INICIO > ESPÉCIES DO BRASIL > CORUJINHA-DO-SUL  

Corujinha-do-sul
Megascops sanctaecatarinae (Salvin, 1897)

Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês:
Long-Tufted Screech-owl
Habitat:
Florestas e capoeiras
Alimentação:
Insetos e pequenos
vertebrados
.

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Florianópolis/SC. Novembro de 2012.
Foto:
Matias H. Ternes

Vocalização típica (A) - (gravado por: Nick Athanas)

Esta pequena coruja recebe este nome pois ocorre quase que totalmente no sul do país. É muito parecida com as outras corujinhas do gênero Megascops, sendo a identificação através da plumagem bastante difícil. Pode ser encontrada em florestas, áreas semiabertas, mata-de-araucárias, florestas interorianas e capoeiras, alimentando-se principalmente de insetos.

• Descrição: É a maior espécie do gênero, mede de 25-28 cm de comprimento e peso de 155–194 g (macho) e 174–211 g (fêmea) (Holt et al. 1999). Apresenta dorso marrom escuro, com partes inferiores mais claras e destacadas estrias escuras; face marrom com borda dos discos faciais mais escura; íris amarela ou castanho-escuro. Assim como as outras Megascops, apresenta três formas distintas de coloração de plumagem, marrom, cinza e ruiva. Morfologicamente é muito semelhante a M. choliba e M. atricapilla o que dificulta sua identificação, sendo a vocalização o método mais seguro para identificar a espécie.

• Alimentação: Alimenta-se de insetos, aranhas e pequenos vertebrados.

• Reprodução: Nidifica em ocos de árvores ou em ninhos de pica-pau de grande porte. Apenas a fêmea incuba os ovos, sendo alimentada por seu parceiro nesse período.

Bichinski (2012) monitorou três ninhos no município de Piraí do Sul, Paraná. O primeiro ninho, localizado em 2009, foi encontrado em um oco de árvore construído por um Colaptes melanochlorus (pica-pau-verde-barrado), no interior de um pequeno fragmento florestal e próximo a habitações humanas e áreas agrícolas. No ano seguinte, foi localizado um ninho na mesma cavidade, porém, devido à quebra da árvore, a cavidade sofreu alterações no seu formato e diâmetro. Em ambas as nidificações, foram encontrados dois filhotes no interior da cavidade. Já o terceiro ninho, encontrado em 2011, estava instalado no interior de uma cavidade natural oriunda da decomposição de uma árvore morta, localizada na borda de um fragmento florestal.

• Distribuição Geográfica: Ocorre na porção sul da Mata Atlântica, desde o leste e centro-sul do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do nordeste da Argentina (Missiones) e Uruguai. Conta também com alguns registros no município de Ribeirão Grande/SP (Wiki Aves 2015), ampliando o limite norte da distribuição conhecida da espécie.

• Hábitos/Informações Gerais: Possui hábitos estritamente noturnos e ocasionalmente crepusculares. Pode ser encontrada em florestas, áreas semiabertas, mata-de-araucárias, florestas interorianas e capoeiras desde o nível do mar até 1.000 m de altitude, sendo simpátrica com a Megascops choliba e M. atricapilla (Sick, 1997; Holt et al. 1999). Normalmente estão ativas nos primeiros minutos da noite, são bem detectáveis e respondem muito bem ao playback.

Durante o período reprodutivo, entre agosto e setembro, os machos começam a vocalizar com mais frequência no crepúsculo. Durante o dia, dorme em meio à densa folhagem nas árvores e até mesmo em eucaliptais. Acredita-se que essa espécie seja subestimada nos estados do sul do Brasil devido à semelhança morfológica e vocal com suas congêneres, conforme já suposto por Accordi & Barcellos (2008).



Indivíduo adulto no interior da
mata. São Francisco de Paula/RS,
Julho de 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto com plumagem ruiva. Parque Barigui, Curitiba/PR. Novembro de 2009.
Foto: Reni Santos

Indivíduo adulto. Faz. Sta Terezinha, Piraí do Sul/PR,
Janeiro de 2011.
Foto:
Tony Bichinski



Indivíduo adulto no ninho. Fazenda Ribeiro, Piraí do Sul/PR, Setembro de 2009. Foto: Tony Bichinski

Ninhegos no ninho. Fazenda Ribeiro, Piraí do Sul/PR, Setembro de 2009.
Foto:
Tony Bichinski

Indivíduo adulto, Florianópolis/SC. Setembro de 2012
Foto:
Matias H. Ternes


:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::

• Referências:

Accordi, I. A.; Barcellos, A. (2008) Novas ocorrências e registros notáveis sobre distribuição de aves em Santa Catarina, sul do Brasil. Biotemas, 21 (1): 85-93.

Bichinski, Tony (2012). Nota sobre a nidificação de Megascops sanctaecatarinae no município de Piraí do Sul, Paraná. Atualidades Ornitológicas Nº 168.

BirdLife International 2009. Megascops sanctaecatarinae. In: IUCN 2010. IUCN Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. Versão 2.010,2. <www.iucnredlist.org>. Acessado em 14 de agosto de 2010.

Holt, W., Berkley, R., Deppe, C., Enríquez Rocha, P., Petersen, J.L., Rangel Salazar, J.L., Segars, K.P. & Wood, K.L. (1999) Species acounts of Strigidae. Em: Del Hoyo, J., A. Elliott, e J. Sargatal, (eds.) Handbook of the birds of the world. Volume: 5: barn-owls to hummingbirds. Barcelona, Espanha. Lynx Edicions. 759p.

Owl pages. (2010). Account: Megascops santaecatarinae. Diponível em: <www.owlpages.com> Acesso em 14 de Agosto de 2010.

Sigrist, T. (2009) Avifauna Brasileira: The avis brasilis field guide to the birds of Brazil, 1ª edição, São Paulo: Editora Avis Brasilis.

Wiki Aves (2015) - Mapa de registros da espécie corujinha-do-sul (Megascops sanctaecatarinae).
Disponível em: <http://www.wikiaves.com.br/mapaRegistros_corujinha-do-sul> Acesso em: 27 Mai 2015.

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Corujinha-do-sul (Megascops sanctaecatarinae) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/megascops_sanctaecatarinae.htm > Acesso em: