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Suindara
(Tyto furcata)

Tyto furcata (Temminck, 1827)
Ordem: Strigiformes
Família: Tytonidae
Nome popular: Suindara/coruja-de-igreja
Outros nomes: Rasga-mortalha
Nome em inglês:
American Barn Owl
Tamanho: 36 cm de comprimento
Habitat:
Campos, borda de matas,
áreas urbanas e rurais

Alimentação:
Principalmente roedores



Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Santa Margarida do Sul/RS
Foto: José Paulo Dias



Vocalização de chamado em vôo (A)
(gravado por: Chris Tessaglia-Hymes)

• Descrição: Possui em média 36 cm de comprimento, com envergadura de 75-110 centímetros, peso médio de 570 g (fêmeas) e 470 g (machos). Apresenta um disco facial em forma de coração, branco bordeado com ferrugem, olhos escuros; dorso cinza e pardo-dourado, com partes inferiores branca salpicadas de marrom-escuro; a envergadura é grande em relação ao corpo. Observada em voo, por baixo é toda branca (Sick 1997). Conhecida também por rasga-mortalha, coruja-das-torres, coruja-de-igreja, etc.

Segundo a última atualização do CBRO (2014), a Tyto furcata é um táxon que foi desmembrado de Tyto alba (split) devido as consideráveis diferenças genéticas com o táxon do Velho Mundo (Wink et al. 2008).

• Alimentação: São aves altamente especializadas e adaptadas à captura de pequenos roedores em áreas abertas e em baixas condições de luz. Segundo Motta-Junior et al (2010), para um período de um ano, estima-se que um casal de suindaras consome entre 1720 e 3700 ratos, e entre 2660 e 5800 insetos (basicamente besouros, esperanças e grilos).

Normalmente, logo após o anoitecer voa para suas áreas de caça preferidas, e a partir de um poleiro ou em vôo lento procura suas presas na vegetação rasteira (Owl Trust, 2010). Quando algum roedor é detectado a coruja voa em direção a presa e quase que "paira" em cima da origem do som, identificando-o e esperando o melhor momento para atacar. No momento do ataque, a coruja se atira contra a presa, jogando a cabeça para trás e esticando ao máximo suas garras para frente para capturar o animal. As técnicas de caça e horários variam de acordo com o habitat, nível de ruído do ambiente, níveis de luz e vento (Owl Trust, 2010; Owl pages, 2010). No estômago, há a separação dos pêlos, ossos e outras partes não digeríveis, as quais formam pelotas, posteriormente regurgitadas em seu pouso tradicional. A análise dessas pelotas, indica o alimento ingerido pela espécie. Por esse método, descobriu-se no interior de São Paulo, que duas suindaras mudavam seu alimento conforme a época do ano. No período do inverno, cerca de 90% das pelotas era formada por restos de roedores e 7% de gafanhotos. Já no verão, o inverso. Além de insetos e roedores, apanha morcegos, pequenos marsupiais, anfíbios, répteis e aves (Antas, 2005; Sick, 1997). Espécie essencialmente noturna procura alimento quase sempre 1 a 2 horas antes do nascer do sol e depois do anoitecer (Cramp 1985).

Roda (2006) estudou a dieta da T. furcata na Estação Ecológica do Tapacurá, Pernambuco. A autora revelou que, das 93 presas que constituíram a dieta da suindara, os roedores dominaram com 71,0%, seguidos de morcegos (17,2%), marsupiais, (9,7%), aves (1,1%) e insetos (1,1%). As espécies de roedores da família Cricetidae foram as presas mais consumidas na dieta da suindara, destacando-se o rato-da-cana (Holochilus brasiliensis) e o rato-do-chão (Bolomys lasiurus). A presença destes dois roedores pode estar relacionada com os seus hábitos, que também utilizam ambientes frequentados pela coruja na área de estudo, como os arredores do açude e canaviais (Roda, 2006). Segundo Yalden e Morris (1990), os morcegos são raros na dieta da T. furcata. No trabalho de Roda (2006) os morcegos Molossus molossus teve uma alta taxa de predação neste estudo, provavelmente foram predados quando estavam agrupados em edificações próximos aos pousos noturnos da suindara, já que tais morcegos possuem um voo em ziguezague o que dificulta a caça aérea (Roda, 2006; Silva 1984).

