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Urubu-de-cabeça-preta
Coragyps atratus (Bechstein, 1793)

Ordem: Cathartiformes
Família:Cathartidae
Nome em inglês: Black Vulture
Habitat:
Campos e áreas urbanas.
Alimentação: Carniça

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo Risco


Indivíduo adulto. Cocalinho/MT, Julho de 2014.
Foto: Willian Menq

É simplesmente o urubu mais comum e popular do Brasil. Facilmente encontrado nos centros das cidades, planando alto ou pousado sobre edifícios, postes e outras estruturas urbanas. Também encontrado em campos, borda de matas, áreas rurais e à beira de praias. Alimenta-se de carcaças de animais mortos e outros materiais orgânicos em decomposição, também busca restos de comida em lixos e lixões das cidades. Conhecido também como urubu-comum, corvo, urubu-preto e apitã.

• Descrição: Possui 56-66 cm de comprimento, 143 cm de envergadura, e peso de 1180 g (macho) e 1940 g (fêmea) (Fergunson-Lees & Christie, 2001). Para diferenciá-lo dos outros urubus, em voo, destaca-se o formato mais curto e arredondado das asas, com a ponta mantida um pouco à frente da cabeça. Quase no final de cada asa, forma-se uma área mais clara, quase um círculo. Exceto por essa área mais clara, adultos e jovens são totalmente negros, inclusive a pele nua da cabeça e pescoço (Antas, 2005; Sick, 1997; Fergunson-Lees & Christie, 2001).

• Alimentação: Alimenta-se de carcaças de animais mortos e outros materiais orgânicos em decomposição, bem como de animais vivos impedidos de fugir, como filhotes de tartarugas e de outras aves (Antas, 2005; Sick, 1997). No ambiente urbano busca restos de comida em lixos, lixões e partes de animais domésticos abatidos. Devido aos seus hábitos alimentares, os urubus têm importante papel sanitário, pois retiram material orgânico em decomposição da superfície do solo.

Sazima (2010) registrou a espécie retirando partículas orgânicas da pelagem de um cão doméstico. Um perdigueiro descansando em praia apresentava a longa pelagem suja após espojar‑se sobre material em decomposição. Após aproximarem‑se do cão, os urubus puxavam a pelagem dos flancos, ancas e ponta da cauda, catando partículas orgânicas.

• Reprodução: Nidifica em ocos de árvores mortas, entre pedras e outros locais abrigados, geralmente com incidência de árvores. Em ambiente urbano, pode utilizar sacadas de prédios e plataformas para nidificar. Coloca, em média, 2 ovos branco-azulados manchados com muitos pontos marrons. O casal incuba os ovos por aproximadamente 32 a 39 dias. O filhote ao nascer apresenta uma penugem amarelada e o bico reto colorido de azul-escuro; após 3 semanas sua cor é branco-rosada, com uma estreita faixa negra circundando a cabeça e as pernas são azuladas; um mês depois, com o tamanho de uma galinha, sua plumagem é castanho-clara, mostrando algumas penas negras. Aos 2 meses, já com a plumagem e o bico negros, tem a pele do pescoço lisa, sem as proeminências transversais e rugosas da ave adulta. O primeiro voo dá-se com 11 semanas de vida (Antas, 2005; Fergunson-Lees & Christie, 2001).

• Distribuição Geográfica: Encontrado desde a região central dos Estados Unidos, e em toda a América do Sul. Facilmente visto nas cidades, fazendas e áreas antropizadas (Fergunson-Lees & Christie, 2001; Sick, 1997).

• Hábitos/Informações Gerais: Vive em grupos, às vezes de dezenas de indivíduos. Sua área de ocorrência tem-se expandido com a colonização humana. Dentre os urubus, é o de menor envergadura. É uma das aves mais comuns em qualquer região do Brasil, exceto em extensas áreas florestadas com pouca presença humana. Apesar de seu tamanho, é muito agressivo, disputando avidamente uma carcaça com as outras espécies. Não possui o olfato apurado como o do gênero Cathartes, localiza a carniça pela visão ou seguindo outros urubus. Costuma deslocar-se a grande altura, usando as correntes de ar quente para diminuir o custo energético do voo. Bate as asas pesadamente, sendo um excelente planador (Antas, 2005; Sick, 1997). Acostuma-se com a presença humana e, em alguns locais, circula até junto de galinhas e outras aves domésticas. Quando está andando próximos a outros urubus, deixa a cauda ereta aparecendo entre as asas. Em dias muito quentes, pousa nas margens de rios e lagoas para beber água e resfriar as pernas. Em alguns casos, pode entrar na água rasa e molhar as pernas completamente (Antas, 2005; Fergunson-Lees & Christie, 2001).

Essa espécie é cercada de crendices, geralmente envolvendo má sorte e morte. Há quem acredite que se um urubu pousar sobre a sua casa é sinal de que alguém da família morrerá, ou que se esta ave defecar sobre alguém esta pessoa terá uma vida curta.

O raro urubu albino: Em julho de 2009, um C. atratus albino foi encontrado por agricultores no estado de Sergipe, são raríssimos casos de urubus com albinismo. De acordo com Souza et al. (2009) relatos de seu comportamento indicam que o urubu albino era constantemente afugentado pelos demais indivíduos do grupo. Possivelmente debilitado, fraco e com a plumagem encharcada por conta do dia chuvoso, foi capturado por populares até ser resgatado por um integrante do pelotão ambiental da polícia militar de Sergipe e encaminhado ao criatório conservacionista “Parque dos Falcões”, situado no município de Itabaiana no Sergipe (Souza, et al, 2009).


Indivíduo adulto. Cocalinho/MT,
Julho de 2014.
Foto: Willian Menq

Bando se alimentando. Santa Margarida/MG, Ago 2008.
Foto: Daniel Esser

Indivíduos se secando
Itupeva/SP , Dezembro de 2009.
Foto: Theodoro Prado



Indivíduo albino registrado no município de Itabaiana - SE.
Foto: Marcelo Cardoso de Sousa

Indivíduo adulto. São Lourenço - Cianorte/PR, Março de 2015
Foto:
Jessica M. Nascimento

Bando descansando. Ribeirão Cascalheira/MT, Nov. de 2013.
Foto: Willian Menq



Indivíduo adulto em voo.
Tuneiras do Oeste/PR, Julho 2016.
Foto: Willian Menq

Bando. Cocalinho/MT,
Julho de 2014.
Foto: Willian Menq

Bando descansando. Ribeirão Cascalheira/MT, Nov. de 2013.
Foto: Willian Menq



:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::



• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN: Sesc.

Ferguson-Lees, J., and D.A. Christie. 2001. Raptors of the world. Houghton Mifflin, Boston, MA.

Sazima, I. (2010) Black Vultures (Coragyps atratus) pick organic debris from the hair of a domestic dog in southeastern Brazil. Revista Brasileira de Ornitologia, 18(1):45-48.

Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira, RJ.

Sousa, M. C; Costa, J. P. M; Silva, R. A. C. Albinismo em Coragyps atratus no Estado de Sergipe (Cathartiformes: Cathartidae). Atualidades Ornitológicas Nº 150 - Julho/Agosto 2009 - www.ao.com.br

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/coragyps_atratus.htm > Acesso em: