INICIO > AVES DE RAPINA > SUINDARA
 

Suindara
(Tyto furcata)

Tyto furcata (Temminck, 1827)
Ordem: Strigiformes
Família: Tytonidae
Nome popular: Suindara/coruja-de-igreja
Outros nomes: Rasga-mortalha
Nome em inglês:
American Barn Owl
Tamanho: 36 cm de comprimento
Habitat:
Campos, savanas, borda de matas, áreas urbanas e rurais
Alimentação:
Roedores e insetos.



Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Ribeirão Grande/SP, Abril de 2015.
Foto:
Rodrigo Y Castro


Vocalização de chamado em voo (A)
(gravado por: Chris Tessaglia-Hymes)

• Descrição: Possui em média 36 cm de comprimento, envergadura de 75-110 cm, peso médio de 470 g (macho) e 570 g (fêmea) (König & Becking, 1999). Apresenta o dorso-cinza e pardo dourado, com partes inferiores branca, íris escura. A característica mais marcante é seu disco facial em forma de coração, branco bordeado de marrom-ferrugem. A envergadura é grande em relação ao corpo, se observada em voo, por baixo é toda branca (Sick 1997). Conhecida também por rasga-mortalha, coruja-das-torres e coruja-de-igreja.

Segundo a última atualização do CBRO (2014), a Tyto furcata é um táxon que foi desmembrado de Tyto alba (split) devido as consideráveis diferenças genéticas com o táxon do Velho Mundo (Wink et al. 2008).

• Alimentação: Alimenta-se principalmente de roedores e invertebrados (Sick 1997). De forma mais rara, caça aves e outros pequenos vertebrados (Sick 1997; Motta-Junior 2010). Segundo Motta-Junior et al (2010), para um período de um ano, estima-se que um casal de suindaras consome entre 1720 e 3700 ratos, e entre 2660 e 5800 insetos (basicamente besouros, esperanças e grilos).

É especialista na captura de roedores em áreas abertas e em condições de pouca luz. Normalmente, logo após o anoitecer voa para suas áreas de caça preferidas, e a partir de um poleiro ou em voo lento procura suas presas na vegetação rasteira (Owl Trust, 2010). Quando algum roedor é detectado a coruja voa em direção a presa e quase que "paira" em cima da origem do som, identificando-a e esperando o melhor momento para atacar. No momento do ataque, a coruja se atira contra a presa, jogando a cabeça para trás e esticando ao máximo suas garras para frente para capturar o animal. As técnicas de caça e horários variam de acordo com o habitat, nível de ruído do ambiente, níveis de luz e vento (Owl Trust, 2010; Owl pages, 2010). No estômago, há a separação dos pêlos, ossos e outras partes não digeríveis, as quais formam pelotas, posteriormente regurgitadas em seu pouso tradicional. A análise dessas pelotas indica o alimento ingerido pela espécie. Por esse método, descobriu-se no interior de São Paulo, que duas suindaras mudavam seu alimento conforme a época do ano. No período do inverno, cerca de 90% das pelotas era formada por restos de roedores e 7% de gafanhotos. Já no verão, o inverso. Além de insetos e roedores, apanha morcegos, pequenos marsupiais, anfíbios, répteis e aves (Antas, 2005; Sick, 1997). Espécie essencialmente noturna procura alimento quase sempre 1 a 2 horas antes do nascer do sol e depois do anoitecer (Cramp 1985).

Roda (2006) estudou a dieta da T. furcata na Estação Ecológica do Tapacurá, Pernambuco. A autora revelou que, das 93 presas que constituíram a dieta da suindara, os roedores dominaram com 71,0%, seguidos de morcegos (17,2%), marsupiais, (9,7%), aves (1,1%) e insetos (1,1%). As espécies de roedores da família Cricetidae foram as presas mais consumidas na dieta da suindara, destacando-se o rato-da-cana (Holochilus brasiliensis) e o rato-do-chão (Bolomys lasiurus). A presença destes dois roedores pode estar relacionada com os seus hábitos, que também utilizam ambientes frequentados pela coruja na área de estudo, como os arredores do açude e canaviais (Roda, 2006). Segundo Yalden e Morris (1990), os morcegos são raros na dieta da T. furcata. No trabalho de Roda (2006) os morcegos Molossus molossus teve uma alta taxa de predação neste estudo, provavelmente foram predados quando estavam agrupados em edificações próximos aos pousos noturnos da suindara, já que tais morcegos possuem um voo em ziguezague o que dificulta a caça aérea (Roda, 2006; Silva 1984).

