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Suindara na Revista Terra da Gente de Setembro
   

Suindara
(Tyto alba)

Tyto alba (Scopoli, 1769)
Ordem: Strigiformes
Família: Strigidae
Nome popular: Suindara/Coruja-de-igreja
Outros nomes: Rasga-mortalha
Nome em inglês:
Barn Owl
Tamanho: 36 cm de comprimento
Habitat:
Campos, borda de matas, vegetação aberta, area urbana,
Alimentação:
Principalmente roedores

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Tyto alba fotografa na Reserva Guainumbi - São Luís do Paraitinga/SP. Foto: Rodolfo Viana


Vocalização de chamado em vôo (A)
(gravado por: Ciro Albano)

• Descrição: A coruja Suindara, comum no Brasil, é bastante conhecida por nidificar em torre de igrejas e locais habitados (razão de um de seus nomes comuns) é uma ave muito especializada, possui uma estruturação unica no crânio, separando-a das demais corujas em uma família especial a "Tytonidae" (Sick, 1997). Assim como na maioria das corujas, a Tyto alba possui além da excelente audição e da ótima visão, um vôo silencioso, devido as penas especializadas (bordas suaves e macias e não rigidas como nos gaviões) o que permitem ter um vôo com pouca turbulência e não serem detectadas pela presa. Esta espécie tem em média 36,0 cm de comprimento com uma envergadura de cerca de 75-110 centímetros, as fêmeas pesam em média 570g e os machos 470g (Owls pages, 2010). O nome científico alba refere-se ao padrão branco, plumagem clara da espécie. Ela também é conhecida por Rasga-mortalha, Coruja-das-torres, Coruja-de-igreja, etc.

• Alimentação: Apesar de ser uma coruja de vasta distribuição, os poucos estudos sobre a alimentação da suindara têm sido realizados de uma forma dispersa na região Neotropical (Taylor 1994) a maioria dos dados são da Europa e outras regiões do globo. Ela é uma grande caçadora de ratos, sejam silvestres, ou de espécies introduzidas de fora das Américas. Como todas as corujas, ingere o alimento inteiro. No estômago, há a separação dos pêlos, ossos e outras partes não digeriveis, as quais formam pelotas, posteriormente regurgitadas em seu pouso tradicional. A análise dessas pelotas, indica o alimento ingerido pela espécie. Por esse método, descobriu-se no interior de São Paulo, que duas suindaras mudavam seu alimento conforme a época do ano. No período do inverno, cerca de 90% das pelotas era formada por restos de roedores e 7% de gafanhotos. Já no verão, o inverso. Além de insetos e roedores, apanha morcegos, pequenos marsupiais, anfíbios, répteis e aves (Antas, 2005; Sick, 1997). Espécie essencialmente noturna, procura alimento quase sempre 1 a 2 horas antes do nascer do sol e depois do anoitecer (Cramp 1985).

Em um trabalho realizado no Brasil por Roda (2006) sobre a dieta da Tyto alba na Estação Ecológica do Tapacurá, Pernambuco, a análise das pelotas dessa espécie revelou que, das 93 presas que constituíram a dieta da suindara, os roedores dominaram com 71,0%, seguidos de morcegos (17,2%), marsupiais, (9,7%), aves (1,1%) e insetos (1,1%), as espécies de roedores da família Cricetidae foram as presas mais consumidas na dieta da suindara, destacando-se o rato-da-cana (Holochilus brasiliensis) e o rato-do-chão (Bolomys lasiurus), a presença destes dois roedores pode estar relacionada com os seus hábitos, que também utilizam ambientes freqüentados pela coruja na área de estudo, como os arredores do açude e canaviais (Roda, 2006). Segundo Yalden e Morris (1990), os morcegos são raros na dieta da Tyto alba. Neste trabalho de Roda (2006) os morcegos Molossus molossus que teve uma alta taxa de predação neste estudo, provavelmente foram predados quando estavam agrupados em edificações próximos aos pousos noturnos da Suindara, já que tais morcegos possuem um vôo em zigue-zague o que dificulta a caça aérea (Roda, 2006; Silva 1984).

• Reprodução: Nidifica em forros e sotão de casas, celeiros, abrigos abandonados, torre de igrejas e também em cavidades de árvores e cavernas. Bota em média de 4 a 7 ovos, os ovos medem 40 x 32 mm e são incubados durante aproximadamente 32 dias. Dentro de 50 dias os filhotes já estão aptos a voar. Normalmente, não se separam de seus pais até os 3 meses de vida. Os filhotes após aprender as habilidades de caça, se afastam da região. Em cerca de 10 meses as aves mais novas ja estão aptas a se reproduzirem. A maioria morrem em seu primeiro ano de vida, com a esperança de vida média que é 1 a 2 anos no estado selvagem. Na America do Norte a Suindara mais velha conhecida viveu por 11 anos e 6 meses no ambiente selvagem (Sick, 1997; Owl pages, 2010, Antas, 2005). Em cativeiro podem viver até 25 anos, ja que estão livres de outros predadores e doenças que normalmente poderiam adquirir na natureza (Owl pages).


Filhotes de Tyto alba no ninho. Faz. Bacurilândia - São Simão/GO, Agosto de 2008.
Foto:
Danilo Mota.

• Distribuição Geográfica: Amplamente encontrada em todos os continentes exceto em regiões muito frias (Cosmopolita). Ocorre em todo Brasil do Rio Grando do sul até o Ceará (Sick, 1997).

• Hábitos/Informações Gerais: Ocorre em uma grande variedade de hábitats, principalmente em ambientes abertos, como campos e savanas, além de ambientes antropizados como pastagens. Segundo Tomé (1994), a espécie está associada a biótopos abertos (como pastagens e areas agrícolas) ou semi-abertos. Nas zonas agrícolas ou em áreas reflorestadas ocorre apenas em zonas com extensa rede de corredores de alimentação (pastagens), situadas ao longo das margens de valas de drenagem e córregos (Shawyer 1994). Procura alimento também sobrevoando as margens de estradas (Cramp 1985).

Adaptou-se aos habitats humanos, vivendo nos forros de igrejas e casas maiores. Além de encontrar proteção, também reproduz-se nos forros (Antas, 2005). Se perturbada durante o dia, emite um sibilo rápido e agudo. Em vôo, possui um chamado muito forte, como um pano rasgando (daí o nome rasga-mortalha). A noite, o ventre e cara brancas destacam-se quando iluminados. A envergadura é grande em relação ao corpo. Esta espécie é ativa no crepúsculo e à noite, escondendo-se durante o dia. O vôo caracteriza-se por uma série de vagarosas batidas das longas asas, alternadas com planeios e breves períodos parados no ar (Sick, 1997). Grito fortíssimo, “chraich” que emite freqüentemente durante o vôo. Quando se assusta durante o dia ou quando quer amedrontrar , bufa fortemente podendo estalar com o bico. Um roncar, igualzinho ao roncar do homem, emitido no período de acasalamento, entoado em dueto pelo casal, a fêmea responde nos intervalos que o macho intercala; semelhante roncar é proferido amiúde pelos filhotes que se traem assim no ninho. Um sibilar rítmico, emitido no lugar de dormida diária. Desafia uma seqüência de “tic-tic-tic…”, durante o vôo à noite (Sick, 1997; Owl pages, 2010, Antas, 2005). Mais sobre vocalizações da espécie...

• Ameaças e Conservação: Em trabalhos sobre a Tyto alba realizados em Portugal, foram estabelecidos as principais ameçadas que esta coruja sofre no continente, mesmas questões que também podem ser aplicadas ao Brasil, Mais sobre Ameças da espécie...

Embora ainda existam pessoas que persigam, caça e mate a Suindara e outras corujas devido as crendices populares, mitos e lendas absurdas, é por que pouco sabe dos beneficios que essa fantastica ave faz a população. Como ja foi descrito no item "Alimentação" essa espécie é uma caçadora nata de roedores como os ratos por exemplo, que são considerados pragas pelo homem devastando plantações além de transmitir várias doenças. Além disso como todo predador ela tem um papel ecológico fundamental mantendo o equilibrio da populações de presas na natureza. Vale lembrar também que as lendas e crendices sobre as corujas são falsas, ela não traz azar nem morte a ninguem, pelo contrário, são seres divinos como qualquer outro animal, executando um papel importante na natureza (Obs pes. Willian Menq).


Parque Nacional das Emas. Chapadão do Céu - GO. 2008.
Foto:
Izaltino Guimarães


Tyto alba dormindo em Caverna. Gruta São Miguel - Bonito/MS Março de 2009
Foto:
Ronald Santiago.

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc, 2005.

Cramp S & Simmons KEL (eds.) (1983). Handbook of the Birds of Europe, the Middle East and North Africa, (Waders to Gulls), Vol. III. Oxford University Press, Oxford.

Damiani, B. C. B. & Souza, L. C. (2009) História Natural e Ecologia Comportamental da Coruja (Tyto alba; Scopoli, 1769) com ênfase em repertórios acústivos, em áreas agropastoris e fragmentos de mata, em meridiano - SP, Brasil. Monografia. UNIFEV - Centro Universitário de Votuporanga/SP.

Owl Pages, (2010) Portal em inglês sobre as Corujas do mundo. Ficha da Tyto alba disponivel em: < http://www.owlpages.com/owls.php?genus=Tyto&species=alba > Acesso em Março de 2010.

Roda, S. A. (2006). Dieta de Tyto alba na Estação Ecológica do Tapacurá, Pernambuco, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4) 449-452.

Shawyer C (1994). Barn Owl Tyto alba. In: Birds in Europe: their conservation status. Pp.322-323. Tucker GM & Heath MF. BirdLife Conservation Series No. 3. BirdLife International, Cambridge.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

Silva, F. (1984) Guia para determinação de morcegos: Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro.

Taylor, I. (1994) Barn owls. Predator-prey relationships and conservation. Cambridge: Cambridge University Press.

Tomé RP (1994). A Coruja-das-torres Tyto alba (Scopoli, 1769) no Estuário do Tejo: fenologia, dinâmica populacional, utilização do espaço e ecologia trófica. Relatório de estágio da Licenciatura em Biologia. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Lisboa.

Yalden, D. W. e P. A. Morris (1990). The analysis of owl pellets. London: Occasional Publications of the Mammal Society no. 13

 
 
 


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