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Gavião caboclo
(Heterospizias meridionalis)

Heterospizias meridionalis
(Latham, 1790)

Ordem: Falconiformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões
Nome popular: Gavião-caboclo

Nome em inglês: Savanna Hawk
Tamanho: 60 cm de comprimento
Habitat:
Campos, vegetação aberta
Alimentação:
pequenos vertebrados

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco

Gavião caboclo em vôo. Sacramento/MG, Jul 2009.
Foto: Vitor Groba


Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Nick Athanas)

• Descrição: O Gavião caboclo, possui aproximadamente 60 cm de comprimento, os machos pesam de 785-1042 g e as fêmeas de 921-960g (Marquez, et al. 2005). O adulto é todo marrom avermelhado, com a ponta das penas longas das asas e cauda negras. Possui uma faixa branca, estreita, na cauda. Pernas e pele nua das narinas, amarelas. Bico negro e olho marrom avermelhado. Como em outros gaviões, o juvenil é muito diferente. Cores apagadas, cinza amarronzado nas costas e barriga creme, com riscos verticais escuros e uma semi-coleira escura. Sobre os olhos, uma listra clara. A cauda é creme, com finas listras escuras. Faixa larga subterminal negra. Penas longas das asas com listras finas e ponta negra. Conhecido também como casaca-de-couro, gavião-telha (São Paulo), gavião-fumaça (Mato Grosso) e gavião-tinga (Pará) (Antas, 2005; Sick, 1997; del Hoyo et al, 2004).

• Alimentação: Se alimenta de pequenos mamíferos, aves, cobras, lagartos, rãs, sapos e invertebrados. Na baixa das águas, apanha caranguejos. É o seu hábito de seguir incêndios que chama mais a atenção, razão do nome comum, gavião-fumaça. Voa para a queimada, geralmente pousando em galhos à frente do fogo, ou caminha logo atrás das chamas, às vezes a poucos metros das labaredas. Na parte dianteira do incêndio, apanha os pequenos vertebrados e insetos fugindo da queimada, enquanto na parte posterior come os animais e insetos moribundos ou mortos pelo fogo. Possui um território de caça exclusivo, afastando os outros gaviões-caboclos.

Olmos et al (2006) registraram no pantanal o gavião-caboclo consumindo com frequência caranguejos de água doce (Dilocarcinus pagei e Sylviocarcinus australis), foi visto também uma tentativa fracassada
de capturar uma ave guiforme, o carão Aramus guarauna. O gavião atacou o carão, que estava no solo junto a uma lagoa, este se esquivou, tentando atingir o gavião com seu bico. O rapinante pousou no solo e realizava ataques em sequência, mas eram lentos e o carão conseguia se esquivar. No mesmo artigo, Olmos et al (2006) relata que um H. meridionalis foi observado mergulhando sobre um grupo de aracuãs Ortalis canicollis pousados no alto de uma grande figueira, mas os aracuãs rapidamente desceram para os ramos mais baixos, evitando a captura.

• Reprodução: O ninho é construído em árvores relativamente baixas e também em palmeiras, põe 1 ou, raramente, 2 ovos brancos com um periodo de incubação que pode chegar a 39 dias (del Hoyo et al. 1994). O casal tem o hábito de se comunicar através de um assobio fino, longo e choroso, repetido continuamente. O filhote fica totalmente emplumado e capaz de voar entre 45 a 50 dias após o nascimento, e ficam dependente dos pais por 4 a 7 meses (del Hoyo et al. 1994).

• Distribuição geográfica: O gavião caboclo ou casaca-de-couro está presente em todo o Brasil, exceto nas regiões densamente florestas (como a região amazônica por exemplo). Encontrado também do Panamá à Argentina. (Antas, 2005; Sick, 1997).

• Hábitos/Informações gerais: É um gavião bem comum nos campos, pastagens, borda de alagados, manguezais e no cerrado. vivendo normalmente solitário. Este gavião plana bem, pousa sobre árvores ou cercas baixas, para caçar. Freqüentemente caminha pelo chão (Antas, 2005; Sick, 1997). O casal se comunica através de um assobio fino, longo e choroso, repetido continuamente. Voa alto, aproveitando as correntes de ar quente para planar, ou através de vôo ativo, com batimento ritmado das asas.

De acordo com a Resolução nº122 do CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos recomendou-se substituir Buteogallus Lesson, 1830, em Buteogallus meridionalis (Latham, 1790), por Heterospizias Sharpe, 1874 na lista principal das aves do Brasil. A análise filogenética dos falconiformes realizada por Griffiths (1994), considerando caracteres morfológicos da siringe, revelou ser incorreta a inclusão de Heterospizias meridionalis no gênero Buteogallus Lesson, 1830. Os resultados da análise sustentam a manutenção da espécie no gênero monotípico Heterospizias Sharpe, 1874 (CBRO, 2010).


Gavião caboclo imaturo. Rio Grande/RS
Foto: Cláudio Dias Timm

Gavião caboclo imaturo. Ouro Preto/MG
Foto:
Rodrigo Morais

Sobrevoando queimada em terreno baldio. Uberaba - MG, Jul 2009. Foto: Davi Leandro

Gavião caboclo. Lagoinha/SP, Agosto 2008
Foto:
Emerson Panis Kaseker

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN, Sesc. 2005.

CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. <www.cbro.org.br> Acesso em Janeiro de 2010.

del Hoyo, J. e Sargatal, J. 2004. Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions.

Griffiths, C. S. (1994) Monophyly of the Falconiformes based on syringeal morphology. Auk 111: 787-805.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Olmos, F., Pacheco, J.F. e Silveira, L.F. 2006. Notas sobre aves de rapina (Cathartidae, Accipitridae e Falconidae) brasileiras. Revista Brasileira de Ornitologia 14(4): 401 - 404.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997


 
 


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