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Águia-cinzenta
Urubitinga coronata (Vieillot, 1817)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias-buteoninas

Nome em inglês: Crowned Eagle
Habitat:
Savanas e campos naturais
Alimentação:
Pequenos mamíferos
e aves.


Distribuição no Brasil:



Status: (EN) Em perigo

Soltura de um individuo adulto no Parque dos Pireneus, Pirenópolis - GO, Ago 2008. Foto: Mauro cruz

Vocalização de chamado (E)
(gravado por: Robson Silva e Silva)

É uma das maiores e mais ameaçadas águias que ocorrem no Brasil. Vive nos campos naturais e savanas, ambiente na qual é cada vez mais raro no país. É uma poderosa predadora, caça principalmente mamíferos como tatus, gambás, lebres e ratos silvestres, além de aves e répteis.

• Descrição: Mede de 75-85 cm de comprimento, podendo pesar até 3 kg (Fergunson-Lees & Christie, 2001). O adulto possui plumagem cinza-chumbo, penacho em forma de coroa e cauda escura com duas faixas brancas, sendo uma estreita e terminal, bem visível quando em voo. O jovem apresenta o dorso marrom escuro, peito e barriga creme, com irregulares estrias marrom, às vezes mais escuras nas laterais do peito (Mikich & Bérnils, 2004, Fergunson-Lees & Christie, 2001). Quando pousada, seu grande porte e suas poderosas garras são suficientes para a identificação.

• Alimentação: Caça principalmente mamíferos (gambás, lebres e ratos silvestres), aves e répteis. Também pode consumir animais atropelados à beira de rodovias, ou carcaças de animais domésticos, como de ovelhas, galinhas, etc. (Mikich & Bérnils, 2004; Fergunson-Lees & Christie, 2001). Na Argentina existem registros da espécie predando tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), tatu-mataco (Tolypeutes mataco), lagarto-teiú (Tupinambis merianae) e serpente (Philodryas patagoniensis) (Fergunson-Lees & Christie, 2001; Bellocq et al. 2002)

• Reprodução: Constrói o ninho com galhos e ramos em uma árvore alta, geralmente na forquilha principal, podendo manter mais de um ninho sem utilização em seu território (Global raptors, 2010). No período reprodutivo coloca um único ovo branco com manchas cinzas ou amarelas, com período de incubação de 39 a 40 dias (Collar et al. 1992). O filhote permanece dependente dos pais por mais de um ano, fazendo com que seu intervalo de reprodução seja de pelo menos 2 anos (Fergunson-Lees & Christie, 2001). No Parque Nacional das Emas, foi registrada a presença de casais adultos em quase todos os meses do ano, sugerindo que a espécie é monogâmica e que compartilha o mesmo território durante todo o ano (ICMBio 2008).

Na província de La Pampa, Argentina, Maceda (2007) inseriu uma micro-câmera no ninho da águia, onde foi possível obter informações importantes sobre o cuidado parental da espécie, que até então eram desconhecidos. A fêmea ficava 90% do tempo se dedicando a incubação e cuidados com o filhote. As atividades consistiam em alimentar o filhote, ficar em cima dele durante a noite e dar-lhe sombra durante as horas mais quentes do dia. O macho aparecia no ninho só para levar presas e em curtos períodos durante a incubação e criação do filhote.


Indivíduo jovem às margens de uma rodovia. Ribeirão Cascalheira/MT, Nov. 2013. Foto: Willian Menq

Indivíduo jovem. Monte Alegre do Sul/SP, Abril de 2011.
Foto:
Sinara Conessa

Ninho de águia-cinzenta.
Argentina, Janeiro de 2010.
Foto:
Maximiliano Galmes


• Distribuição Geográfica:
Ocorre na Bolívia, Argentina e Brasil, com registros históricos no Uruguai onde se encontra provavelmente extinta (Collar et al. 1992). No Brasil, ocupa a região centro-oeste e meridional, desde o sul do Maranhão e Pará, Bahia até o Rio Grande do Sul (Sick, 1997; Somenzari et al. 2011).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Vulnerável (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Criticamente em perigo (Rio Grande do Sul, 2014).
  São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Em Perigo (Copam 2010).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).
  Santa Catarina: Criticamente em Perigo (Consema 2011).

• Hábitos/Informações gerais: Habita os campos naturais e savanas, em algumas áreas como na Serra dos Orgãos/RJ, é associada à paisagens montanhosas. Vive solitariamente ou em casais, às vezes acompanhada de um jovem. Passa a maior parte do dia pousada em cercas, cupinzeiros, buritis, postes, etc., onde emite uma fina voz de alarme. Geralmente reluta em abandonar seu poleiro quando perturbada (Brown & Amadon, 1989). Costuma ficar à espreita em um galho no alto das árvores para caçar (Mikich & Bérnils, 2004; Sick, 1997).

• Ameaças e Conservação: É uma das maiores aves de rapina encontradas no Brasil e também uma das mais raras. A principal ameaça da espécie no Brasil está associada à descaracterização de seu hábitat preferencial, os campos naturais e as paisagens associadas, como o cerrado e as vegetações rupestres. Além disso, em áreas rurais, a pulverização exagerada de defensivos agrícolas pode ser fator determinante para o incremento nas taxas de mortalidade desta espécie, bem como causar o malogro reprodutivo pela má-formação dos ovos. Outra ameaça verificada para esta e outras aves de rapina de grande porte, é o abate indiscriminado de indivíduos, uma vez que eventualmente essas águias predam animais domésticos e, dessa forma, são consideradas prejudiciais, em particular para a avicultura (Mikich & Bérnils, 2004).


Indivíduo jovem em voo.
Comodoro/MT, Abril de 2012.
Foto:
Danilo Mota

Indivíduo alimentando-se de um tatu. Abreulandia-TO. Outubro de 2010. Foto: Cal Martins

Casal em voos acrobáticos. São José dos Campos/SP. Abril de 2010.
Foto:
Calebe Dalprat


Indivíduo adulto. Ribeirão Cascalheira/MT, Dezembro de 2013.
Foto:
Daniel Bühler

Indivíduo adulto em voo.
Jacareí/SP, Abril de 2008.
Foto:
Marcelo Barreiros

Indivíduo em torre de transmissão. São J. dos Campos/SP, Maio
de 2010. Foto:
Marcos Eugênio


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::



• Referências:

Albuquerque, J.L.B. ; GHIZONI-JR, I. R. ; Silva, E. S. ; TRANNINI, G. ; Fraz, I ; BARCELLOS, A. ; HASSDENTEUFEL, Clarissa Britz ; AREND, F. L. ; MARTINS-FERREIRA, C. . Águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) e o Gavião-real-falso (Morphnus guianensis) em Santa Catarina e Rio Grande do Sul:prioridades e desafios para sua conservação.. Ararajuba. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, p. 411-415, 2006.

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Barreiros, M. H. M.; Leite, G. A. Registro documentado do comportamento de um casal e filhote de Harpyhaliaetus coronatus no Vale da Paraíba do Sul, estado de São Paulo. Atualidades Ornitológicas, n 144 p. 22. 2008.

Brown, L., and D. Amadon. 1989. Eagles hawks and falcons of the word. The Wellfleet Press, New Jersey, USA.

CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2011) Listas das aves do Brasil. 10 ª Edição, 25/01/2011, Disponível em <http://www.cbro.org.br>. Acesso em: Janeiro de 2011.

Copam (2010) Deliberação Normativa COPAM nº 147, de 30 de abril de 2010: Aprova a Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais (Diário do Executivo), 04 Maio 2010.

Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) (2011) Resolução   nº02/2011—Reconhece a lista oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção no Estado de Santa Catarina e dá outras providências. Florianópolis: CONSEMA/ SDS.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.2. <www.iucnredlist.org>. Downloaded on 07 July 2010.

MACEDA, Juan José. 2007. Biología y conservación del Águila Coronada (Harpyhaliaetus coronatus) en Argentina. Hornero [online]. vol.22, n.2, pp. 159-171. ISSN 0073-3407.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: >http://www.pr.gov.br/iap Acessado em: 09 mar 2010.

Rio Grande do Sul (2014) Táxons da fauna silvestre do Estado Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção. Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014. (publicado no DOE n.º 173, de 09 de setembro de 2014).

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Somenzari, M., Silveira, L. F., Piacentini, V. Q., Rego, M. A., Schunck, F. & Cavarzere. 2011. Birds of an Amazonia-Cerrado ecotone in Southern Pará, Brazil, and the efficiency of associating multiple methods in avifaunal inventories. Revista Brasileira de Ornitologia, 19 (2): 260-275.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Águia-cinzenta (Urubitinga coronata) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/harpyhaliaetus_coronatus.htm > Acesso em: