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Cauré
Falco rufigularis (Daudin, 1800)

Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Falcões

Nome em inglês: Bat Falcon
Habitat:
Florestas, borda de matas e savanas.
Alimentação:
Aves, morcegos e invertebrados.

Distribuição no Brasil:


Status:(LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Canudos/BA, Abril de 2014.
Foto:
Sidnei S. dos Santos

Vocalização típica (C) - (gravado por: Bob Planqué)

Também chamado de falcão-morcegueiro, é um pequeno e astuto predador, caçando desde insetos até andorinhões, beija-flores e morcegos. De distribuição ampla no Brasil, pode ser encontrado em florestas, bordas de matas e clareiras, e em centros urbanos mais arborizados.

• Descrição: Possui cerca de 24-29 centímetros de comprimento, peso de 108-148 g (macho) e 177-242 g (fêmea) (Marquez et al. 2005). Apresenta o peito e barriga preto listrados de branco; garganta, papo e lados do pescoço amarelos ferrugíneos ou brancos, abdômen e calções castanhos. A cabeça é toda negra, onde destaca-se o grande olho escuro, rodeado por uma pele nua amarelada. A cauda é negra com pequenas barras brancas. As pernas são curtas, amarelas, destacando os pés, igualmente amarelos, grandes e desproporcionais ao tamanho da ave. Quando jovem possui coberteiras inferiores da cauda amareladas e barradas de negro (Marquez et al., 2005; Sick, 1997). Sua plumagem é muito parecida com a do falcão-de-peito-vermelho (Falco deiroleucus) que é uma espécie maior e bem mais corpulenta. A principal diferença entre as duas espécies é que o falcão-de-peito-vermelho possui um colar avermelhado acima do peito, característica na qual o falcão-cauré não possui. Conhecido também como falcão-morcegueiro.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Rio Grande do Sul: Em perigo (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Em perigo (Silveira et al., 2009).

• Alimentação: Caça principalmente aves (como andorinhões, andorinhas, beija-flores, periquitos e aves aquáticas pequenas), morcegos e insetos (como libélulas, borboletas e gafanhotos), principalmente no entardecer e clarear do dia. No solo pode capturar roedores e pequenos lagartos (Antas, 2005; Márquez et al. 2005). Também pode perseguir morcegos no inicio da noite, a variedade de morcegos e aves na sua dieta varia muito de acordo com a região (Del Hoyo et al. 1994).

W. Menq (obs. pess.) registrou no interior do Mato Grosso, um F. rufigularis (macho adulto) caçando três beija-flores em uma mesma manhã. Logo ao amanhecer, de um poleiro na borda da mata, saiu em perseguição contra uma ave e retornou ao seu poleiro habitual com um beija-flor (Thaurulania sp) nas garras. Cerca de uma hora depois, o mesmo indivíduo apareceu com outro beija-flor (não-identificado) na qual o consumiu por completo, e quase no final da manhã o falcão saiu em caça e retornou com um terceiro beija-flor (Amazilia sp).

• Reprodução: A maioria dos dados de reprodução dessa espécie são de estudos realizados no México. No período de reprodução o macho corteja a fêmea entregando algum item alimentar a ela (Del Hoyo et al. 1994). O ninho é feito em ocos de árvores, algumas vezes utiliza-se de ninhos abandonados de araras, papagaios ou de pica-paus. Coloca de 2 a 4 ovos, durante todo o período de crescimento dos filhotes, a comida é fornecida pelo macho, tanto para os falcõezinhos como para a fêmea. Os filhotes ficam totalmente emplumados após 35 a 40 dias do nascimento. Nos registros realizados nas cidades amazônicas, o falcão-cauré utiliza ocos em tetos de edifícios para a postura de seus ovos (Del Hoyo et al. 1994; Sick, 1997; Ferguson Lees & Christie, 2001).

• Distribuição Geográfica: De distribuição neotropical, ocorre desde o México até à Argentina. No Brasil ocorre em quase todos os estados, exceto no extremo sul do país (pampas gaúchos) e nas áreas mais secas da caatinga.

• Subespécies: São conhecidas três subespécies, F. r. petoensis: norte do México até a América Central, Colômbia e Equador. F. r. rufigularis: leste da Colômbia, Guianas e Trinidade, até o sul do Brasil e norte da Argentina. F. r. orphryophanes: Brasil-central (Piauí, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná), Bolívia, Paraguai e norte da Argentina (del Hoyo et al.1994; Marquez et al. 2005).

• Hábitos/Informações Gerais: Varia de incomum a comum em algumas regiões, pode ser encontrado em florestas, bordas de matas e clareiras, e em centros urbanos mais arborizados (Sick, 1997). Vive solitário ou em casal, costuma pousar nos galhos secos das árvores mais altas da mata, ficando destacado na paisagem (Antas, 2005; Sick, 1997).



Adulto predando beija-flor (Amazilia
sp). Cocalinho/MT, Jun 2014.
Foto: Willian Menq

Casal adulto. Petrópolis/RJ
Dezembro de 2009.
Foto:
Anderson Rabello Pereira

Indivíduo adulto consumindo uma
ave. Capanema/PR, Maio de 2012.
Foto:
Andre J. Pieri



Indivíduo adulto. Vitória/ES, Setembro de 2010.
Foto:
Antônio Maia

Indivíduo adulto.
Cocalinho/MT, Jun 2014
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Chapada do Abanador, Mindurí MG, Jan 2010.
Foto:
Kassius Santos


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::



• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN. Sesc.

Del Hoyo, J. e Sargatal, J. (2004) Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Marques, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11).

Monroe, B.L., Jr. (1968) A distributional survey of the birds of Honduras. Ornithological Monographs no. 7.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda A.M. (2009). Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Cauré (Falco rufigularis) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/falco_rufigularis.htm > Acesso em: