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Águia-cinzenta Urubitinga coronata (Vieillot, 1817)
Ordem: Accipitriformes | Família: Accipitridae | Monotípica


Indivíduo adulto. Foto: Leonardo Amui

É uma das maiores e mais ameaçadas águias que ocorrem no Brasil. Ocorre no sul, sudeste e centro-oeste do país, encontrada em campos naturais e áreas montanhosas. Costuma caçar tatus, gambás, lebres e ratos silvestres, além de aves e répteis.


Descrição:
Mede de 75-85 cm de comprimento, podendo pesar até 3 kg (Fergunson-Lees & Christie, 2001). O adulto possui plumagem cinza-chumbo, penacho em forma de coroa e cauda escura com duas faixas brancas, sendo uma estreita e terminal, bem visível quando em voo. O jovem apresenta o dorso marrom escuro, peito e barriga creme, com irregulares estrias marrom, às vezes mais escuras nas laterais do peito. Quando pousada, seu grande porte e suas poderosas garras são suficientes para a identificação.

Dieta e comportamento de caça: Caça principalmente mamíferos (gambás, lebres e ratos silvestres), aves e répteis. Também pode consumir animais atropelados à beira de rodovias, ou carcaças de animais domésticos, como de ovelhas, galinhas, etc. Na Argentina existem registros da espécie predando tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), tatu-mataco (Tolypeutes mataco), lagarto-teiú (Tupinambis merianae) e serpente (Philodryas patagoniensis) (Fergunson-Lees & Christie, 2001; Bellocq et al. 2002)

Reprodução: Constrói o ninho com galhos e ramos em uma árvore alta, geralmente na forquilha principal, podendo manter mais de um ninho sem utilização em seu território (Global raptors, 2010). No período reprodutivo coloca um único ovo branco com manchas cinzas ou amarelas, com período de incubação de 39 a 40 dias (Collar et al. 1992). O filhote permanece dependente dos pais por mais de um ano, fazendo com que seu intervalo de reprodução seja de pelo menos 2 anos. No Parque Nacional das Emas, foi registrada a presença de casais adultos em quase todos os meses do ano, sugerindo que a espécie é monogâmica e que compartilha o mesmo território durante todo o ano.

Na província de La Pampa, Argentina, Maceda (2007) inseriu uma micro-câmera no ninho da águia, onde foi possível obter informações importantes sobre o cuidado parental da espécie, que até então eram desconhecidos. A fêmea ficava 90% do tempo se dedicando a incubação e cuidados com o filhote. As atividades consistiam em alimentar o filhote, ficar em cima dele durante a noite e dar-lhe sombra durante as horas mais quentes do dia. O macho aparecia no ninho só para levar presas e em curtos períodos durante a incubação e criação do filhote.

Distribuição Geográfica: Ocorre na Bolívia, Argentina e Brasil, com registros históricos no Uruguai onde se encontra provavelmente extinta (Collar et al. 1992). No Brasil, ocupa a região centro-oeste e meridional, desde o sul do Maranhão e Pará, Bahia até o Rio Grande do Sul.

Habitat e comportamento: Habita os campos naturais e savanas, em algumas áreas como na Serra dos Orgãos/RJ, é associada à paisagens montanhosas. Vive solitariamente ou em casal, às vezes acompanhada de um jovem. Passa a maior parte do dia pousada em cercas, cupinzeiros, buritis, postes, etc., onde emite uma fina voz de alarme.

Movimentos: Espécie residente.


Ameaças e Conservação:
É uma das maiores aves de rapina encontradas no Brasil e também uma das mais raras. A principal ameaça da espécie no Brasil está associada à descaracterização de seu hábitat preferencial, os campos naturais e as paisagens associadas, como o cerrado e as vegetações rupestres. Além disso, em áreas rurais, a pulverização exagerada de defensivos agrícolas pode ser fator determinante para o incremento nas taxas de mortalidade desta espécie, bem como causar o malogro reprodutivo pela má-formação dos ovos. Outra ameaça verificada para esta e outras aves de rapina de grande porte, é o abate indiscriminado de indivíduos, uma vez que eventualmente essas águias predam animais domésticos e, dessa forma, são consideradas prejudiciais, em particular para a avicultura (Mikich & Bérnils, 2004).




:: Página editada por: Willian Menq em Jan/2018. ::





Referências:

Albuquerque, J.L.B. et al. (2006) Águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) e o Gavião-real-falso (Morphnus guianensis) em Santa Catarina e Rio Grande do Sul: prioridades e desafios para sua conservação.. Ararajuba. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, p. 411-415.

Barreiros, M. H. M.; Leite, G. A. (2008) Registro documentado do comportamento de um casal e filhote de Harpyhaliaetus coronatus no Vale da Paraíba do Sul, estado de São Paulo. Atualidades Ornitológicas, 144:22.

Brown, L. & D. Amadon (1989) Eagles hawks and falcons of the word. The Wellfleet Press, New Jersey, USA.

CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2011) Listas das aves do Brasil. 10 ª Edição, 25/01/2011, Disponível em <http://www.cbro.org.br>. Acesso em: Janeiro de 2011.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Maceda, J. J. (2007) Biología y conservación del Águila Coronada (Harpyhaliaetus coronatus) en Argentina. Hornero [online]. vol.22, n.2, pp. 159-171. ISSN 0073-3407.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Somenzari, M., Silveira, L. F., Piacentini, V. Q., Rego, M. A., Schunck, F. & Cavarzere (2011) Birds of an Amazonia-Cerrado ecotone in Southern Pará, Brazil, and the efficiency of associating multiple methods in avifaunal inventories. Revista Brasileira de Ornitologia, 19 (2): 260-275.

Site associado: Global Raptor Information Network

 

 

Citação recomendada:

Menq, W. (2018) Águia-cinzenta (Urubitinga coronata) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/harpyhaliaetus_coronatus.htm > Acesso em: .



 
 

Distribuição Geográfica:

Status: (EN) Em perigo

Canto (gravado por: Robson Silva e Silva)
By: xeno-canto.



Indivíduo adulto. São
Roque de Minas/MG, Nov de 2015.

Foto:
Rodrigo Ferronato
 

Indivíduo adulto.
Chapadão do Céu/GO, Ago. 2016.

Foto:
Antonino G. Medina
 

Indivíduo jovem.
Brasília/DF, Abril de 2017.

Foto:
Paulo Lahr
 

Indivíduo adulto.
Pirenópolis/GO, Agosto 2008.
Foto:
Mauro Cruz
 

Indivíduo adulto.
Porto Murtinho/MS, Maio 2017,
Foto: Jessica Nascimento Menq
 

Indivíduo jovem.
Ribeirão Cascalheira/MT, Nov 2013
Foto:
Willian Menq
 

Indivíduo adulto.
Caraguatatuba/SP, Junho de 2016.
Foto:
Willian Menq
 

Indivíduo adulto e jovem.
Caraguatatuba/SP, Junho de 2016.
Foto:
Willian Menq
 

Indivíduo jovem.
Jateí/MS, Jan. de 2018.
Foto:
Dione Sales