dentre as principais diferenças dos indivíduos jovens e adultos, é que nos adultos, a crista negra cobre completamente a parte superior da cabeça, dando a aparência de uma coroa ou boné, enquanto nas aves jovens há apenas uma crista incompleta com uma porção de penas negras pontilhadas com branc, quando nos referimos a jovens estamos falando de plumagem juvenil de primeiro ano (Phillips & Seminario, 2009).

• Alimentação: Captura principalmente aves: tucanos, papagaios, periquitos, baitacas e urus ( Brown & Amadon, 1989), descreve um ataque deste predador sobre o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) e biguás (Phalacrocorax brasilianus). Também se alimenta de répteis, anfíbios e mamíferos pequenos - no Peru foram observados ataques deste gavião sobre grupos de macacos-prego (Cebus), mas não há confirmações de que se alimente destes primatas (Sick, 1997; Márquez et al, 2005; Mikich & Bérnils, 2004). Thiollay (2007) relatou ataques frequentes do gavião-pato contra aves em árvores frutíferas na Guiana Francesa.

Spizaetus melanoleucus alimentando-se de uma ave. Floresta de Puerto Maldonado no Peru. Maio 2009 Foto: Grace Montalvan

Tentativa de caça do Spizaetus melanoleucus contra um bando de Aratinga aurea. Itacaré/BA. Maio 2010 Foto:
Leonardo Patrial

• Reprodução: Sua biologia reprodutiva é pouco conhecida. Constrói o ninho no alto das árvores emergentes podendo seu ninho chegar a 1 m de diâmetro. Os filhotes obtém a plumagem de adulto ao término da primeira muda com um ano de idade (Howell e Webb, 1995). Assim como outros rapinantes semelhantes os jovens desta espécie são dependentes dos adultos até um mínimo de um ano de idade, não se afastando do ninho durante este período (Phillips & Seminario, 2009).

Canuto (2008) relatou um ninho desta espécie em setembro de 2006 no Parque Estadual do Rio Doce, em Minas Gerais. O ninho estava situado em uma árvore em meio a floresta a cerca de 37 metros do solo. Antes de encontrar o ninho, foi visto em 21 de julho do mesmo ano, durante a estação seca, um casal de gaviões-pato voando a baixa altura junto a cinco urubus (C.atratus) na borda da floresta a aproximadamente 900 m do então desconhecido ninho. Os gaviões realizam vôos pré-nupciais (em um momento um individuo mergulhou sobre o outro no céu sem tocá-lo) e vocalizações típicas, o mesmo comportamento foi visualizado no dia 23 de julho a 14 km do local da primeira observação. Neste segundo encontro, o casal voava alto e faziam diversos voos acrobáticos, um mergulhando sobre o outro. Em 29 de Setembro de 2006, foi constatado a presença de um filhote no ninho. O Parque Estadual do Rio Doce, sem dúvida é um local importante para a conservação desta espécie, já que abriga uma grande diversidade de animais, presas potenciais para o gavião-pato, e sítios de reprodução (Canuto, 2008).

• Distribuição geográfica e Registros recentes: Ocorre na região neotropical, tem uma ampla, embora descontínua, distribuição, ocorrendo desde o México à Argentina, é considerado escasso na maioria dos locais de ocorrência (Ferguson-Lees e Christie 2001). De acordo com a Birdlife International (2009) das três espécies brasileiras do gênero Spizaetus, o gavião-pato tem a mais reduzida área de distribuição e é considerado o mais raro (Phillips & Seminario, 2009).

No Brasil, também possui ocorrência esparsa, ocorre nos estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Sick, 1997; Mikich & Bérnils, 2004). Mais sobre registros recentes...

• Status nas listas vermelhas estaduais: Este espécie encontra-se ameaçada de extinção em diversos estados brasileiros, pois necessita de grandes áreas preservadas para sobreviver, o que não é comum. Provavelmente é alvo de caçadores e proprietários rurais, que costumam considerá-lo uma ameaça para as criações domésticas.

