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Coruja-preta
(Strix huhula)

Strix huhula (Daudin, 1800)
Ordem: Strigiformes
Família: Strigidae
Outros nomes: Coruja-preta
Nome em inglês:
Black-banded Owl
Tamanho: 31-36 cm de comprimento
Habitat:
florestas
Alimentação:
Insetos e pequenos animais

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Vale do rio Araguaia, Junho de 2014.
Foto: Willian Menq



Vocalização típica (B) - (gravado por: Myriam Velazquez)

• Descrição: De médio porte, mede de 31 à 36 cm de comprimento, envergadura de 243-280mm, com peso médio de 397 g. É uma coruja sem "orelhas", coloração predominante negra, listrada de branco com bico e pés amarelos. Apresenta íris marrom-escuro com pálpebras levemente bege, e a cauda com quatro barras brancas e estreitas (Sick, 1997, Holt et al. 1999). Também conhecida como mocho-negro.

• Alimentação: Caça no estrato alto da floresta, alimenta-se de besouros, baratas, gafanhotos, roedores, répteis e pequenos pássaros. Bornschein & Reinert (2000) também mencionam morcegos na dieta desta espécie.

• Reprodução: O cohecimento sobre a biologia reprodutiva da espécie é escasso. Sabe-se que nidifica em cavidades de árvores e ocos, nas quais coloca um ou dois ovos (Mikich & Bérnils 2004).

• Distribuição Geográfica e Subspécies: É exclusiva da América do Sul, ocorrendo do sul da Venezuela ao norte da Argentina. No Brasil ocorre na Amazônia brasileira, centro-oeste, Minas Gerais e do Rio de Janeiro à Santa Catarina (Holt et al. 1999; Sick 1997).

São reconhecidas duas subespécies: a S. h. huhula ocorre na porção oeste-setentrional da América do Sul, desde o extremo norte (do leste da Colômbia às Guianas) até o Brasil amazônico e leste-setentrional adjacente (norte do Maranhão e Piauí); e S. h. albomarginata, no Brasil leste-meridional, do Rio de Janeiro a Santa Catarina, e  sudeste de Minas Gerais, esta última com distribuição restrita à região da Mata Atlântica no sudeste do Brasil, leste do Paraguai e nordeste da Argentina (Partridge 1956, Holt et al. 1999).

• Hábitos/Informações Gerais: Estritamente noturna, abita florestas altas de terra firme e de várzea, bordas de florestas e árvores em clareiras, também pode ser ocasionalmente encontrada em ambientes antrópicos, como bananais e cafezais além de parques inseridos em áreas urbanas (Holt et al. 1999; Vasconcelos & Diniz 2008). Tem sido registrada principalmente em localidades a baixa altitude, entre o nível do mar e 500 m, raramente alcançando 1400 m. No Espírito Santo, que representa o limite norte de distribuição da subspécie S. h. albomarginata, a espécie tem sido observada no Município de Santa Teresa entre 600 e 900 m de altitude (Forrester 1993, Willis e Oniki 2002), havendo também um exemplar coletado no Município de Linhares, próximo ao nível do mar (Willis e Oniki 2002).

É uma coruja relativamente rara, e de difícil detecção, podendo passar facilmente desapercebida pelos observadores (Sick, 1997). Às vezes, mesmo antes de escurecer já começa a cantar. Pode responde ao playback, principalmente no período reprodutivo.

O registro de Vasconcelos & Diniz (2008) na região metropolitana de Belo Horizonte/MG, de A. Rabello Pereira (obs. pess.) no município de Petrópolis/RJ, e Lemos (2009) em Niterói/RJ, sugerem que mesmo pequenos fragmentos de Mata Atlântica inseridos em áreas urbanas são importantes na manutenção de algumas espécies raras como é o caso da coruja-preta.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Em Perigo (Ignis, 2008).





Indivíduo adulto. Chapadão do Sul/MS, Janeiro de 2011.
Foto: Mauricio Neves Godoi

Indivíduo adulto no ninho. Goiânia/GO.
Foto: Juvencio Nunes D´Acosta

Indivíduo no alto da Catedral São Pedro de Alcantara - Petrópolis/RJ. Foto:
Anderson Rabello Pereir


Indivíduo adulto. Vale do rio Araguaia, Junho de 2014.
Foto: Willian Menq

Indivíduo em voo. Pantanal sul, Aquidauana/MS, Outubro de 2007.
Foto: Cassiano Zaparoli (zapa)

Indivíduo encontrado machucado, sob cuidados médicos. Itapoá - SC. Foto: Beto Vieira


Indivíduo adulto. Vale do rio Araguaia, Junho de 2014.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Vale do rio Araguaia, Junho de 2014.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Poconé/MT, Setembro de 2010.
Foto: Luis Florit

 


:: Página editada por: Willian Menq em 2014. ::



Contato



• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Bornschein, M. R. & B. L. Reinert. (2000). Aves de três remanescentes florestais do norte do Estado do Paraná, sul do Brasil, com sugestões para a conservação e manejo. Rev. Bras. Zool. 17 (3): 615-636.

Coati (2013). Coruja rara é encontrada na rodovia Dom Pedro I. Disponível em: < http://www.coati.org.br/coruja-rara-e-encontradaa-na-rodovia-dom-pedro-i/>. Acesso Outubro de 2013.

Forrester, B. C. (1993) Birding Brazil, a check-list and site guide. Irvine: John Geddes.

Gonzaga, L. P. & G. D. A. Castiglioni (2004) Registros recentes de Strix huhula no Estado do Rio de Janeiro (Strigiformes: Strigidae). Ararajuba 12 (2): 141-144.

Holt, D. W., R. Berkley, C. Deppe, P. L. Enríquez Rocha, J. L. Petersen, J. L. Rangel Salazar, K. P. Segars e K. L. Wood (1999) Black-banded-Owl. In: J. del Hoyo, A. Elliott e J. Sargatal (orgs.) Handbook of the birds of the world, vol. 5. Barn Owls to Hummingbirds. Barcelona: Lynx Edicions. p. 205.

ICMBio (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina. Brasília: Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas. 136 p.

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Lemos, M. (2009). Ocorrência de Coruja Preta, Strix huhula (STRIGIDAE, AVES), Em
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Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: <http://celepar7.pr.gov.br/livrovermelho/> Acessado em: julho 2007.

Menq, S. (2011) Aves de Rapina Brasil - Espécies Fantasmas. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/materias/especies_fantasmas.htm > Acesso em: Setembro de 2011.

Partridge, W. H. (1956) Variaciones geograficas en la Lechuza Negra, Ciccaba huhula. Hornero 19:143–146.

Rosário, L. A. do. (1996) As aves em Santa Catarina: distribuição geográfica e meio ambiente. Florianópolis: Fatma.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. (2009). Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

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Vasconcelos, M. F. & Diniz, M. G. (2008). 170 years after Lund: rediscovery of the Black-banded Owl Strix huhula in the metropolitan region of Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil (Strigiformes: Strigidae). Revista Brasileira de Ornitologia, 16(3):277-280.

Willis, E. O. e Y. Oniki (2002) Birds of Santa Teresa, Espírito Santo, Brazil: do humans add or subtract species? Papéis Avulsos de Zool., S. Paulo 42:193–264.