• Descrição: O tartaranhão-cinza, atinge possuindo comprimento médio de 40cm, enquanto que a fêmea chega a 50cm. Esta espécie apresenta um acentuado dimorfismo sexual, sendo o macho adulto com o predomínio de cinza nas costas, na cabeça e no peito, e a fêmea de cor marrom; ambos apresentam listas de ferrugem nas partes ventrais de forma trasnversal. Tanto o macho como a fêmea possuem um colar de penas ao redor do pescoço, que quando eriçados fazem a cabeça parecer maior (Márquez, et al., 2005; Sick, 1997; Ferguson-Lees e Christie, 2001). Nesta espécie pode ocorrer individuos com plumagem melânica (Fase escura: Dark morph) (Márquez, et al., 2005). Conhecido como caracoleiro, gavião-bico-de-gancho, gavião-cinzento-do-banhado e tartaranhão-cinza.
• Alimentação: Alimenta-se de pequenos pássaros, sapos, pequenos mamíferos, lagartixas, répteis e insetos que são avistados durante o vôo. Dentre as principais presas, caça pequenas aves, principalmente o Garibaldi - Agelaius ruficapillus. (Márquez, et al., 2005). Em uma região de banhado, no município de Pelotas, foi registrado em sua alimentação: Agelaius ruficapillus, Laterallus melanophaius, Himantopus himantopus, Sturnella superciliaris e Pardirallus sanguinolentus (Dias e Maurício, 1997). Um estudo realizado no Chile, no Parque Torres del Paine determinou que sua dieta na região era constituída principalmente por aves (42%), répteis (29%) e mamíferos (29%) (del Hoyo et al. 1994 in: Márquez, et. al. 2005).
• Reprodução: No período de corte, o macho realiza vôos nupciais, após retornar de uma caçada entrega a presa para a fêmea em vôo. Esta alinha-se atrás do macho que larga o pássaro, a fêmea em seguida dá um semi-looping, freando com as asas e erguendo a parte posterior do corpo apanhado o alimento com os pés. Constrói o ninho sobre a vegetação do brejo entre 10cm a 30cm do nível d'água (ICMBIO, 2008). O ninho é forrado de vegetais macios e plumas, é construído de forma mais ou menos circular, com talos de junco seco e forrado com material vegetal. A postura é de dois a cinco ovos, com um período de incubação estimado de 28 a 32 dias (Rio Grande do Sul, 2003). No Rio Grande do Sul, Pontal da Barra, foi registrada a reprodução entre setembro e janeiro, nos anos de 1994/1995 e 1995/1996 (Maurício e Dias, 1997; ICMBIO, 2008).
• Distribuição Geográfica: E natural da América do Sul, mais encontrado nas Cordilheiras dos Andes, ocorre da Colômbia e Equador até a Terra do Fogo e Ilhas Malvinas, ao nível do mar até uma altitude de 4.500 metros nos Andes. Vive nos banhados e brejos. Restrito ao sul do Brasil, ocorrendo apenas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. (Sick, 1997; Ferguson-Lees e Christie, 2001), conta ainda com um único registro para o estado de São Paulo (Willis & Oniki 2003) onde foi observado em um banhado da região do Vale do Paraíba paulista.
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Rio Grande do Sul: Vulnerável (Marques, et al. 2002).
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São Paulo: Vulnerável (Silveira et al., 2009). |
• Hábitos/Informações Gerais: Plana muito sobre a vegetação alagada. Habita áreas abertas,particularmente em regiões pantanosas, alagadiças e restingas. Pode ser encontrado ainda em pastagens, algumas plantações e clareiras de florestas. Bildstein (2004) aponta esta espécie como parcialmente migratório, evacuando a Tierra del Fuego durante o inverno austral (não havendo registros em Tierra del Fuego entre maio e agosto), sendo que a população do Rio Grande do Sul é pouco estudada quanto à migração. A espécie pode realizar ainda migrações de altitude (Bildstein, 2004).
• Ameaças e Medidas para conservação: O tartaranhão-cinza, por habitar áreas alagadiças do sul do Brasil, grande parte deste habitat no Rio Grande do Sul foi transformada em plantações de arroz ou açudes. A pecuária também vem transformando consideravelmente os campos em pastagens. A expansão urbana e as plantações de Pinus também constituem ameaças à espécie na região dos cordões litorâneos do sul do estado (ICMBIO, 2008). O uso de inseticidas em lavouras de arroz pode oferecer um risco de concentração acumulativa devido à dieta carnívora da ave, sendo que o pássaro Garibaldi Agelaius ruficapillus, principal presa do tartaranhão-cinza no estado, muitas vezes é combatido com pesticidas pelos produtores de arroz (ICMBIO, 2008). A maior população de C. cinereus encontra-se nos cordões litorâneos do sul do estado do Rio Grande do Sul, sendo que os grandes banhados da Lagoa do Peixe e trechos de ambientes úmidos costeiros na Estação Ecológica do Taim eram considerados como áreas adicionais possíveis de sustentar grandes populações (ICMBIO, 2008).

Lagoa Mirim - Rio Grande/RS, julho 2009,
Foto: Aurélea Mäder
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
BELTON, W. Aves do Rio Grande do Sul, distribuição e ecologia. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 1994.
BILDSTEIN, K. L. Raptor Migration in the Neotropcs: patterns, processes, and consequences.
Ornitologia Neotropical, v. 15, p. 83-99, 2004.
DIAS, R. A.; MAURÍCIO, G. N. Aspectos reprodutivos de Circus cinereus. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ORNITOLOGIA, 7., 1997. Belo Horizonte. Resumos…,. p. 125
Ferguson-Lees, J., and D.A. Christie. 2001. Raptors of the world. Houghton
Mifflin, Boston, MA.
ICMBIO, 2008. Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).
MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)
Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.
Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
Willis, E. O. & Oniki, Y. 2003. Aves do Estado de São Paulo. Rio Claro, SP. Editora Divisa. 398p.
