• Descrição: O gavião-pato, categorizado como uma águia-florestal mede de 51 a 61 cm, com envergadura de até 117 cm, pesa entre 700g a 800g sendo o menor dos Spizaetus brasileiros (Márquez et al, 2005; Mikich & Bérnils, 2004). Apresenta plumagem branca na cabeça, nuca, região superior do dorso e toda a parte inferior. O dorso e as asas são cinza escuros, quase negros. No alto da cabeça há um diminuto topete preto em forma de coroa e esta espécie apresenta ainda uma máscara preta que contrasta e destaca a íris amarela, enquanto os tarsos são completamente emplumados (Sick, 1997). Dentre as principais diferenças dos individuos jovens e adultos, é que nos adultos, a crista negra cobre completamente a parte superior da cabeça, dando a aparência de uma coroa ou boné, enquanto nas aves jovens há apenas uma crista incompleta com uma porção de penas negras pontilhadas com branc, quando nos referimos a jovens estamos falando de plumagem juvenil de primeiro ano (Phillips & Seminario, 2009).
• Alimentação: Captura principalmente aves: tucanos, papagaios, periquitos, baitacas e urus ( Brown & Amadon, 1989), descreve um ataque deste predador sobre o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) e biguás (Phalacrocorax brasilianus). Também se alimenta de répteis, anfíbios e mamíferos pequenos - no Peru foram observados ataques deste gavião sobre grupos de macacos-prego (Cebus), mas não há confirmações de que se alimente destes primatas (Sick, 1997; Márquez et al, 2005; Mikich & Bérnils, 2004). Thiollay (2007) relatou ataques frequentes do gavião-pato contra aves em árvores frutíferas na Guiana Francesa.
Spizaetus melanoleucus alimentando-se de uma ave. Floresta de Puerto Maldonado no Peru. Maio 2009
Foto: Grace Montalvan |

Tentativa de caça do Spizaetus melanoleucus contra um bando de Aratinga aurea. Itacaré/BA. Maio 2010
Foto: Leonardo Patrial |
• Reprodução: Sua biologia reprodutiva é pouco conhecida. Constrói o ninho no alto das árvores emergentes podendo seu ninho chegar a 1 m de diâmetro. Os filhotes obtém a plumagem de adulto ao término da primeira muda com um ano de idade (Howell e Webb, 1995). Assim como outros rapinantes semelhantes os jovens desta espécie são dependentes dos adultos até um mínimo de um ano de idade, não se afastando do ninho durante este período (Phillips & Seminario, 2009).
Canuto (2008) relatou um ninho desta espécie em setembro de 2006 no Parque Estadual do Rio Doce, em Minas Gerais. O ninho estava situado em uma árvore em meio a floresta a cerca de 37 metros do solo. Antes de encontrar o ninho, foi visto em 21 de julho do mesmo ano, durante a estação seca, um casal de gaviões-pato voando a baixa altura junto a cinco urubus (C.atratus) na borda da floresta a aproximadamente 900 m do então desconhecido ninho. Os gaviões realizam vôos pré-nupciais (em um momento um individuo mergulhou sobre o outro no céu sem tocá-lo) e vocalizações típicas, o mesmo comportamento foi visualizado no dia 23 de julho a 14 km do local da primeira observação. Neste segundo encontro, o casal voava alto e faziam diversos voos acrobáticos, um mergulhando sobre o outro. Em 29 de Setembro de 2006, foi constatado a presença de um filhote no ninho. O Parque Estadual do Rio Doce, sem dúvida é um local importante para a conservação desta espécie, já que abriga uma grande diversidade de animais, presas potenciais para o gavião-pato, e sítos de reprodução (Canuto, 2008).
• Distribuição geográfica e Registros recentes: Ocorre na região neotropical, tem uma ampla, embora descontínua, distribuição, ocorrendo desde o México à Argentina, é considerado escasso na maioria dos locais de ocorrência (Ferguson-Lees e Christie 2001). De acordo com a Birdlife International (2009) das três espécies brasileiras do gênero Spizaetus, o gavião-pato tem a mais reduzida área de distribuição e é considerado o mais raro (Phillips & Seminario, 2009).
No Brasil, também possui ocorrência esparsa, ocorre nos estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Sick, 1997; Mikich & Bérnils, 2004). Mais sobre registros recentes...
• Status nas listas vermelhas estaduais: Este espécie encontra-se ameaçada de extinção em diversos estados brasileiros, pois necessita de grandes áreas preservadas para sobreviver, o que não é comum. Provavelmente é alvo de caçadores e proprietários rurais, que costumam considerá-lo uma ameaça para as criações domésticas.
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Paraná: Em perigo (Mikich & Bérnils, 2004). |
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Rio Grande do Sul: Criticamente em perigo (Marques, et al. 2002).
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São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009). |
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Minas Gerais: Em perigo (Drummond et al. 2008). |
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Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000). |
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Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).
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• Hábitos/Informações gerais: O Gavião-pato não é migratório, mas os individuos jovens se dispersam a partir das áreas de reprodução. É encontrado em clareiras e bordas de florestas primárias e secundárias, matas de galeria e porções mais arbóreas do Cerrado, habita também florestas e campos perto de rios (GRIN, 2010). Tem hábito diurno, vive solitário ou em pares e algumas descrições sugerem que costuma voar alto, mergulhando como um falcão sobre suas presas. Freqüentemente é encontrado pousado no alto de grandes árvores ou planando durante longas horas a procura de suas presas. Thiollay (1989) sugere que numa área de 10.000 ha, no Suriname, possam ser encontrados até sete indivíduos. De acordo com as ultimas pesquisas e revisões sistemáticas, esta espécie passou a ser do gênero "Spizaetus" antes pertencente ao gênero "Spizastur" (CBRO, 2008).
• Video da espécie: Cena gravada por Willian Menq (Junho/2009) em Tuneiras do Oeste - PR, do Spizaetus melanoleucus sendo acuado por um Falco sparverius (Falcão quiriquiri) no alto de uma velha peroba na Reserva Biológica das Perobas. .:: Clique aqui para assistir o video ::.