  Paraná: Em perigo (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Criticamente em perigo (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Em perigo (Drummond et al. 2008).
  Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Em Perigo (Ignis, 2008).

• Hábitos/Informações gerais: O Gavião-pato não é migratório, mas os indivíduos jovens se dispersam a partir das áreas de reprodução. É encontrado em clareiras e bordas de florestas primárias e secundárias, matas de galeria e porções mais arbóreas do Cerrado, habita também florestas e campos perto de rios (GRIN, 2010). Tem hábito diurno, vive solitário ou em pares e algumas descrições sugerem que costuma voar alto, mergulhando como um falcão sobre suas presas. Freqüentemente é encontrado pousado no alto de grandes árvores ou planando durante longas horas a procura de suas presas. Thiollay (1989) sugere que numa área de 10.000 ha, no Suriname, possam ser encontrados até sete indivíduos. De acordo com as ultimas pesquisas e revisões sistemáticas, esta espécie passou a ser do gênero "Spizaetus" antes pertencente ao gênero "Spizastur" (CBRO, 2008).

• Video da espécie: Cena gravada por Willian Menq (Junho/2009) em Tuneiras do Oeste - PR, do Spizaetus melanoleucus sendo acuado por um Falco sparverius (Falcão quiriquiri) no alto de uma velha peroba na Reserva Biológica das Perobas. .:: Clique aqui para assistir o video ::.


Gavião-pato no Centro de Resgate e Reabilitação Guira Oga. Missiones/Argentina
Foto:
Aldo Fabrício S. Mancini

Gavião-pato em fragmento de floresta próximo ao Parque Estadual do Turvo, Derrubadas, RS. Jun 2010 Foto:
Dante Meller

Casal em voo na RPPN Serra Bonita/Instituto Uiraçu
Sudeste da Bahia.
Foto:
Pedro Figueiredo


Gavião-pato em fragmento de floresta próximo ao Parque Estadual do Turvo, Derrubadas, RS. Jun 2010 Foto:
Dante Meller

Gavião-pato vocalizando.
Zoológico da UFMT, Cuiabá/MT.
Junho de 2011.
Foto: Willian Menq

Gavião-pato sendo acuado por araras vermelhas. Buraco das Araras/MS. Foto:
Marcos Violante
(guia no pantanal)

:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::



Contato



• Referências:

BirdLife International (2009) Species factsheet: Spizaetus melanoleucus. Downloaded from http://www.birdlife.org on 13/10/2009.

Brown, L., and D. Amadon. (1989) Eagles hawks and falcons of the wor1d. The Wellfleet Press, New Jersey, USA.

Canuto, M. (2008). First description of the nest of the black-and-white hawk eagle (Spizaetus melanoleucus) in the Brazilian Atlantic Rainforest, southeast Brazil. Neotropical Ornithology 19: 607-610.

CBRO - Comitê Brasileiro de Registro Ornitolológicos (2008) Lista Primária das aves do brasil. <www.cbro.org.br > Acesso em Agosto de 2008.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

GRIN - Global Raptor Information Network (2010) Species account: Black-and-white Hawk-eagle Spizaetus melanoleucus.

Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.

Phillips. R.; Seminario, Y. (2009) Caracterização da idade em Spizaetus melanoleucus: Primeira documentação fotográfica. Neotropical Raptor Network (NRN). Boletim #8. Dez.

Santos,Willian Menq & Copatti, Jean F. (2009) Registro documentado de Spizaetus melanoleucus na reserva biológica das perobas, Paraná. Atualidades Ornitológicas nº 151, p 18-19.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira. RJ.

Thiollay, J. M. (1989) Area requirements for the conservation of raiforest and game birds in French Guiana. Cons. Biol. 3:128-137.

Thiollay, J.-M. 2007. Raptor communities in French Guiana: distribution, habitat selection, and conservation. Journal of Raptor Research 41:90-105.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

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