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Gavião-tesoura
Elanoides forficatus (Linnaeus, 1758)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-milano

Nome em inglês: Swallow-tailed Kite
Habitat:
Florestas, borda de matas e savanas.
Alimentação:
Insetos, répteis e anfibios

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco
Migrante Neotropical


Indivíduo adulto. Santo Antônio do Pinhal/SP, Março de 2012.
Foto:
Alexandre Gualhanone

Vocalização de chamado (D) - (gravado por: Robin Carter)

De aparência bastante diferente, é facilmente identificável em voo, possuindo uma característica cauda bifurcada em forma de “V”, dando origem ao nome popular. É migratório no sul, sudeste e centro-oeste do país, onde aparece entre os meses de agosto e março. É insetívoro, normalmente caça e consome suas presas em voo.

• Descrição: Mede de 52-66 cm de comprimento, peso médio de 407 g (macho) e 435 g (fêmea), e envergadura de asas de 120-135 cm (Márquez et al. 205). De fácil identificação, possui cauda escura, longa, terminada em "V". Cabeça, pescoço e partes inferiores branco; dorso, asas e cauda preto. Em voo, nota-se as coberteiras inferiores da asa brancas, contrastando com primárias pretas.

• Alimentação: Alimenta-se de invertebrados que captura e come em voo. Também preda pequenos répteis, cupins, formigas, lagartas, lagartixas, rãs, filhotes de aves, além da fruta do murici (Brysonima sp.) e do camboatá-vermelho (Cupania vernalis) (Antas, 2005; Sick, 1997; W. Menq, obs. pes.). Azevedo & Di-Bernado (2005) relataram, na Ilha de SC, 127 capturas de presas por adultos de E. forficatus, sendo 62% de insetos, 4% de anuros, 2% de aves, 1% de répteis, e 31% de presas não-identificadas. Aves, répteis e anuros foram capturados principalmente durante o período de corte, e oferecidos às fêmeas antes da cópula ou para voos de exibição. Este comportamento chamava a atenção dos outros indivíduos nos sítios reprodutivos; cerca de 57% das presas foram capturadas em árvores e 36% no ar.

• Reprodução: Nidifica no alto de árvores, construindo o ninho com gravetos, ramos e musgos, normalmente nidifica em colônias (Antas 2005). Coloca de dois a três ovos de coloração branco ou creme, com período de incubação de 24 a 28 dias, realizado por ambos os pais, apesar ser a fêmea a que permanece mais tempo no ninho. Ambos os pais alimentam e cuidam dos filhotes; possivelmente os filhotes saem do ninho com seis ou sete semanas, continuando nas redondezas por mais algumas semanas, até migrarem (Antas, 2005; Sick, 1997).

Indivíduos adultos não-reprodutivos, podem ajudar outros machos na construção de ninhos e na defesa da prole. A existência de um terceiro indivíduo que interage com um casal já formado, foi observado no trabalho de Azevedo & Di-Bernado (2005) na Ilha de Santa Catarina.

• Distribuição e subespécies: Ocorre desde o sul dos EUA até o norte da Argentina, incluindo todo o Brasil (Antas, 2005; Sick, 1997). São duas subespécies existentes, o E. f. forficatus: que se distribui desde o sudeste dos EUA ao norte do México, e o E. f. yetapa: sul do México, América Central, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai até ao norte da Argentina e Brasil (Márquez, et al, 2005).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita florestas, matas de galeria, borda de matas e áreas abertas com poucas árvores. Vive em bando de 5 a 10 indivíduos, com alguns grupos podendo chegar até 30 indivíduos. Em voo, fácil de identificar pela cauda em formato de tesoura igual das tesourinhas (Antas, 2005). Permanecem juntos em cada sítio de reprodução, formam dormitórios coletivos, afugentam predadores, e se reproduzem em colônias (Azevedo & Di-Bernado, 2005). Para afugentar animais que representam potencial ameaça, o gaviõão-tesoura se reúne em um único bando e cada indivíduo executa um mergulho rápido, acompanhado de vocalização, mergulhando próximo ao dorso do intruso, podendo acuar até gaviões poderosos como o gavião-pato (Spizaetus melanoleucus) (obs. pess. Willian Menq).

• Movimentos migratórios: Durante o período de abril a julho, as populações de E. forficatus do Brasil estão concentradas na região amazônica do continente. A partir do final de julho e inicio de agosto os E. forficatus iniciam seus movimentos migratórios para o sul e sudeste do Brasil.



Indivíduo adulto. Irati/PR,
Setembro de 2010.
Foto:
Osmar Slompo

Adulto. Reserva Volta Velha - Itapoá/SC, Setembro de 2009.
Foto:
Beto de Itapoá

Indivíduo com uma presa (filhote de ave). Peabiru/PR, Março 2016.
Foto:
Leandro Gonçalves Silva



Indivíduo adulto. Caxias do Sul/RS.
Fevereiro de 2016.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Praia da Barra Seca Ubatuba/SP. Out 2010.
Foto:
Odette G. Araujo

Bando em poleiro de descanso.
Irineópolis/SC, Setembro de 2011.
Foto: Willian Menq


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::


• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN: Sesc.

Azevedo, M. A. G. & Di-Bernardo, M. 2005. História natural e conservação do gavião-tesoura, Elanoides forficatus, na Ilha de Santa Catarina, sul do Brasil. Ararajuba 13(1): 81-88.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Meyer, K. D. e M. W. Collopy (1995) Status, distribution, and habitat requeriments of the American swallow-tailed kite (Elanoides forficatus) in Florida. Fla. Game and Fresh Water Fish Comm. Nongame Wildl. Program Project Rep. Tallahassee, Fla.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997

Skutch, A. F. (1965). Life history notes on two American Kites. Condor 67: 235-246

Snyder, N. F. R. (1974) Breeding biology of Swallow-tailed Kites in Florida. Living Bird 13:73-97.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Gavião-tesoura (Elanoides forficatus) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/elanoides_forficatus.htm > Acesso em: