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Gavião-cinza
Circus cinereus (Vieillot, 1816)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Tartaranhões

Nome em inglês: Cinereous Harrier
Habitat:
Banhados e Brejos
Alimentação:
Pequenos vertebrados


Distribuição no Brasil:



Status: (VU) Vulnerável


Macho adulto. São Gabriel/RS, Janeiro de 2016.
Foto: José Paulo Dias

Vocalização de chamado (B) - (gravado por: Carlos Ferrari)

Raro e ameaçado de extinção, a espécie conta com registros apenas nos campos, restingas e áreas pantanosas do Rio Grande do Sul. Costuma ser avistado sobrevoando a baixa altura a vegetação alagada, onde procura pequenos pássaros, sapos, pequenos mamíferos, lagartixas, répteis e insetos. Conhecido também como gavião-cinzento-do-banhado e tartaranhão-cinza.

• Descrição: Mede de 39-48 cm de comprimento, sendo a fêmea maior. Apresenta acentuado dimorfismo sexual, sendo o macho adulto com o predomínio de cinza nas costas, na cabeça e no peito, e fêmea de cor marrom; ambos apresentam listas de ferrugem nas partes ventrais de forma transversal. Além disso, a íris nessa espécie é clara, variando do amarelo ao quase branco, o que torna-se um importante caractere diagnóstico para diferenciá-lo do C. buffoni. Tanto o macho como a fêmea possuem um colar de penas ao redor do pescoço, que quando eriçados fazem a cabeça parecer maior (Márquez, et al. 2005; Sick, 1997; Ferguson-Lees & Christie, 2001).

• Alimentação: Alimenta-se de pequenos pássaros, sapos, pequenos mamíferos, lagartixas, répteis e insetos que são avistados durante o voo. Dentre as principais presas, caça pequenas aves, principalmente o Garibaldi  Agelaius ruficapillus (Márquez, et al., 2005).

No município de Pelotas/RS, em uma região de banhado, Dias & Maurício (1997) registram como parte de sua dieta, as seguintes espécies de aves: Agelaius ruficapillus, Laterallus melanophaius, Himantopus himantopus, Sturnella superciliaris e Pardirallus sanguinolentus. Um estudo realizado no Chile, no Parque Torres del Paine, foi determinado que sua dieta na região era constituída principalmente por aves (42%), répteis (29%) e mamíferos (29%) (del Hoyo et al. 1994 in: Márquez, et. al. 2005).

• Reprodução: Constrói o ninho sobre a vegetação do brejo entre 10 cm a 30 cm do nível d'água. O ninho é forrado de vegetais macios e plumas, construído de forma mais ou menos circular, com talos de junco seco e forrado com material vegetal. A postura é de dois a cinco ovos, com um período de incubação estimado de 28 a 32 dias. No Rio Grande do Sul, em Pontal da Barra, foi registrada a reprodução entre setembro e janeiro, nos anos de 1994/1995 e 1995/1996 (Maurício & Dias, 1997; ICMBIO, 2008). No período de corte, o macho realiza voos nupciais, entregando presas em voo para a fêmea.

• Distribuição Geográfica: É natural da América do Sul, ocorrendo nas Cordilheiras dos Andes, desde a Colômbia até Equador, Terra do Fogo e Ilhas Malvinas. No Brasil, ocorre apenas nos estados da região sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná) (Sick, 1997; Ferguson-Lees e Christie, 2001). Willis & Oniki (2003) relata um registro antigo no estado de São Paulo, na região do Vale do Paraíba.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Rio Grande do Sul: Vulnerável (Rio Grande do Sul, 2014)
  São Paulo: Vulnerável (Silveira et al., 2009).

• Hábitos/Informações Gerais: Plana muito sobre a vegetação alagada. Habita áreas abertas, particularmente em regiões pantanosas, alagadiças e restingas. Pode  ser encontrado ainda em pastagens, algumas plantações e clareiras de florestas. Ocorre em altitudes do nível do mar até de 4.500 metros nos Andes. Bildstein (2004) aponta esta espécie como parcialmente migratória, saindo do extremo sul durante o inverno austral (não havendo registros em Tierra del Fuego entre maio e agosto), também realiza migrações altitudinais (Bildstein, 2004); no Brasil foi pouco estudado.

• Ameaças e Medidas para conservação: A maior população de C. cinereus encontra-se nos cordões litorâneos do sul do estado do Rio Grande do Sul, sendo que os grandes banhados da Lagoa do Peixe e trechos de ambientes úmidos costeiros na Estação Ecológica do Taim eram considerados como áreas adicionais possíveis de sustentar grandes populações (ICMBIO, 2008). Por habitar áreas alagadiças do sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, grande parte deste habitat foi transformado em plantações de arroz ou açudes. A pecuária também vem transformando consideravelmente os campos em pastagens. A expansão urbana e as plantações de Pinus também constituem ameaças à espécie na região dos cordões litorâneos do sul do estado (ICMBIO, 2008). O uso de inseticidas em lavouras de arroz pode oferecer um risco de concentração acumulativa devido à dieta carnívora da ave, sendo que o pássaro Garibaldi Agelaius ruficapillus, principal presa do tartaranhão-cinza no estado, muitas vezes combatido com pesticidas pelos produtores de arroz (ICMBIO, 2008).



Macho adulto. São Gabriel/RS,
Janeiro de 2016.
Foto: José Paulo Dias

Macho adulto. São Gabriel/RS, Janeiro de 2016.
Foto: José Paulo Dias

Fêmea adulta. São Gabriel/RS, Janeiro de 2016.
Foto: José Paulo Dias


Fêmea adulta. São Gabriel/RS, Dezembro de 2014.
Foto: José Paulo Dias

Macho adulto. São Gabriel
Janeiro de 2016.
Foto: José Paulo Dias

Macho adulto. Lagna Nimes - Calafate/Argentina. Jan 2006.
Foto: José Paulo Dias


:: Página editada por: Willian Menq em Nov/2016. ::

• Referências:

Belton, W. (1994) Aves do Rio Grande do Sul, distribuição e ecologia. São Leopoldo: Ed. Unisinos.

Bildstein, K. L. (2004) Raptor Migration in the Neotropcs: patterns, processes, and consequences.
Ornitologia Neotropical, v. 15, p. 83-99.

Didas, R. A.; Maurício, G. N. (1997) Aspectos reprodutivos de Circus cinereus. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ORNITOLOGIA, 7. Belo Horizonte. Resumos…,. p. 125

Ferguson-Lees, J., and D.A. Christie. (2001) Raptors of the world. Houghton Mifflin, Boston, MA.

ICMBio, (2008) Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Rio Grande do Sul (2014) Táxons da fauna silvestre do Estado Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção. Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014. (publicado no DOE n.º 173, de 09 de setembro de 2014).

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Willis, E. O. & Oniki, Y. (2003) Aves do Estado de São Paulo. Rio Claro, SP. Editora Divisa. 398p.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Gavião-cinza (Circus cinereus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/circus_cinereus.htm > Acesso em: