• Descrição: O Gavião caranguejeiro, vive em manguezais e também em pantânos, é o mais típico dos manguezais. Este gavião mede de 42 a 46 cm, com o macho pesando aproximadamente 590 g e a fêmea chegando a 796 g. 44 cm. Possui partes superiores escuras, sendo as asas com ponta e bordas negras e uma mancha ferrugem. Partes inferiores ferrugem, barrado de negro, com cauda apresentando estreitas faixas transversais esbranquiçadas. (Sick, 1997; Mikich e Bérnils, 2004).
• Alimentação: Alimenta-se exclusivamente de caranguejos. Caça a partir de poleiros, de onde “mergulha” sobre a presa e a leva para um lugar seco (Fergunson-Lees & Christie, 2001).
• Reprodução: Durante o periodo pré-nupcial, o casal costuma realizar diversas acrobacias aéreas, com perseguições, vôos circulares e mergulhos. Neste período também emitem assobios altos e melodiosos e vocalizações que se assemelham a uma risada. No ninho, construído com gravetos e folhas, coloca um único ovo (Mikich e Bérnils, 2004).
• Distribuição geográfica: Ocorre da Venezuela e Guianas se distribuindo pelo litoral brasileiro da foz do Oiapoque até os estados de São Paulo e Paraná (del Hoyo et al. 1994; Mikich e Bérnils, 2004).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
| |
Paraná: Em Perigo (Mikich & Bérnils, 2004). |
|
São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009). |
• Hábitos/Informações gerais: Habita os manguezais e também pantânos. Pode ser observado sobrevoando a grande altura os manguezais (Sick, 1997). Pelo fato dessa ser restrita à região litorânea, habitando os manguezais, as causas de seu declínio devem ser remetidas às ameaças atribuídas a esse ambiente como um todo e às demais espécies que ali ocorrem. A pressão intensificada na porção litorânea, são as principais ameaças atuantes sobre essa comunidade avifaunística. Ressalta-se que esta espécie mostra uma nítida restrição alimentar a certos crustáceos, os quais têm sofrido reduções consideráveis dos estoques populacionais em decorrência da redução das áreas de manguezais, da poluição e da captura predatória para a comercialização (Mikich e Bérnils, 2004). A proteção dos manguezais e das desembocaduras de rios da região litorânea são medidas emergenciais para proteção dessa ave e das outras que dependem do mesmo habitat.
• Registros recentes: no estado do Amapá foi registrado no Parque Nacional do Cabo Orange (Roos et al., 2005). No estado da Paraíba é registrado nos estuários dos rios Paraíba e Mamanguape (Roda e Pereira, 2006). Em Alagoas, nos manguezais da Fazenda dos Morros de Camaragibe, na divisa dos municípios de Barra de Santo Antônio e Passo do Camaragibe (Roda e Pereira, 2006). Em São Paulo possui apenas dois registros no Estado, ambos para o extremo sul paulista, Iguapé e Parque Estadual da Ilha do Cardoso (Silveira, et al., 2009). Um terceiro registro é reportado por Uchôa et al., (1998) para o mangue de Cubatão; no entanto, Olmos & Silva e Silva (2001) acreditam que se trata de Parabuteo unicinctus. No estado do Paraná foi registrado na Ilha do Mel (Moraes, 1991), região estuarina da baía de Antonina (Sherer-Neto et al., 2004). Segundo Bierregaard-Júnior (1995), a população de uma forma geral encontra-se estável.
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
BIERREGAARD-JÚNIOR, R. O. The biology and conservation status of Central and South American Falconiformes: a survey of current knowledge. Bird Conservation International, v. 5, p. 325-340, 1995.
del HOYO, .J., ELLIOT, A. E SARGATAL, J. Handbook of the birds of the world (2 v). Bird Life International Lynx Editions, 1994. 638p.
Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap Acessado em: 27 mar 2010.
MORAES, V. S. Avifauna da Ilha do Mel, litoral do Paraná. Arq. Biol. Tecnol., v. 34, n. 2,
p. 195-205, 1991.
Olmos, F. & R. Silva e Silva. 2001. The avifauna of a southeastern Brazilian mangrove swamp. Internat. J. Ornithol. 4 (3): 137-207.
RODA, S. A.; PEREIRA, G. A. Distribuição recente e conservação das aves de rapina florestais
do Centro Pernambuco. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, n. 4, p. 331-344, 2006.
ROOS, A. L.; SOUSA, E. A. de; CUNHA, M. da S.; PIRES, R. M.; JAGER, A. J. G. de. Aves do Parque Nacional do Cabo Orange, AP: resultados da primeira expedição científica. IN: CONGRESSO BRASILEIRO DE ORNITOLOGIA: ORNITOLOGIA NA AMAZÔNIA: CIÊNCIA APLICADA AO CONHECIMENTO E À CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE, 13., 2005. Belém, PA. Resumos..., p. 103.
SCHERER-NETO, P.; CARRANO, E.; RIBAS, C. F. Diagnóstico da avifauna na região estuarina
da baía de Antonina, Paraná. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ORNITOLOGIA, 12., 2004.
Blumenau, SC. Resumos..., p. 311.
Sick, H.1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
Uchoa, D. P.; Shimizu, G. Y.; Machado, L. O. M.; Monteiro-Filho, E. L. A.; Mantovani, W.; Delitti, W. & Ribeiro, M. E. 1998. Projeto COSIPA/USP: preservação arqueológica, ecológica e
história da ilha do Casqueirinho. Rev. Bras. Arqueol. 5:57-74.
