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Condor-dos-Andes
(Vultur gryphus)

Vultur gryphus (Linnaeus, 1758)
Ordem: Cathartiformes
Família:Cathartidae
Grupo: Urubus
Outros Nomes: Condor-andino
Nome em inglês: Andean Condor
Tamanho: 110 cm de comprimento
Habitat: Cordilheira dos Andes
Alimentação:
Mamíferos e aves




Distribuição provável no Brasil:



Status:
(LC) Baixo Risco


Macho adulto, Canion del Colca - Chivay/Peru, Novembro de 2011. Foto: Marcelo Barreiros

• Descrição: O condor-dos-andes é uma das maiores aves voadoras do mundo, possui uma envergadura de até 3,2 metros e 110 cm de comprimento, um pouco maior que o condor-californiano que possui 2,7 metros. Apresenta plumagem preta com colar e coberteiras superiores nas asas brancas, cabeça nua avermelhada. Apresenta uma notável cresta carnosa na frente, ausênte nas fêmeas (Fergunson-Lees and Christie, 2001).

• Alimentação: Os condores se alimentam de mamíferos mortos de qualquer tamanho que encontrarem. Consomem carniça de camelos, incluindo o guanaco (Lama guanicoe) (Sarno et al., 2000), a vicunha (Vicugna vicugna) e os descendentes domesticados da lhama (Lama glama) e da alpaca (Vicugna pacos). Também se alimentam de uma grande variedade de outros mamíferos mortos (Haeming, 2008). Os condores não se limitam a alimentos terrestres,  nas regiões costeiras, como nas áridas costas do Peru e do Chile, o condor-dos-andes alimenta-se extensivamente da carniça de animais marinhos trazida pelas ondas. A carniça de animais marinhos é especialmente importante para os condores que vivem em regiões áridas porque, nessas áreas, os mamíferos que pastam são menos abundantes e o mar geralmente produz mais alimentos para os condores do que a terra. Os alimentos registrados em sua dieta incluem as carcaças de baleias e golfinhos, leões-marinhos (Otaria byronia), lobos-marinhos-sulamericanos (Arctocephalus australis), yuncos (Pelecanoides garnotii), pingüins de Humboldt (Spheniscus humboldti), tartarugas-verdes (Chelonia mydas), peixes e algas pardas (Haeming, 2008).

• Reprodução: Na época da reprodução os condores reúnem-se aos pares para nidificar. Os machos diferenciam-se das fêmeas por uma crista carnuda que possuem sobre a cabeça. O casal encontra uma ponto seguro em uma montanha alta e escarpada, e lá colocam um ovo, que é incubado por dois meses. O filhote só começará a voar após seis meses, e só terá a cor de adulto após seis anos! Isso significa que, embora tenham vida longa o número de filhotes que podem ter durante a vida não é grande. Tal lentidão, comum em animais tão grandes, faz com que a espécie seja muito suscetível a impactos causados pelas ações humanas (Bruning, 1983; Fergunso-Lees and Christie, 2001; del Hoyo et al., 1994).

• Distribuição Geográfica: É uma espécie natural das Cordilheiras dos Andes, sendo encontrada desde a Venezuela até a Terra Do Fogo, descendo até o nível do mar no Peru e no Chile. Existem ainda registros  fora  da abrangência  dessa distribuição,  inclusive  no Brasil. Um espécime depositado em Michigan State University Museum  (MSU Vertebrate Collection  – www.groms.de)  datado de 1905 foi coletado no Panamá. No Brasil, o ornitólogo alemão Helmut Sick já observou a espécie na região do rio Jauru, Mato Grosso, a oeste de Cáceres (Sick, 1997). Há evidências da presença  dessa  espécie  no  oeste  do estado do Paraná, na década de 1920 (Straube et al., 1991).

• Registros no Brasil: A informação original sobre a ocorrência dessa espécie no Brasil foi fornecida a Helmut Sick pelo fotógrafo sueco Arne Sucksdorff (autor de Pantanal, um paraíso perdido? Fundação Roberto Marinho, 1985), que residiu em Cuiabá por cerca de 20 anos. Sick (1979) relatou que "a ‘Ilha dos Urubus’, no rio Jauru, é visitada por condores no início da estação seca". Pode ser encontrado na região do rio Jauru, Mato Grosso, a oeste de Cáceres (Sick, 1997). No final da década de 1920, um exemplar foi abatido por militares da 5ª Companhia de Fronteira nos arredores de Sete Quedas, Guaíra, PR, segundo informação do Tenente-médico José de Azevedo Câmara (per Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, outubro de 1989, em Straube et al. 1991). Uma "grande ave, com a cabeça careca, comendo carniça e maior que o urubu-rei", observada pelo seringueiro Osmildo Gomes na Reserva Extrativista do Alto Juruá, AC, foi identificada como sendo um V. gryphus pelo entomólogo Keith S. Brown Jr. (CBRO, 2009). Em cavernas na região de Santa Lagoa em Minas Gerais, já foi encontrado fósseis do Condor-dos-Andes, datado do inicio do Holoceno. Acredita-se que o clima da região naquele periodo teria sido mais frio que os dias de hoje, com grandes correntes eólicas capazes de facilitar o vôo dessa pesada ave (Alvarenga, 1998) (CBRO, 2009).

