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Gavião-de-penacho
(Spizaetus ornatus)

Spizaetus ornatus (Daudin, 1800)
Ordem: Falconiformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias-florestais
Outros Nomes: Gavião-de-penacho
Nome em inglês: Ornate-hawk-eagle
Tamanho: 58-67 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Aves e médios mamíferos


Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Gavião-de-penacho. Guira Oga, Misiones - ARG, Out 2008.
Foto:
Ramón Moller Jensen


Vocalização de chamado (B) - adulto na área do ninho
(gravado por: Sidnei de Melo)

• Descrição: O gavião-de-penacho mede de 58 a 67 cm de comprimenteo, com uma envergadura de asas de até 140 cm (Fergunson-Lee e Christie, 2001; Sick, 1997). Os machos podem pesar cerca de 1 kg e as fêmeas chegam a atingir 1,5 kg, havendo uma diferença de tamanho entre os sexos, sendo a fêmea maior que o macho. Na cabeça possui um conjunto de penas que medem até 10 cm, formando um penacho preto. As laterais da cabeça, nuca e peito são castanho-avermelhadas, com a garganta, o ventre e os flancos brancos, estes apresentando barras irregulares negras. O dorso e as asas são marrom-pardacentos, quase negros. Seus tarsos são completamente emplumados e sua cauda longa apresenta três barras cinza-pardacentas. O jovem abandona o ninho com plumagem toda branca, apenas com os flancos e os tarsos barrados. O castanho do pescoço e as demais características da plumagem adulta surgem com as mudas consecutivas (Fergunson-Lee e Christie, 2001; Sick, 1997). A espécie recebe esse nome devido ao notável penacho que se ergue verticalmente no topo da cabeça. Embora chamado de gavião no Brasil, o gênero Spizaetus pertence às aves de rapina conhecidas como águias-florestais (Hawk-eagles), esse grupo possui asas largas, curtas, cauda longa, silhueta adaptada a vôo ágil e boa manobridade em meio à floresta. Conhecido também como Apacanim e Águi-de-tufo.


Indivíduo jovem de gavião-de-penacho. Belize, Março 2005
Foto:
© Kent Nickell

• Alimentação: Caça preferencialmente aves e pequenos mamíferos, tendo uma dieta diversificada, com variações locais. Alimenta-se de várias espécies de aves, como araras (Ara), papagaios (Amazona), baitacas (Pionus), tucanos (Ramphastos), cracídeos (Penelope, Ortalis e Crax), macucos (Tinamus), inhambus (Crypturellus), urus (Odontophorus) e pombas (Columba e Leptotila). Depois das aves, são os mamíferos as presas mais freqüentes: gambás (Didelphis), serelepes (Sciurus), quatis (Nasua) e porcos-espinho (Coendou). Répteis, como grandes lagartos (Tupinambis), são capturados em menor número. Ele costuma também seguir formigas de correição para capturar animais espantados por elas. Mais sobre alimentação...

• Reprodução: Realiza vôos de acasalamento um ou dois meses antes do início da postura dos ovos, quando a fêmea permanece em poleiros nas proximidades do ninho, construído no topo de árvores emergentes com alturas que variam de 16 a 30 metros. No Brasil, a época reprodutiva se inicia em agosto com os trabalhos de retoque do ninho. O ninho é construído na bifurcação primária ou secundária de grandes árvores, é uma imensa plataforma de galhos secos que ultrapassam 1 metro de comprimento e largura. A postura é de único ovo, sendo incubado durante 48 a 51 dias. A fêmea fica responsável pela incubação no ninho sendo alimentada pelo macho, como acontece com as outras espécies do gênero e outras águias de grande porte. O filhote abandona o ninho com mais de 80 dias, mas permanece no sítio reprodutivo e dependendo dos pais por, cerca de 15 meses, fazendo com que haja um intervalo de pelo menos dois anos entre uma reprodução e outra.


Spizaetus ornatus no ninho alimentando filhote. Serra do Maracaju, MS. 2006.
Foto:
Daniel De Granville | Photo in Natura

• Distribuição Geográfica: O gavião-de-penacho originalmente estava presente em quase todo o Brasil e também do México ao norte da Argentina. No Brasil, a espécie ocorria virtualmente em quase todos os Estados, mas devido à perda do hábitat, tornou-se raro fora da região amazônica, com escassos registros nas demais regiões do Brasil (Sick & Teixeira 1979, Sick 1997).
Registros recentes no Brasil...

