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Gavião-do-banhado
Circus buffoni (Gmelin, 1788)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Tartaranhões

Nome em inglês: Long-winged Harrier
Habitat:
Banhados e Brejos
Alimentação:
Pequenos vertebrados

Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Macho adulto (forma clara). Rio Grande/RS, Janeiro de 2015.
Foto: Willian Menq


Vocalização de chamado (B) - (gravado por: Miguel Angel Roda)

Gavião de voo lento e elegante. Gosta de habitar banhados e outras áreas alagadas. Costuma voar rasante vagarosamente sobre a vegetação a procura de suas presas, como pequenas aves, roedores e anfíbios. Conhecido também como tartaranhão-do-brejo, gavião-do-alagado.

• Descrição: Mede de 48-56 cm de comprimento, peso de 403-464 g (macho) e 580-645 g (fêmea) (Márquez et al. 2005). Apresenta plumagem variável, o forte barrado das asas e cauda ajuda na identificação da espécie. Macho, forma clara, apresenta cabeça, dorso e coleira peitoral, escuro quase preto; por baixo branco, com pontos escuros em alguns indivíduos e cauda com várias faixas cinzas (Cáceres et al. 1996; Antas, 2005). Na fêmea e no jovem, forma clara, dorso mais amarronzado, marcas faciais pardas, por baixo a barriga, o peito pardos com leve estriamento marrom mais fortes nos jovens. No macho adulto melânico (forma escura), a plumagem é preta predominante, com o padrão de coloração das penas secundárias e primárias das asas e cauda inalterados. Na fêmea melânica os calções são castanhos (Sick, 1997; Antas, 2005).


Macho adulto (forma escura).
São Gabriel/RS, Dez 2014.
Foto: José Paulo Dias

Adulto caçando (forma clara).
Santa Margarida do Sul/RS
Foto: José Paulo Dias

Fêmea adulta (forma clara).
Mostardas/RS, Junho de 2010.
Foto:
Renato Grimm


• Alimentação:
Caça anfíbios, mamíferos, aves chocando no ninho com seus ovos e filhotes, e com menor frequência outros pequenos vertebrados. Há relatos da espécie consumindo ovos de marreca-de-cabeça-preta (Heteronetta atricapilla); também já foi observado C. buffoni capturando quiriquiri (Falco sparverius) em áreas campestres (Cáceres et al. 1996; Sick, 1997). Normalmente é visto caçando sozinho, mas pode caçar em bandos esparsos de dois a quatro indivíduos. Voa vasculhando a vegetação e áreas alagadas em voo lento e a baixa altura (2 a 5 m), ao avistar a presa, com um movimento rápido de mergulho e quase vertical, realiza um giro e atira-se sobre a presa capturando-a com suas garras.

• Reprodução: Em boa parte do Brasil se reproduz de setembro a janeiro, podendo ser colonial. Pode fazer ninhos nas mesmas áreas que C. cinereus. Os ninhos são construídos no chão, acima de plataformas vegetais, e em alguns casos em terrenos úmidos ou alagados. A ninhada é composta de três ou quatro filhotes, podendo variar em casos extremos de dois a cinco (Silveira et al. 2009).

• Distribuição Geográfica: Está presente em grande parte do Brasil, sendo ausente em grande parte da Floresta Amazônica e região nordeste. Também ocorre nas Guianas, Venezuela, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile (Sick, 1997; Antas, 2005).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).

• Hábitos/Informações Gerais: Vive nos banhados e outras áreas alagadas. Voa rasante vagarosamente sobre a vegetação dos brejos planando a procura de alimento. Seu voo lembra os urubus do gênero Cathartes, por ser (só na aparência) errático e instável. Graças a suas longas e finas asas, movimenta-se sem problemas, mesmo a baixa altura sobre o alagado, guiado pela cauda comprida (Sick, 1997; Antas, 2005). A espécie é limitada a rios e banhados, o que a torna sensível às atividades que afetam essas áreas. Como no caso de outras espécies semelhantes (ex. C. cinereus), as principais ameaças são a perda de habitat e a destruição e descaracterização específica dos sítios de reprodução.

Considerado criticamente ameaçado no estado de São Paulo, com pouquíssimos registros nas ultimas décadas (Silveira et al. 2009). Segundo Silveira et al. (2009) o C. buffoni vem sofrendo um aparente declínio populacional ao longo de sua distribuição nos últimos cem anos. Este fato também é observado nos estados do sul do Brasil, que são as regiões que ligam o núcleo da distribuição da espécie ao Estado de São Paulo (Silveira et al., 2009).



Fêmea adulta (forma clara).
São Gabriel/RS, Dez 2014.
Foto: José Paulo Dias

Adulto (forma escura).
Pelotas/RS. Julho de 2010.
Foto:
Hugo Amaral

Macho adulto (forma clara). São Gabriel/RS, Dez de 2014.
Foto: José Paulo Dias


Indivíduos adultos interagindo.
São Gabriel/RS, Dez 2014.
Foto: José Paulo Dias

Fêmea adulta (forma escura).
São Gabriel/RS, Dez 2014.
Foto: José Paulo Dias

Indivíduo jovem em voo.
São Gabriel/RS.
Foto: José Paulo Dias

 

:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::



• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN Sesc.

Cáceres, R. M., M. S. Bó, & M. Martínez. (1996) Ecología trófica de Circus buffoni y Circus cinereus, durante el período reproductivo, en la Reserva Municipal Mar Chiquita, Provincia de Buenos Aires. Pp. 15 in Novena Reunión Argentina de Ornitología (Buenos Aires,Argentina), Resumen.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Simon, J. E. et al. (2007) As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, . p. 47-64.

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009). Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Gavião-do-banhado (Circus buffoni) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/circus_buffoni.htm > Acesso em: