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Coruja preta
(Strix huhula)

Strix huhula (Daudin, 1800)
Ordem: Strigiformes
Família: Strigidae
Outros nomes: Coruja-preta
Nome em inglês:
Black-banded Owl
Tamanho: 31-36 cm de comprimento
Habitat:
florestas
Alimentação:
Insetos e pequenos animais

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Coruja-preta. Chapadão do Sul/MS, Janeiro de 2011.
Foto: Mauricio Neves Godoi


Vocalização típica (B) - (gravado por: Myriam Velazquez)

• Descrição: É uma coruja sem "orelhas", coloração predominante negra, listrada de branco com bico e pés amarelos. Apresenta íris marrom-escuro com pálpebras levemente bege, e a cauda com quatro barras brancas e estreitas (Sick, 1997, Holt et al. 1999). Também conhecida como mocho-negro. De médio porte, mede de 31 à 36 cm de comprimento, envergadura de 243-280mm, com peso médio de 397 g.

• Alimentação: Alimenta-se de besouros, baratas, gafanhotos, roedores, répteis e pequenos pássaros. Bornschein & Reinert (2000) também mencionam morcegos na dieta desta espécie.

• Reprodução: Nidifica em cavidades de árvores nas quais põe um ou dois ovos (Mikich & Bérnils, 2004).

• Distribuição Geográfica e Subspécies: É endêmica da América do Sul, ocorrendo do sul da Venezuela ao norte da Argentina. No Brasil ocorre na Amazônia brasileira, centro-oeste, Minas Gerais e do Rio de Janeiro à Santa Catarina (Holt et al. 1999; Sick 1997).

São reconhecidas duas subespécies: a S. h. huhula ocorre na porção oeste-setentrional da América do Sul, desde o extremo norte (do leste da Colômbia às Guianas) até o Brasil amazônico e leste-setentrional adjacente (norte do Maranhão e Piauí); e S. h. albomarginata, no Brasil leste-meridional, do Rio de Janeiro a Santa Catarina, e  sudeste de Minas Gerais, esta última com distribuição restrita à região da Mata Atlântica no sudeste do Brasil, leste do Paraguai e nordeste da Argentina (Partridge 1956, Holt et al. 1999).

• Hábitos/Informações Gerais: Relativamente rara, habita florestas altas de terra firme e de várzea, bordas de florestas e árvores em clareiras, também pode ser ocasionalmente encontrada em ambientes antrópicos, como bananais e cafezais além de parques inseridos em áreas urbanas (Holt et al. 1999, Vasconcelos & Diniz 2008). Aparentemente responde ao playback, principalmente no período reprodutivo (obs. pess. Willian Menq).

Tem sido registrada principalmente em localidades a baixa altitude, entre o nível do mar e 500 m, raramente alcançando 1400 m. Aparentemente é incomum, podendo entretanto passar facilmente desapercebida (Sick, 1997). No Espírito Santo, que representa o limite norte de distribuição da subspécie S. h. albomarginata, a espécie tem sido observada no Município de Santa Teresa entre 600 e 900 m de altitude (Forrester 1993, Willis e Oniki 2002), havendo também um exemplar coletado no Município de Linhares, próximo ao nível do mar (Willis e Oniki 2002). Devido à escassez de informações e comportamento incospícuo, a S. huhula é considerada uma "espécie_fantasma" (Menq, 2011).

• Áreas de ocorrência recente e Status populacional: No estado do Paraná, aparentemente a coruja-preta está restrita à Floresta Estacional Semidecidual, haja vista a localização dos dois únicos registros conhecidos para o Estado, um para a região noroeste (Scherer-Neto & Straube, 1995) o outro para a região norte (Bornschein & Reinert, 2000). Em Santa Catarina foi observada por Jorge Albuquerque em Santo Amaro da Imperatriz (Rosário 1996). No Espírito Santo foi registrada na Reserva Biológica Augusto Rushi (Willis & Oniki, 2002) e na Reserva Biológica Santa Lúcia (Simon, 2000). No Rio de Janeiro conta com registros na região do maciço da Tijuca (Gonzga & Castiglioni, 2004) e Petrópolis (obs. pes. A. Rabello Pereira). Em Minas Gerais no Parque Municipal Ursulina de Andrade Melo, em Belo Horizonte (Vasconcelos & Diniz, 2008). Na região norte conta com alguns registros no Parque Nacional do Jaú, na Reserva Ducke em Manaus, e no centro-oeste na região de Vila Bela da Santíssima Trindade e no Pantanal (ICMBio 2008).

