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Gavião-de-dorso-vermelho
Geranoaetus polyosoma (Quoy & Gaimard, 1824)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-planadores

Nome em inglês: Red-backed Hawk
Habitat:
Campos e savanas
Alimentação:
Roedores

Registros no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco
Espécie mal documentada no Brasil


Fêmea adulta. Argentina, Maio de 2016.
Foto:
Antonio Pessoa

Vocalização de chamado (C)
(gravado por: Sebastian K. Herzog)

Gavião imponente muito parecido com o G. albicaudatus. No Brasil, conta com apenas três registros antigos, sendo nenhum documentado. Costuma planar bastante nas horas mais quentes da manhã, pode ser encontrado em áreas abertas e borda de matas, onde procura roedores e outros pequenos mamíferos.

• Descrição: Mede 45 a 62 cm de comprimento e peso de 810 a 1.300 g, sendo as fêmeas maiores que os machos (Bierregaard & Marks 2014). Possui plumagem bastante variável, sendo descritas até cinco formas de coloração. No macho adulto (forma clara) o dorso é cinza-chumbo com a cauda branca terminada em uma faixa preta, o pescoço, "bochechas" e partes inferiores brancas, podendo apresentar barrado próximo aos calções; a fêmea (forma clara) diferencia-se por apresentar um notável castanho em todo o dorso; Adulto melânico (forma escura) apresenta coloração geral cinza-escuro quase preto, mantendo o padrão branco da cauda com a faixa preta. Há também uma variação melânica (forma ruiva) em que o indivíduo apresenta todo o peito e parte das costas de cor castanho-ferrugíneo e resto do corpo preto. Já o jovem é predominantemente marrom, com pescoço e partes inferiores mais claro e mesclado com marrom escuro, similar aos jovens de G. albicaudatus e G. melanoleucus (Bierregaard & Marks 2014).

• Alimentação: Alimenta-se de pequenos mamíferos, aves e outros pequenos vertebrados. É um predador oportunista, em algumas regiões pode apresentar uma dieta de até 90% de roedores (Bierregaard & Marks 2014). Há também registros da captura de lebres (Lepus europaeus), principalmente de indivíduos jovens (Bierregaard & Marks 2014).

• Reprodução: Constrói o ninho com gravetos e ramos, revestindo com musgo e liquens. Também pode nidificar sobre cactos, arbustos e postes de eletricidade (Del Hoyo et al. 1994). Coloca de 1 a 3 ovos, com incubação realizada por ambos os sexos. Os filhotes ficam totalmente emplumados após 40 a 50 dias de vida (Del Hoyo et al. 1994).

• Distribuição Geográfica e Subespécies:
Considerado migrante austral no nordeste da Argentina, Uruguai e Colômbia (Olrog 1963, Brown e Amadon 1968). São conhecidas as seguintes subespécies: G. p. polyosoma: ocorre desde a cordilheira central da Colômbia, sul dos Andes até Patagônia e Terra do fogo (Incluindo as ilhas Malvinas).  G. p. exsul: ocorre na Ilha Alejandro Selkirk e nas Ilhas Juan Fernando, costa do Chile (Márquez et al. 2005).

• Registros no Brasil: Conta com três avistamentos antigos no Brasil, sendo nenhum documentado (CBRO 2014). Já foi registrado na Ilha de Cabo Frio/RJ em outubro de 1985 (Pacheco, 2004), e alguns avistamentos (sem localidades ou datas específicas) na região pantaneira do rio Paraguai, sul de Mato Grosso, e na região costeira de Santa Catarina (Reichholf 1974). Há também um registro em Chuy (Uruguai) (Arballo & Cravino 1999), bem próximo da fronteira brasileira.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita zonas semiáridas onde predomina arbustos, e borda de matas. Plana muito, usando as correntes ascendentes de ar para ganhar altura (Márquez et al. 2005).

 


Fêmea adulta. Argentina, Maio 2016 Foto: Antonio Pessoa

Macho adulto. Argentina, Abril 2016 Foto: Antonio Pessoa

Indivíduo jovem. Peru, Junho 2014
Foto:
Ester Ramirez



Macho adulto. Argentina,
Maio de 2008.
Foto: Sidnei Junior

Macho adulto. Santiago, Chile,
Agosto de 2011.
Foto: Gabriel Moraes

Fêmea adulta. Argentina,
Abril de 2016.
Foto: Antonio Pessoa

 

:: Página editada por: Willian Menq em Nov/2016. ::



• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Arballo, E. e J. Cravino (1999) Aves del Uruguay. Manual ornitológico – Tomo I. Montevideo: Editorial Hemisferio Sur.

Bierregaard, R.O., Jr & Marks, J.S. (2014). Variable Hawk (Geranoaetus polyosoma). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2014). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona (retrieved fromhttp://www.hbw.com/node/53131 on 8 May 2015).

Brown, L. e D. Amadon (1968) Eagles, hawks and falcons of the world. London: Country Life Books.

Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2014) Listas das aves do Brasil. 11ª Edição, 1/1/2014, Disponível em <http://www.cbro.org.br>. Acesso em: Julho de 2014.

Olrog, C. C. (1963) Lista y distribucion de las aves argentinas.
Tucuman: Instituto Miguel Lillo (Opera Lilloana IX).

Reichholf, J. (1974) Artenreichtum, Häufigkeit und Diversität der Greifvögel in einigen Gebieten von Südamerika. J. Orn. 115(4):381-397.

Pacheco, J. F. Ocorrência acidental de Buteo polyosoma (Quoy & Gaimard, 1824) na Ilha 
de Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil. Ararajuba, v. 12, n. 2, p. 168-169, 2004.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Gavião-de-dorso-vermelho (Geranoaetus polyosoma) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/buteo_polyosoma.htm > Acesso em: