INICIO > RAPTOR-WATCHING > PLAYBACK EM AVES DE RAPINA  

Playback em aves de rapina


Corujinha-do-sul (Megascops sanctaecatarinae) após PB. Foto: Willian Menq

Publicado em 10/07/2014
Texto:
Willian Menq

Contatos visuais com aves de rapina florestais são difíceis, na maioria das vezes são mais ouvidas do que vistas. Assim, não é raro ver observadores de aves ou fotógrafos usando a técnica de playback para atrair e fotografas aves. A técnica consiste na reprodução da vocalização de uma determinada espécie (usando aparelho de som), esperando que a mesma responda os chamados. Geralmente corujas, gaviões e falcões florestais (Accipiter, Micrastur), respondem o chamado achando que é um parceiro(a) ou um intruso invadindo seu território.

É inegável que a técnica aumenta as chances de detecção de muitos rapinantes florestais, com ele é possível observar espécies que raramente seriam vistas ao acaso. Porém, o uso incorreto e irresponsável do playback pode espantar ao invés de atrair as aves, ou pior ainda, estressá-las. Existem poucos estudos sobre os impactos do uso do playack na avifauna, mas é provável que o uso prolongado possa causar perdas de territórios ou alteração na distribuição de espécies.

Pensando nisso, e com a popularização da técnica nos dias atuais, segue abaixo algumas dicas e recomendações para minimizar os possíveis impactos do PB.


Regras gerais no uso do playback com aves de rapina:

  • Não exagere no volume ou reproduza os cantos em intervalos reduzidos, as aves ouvem melhor do que nós, tente simular o volume natural da espécie. Som elevado e intervalos reduzidos, pode transmitir a impressão de que o possível invasor é muito forte/tem muita energia, o que ocasionaria o afugentamento ao invés de atração das aves do local.
  • Não reproduza o som de uma espécie por mais de 2 minutos, se perceber a resposta da espécie antes disso não há necessidade de continuar tocando. Ela provavelmente se aproximará da fonte, muitas vezes pousando muito próximo do observador e garantindo alguns minutos de observação. Tempo geralmente curto, mas suficiente para fazer algumas fotografias e registros sonoros.
  • Dê intervalo de pelo menos 3 minutos entre uma reprodução e outra, pois algumas corujas e gaviões podem demorar um pouco na resposta.
  • Evite tocar o playback na mesma área por vários dias consecutivos. A reprodução constante pode induzir indivíduos a abandonarem o local.
  • Não realize playbacks próximos a ninhos (ocos e cavidades de árvores, plataforma de gravetos) ou locais com suspeita de ninho.
  • Não realize playbacks em UC's ou em áreas com pesquisas ornitológicas em andamento sem autorização.
  • No caso de tocar o som de várias espécies no mesmo ponto, comece reproduzindo sempre das espécies menores para as maiores. Dessa forma, o observador evita que as pequenas sejam inibidas pela “presença” das maiores.
  • Estabeleça uma distância mínima de 400 metros entre os pontos estabelecidos para tocar playback, fazendo isso o observador evitaria atrair o mesmo indivíduo em áreas diferentes, poupando o bicho de um stress e gasto de energia devido ao deslocamento.

Lembre-se, é uma técnica que infelizmente causa estresse na ave e seu uso prolongado pode causar perda de território e alterar a distribuição de indivíduos. Portanto, tenha bom senso!

 

 

:: Página editada por: Willian Menq em Abr/2016. ::