Gavião-pato no Centro de Resgate e Reabilitação Guira Oga. Missiones/Argentina
Foto: Aldo Fabrício S. Mancini |

Gavião-pato em fragmento de floresta próximo ao Parque Estadual do Turvo, Derrubadas, RS. Jun 2010
Foto: Dante Meller |

Gavião-pato em fragmento de floresta próximo ao Parque Estadual do Turvo, Derrubadas, RS. Jun 2010
Foto: Dante Meller |

Casal em voo na Rppn Serra Bonita/Instituto Uiraçu/Sudeste da Bahia.
Foto: Pedro Figueiredo |

Gavião-pato sendo acuado por araras vermelhas. Buraco das Araras/MS, Ago 2009.
Foto: Marcos Violante (guia no pantanal)  |

Spizaetus melanoleucus pousado no alto de uma peroba. Reserva Biológica das Perobas/PR,
Junho 2009.
Foto: Willian Menq S. |
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
BirdLife International (2009) Species factsheet: Spizaetus melanoleucus. Downloaded from http://www.birdlife.org on 13/10/2009.
Brown, L., and D. Amadon. (1989) Eagles hawks and falcons of the wor1d. The Wellfleet Press, New Jersey, USA.
Canuto, M. (2008). First description of the nest of the black-and-white hawk eagle (Spizaetus melanoleucus) in the Brazilian Atlantic Rainforest, southeast Brazil. Neotropical Ornithology 19: 607-610.
CBRO - Comitê Brasileiro de Registro Ornitolológicos (2008) Lista Primária das aves do brasil. <www.cbro.org.br > Acesso em Agosto de 2008.
Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.
GRIN - Global Raptor Information Network (2010) Species account: Black-and-white Hawk-eagle Spizaetus melanoleucus.
Phillips. R.; Seminario, Y. (2009) Caracterização da idade em Spizaetus melanoleucus: Primeira documentação fotográfica. Neotropical Raptor Network (NRN). Boletim #8. Dez.
Santos,Willian Menq & Copatti, Jean F. (2009) Registro documentado de Spizaetus melanoleucus na reserva biológica das perobas, Paraná. Atualidades Ornitológicas nº 151, p 18-19.
Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira. RJ.
Thiollay, J. M. (1989) Area requirements for the conservation of raiforest and game birds in French Guiana. Cons. Biol. 3:128-137.
Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap.
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