• Descrição: É um dos mais espetaculares gaviões, devido ao perfil formado pela longa cauda negra em “V” dando origem ao nome popular. As fêmeas são maiores que os machos. Atinge de comprimento 52 a 66 cm. As asas têm uma envergadura de 120 a 135 cm. O peso máximo nos machos é de 407 gramas e nas fêmeas de 435 gramas. Quando em vôo este gavião é extremamente fácil de reconhecer pela cauda em formato de tesoura igual as tesourinhas (Antas, 2005).
• Alimentação: A alimentação do gavião tesoura consiste nos invertebrados que captura e come no vôo. Se alimentada também de répteis pequenos, de cupins, formigas, lagartas, lagartixas, e rãs, além da fruta do murici (Brysonima sp.) e do camboatá vermelho (Cupania vernalis) (Antas, 2005; Sick, 1997). Em um trabalho realizado por Azevedo & Di-Bernado (2005) na Ilha de Santa Catarina, foram registradas 127 capturas de presas por adultos de E. forficatus, sendo 62% de insetos, 4% de anuros, 2% de aves e 1% de répteis; 31% das presas capturadas não foram identificadas. Aves, répteis e anuros foram capturados principalmente durante o período de corte e oferecidos às fêmeas antes da cópula ou para vôos de exibição. Este comportamento chamava a atenção dos outros indivíduos nos sítios reprodutivos. Cerca de 57% das presas foram capturadas em árvores e 36% no ar.
• Reprodução: Constroem o ninho de gravetos e musgo. O ninho deles é feito em colônias. Geralmente selecionam um local escondido nas arvores entre as folhagens. É possível que alguns dos adultos do grupo, que não estão se reproduzindo esse ano, tentam ajudar outros machos contribuindo com material para fazer o ninho. Botam de dois a três ovos brancos ou cremes muito pálidos. O período de incubação é de 24 a 28 dias que é realizado por ambos os pais, embora seja a mãe que permanece mais tempo no ninho. Ambos os Pais alimentam e cuidam dos filhotes. Possivelmente deixam o ninho às seis ou sete semanas, mas continuam ao redor perto dos pais por um tempo, quando migram para outro local (Antas, 2005).
Os casais em reprodução receberam, às vezes pode receber a ajuda de terceiro indivíduo, com material para construção do ninho e ajuda na defesa da prole. A existência de um terceiro indivíduo que interage com um casal já formado, foi observado no trabalho de Azevedo & Di-Bernado (2005) na Ilha de Santa Catarina, essa relação poderia estar relacionado a um macho ainda não-reprodutivo ou um adulto que teve sua reprodução mal sucedida (Skutch 1965, Snyder 1974, Meyer e Callopy 1995). Este terceiro indivíduo só seria tolerado porque os potenciais custos para a colônia (e. g. competição por alimento e parceiros) seriam baixos se comparados aos benefícios (e. g. facilitação cooperativa na caça e defesa contra predadores).
• Distribuição: Ocorre em todo o Brasil. Existem duas populações de gavião-tesoura (Elanoides forficatus): uma se reproduz no sul do Brasil e a outra, ameaçada de extinção, na América Central e sul dos EUA. Ambas passam seus invernos na floresta amazônica (Antas, 2005; Sick, 1997).

Gavião tesoura em Vôo. Rio Machado RO, Foto: Guto Carvalho
• Subspécies: São duas subspécies existentes, o Elanoides forficatus forficatus: que se distribui desde o Sudeste dos EUA ao norte do México, e o Elanoides forficatus yetapa: Sul do México, América Central, Colômbia, Equador, Perú, Bolívia, Paraguai até ao norte da Argentina, e também por todo o Brasil (Márquez, et al, 2005).
• Hábitos/Informações Gerais: Habita as florestas com pouca vegetação. Entre as Aves de Rapina essa é uma das mais sociaveis vivem em pequenos grupos que podem chegar até 30 indivíduos. Os gaviões-tesoura permaneceram juntos em cada sítio de reprodução, Formam dormitórios coletivos, afugentaram predadores e se reproduzindo em colônias (Azevedo & Di-Bernado, 2005).
No ar é muito ágil, voa com grande habilidade entre as árvores. Usa as correntes térmicas para adquirir a altura. Durante a primavera, migra até o sul do Brasil para reproduzir. Por ser migratório, requer atenção especial sob o aspecto conservacionista, pois fica exposto a diferentes problemas ambientais, é uma espécie bastante fiél aos sítios reprodutivos. A exemplo de outras aves de rapina, o gavião-tesoura pode ser usado como bioindicador de mudanças na qualidade do ambiente em que vive. Ao retornar anualmente ao sítio de reprodução e abrigo, sua sensibilidade a alterações, contaminação e perda de hábitat se torna alta (Azevedo & Di-Bernado, 2005). Para afugentar animais que representam potencial ameaça, os gaviões-tesoura se reuniam num único bando e cada indivíduo executa um mergulho rápido, acompanhado de vocalização, voando próximo ao dorso do intruso, esse comportamento foi observado por Willian Menq (Obs. pess.) quando um indivíduo de Spizaetus melanoleucus (Gavião-pato) passava próximo a um bando de 5 individuos de gavião-tesoura, quando os mesmo deram vôos rasantes contra o Gavião-pato, acuando-o do local.

Gavião-tesoura na Reserva Volta Velha - Itapoá/SC Set 2009.
Foto: Beto de Itapoá
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
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• Referências:
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc: 2005.
Azevedo, M. A. G. & Di-Bernardo, M. 2005. História natural e conservação do gavião-tesoura, Elanoides forficatus, na Ilha de Santa Catarina, sul do Brasil. Ararajuba 13(1): 81-88.
Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p
Meyer, K. D. e M. W. Collopy (1995) Status, distribution, and habitat requeriments of the American swallow-tailed kite (Elanoides forficatus) in Florida. Fla. Game and Fresh Water Fish Comm. Nongame Wildl. Program Project Rep. Tallahassee, Fla.
Obs. pess. Willian Menq. Reserva Biológica das perobas, Set 2009.
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997
Skutch, A. F. 1965. Life history notes on two American Kites. Condor 67: 235-246
Snyder, N. F. R. (1974) Breeding biology of Swallow-tailed Kites in Florida. Living Bird 13:73-97.