Os registros de Vasconcelos & Diniz (2008) na região metropolitana de Belo Horizonte/MG, A. Rabello Pereira (obs. pess.) no município de Petrópolis/RJ, Lemos (2009) em Niterói/RJ, sugerem que mesmo pequenos fragmentos de Mata Atlântica inseridos em áreas urbanas são importantes na manutenção da biodiversidade, podendo abrigar espécies raras como é o caso da coruja-preta.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Em Perigo (Ignis, 2008).


Coruja-preta. Goiânia/GO.
Foto: Juvencio Nunes D´Acosta

Coruja-preta. Cocalinho/MT.
Foto: Willian Menq


Coruja-preta (Strix huhula). Poconé/MT, Setembro de 2010. Foto: Luis Florit

Catedral São Pedro de Alcantara - Petrópolis/RJ, Setembro de 2010. Foto:
Anderson Rabello Pereira


Indivíduo em voo. Pantanal - Aquidauana/MS, Outubro de 2007. Foto: Cassiano Zaparoli (zapa)

Coruja-preta encontrada machucada sob cuidados médicos. Itapoá - SC. Foto: Beto Vieira


:: Página editada por: Willian Menq em 2013. ::



Contato



• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Bornschein, M. R. & B. L. Reinert. (2000). Aves de três remanescentes florestais do norte do Estado do Paraná, sul do Brasil, com sugestões para a conservação e manejo. Rev. Bras. Zool. 17 (3): 615-636.

Coati (2013). Coruja rara é encontrada na rodovia Dom Pedro I. Disponível em: < http://www.coati.org.br/coruja-rara-e-encontradaa-na-rodovia-dom-pedro-i/>. Acesso Outubro de 2013.

Forrester, B. C. (1993) Birding Brazil, a check-list and site guide. Irvine: John Geddes.

Gonzaga, L. P. & G. D. A. Castiglioni (2004) Registros recentes de Strix huhula no Estado do Rio de Janeiro (Strigiformes: Strigidae). Ararajuba 12 (2): 141-144.

Holt, D. W., R. Berkley, C. Deppe, P. L. Enríquez Rocha, J. L. Petersen, J. L. Rangel Salazar, K. P. Segars e K. L. Wood (1999) Black-banded-Owl. In: J. del Hoyo, A. Elliott e J. Sargatal (orgs.) Handbook of the birds of the world, vol. 5. Barn Owls to Hummingbirds. Barcelona: Lynx Edicions. p. 205.

ICMBio (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina. Brasília: Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas. 136 p.

Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.

Lemos, M. (2009). Ocorrência de Coruja Preta, Strix huhula (STRIGIDAE, AVES), Em
Área Urbana de Niterói, Estado de Rio de Janeiro, Brasil. Neotropical Raptor Network - Boletim 8: 10-11.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: <http://celepar7.pr.gov.br/livrovermelho/> Acessado em: julho 2007.

Menq, S. (2011) Aves de Rapina Brasil - Espécies Fantasmas. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/materias/especies_fantasmas.htm > Acesso em: Setembro de 2011.

Partridge, W. H. (1956) Variaciones geograficas en la Lechuza Negra, Ciccaba huhula. Hornero 19:143–146.

Rosário, L. A. do. (1996) As aves em Santa Catarina: distribuição geográfica e meio ambiente. Florianópolis: Fatma.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. (2009). Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

SIMON, J. E. et al. (2007). As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.

Scherer-Neto, P. & F. C. Straube. (1995). Aves do Paraná: história, lista anotada e bibliografia. Campo Largo: Logos Press, 79 p.

Vasconcelos, M. F. & Diniz, M. G. (2008). 170 years after Lund: rediscovery of the Black-banded Owl Strix huhula in the metropolitan region of Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil (Strigiformes: Strigidae). Revista Brasileira de Ornitologia, 16(3):277-280.

Willis, E. O. e Y. Oniki (2002) Birds of Santa Teresa, Espírito Santo, Brazil: do humans add or subtract species? Papéis Avulsos de Zool., S. Paulo 42:193–264.