• Hábitos/Informações Gerais: Esta imensa ave, povoa a econsta das montanhas imponentes, a mais de 5000 metros de altitude, na desolada cordilheira andina. Durante algum tempo perguntou-se como uma ave tão grande era capaz de voar. Estudando-o descobriram que o condor praticamente não gasta energia durante seu vôo, usando as correntes de ar quente ascendente para se manter no ar. As asas grandes e largas são perfeitamente moldadas pela natureza para este planeio, e assim permitirem ao condor usar por muito tempo sua visão telescópica para procurar lá do alto as carcaças de animais terrestres e marinhos de que se alimenta. O condor era um animal sagrado para os antigos Incas, povos nativos que habitavam a cordilheira dos Andes. Na cidade sagrada de Machu-Pichu há diversas representações do condor, considerado “A alma dos Andes”. Seu habitat, a mais de três mil metros de altitude, o protegeu da caça excessiva, mas ainda assim ele é considerado vulnerável à extinção (Fergunso-Lees and Christie, 2001; del Hoyo et al., 1994).

Snyder & Snyder (2000) listam três exigências de habitat para os condores: (1) ventos ou termais razoavelmente confiáveis para voar alto, (2) um habitat de alimentação suficientemente aberto para que se possa descobrir e acessar alimentos putrefatos e (3) suprimentos adequados de carniça. Um estudo sobre os condores-dos-andes no sul do Chile constatou que esses pássaros voavam alto com mais freqüência sob ventos moderados (25-48 km/h), e menos freqüentemente sob ventos fortes, isto é, acima de 64 km/h (Sarno et al., 2000).

Sick (1997) aponta que esta espécie tenha algumas migrações sazonais a partir de sua distribuição para o oeste, penetrando em território brasileiro.


Macho adulto, Canion del Colca - Chivay/Peru, Novembro de 2011. Foto: Marcelo Barreiros

Indivíduo Jovem, Canion del Colca - Chivay/Peru, Novembro de 2011. Foto: Marcelo Barreiros


Macho adulto. Ushuaia - Tierra del Fuego/Argentina. Janeiro de 2011 Foto: María Regina Silva

Macho adulto. Ushuaia - Tierra del Fuego/Argentina. Janeiro de 2011 Foto: María Regina Silva


:: Página editada por: Willian Menq em 2012. ::



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• Referências:

Alvanegra, H. M. F. 1998. Sobre ocorrência do Condor (Vultur gryphus) no Holoceno da Região de Lagoa Santa, Minas Gerais, Brasil. Ararajuba 6(1):60-63.

Bruning, D. 1983. Breeding condors in captivity for release in the wild.
Zoo Biology 2:245-252.

CBRO
- Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2009) Resoluçao nº 7. Versão 9/8/2009. Disponível em <http://www.cbro.org.br>. Acesso em: Abril de 2010

del HOYO, J.; ELLIOTT, A.; SARGATAL, J. Hand-book of the birds of the world. v. 2. Barcelona: Lynx Edicions, 1994.

Ferguson-Lees, J., and D.A. Christie. 2001. Raptors of the world. Houghton Mifflin, Boston, MA.

Haemig PD   2008   Ecologia dos Condores. ECOLOGIA.INFO#25. Disponível em: < http://www.ecologia.info/condor-dos-andes-3.htm > Acesso em Agosto de 2010.

Sarno RJ, Franklin WL, Prexl WS  (2000)  Activity and population characteristics of Andean Condors in southern Chile.  Revista Chilena de Historia Natural 73: 3-8

Sick, H. (1979) Notes on some brazilian birds. Bull. Brit. Orn. Cl. 99(4):115-120.

Snyder NFR, Snyder H  (2000)  The California Condor.  Academic Press, San Diego

Straube,
F. C., M. R. Bornschein & D. M. Teixeira (1991) Nova ocorrência de Vultur gryphus em território brasileiro. Resumos I Congr. Bras. Ornit.: 31-32.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)