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Coruja-do-mato
Strix virgata (Cassin, 1849)

Ordem: Strigiformes
Família: Strigidae
Nome em inglês:
Mottled Owl
Habitat:
Florestas e borda de matas
Alimentação:
Insetos e pequenos vertebrados.


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. São José dos Campos/SP, Março de 2010. Foto:
Rodrigo Dela Rosa

Vocalização típica (C) - (gravado por: Doug knapp)

• Descrição: Mede 33 cm de comprimento e peso de 175-320 g (Konig et al. 1999). Adulto apresenta o dorso marrom com rajado ferrugíneo, partes inferiores pardo com estrias escuras; face marrom com sobrancelhas brancas bastante evidentes formando um disco facial (Konig et al. 1999; Mikich & Bérnils, 2004). Conhecida também como coruja-de-bigode, mocho-carijó e mocho-do-mato.

• Espécies Similares: Pode ser confundida com a coruja-listrada (Strix hylophila), no entanto, a S. virgata possui o peito e partes inferiores com listras verticais enquanto a S. hylophila possui listras horizontais. A vocalização entre as duas espécies é bem distinta, o que facilita a identificação sonora. A vocalização de chamado, transcrita como um "Aoooowwww", é muito parecida com o chamado da murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana), da murucututu (P. perspicillata) e da coruja-preta (Strix huhula).

• Alimentação: Possuí dieta variada, alimenta-se principalmente de insetos como besouros, mamíferos, pássaros pequenos, serpentes, lagartos e rãs. Caça a partir de um poleiro, de onde fica na espreita até localizar sua presa. Costuma usar frequentemente as bordas da mata ou clareiras para caçar (Del Hoyo et al. 1999).

• Reprodução: Nidifica em cavidades de troncos de árvores ou ninhos abandonados de outras aves. Coloca de 1 a 2 ovos que são incubados pela fêmea. Os filhotes crescem rápidos, em 4 a 5 semanas já saem no ninho permanecendo nos arredores (Del Hoyo, et al. 1999). No sul e sudeste do Brasil, o período reprodutivo inicia-se em agosto com filhotes já independentes em janeiro e fevereiro.

• Distribuição Geográfica: Ocorre do México ao norte da Argentina e em grande parte do Brasil. No Brasil, ocorre em toda a região amazônica e na Mata Atlântica (desde o sul da Bahia até o Rio Grande do sul, com uma população isolada no centro de endemismo Pernambuco)(Sick 1997; Mikich & Bérnils, 2004; Roda & Carlos, 2004).

• Subespécies: São conhecidas 7 subespécies: S. v. virgata, S. v. borelliana, S. v. centralis, S. v. macconnelli, S. v. squamulata, S. v. superciliaris, S. v. tamaulipensis. No Brasil ocorre duas subespécies, a S. v. superciliaris: região amazônica, e S. v. borreliana: Mata Atlântica.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Dados desconhecidos (Rio Grande do Sul, 2014).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).

• Hábitos/Informações Gerais: É uma espécie estritamente noturna, habita florestas desde o nível do mar até 2.500 metros (Sick, 1997; Mikich & Bérnils, 2004). É comum ao longo de sua distribuição, sendo facilmente detectada. Gosta de ficar no interior da floresta, principalmente nos locais com dossel mais alto (Menq & Anjos 2015). Responde bem ao playback, geralmente emite um chamado do tipo “Aoooouuuu”.

Vive solitária ou aos pares, durante o dia fica camuflada nas densas folhagens da floresta e pode ser assediada por pequenos pássaros caso descoberta. Apresenta uma série de vocalizações, pios territoriais, de alerta, chamados, e de cortejo. Os machos vocalizam com menor frequência do que as fêmeas (Gerhardt, 1991). É sensível ao desmatamento, sendo a destruição de seu hábitat a principal ameaça da espécie.


Indivíduo adulto consumindo uma cigarra.
Londrina/PR, Nov. 2015. Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Franca/SP, Fevereiro de 2011.
Foto: Douglas Fernando


Indivíduo jovem. Joinville/SC, Dez 2012.
Foto: Jauro Torkaski

Indivíduo adulto. Franca/SP, Fevereiro de 2011.
Foto: Douglas Fernando



:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::



• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Bernardi, I. P; Miranda, J. M. D; Abreu, K. C; Sponchiado, J; Grotto, E; Milani, L. F; Passos, F. C. (2008) Novo registro de Strix virgata (Cassin, 1849) para o estado do Rio Grande do Sul, Brasil (Strigiformes: Strigidae). BIOCIÊNCIAS, Porto Alegre, v. 16, n. 2, p. 138-141, jul.

Del Hoyo, J.; Elliott, A.& Sargatal, J. (1999) Handbook of the Birds of the World. Vol. 5. Barn owls to Hummingbirds. Barcelona.Lynx Edictions.

Gerhardt, R. (1991) Response of Mottled Owls to Broadcast of Conspecific Call.. Journal of Field Ornithology, 62: 239-244.

König, C., F. Weick & J-H. Becking (1999) Owls, a guide to the owls of the world. New Haven and London : Yale University Press. [999b: Holt, D. W., R. Berkley, C. Deppe, P. L. Enríquez Rocha, P. D. Olsen, J. L. Petersen, J. L. Rangel Salazar, K. P. Segars & L. L. Wood (1999) Species accounts of Strigidae. Pp. 153-242. In: Handbook of the birds of the world. Vol. 5. Barn-owls to Hummingbirds. (J. del Hoyo, A. Elliott & J. Sargatal., eds.). Barcelona : Lynx Edicions.]

Koch, Z. & R. Bóçon. (1994) Guia ilustrado das aves comuns (do) Parque Nacional do Iguaçu. Curitiba: Zig Fotografias e Produções Culturais. 38 p.

Lewis, D. P. (2005) Owl Pages - Mottled Owl. Last updated 2005-04-21, disponível em: < www.owlpages.com >.

Marques, A. A. B. et al . (2002) Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)

Menq, W. & Anjos, L. (2015) Habitat selection by owls in a seasonal semi-deciduous forest in southern Brazil. Brazilian Journal of Biology. v. 75(4.1):143-149.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap Acessado em: 22 mar 2010

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Rio Grande do Sul (2014) Táxons da fauna silvestre do Estado Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção. Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014. (publicado no DOE n.º 173, de 09 de setembro de 2014).

Straube, F. C. (2003) Bases legais para a identificação dos limites territoriais do Brasil na fronteira com o Paraguai e suas implicações para a consideração de registros ornitológicos. Ararajuba 11 (1): 131-135.

Roda, S. A.; Carlos, C. J. (2004) Composição e sensitividade da avifauna dos brejos de altitude dos brejos de Pernambuco. In: PORTO, K. C.; CABRAL, J. J. P.; TABARELLI, M. (Org.). Brejos de altitude em Pernambuco e Paraíba: história natural, ecologia e conservação. Brasília: Ministério do Meio Ambiente. (Série Biodiversidade, 9).

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Coruja-do-mato (Strix virgata) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/strix_virgata.htm > Acesso em: