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Águia-serrana
Geranoaetus melanoleucus (Vieillot, 1819)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias-buteoninas

Nome em inglês:
Black-chested Buzzard-eagle
Habitat:
Campos montanhosos
Alimentação:
Aves e mamíferos

Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Dom Pedrito/RS, Maio de 2016.
Foto:
Rafael Balestrin

Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Juan M. Barnett)

A águia-serrana, também conhecida como águia-chilena, é uma poderosa ave de rapina encontrada em boa parte do Brasil. Gosta de habitar áreas montanhosas e campestres, onde é frequentemente observada planando. Generalista, caça desde aves, serpentes até pequenos roedores.

• Descrição: Mede de 62-69 cm de comprimento, envergadura de até 2 m, e peso médio de 1.600 g (macho) e 3.000 g (fêmea) (Márquez et. al 2005). Adulto possuí dorso cinza-escuro, coberteiras finamente barradas de preto. A cabeça e o pescoço de mesma coloração do dorso, partes inferiores brancas. O jovem apresenta plumagem marrom-escuro com partes inferiores mescladas de castanho, similar ao jovem de Geranoaetus albicaudatus, diferenciando-se principalmente pela silhueta (Marquez et al. 2005; Blake 1977).

• Alimentação: Caça principalmente aves, cobras, lagartos e pequenos mamíferos, podendo comer carniça ocasionalmente (Sick, 1997). Em muitas áreas, o pombo-doméstico (Columba livia) parece ser um importante item alimentar da espécie. Na Colômbia sua presa favorita são lebres do gênero Sylvilagus e eventualmente patos, répteis e insetos (Marquez et al, 2005). Márquez et al (2005) descreve que a águia-serrana em suas atividades de caça, costuma voar geralmente a 40-50 metros do solo para detectar a presa para então descer rapidamente até ela.

• Reprodução: Na época de reprodução realiza o macho executa diversos voos nupciais. Constrói o ninho em escarpas rochosas com galhos secos, colocando de 1 a 3 ovos com período de incubação de 30 dias (Márquez et al, 2005). Neste período a fêmea permanece no ninho incubando e cuidando dos filhotes, enquanto o macho fica responsável na captura de presas. Os filhotes são alimentados durante 4 ou 5 meses de vida, após esse período se dispersam da área. A espécie pode reaproveitar o mesmo ninho por vários anos consecutivos (Sick, 1997; Marquez et al, 2005).


Fêmea adulta e jovem (à direita).
Santa Cruz do Capibaribe/PE, Maio de 2015.
Foto: Jonathas Souza

Indivíduo adulto e jovem no ninho. Serra da
Canastra, Minas Gerais. Outubro de 2006.
Foto: Geiser Trivelato


Salvador-Junior et al. (2008) realizaram observações em um ninho no município de Belo Horizonte/MG. Apesar de ambos os sexos participarem de todas as atividades relacionadas ao ciclo reprodutivo, estes exerceram papéis diferenciados durante o decorrer do mesmo, estando à fêmea associada a maior dedicação na incubação e no cuidado parental e o macho na captura da maioria das presas. O sucesso reprodutivo foi de apenas um filhote, que abandonou o ninho em definitivo com 56 dias de vida. A dieta foi composta principalmente por pombos-domésticos, refletindo desta maneira, um acentuado oportunismo trófico na área de estudo (Salvador-Junior et al. 2008).

• Distribuição Geográfica: Ocorre desde as Cordilheira dos Andes até o sul da Argentina, incluindo quase todo o Brasil (exceto região norte) (Sick, 1997).

• Subespécies: São conhecidas duas subespécies, G. m. australis: Venezuela, Cordilheira dos Andes até a terra do fogo. G. m. melanoleucus: Brasil até Bolívia, Paraguai, norte da Argentina e Uruguai (Márquez et al, 2005; Blake 1977).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Rio Grande do Sul: Quase ameaçado (Rio Grande do Sul 2014).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).
  Santa Catarina: Vulnerável (Consema 2011).


• Hábitos/Informações Gerais:
Habita montanhas, savanas e campos naturais (Sick, 1997), podendo sobrevoar áreas urbanas. Pode ser encontrada pousada em mourões de cerca, postes na beira de rodovias e no alto de torres de linhas de transmissão. Plana muito próximo a áreas montanhosas onde fica por muito tempo planando a procura de comida. Durante o período reprodutivo são bastante territoriais, defendem a área do ninho contra qualquer intruso que se aproximar, incluindo outros rapinantes grandes e até pessoas (Salvador-Junior et al. 2008).



Indivíduo adulto. Dom Pedrito/RS, Maio de 2016.
Foto:
Rafael Balestrin

Indivíduo adulto. Corrientes (Argentina), Fevereiro de 2015.
Foto:
Maria Albers

Indivíduo jovem. Aceguá/RS, Junho
de 2017.
Foto:
Rafael Balestrin


Indivíduo jovem. Lavras do Sul/RS,
Janeiro de 2016.
Foto: José Paulo Dias

Indivíduo subadulto. Pq. Estadual
do Guartelá, PR. Junho de 2015.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Lavras do Sul/RS,
Janeiro de 2016.
Foto: José Paulo Dias


Casal adulto. Lavras do Sul/RS,
Janeiro de 2016.
Foto: José Paulo Dias

Indivíduo adulto. Dom Pedrito/RS, Maio de 2016.
Foto:
Rafael Balestrin

Casal adulto. Uruguaiana/RS,
Setembro de 2011.
Foto:
Gina Bellagamba



:: Página editada por: Willian Menq em Jun/2016. ::


• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Blake, E. R. (1977) Manual of Neotropical Birds. The University of Chicago Press. Chicago and London.
674 páginas.

CBRO (2010) Listas das aves do Brasil. 9ª Edição. Disponível em . Acesso em: outubro de 2010.

Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) (2011) Resolução   nº02/2011—Reconhece a lista oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção no Estado de Santa Catarina e dá outras providências. Florianópolis: CONSEMA/ SDS.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Rio Grande do Sul (2014) Táxons da fauna silvestre do Estado Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção. Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014. (publicado no DOE n.º 173, de 09 de setembro de 2014).

Salvador-Junior, L. F.; Salim, L. B.; Pinheiro, M. S.; Granzinolli, M. A. (2008) Observations of a nest of the Black-chested Buzzard-eagle Buteo melanoleucus (Accipitridae) in a large urban center in southeast Brazil. Revista Brasileira de Ornitologia, 16(2):125-130.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Zorzin, G., C.E.A. Carvalho, and E.P.M. Carvalho Filho. (2007) Breeding biology, diet, and distribution of the Black-chested Buzzard-eagle (Geranoaetus m. melanoleucus) in Minas Gerais, southeastern Brazil. Pp. 40-46 in K.L Bildstein, D.R. Barber, and A. Zimmerman (eds.), Neotropical raptors. Hawk Mountain Sanctuary, Orwigsburg, PA.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Águia-serrana (Geranoaetus melanoleucus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/buteo_melanoleucus.htm > Acesso em: