• Descrição: Também conhecida como mocho-negro, é uma coruja muito interessante. Mede de 31 à 36 cm de comprimento. Sua característica mais marcante consiste na coloração negra listrada de branco, bicos e tarsos amarelos (Mikich & Bérnils, 2004).
• Alimentação: Se alimenta de besouros, baratas, gafanhotos, roedores, répteis e pequenos pássaros. Bornschein & Reinert (2000) também mencionam morcegos na dieta desta espécie.
• Reprodução: Nidifica em cavidades de árvores nas quais põe um ou dois ovos (Mikich & Bérnils, 2004).
• Distribuição Geográfica: Amazônia brasileira, Centro-oeste, Minas Gerais e do Rio de Janeiro à Santa Catarina, encontrada também do Sul da Venezuela ao Paraguai e Argentina (Holt et al. 1999; Sick 1997).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004). |
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São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009). |
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Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000). |
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Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).
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Coruja-preta. Goiânia. Foto: Juvencio Nunes D´Acosta
• Hábitos/Informações Gerais: Habita florestas altas de terra firme e de várzea, bordas de florestas e árvores em clareiras. Aparentemente é incomum, podendo entretanto passar facilmente desapercebida. Tem hábitos noturnos e vive à altura do estrato médio ou da copa (Sick, 1997). É uma espécie endêmica da América do Sul, são reconhecidas duas subespécies, S. huhula huhula e S. huhula albomarginata, esta última com distribuição geográfica restrita à região da Mata Atlântica, no sudeste do Brasil, leste do Paraguai e nordeste da Argentina (Partridge 1956, Holt et al. 1999). Apesar de sua ampla distribuição geográfica, essa coruja tem sido considerada uma espécie aparentemente escassa, cujo status de conservação talvez mereça uma reavaliação (Holt et al. 1999). Tem sido registrada principalmente em localidades a baixa altitude, entre o nível do mar e 500 m, raramente alcançando 1400 m; habita áreas de floresta úmida com árvores altas (incluindo matas de Araucaria), mas também pode ser ocasionalmente encontrada em ambientes antrópicos, como bananais e cafezais (Holt et al. 1999). No Espírito Santo, que representa o limite norte conhecido de distribuição da espécie na região da Mata Atlântica, ela tem sido observada no Município de Santa Teresa entre 600 e 900 m de altitude (Forrester 1993, Willis e Oniki 2002), havendo também um exemplar coletado no Município de Linhares, próximo ao nível do mar (Willis e Oniki 2002). Devido à escassez de informações, S. huhula foi incluída numa lista de espécies “sobre as quais não existem quaisquer dados que possibilitem o julgamento de seu status”.
No estado do Paraná, aparentemente esta coruja está restrita à Floresta Estacional Semidecidual, haja vista a localização dos dois únicos registros conhecidos para o Estado, um para a região noroeste (Scherer-Neto & Straube, 1995) o outro para a região norte (Bornschein & Reinert, 2000). Os dois únicos registros desta espécie no Estado ocorreram em unidades de conservação: Parque Estadual Mata São Francisco e Parque Estadual Vila Rica do Espírito Santo. Sendo ocasionais e fortuitos, esses registros não permitem inferir com precisão outras áreas protegidas de potencial ocorrência.

Coruja-preta encontrada machucada sob cuidados médicos.
Foto: Beto Vieira, Itapoá - SC

Coruja-preta Strix huhula. Foto: Beto Vieira, Itapoá - SC
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
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• Referências:
Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Bornschein, M. R. & B. L. Reinert. 2000. Aves de três remanescentes florestais do norte do Estado do Paraná, sul do Brasil, com sugestões para a conservação e manejo. Rev. Bras. Zool. 17 (3): 615-636.
Forrester, B. C. (1993) Birding Brazil, a check-list and site guide. Irvine: John Geddes.
Holt, D. W., R. Berkley, C. Deppe, P. L. Enríquez Rocha, J. L. Petersen, J. L. Rangel Salazar, K. P. Segars e K. L. Wood (1999) Black-banded-Owl. In: J. del Hoyo, A. Elliott e J. Sargatal (orgs.) Handbook of the birds of the world, vol. 5. Barn Owls to Hummingbirds. Barcelona: Lynx Edicions. p. 205.
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná, 2004. Disponível em: <http://celepar7.pr.gov.br/livrovermelho/> Acessado em: julho 2007.
Partridge, W. H. (1956) Variaciones geograficas en la Lechuza Negra, Ciccaba huhula. Hornero 19:143–146.
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
SIMON, J. E. et al. As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.
Scherer-Neto, P. & F. C. Straube. 1995. Aves do Paraná: história, lista anotada e bibliografia. Campo Largo: Logos Press, 79 p.
Willis, E. O. e Y. Oniki (2002) Birds of Santa Teresa, Espírito Santo, Brazil: do humans add or subtract species? Papéis Avulsos de Zool., S. Paulo 42:193–264.