• Descrição: O gavião caramujeiro tem este nome devido aos seus hábitos alimentares que consiste quase exclusivamente em caramujos. A característica mais marcante nessa espécie é o longo, fino e recurvado bico, especializado em arrancar o músculo dos grandes caramujos aquáticos, fixador do animal no fundo da concha. Em relação a plumagem o macho é todo negro, com uma grande mancha branca na base da cauda negra e uma estreita ponta branca na mesma. Seus pés e pele nua ao redor dos olhos, bem como esses últimos, são vermelhos (intensidade esmaecida fora do período reprodutivo). A fêmea é escura, com barras e pontos mais claros misturados na plumagem, em especial no ventre. A mancha branca da base da cauda é idêntica à do macho. O juvenil é semelhante à fêmea. Um macho juvenil leva 4 anos para adquirir a plumagem adulta. Tem em média 41 cm de Comprimento. Conhecido também como gavião-de-aruá (Antas, 2005; Sick, 1997).
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Individuo com plumagem Jovem. Local: Itaipu, PR.
Foto: Fernando Alves Ferreira, Biólogo. |
• Alimentação: Este gavião é considerado um predador especializado que se alimenta quase que exclusivamente de caramujos do gênero Pomacea (Ampulariidae). Além do caramujo, alimenta-se do carangueijo-de-água-doce do Pantanal, o mesmo usado para isca na pesca de linha. Quando há redução natural da oferta de caramujos, os caranguejos são mais caçados. Alimenta-se principalmente do molusco chamado Aruá. Quanto as técnicas de caça, de acordo com Beissinger (1983) são descritas duas estratégias: o “still-hunting’’, onde o gavião fica empoleirado e avista o caramujo, capturando-o através de um vôo curto, e o “course-hunting’’, onde o animal sobrevoa a lagoa em vôo tipo peneira em busca da presa e a captura (Antas, 2005; Sick, 1997).
• Reprodução: Seu gregarismo continua mesmo na reprodução, formando colônias nos juncais sobre a água. Os ninhos ficam a pouca altura da água e a centímetros uns dos outros. Geralmente são plataformas frágeis localizadas entre 1 e 4 m de altura, em arbustos ou árvores sobre a água. Põe 2 ou 3 ovos brancos com manchas marrons (Antas, 2005; Sick, 1997).
• Distribuição Geográfica: O gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis), tem ampla distribuição no continente americano desde a Flórida nos EUA, ao Uruguai. No Brasil está presente em todas as regiões onde hajam pantanais e alagados, nos quais é localmente comum, além de grandes rios onde ofereça sua principal alimentação: caramujos (Sick, 1997). Ele é muito comum na região do pantanal.
• Hábitos/Informações Gerais: É um gavião muito sociável, congregando-se em pousos noturnos, onde até centenas chegam a passar a noite (origem do nome específico - sociabilis). No clarear do dia, dirigem-se em grupos para seus poleiros de caçada, ali mantendo-se afastado dos outros (Antas, 2005). No final do dia, voltam para o pouso de dormida em grupos pequenos, chegando no escurecer. Nessas horas, é possível ver a silhueta característica, com a cauda levemente bifurcada. Esse deslocamento é lento, com batidas pausadas e contínuas das asas. Ao longo das estradas no interior da planície, é comum vê-los pousados nos moirões de cerca e árvores próximas às margens. Ao ser assustado, levanta vôo e emite seu grito característico, como uma risada baixa e contínua. Quando chega ao pouso, pela manhã, dá o mesmo grito.

Macho adulto em vôo. Brejão próximo a cidade - Itumbiara/GO, Foto: Oderson Barbosa |
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
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• Referências:
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN: Sesc. 2005.
Brasil 500 Passaros: < http://www.eln.gov.br/Pass500/BIRDS/INDEX.HTM > Acesso em Agosto de 2008.
Beissinger, S. R, Hunting behavior, prey selection, and energetics of snail kites in Guyana. Auk, v. 100, p. 84 - 92, January, 1983.
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997