• Reprodução: Em ambientes urbanos nidifica em forros e sótão de casas, celeiros, abrigos abandonados e torre de igrejas (König & Becking, 1999; Owl pages, 2010). Em ambientes naturais, usa ocos de árvores e fendas de rochas para nidificar. Coloca, em média, de 4 a 7 ovos que são incubados durante aproximadamente 32 dias. Dentro de 50 dias os filhotes já estão aptos a voar, normalmente não se separam de seus pais até os 3 meses de vida. Após aprender as habilidades de caça, se afastam do território do ninho. Em cerca de 10 meses as aves mais novas já estão aptas a se reproduzirem (Sick, 1997; Antas, 2005).


Filhotes no ninho. Guararema-SP. Junho de 2011. Foto: Marcos Grangeiro e Lethicia Galo

Suindara com filhotes no ninho. Boituva/SP, Abril de 2007.
Foto:
João Justi Junior

Filhotes no ninho. Faz. Bacurilândia - São Simão/GO, Agosto de 2008.
Foto:
Danilo Mota.

• Distribuição Geográfica: Ocorre em todo o continente Americano, incluindo todo o Brasil, exceto nas regiões densamente florestadas da região amazônica (Sick, 1997).

• Hábitos/Informações Gerais: Vive em uma grande variedade de hábitats, principalmente em ambientes abertos, como campos e savanas, além de ambientes antropizados como pastagens. Segundo Tomé (1994), a espécie está associada a habitats abertos (como pastagens e áreas agrícolas) ou semi-abertos. Nas zonas agrícolas ou em áreas reflorestadas ocorre apenas em zonas com extensa rede de corredores de alimentação (pastagens), situadas ao longo das margens de valas de drenagem e córregos (Shawyer, 1994). Procura alimento também sobrevoando as margens de estradas (Cramp 1985).

Adaptou-se aos centros urbanos, vivendo nos forros de igrejas e casas maiores (Antas, 2005). Se perturbada durante o dia, emite um sibilo rápido e agudo. Em voo, possui um chamado muito forte, como um pano rasgando (daí o nome rasga-mortalha). À noite, o ventre e cara branca destacam-se quando iluminados. É ativa no crepúsculo e à noite, escondendo-se durante o dia (Sick, 1997; Owl pages, 2010, Antas, 2005). Embora seja uma coruja altamente adaptada, é também muito vulnerável. Suas penas macias não são muito impermeáveis e isso durante uma chuva é um problema. Uma coruja molhada não consegue voar silenciosamente (espantando suas presas) e quando encharcada pode ficar incapaz de voar. Elas também têm grandes dificuldades em caçar durante um vento forte ou durante um frio intenso, rapidamente perdem calor do corpo e precisam de mais comida (Sick 1997; Antas 2005; Owl pages 2010).

Os indivíduos dessa espécie pode viver por muitos anos na natureza. Na América do Norte, a suindara mais velha conhecida viveu por 11 anos e 6 meses no ambiente selvagem, em cativeiro podem viver até 25 anos, já que estão livres de outros predadores e doenças que normalmente poderiam adquirir na natureza (Damiani & Souza 2009; Owl pages, 2010).

A suindara, se comparada com a maioria das outras corujas, possui uma carga de peso muito baixa nas asas (grandes asas para sustentar um corpo leve), isso permite que ela consiga voar maiores distâncias gastando menos energia, além de poder voar mais devagar. Esse voo lento permite que ela tenha tempo suficiente para localizar e identificar presas no chão e caçar, embora seu método principal de caça é ficar parada a partir de um poleiro (Sick 1997). Mais sobre morfologia da espécie...



Indivíduo adulto. Santa Margarida do Sul/RS, Agosto de 2014.
Foto: José Paulo Dias

Indivíduo em sua árvore de nidificação. Meridiano/SP, Out 2008.
Foto:
Bruno Castelo Damiani

Indivíduo adulto. Pq Nacional das Emas. Chapadão do Céu - GO. 2008.
Foto:
Izaltino Guimarães


Indivíduos acasalando. Itamarati de Minas/MG, Abril de 2010.
Foto:
Fabiano Guimarães.

Dois filhotes no ninho (no forro de um galpão) aguardando os pais.
Foto:
Lorena C. Souza

Tyto alba dormindo em Caverna. Gruta São Miguel - Bonito/MS Março de 2009. Foto: Ronald Santiago.


Indivíduo adulto. Reserva Guainumbi São Luís do Paraitinga/SP.
Foto:
Rodolfo Viana

Indivíduo adulto.
Jateí/MS, Abril de 2015.
Foto: Willian Menq

Filhotes no ninho. Guararema-SP. Junho de 2011. Foto: Marcos Grangeiro & Lethicia Galo

 

:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2015. ::



Contato



• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN. Sesc.

Cramp S & Simmons KEL (eds.) (1983). Handbook of the Birds of Europe, the Middle East and North Africa, (Waders to Gulls), Vol. III. Oxford University Press, Oxford.

Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2014) Listas das aves do Brasil. 11ª Edição, 1/1/2014, Disponível em <http://www.cbro.org.br>. Acesso em: Janeiro de 2014.

Damiani, B. C. B. & Souza, L. C. (2009) História Natural e Ecologia Comportamental da Coruja (Tyto alba; Scopoli, 1769) com ênfase em repertórios acústivos, em áreas agropastoris e fragmentos de mata, em meridiano - SP, Brasil. Monografia. UNIFEV - Centro Universitário de Votuporanga/SP.

König, W. & Becking. (1999). Owls: A Guide to the Owls of the World. Yale University Press.

Motta-Junior, J. C.; Bueno, A. A.; Braga, A. C. R. (2010) Corujas Brasileiras. Departamento de Ecologia, Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Texto disponível em: < http://www.ib.usp.br/labecoaves/PDFs/pdf30CorujasIBC.pdf > Acesso em Junho de 2010.

Owl Pages, (2010) Portal em inglês sobre as Corujas do mundo. Ficha da Tyto alba disponivel em: < http://www.owlpages.com/owls.php?genus=Tyto&species=alba > Acesso em Março de 2010.

Roda, S. A. (2006). Dieta de Tyto alba na Estação Ecológica do Tapacurá, Pernambuco, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4) 449-452.

Shawyer C (1994). Barn Owl Tyto alba. In: Birds in Europe: their conservation status. Pp.322-323. Tucker GM & Heath MF. BirdLife Conservation Series No. 3. BirdLife International, Cambridge.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Silva, F. (1984) Guia para determinação de morcegos: Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro.

Souza, J. L. Pereira, G. A. Alves, G. C. Silva, E. M. Santos, D. L. A. & Rocha, A. C. (2013). Uma investigação sobre a entrega e apreensão de aves de rapina no CETAS/PE de 2007 a 2011. Atualidades Ornitológicas 174: 18-21.

Taylor, I. (1994) Barn owls. Predator-prey relationships and conservation. Cambridge: Cambridge University Press.

The Barn Owl Trust (2010). Disponível em: <http://www.barnowltrust.org.uk> Acesso em Dezembro de 2010.

Tomé RP (1994). A Coruja-das-torres Tyto alba (Scopoli, 1769) no Estuário do Tejo: fenologia, dinâmica populacional, utilização do espaço e ecologia trófica. Relatório de estágio da Licenciatura em Biologia. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Lisboa.

Yalden, D. W. e P. A. Morris (1990). The analysis of owl pellets. London: Occasional Publications of the Mammal Society no. 13.

Wink et al. (2008). Owls of the world.; Nijman & Aliabadian. 2013. Zoological Science 30: 1005-109