• Reprodução: Em ambientes urbanos nidifica em forros e sótão de casas, celeiros, abrigos abandonados e torre de igrejas. Em ambientes naturais, usa ocos de árvores e fendas de rochas para nidificar. Bota em média de 4 a 7 ovos, que são incubados durante aproximadamente 32 dias. Dentro de 50 dias os filhotes já estão aptos a voar. Normalmente, não se separam de seus pais até os 3 meses de vida. Após aprender as habilidades de caça, se afastam do território do ninho. Em cerca de 10 meses as aves mais novas já estão aptas a se reproduzirem (Sick, 1997; Antas, 2005). Na América do Norte, a suindara mais velha conhecida viveu por 11 anos e 6 meses no ambiente selvagem, em cativeiro podem viver até 25 anos, já que estão livres de outros predadores e doenças que normalmente poderiam adquirir na natureza (Damiani & Souza 2009; Owl pages, 2010).


Filhotes no ninho. Guararema-SP. Junho de 2011. Foto: Marcos Grangeiro e Lethicia Galo

Suindara com filhotes no ninho. Boituva/SP, Abril de 2007.
Foto:
João Justi Junior

Filhotes no ninho. Faz. Bacurilândia - São Simão/GO, Agosto de 2008.
Foto:
Danilo Mota.

• Distribuição Geográfica: Ocorre em todo o continente Americano, incluindo todo o Brasil (Sick, 1997).

• Hábitos/Informações Gerais: Vive em uma grande variedade de hábitats, principalmente em ambientes abertos, como campos e savanas, além de ambientes antropizados como pastagens. Segundo Tomé (1994), a espécie está associada a habitats abertos (como pastagens e áreas agrícolas) ou semi-abertos. Nas zonas agrícolas ou em áreas reflorestadas ocorre apenas em zonas com extensa rede de corredores de alimentação (pastagens), situadas ao longo das margens de valas de drenagem e córregos (Shawyer, 1994). Procura alimento também sobrevoando as margens de estradas (Cramp 1985).

Adaptou-se aos centros urbanos, vivendo nos forros de igrejas e casas maiores (Antas, 2005). Se perturbada durante o dia, emite um sibilo rápido e agudo. Em voo, possui um chamado muito forte, como um pano rasgando (daí o nome rasga-mortalha). À noite, o ventre e cara branca destacam-se quando iluminados. É ativa no crepúsculo e à noite, escondendo-se durante o dia (Sick, 1997; Owl pages, 2010, Antas, 2005). Embora seja uma coruja altamente adaptada, é também muito vulnerável. Suas penas macias não são muito impermeáveis e isso durante uma chuva é um problema. Uma coruja molhada não consegue voar silenciosamente (espantando suas presas) e quando encharcada pode ficar invapaz de voar. Elas também têm grandes dificuldades em caçar durante um vento forte ou durante um frio intenso, rapidamente perdem calor do corpo e precisam de mais comida (Sick 1997; Antas 2005; Owl pages 2010).

• Adaptações morfológicas:
Voo: A suindara, se comparada com a a maioria das outras corujas, possui uma carga de peso muito baixa nas asas (grandes asas para sustentar um corpo leve), isso permite que ela consiga voar maiores distâncias gastando menos energia, além de poder voar mais devagar. Esse voo lento permite que ela tenha tempo suficiente para localizar e identificar presas no chão e caçar, embora seu método principal de caça é ficar parada a partir de um poleiro (The Barn Owl Trust, 2010; Sick 1997).

Audição: seu rosto em forma de coração funciona de forma muito semelhante aos nossos ouvidos externos - direcionar o som para o ouvido interno. As aberturas do ouvido ficam localizadas no interior do disco facial próximo aos olhos, são assimétricos e graças essa assimetria o som chega de forma diferente em cada ouvido o que permite a coruja calcular com precisão exata a fonte do ruído. Experimentos em cativeiro têm confirmado que as suindaras são capazes de localizar e capturar uma presa em completa escuridão - usando apenas sua audição. As suindaras são mais especializadas na detecção de sons de alta frequência emitidos por pequenos mamíferos quando se deslocam na vegetação, vocalizações, etc. A sensibilidade auditiva da suindara é importante mesmo quando ela caça a luz do dia, pois suas presas muitas vezes ficam escondidas no meio da vegetação (The Barn Owl Trust, 2010; Sick 1997).