• Subespécies: São reconhecidas duas subspécies do gavião-de-penacho, Spizaetus ornatus vicarius: a partir do sudeste do México até o oeste da Colômbia e Equador.  Spizaetus ornatus ornatus: a leste, da Colômbia até as Guianas e Trinidad e, ao sul, a leste do Equador, nordeste do Peru, norte e leste da Bolívia e Brasil até o Paraguai e norte da Argentina.

• Hábitos/Informações Gerais: Esta espécie habita as mais distintas variações das florestas equatoriais e tropicais úmidas e estacionais e, no cerrado, pode ser observado em matas de galeria e matas ciliares preservadas, situadas até 9.000 m acima do nível do mar. Foi registrado no sul do México e Belize esta espécie habitando florestas de Pinus (GRIN, 2010). Aparentemente caça dentro da mata, usando poleiros altos para observar a passagem de possíveis presas. Assim como a harpia (Harpia harpyja), esta espécie tem grande apelo popular, não apenas pelo porte e coloração atraentes, mas especialmente por ser um exemplo destacado dos processos de extinção aos quais foram submetidas às aves peculiares.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Em perigo (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Provavelmente extinto (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Em perigo (Drummond et al. 2008).
  Rio de Janeiro: Em perigo (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Criticamente em Perigo (Simon et al, 2007).

• Ameaças e conservação: Infelizmente, o gavião-de-penacho da mesma maneira que outros rapinantes brasileiros é hoje considerado uma espécie rara em função da falta de florestas preservadas, da matança indiscriminada de aves de rapina e do tráfico de aves selvagens. Além disso, outra ameaça vem sendo o tráfico de filhotes, geralmente para o exterior, uma vez que é muito valorizado em outros países, para o uso em falcoaria.

O S. ornatus já foi considerado provavelmente extinto no Rio Grande do Sul (Bencke et al. 2003), mas nos últimos anos ele vem sido registrado no estado provando sua existência no estado (Mendonça-Lima, 2006). É considerado raro em Santa Catarina (Rosário 1996), nas demais regiões do Brasil, o gavião-de-penacho é considerado ameaçado ou provavelmente extinto em todos os estados que possuem estudos elaborados (listas ou livros vermelhos) sobre o status das espécies ocorrentes em seus territórios (Machado et al. 1998, São Paulo 1998, Bergallo et al. 2000, Mikich e Bérnils 2004, Espírito Santo 2005). Por possuir populações consideráveis na região amazônica e ter uma extensa distribuição geográfica nas Américas, esta espécie não figura na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção. No entanto, o gavião-de-penacho enfrenta problemas de conservação em todos os estados do sudeste e sul do país, devido principalmente à descaracterização de seu habitat (Mikich e Bérnils, 2004).

• Video da espécie: Gavião-de-penacho caçando uma iguana, video do documentário venezuelano "Expedicion - cazadores del aire: aves rapaces" .:: Assistir o video ::.


Gavião-de-penacho no Vale do Jamacá - Chapada dos Guimarães/MT, Out 2009
Foto:
Eduardo Patrial

Spizaetus ornatus em vôo. Fotografado em Presidente Figueiredo, Manaus - AM. 2008.
Foto:
Marcelo Barreiros


Zoo de São Paulo - SP. Maio de 2008.
Foto:
Willian Menq S.

Zoo de São Paulo - SP. Março de 2010.
Foto:
Bruno Castelo Branco Damiani

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

Albuquerque, J. L. B. Observations of rare raptors in Southern Atlantic rainforest of Brazil. J. Field Ornithol. 66: 363-369. 1995

del Hoyo, J., A. Elliot, J. Sargutal, et. al. 1994. Handbook of the Birds of the World, Volume 2. Barcelona: Lynx Edicions- Mendonça

Lima, A., Zilio. F., Joenck, C. M. e Barcellos, A. Novos registros de Spizaetus ornatus (Accipitridae) no sul do Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (3) 279-282. Setembro de 2006.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná, 2004. Disponível em: <http://celepar7.pr.gov.br/livrovermelho/> Acessado em: julho 2007.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

Zorzin, G., C.E.A. Carvalho, E.P.M. Carvalho Filho & M. Canuto. 2006. Novos registros de Falconiformes raros e ameaçados para o estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4): 417-421.

Mais Referências Bibliográficas...

 
 


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