Visão: Nenhum vertebrado é capaz de ver na completa escuridão, mas os olhos das corujas são (em média) duas vezes mais sensível ao luz do que os olhos humanos. Além disso, a visão na penumbra das corujas é altamente sensível ao movimento. Na escuridão um homem consegue enxergar áreas de pouca luz e sombra, mas sem detalhes. Nas mesmas condições, uma suindara consegue ter uma imagem mais brilhante e pode enxergar os detalhes dentro das sombras, qualquer coisa pequena que se mova é imediatamente percebido pela suindara, mas não é visto pela maioria das pessoas. No entanto, qualquer coisa que se mantém imóvel (mesmo uma pessoa parada perto) é normalmente ignorada pela coruja. Mesmo durante o dia, os olhos da suindara podem funcionar bem. Além disso, nos centros urbanos podem usar luzes artificiais (iluminação de postes, rodovias) como um auxílio à caça (The Barn Owl Trust, 2010; Owl pages, 2010).

Garras e tarsos: A Suindara possui pernas (tarsos) extremamente longas, dedos e garras afiados que lhe permite capturar presas na vegetação mais alta. As garras são extremamente afiadas mata matar a presa rapidamente (The Barn Owl Trust, 2010).


Indivíduo adulto. Santa Margarida do Sul/RS, Agosto de 2014.
Foto: José Paulo Dias

Indivíduo em sua árvore de nidificação. Meridiano/SP, Out 2008.
Foto:
Bruno Castelo Damiani

Indivíduo adulto. Pq Nacional das Emas. Chapadão do Céu - GO. 2008.
Foto:
Izaltino Guimarães


Indivíduos acasalando. Itamarati de Minas/MG, Abril de 2010.
Foto:
Fabiano Guimarães.

Dois filhotes no ninho (no forro de um galpão) aguardando os pais.
Foto:
Lorena C. Souza

Tyto alba dormindo em Caverna. Gruta São Miguel - Bonito/MS Março de 2009. Foto: Ronald Santiago.


Indivíduo adulto. Reserva Guainumbi São Luís do Paraitinga/SP.
Foto:
Rodolfo Viana

Indivíduo adulto. Santa Margarida do Sul/RS, Agosto de 2014.
Foto: José Paulo Dias

Filhotes no ninho. Guararema-SP. Junho de 2011. Foto: Marcos Grangeiro e Lethicia Galo

 

 

:: Página editada por: Willian Menq em 2014. ::



Contato



• Referências:

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc, 2005.

Cramp S & Simmons KEL (eds.) (1983). Handbook of the Birds of Europe, the Middle East and North Africa, (Waders to Gulls), Vol. III. Oxford University Press, Oxford.

Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2014) Listas das aves do Brasil. 11ª Edição, 1/1/2014, Disponível em <http://www.cbro.org.br>. Acesso em: Janeiro de 2014.

Damiani, B. C. B. & Souza, L. C. (2009) História Natural e Ecologia Comportamental da Coruja (Tyto alba; Scopoli, 1769) com ênfase em repertórios acústivos, em áreas agropastoris e fragmentos de mata, em meridiano - SP, Brasil. Monografia. UNIFEV - Centro Universitário de Votuporanga/SP.

Motta-Junior, J. C.; Bueno, A. A.; Braga, A. C. R. (sem data) Corujas Brasileiras. Departamento de Ecologia, Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Texto disponível em: < http://www.ib.usp.br/labecoaves/PDFs/pdf30CorujasIBC.pdf > Acesso em Junho de 2010.

Owl Pages, (2010) Portal em inglês sobre as Corujas do mundo. Ficha da Tyto alba disponivel em: < http://www.owlpages.com/owls.php?genus=Tyto&species=alba > Acesso em Março de 2010.

Roda, S. A. (2006). Dieta de Tyto alba na Estação Ecológica do Tapacurá, Pernambuco, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4) 449-452.

Shawyer C (1994). Barn Owl Tyto alba. In: Birds in Europe: their conservation status. Pp.322-323. Tucker GM & Heath MF. BirdLife Conservation Series No. 3. BirdLife International, Cambridge.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

Silva, F. (1984) Guia para determinação de morcegos: Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro.

Taylor, I. (1994) Barn owls. Predator-prey relationships and conservation. Cambridge: Cambridge University Press.

The Barn Owl Trust (website). Disponível em: <http://www.barnowltrust.org.uk> Acesso em Dezembro de 2010.

Tomé RP (1994). A Coruja-das-torres Tyto alba (Scopoli, 1769) no Estuário do Tejo: fenologia, dinâmica populacional, utilização do espaço e ecologia trófica. Relatório de estágio da Licenciatura em Biologia. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Lisboa.

Yalden, D. W. e P. A. Morris (1990). The analysis of owl pellets. London: Occasional Publications of the Mammal Society no. 13.

Wink et al. (2008). Owls of the world.; Nijman & Aliabadian. 2013. Zoological Science 30: 1005-109