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Mocho-diabo
Asio stygius (Wagler, 1832)

Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Stygian Owl
Habitat:
Savanas e borda de matas
Alimentação:
Pequenos mamíferos
e
aves.


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. P. E. Serra do Tabuleiro - Santo Amaro da Imperatriz/SC, Maio 2010. Foto: Douglas Meyer

Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Nick Athanas)

• Descrição: Mede entre 38-46 cm, peso entre 632 e 675 g, sendo as fêmeas mais pesadas (Konig & Weick, 2008). Apresenta o dorso preto, mosqueado e barrado de branco-ardósia, as partes inferiores em ardósia com muitas estriações pretas, face escura, íris amarela e bico preto. Seus dedos são desnudos embora os tarsos sejam emplumados (Mikich & Bérnils 2004). Grande, porém discreta, a mocho-diabo, além de ter uma coloração com aspecto escuro, apresenta dois tufos que se parecem com orelhas acima da cabeça, o que permite ajudar em sua identificação. Recebe esses nomes devido a sua coloração escura e pela cor vermelho brilhante dos olhos ao refletir a luz incidente, lembrando a figura de um “demônio” (Konig & Weick, 2008).

• Alimentação: Alimenta-se de pequenos mamíferos, incluindo morcegos, e aves até o tamanho de pombos, e com menor frequência consome pequenos vertebrados e insetos (Konig & Weick, 2008). Sua estratégia de caça consiste em realizar busca movendo-se de poleiro em poleiro, procurando localizar sons emitidos involuntariamente por suas presas quando tocam a folhagem (Mikich & Bérnils 2004).


Indivíduo Adulto em voo. Ilhabela/SP. Novembro 2011
Foto:
Marcelo Dutra

Predação sobre um macho de saí-andorinha (Tersina viridis). Franca/SP, Abr 2013. Foto: Ualisson Eduardo

• Reprodução: Durante o período reprodutivo, é comum macho e fêmea vocalizar próximo ao local do ninho. A época reprodutiva coincide com a primavera, no hemisfério sul. Embora possa nidificar em cavidades de árvores e sobre o próprio solo, existem observações de indivíduos utilizando ninhos de outras aves. Oliveira (1981) acompanhou a nidificação do mocho-diabo em ambiente de Floresta Ombrófila Mista no Rio Grande do Sul; na ocasião o ninho encontrava-se no vértice de um dos caules secundários de uma araucária (Araucaria angustifolia), onde foram observados dois filhotes. A alimentação dos filhotes ocorreu durante a noite até o período crepuscular matutino (Oliveira, 1981 citado em: Mikich & Bérnils 2004).

• Distribuição Geográfica: Essa espécie se distribui do noroeste do México, America central até o nordeste da Argentina. No Brasil, os limites de sua distribuição são incertos, ocorre nos estados do Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal (Sick, 1997; Konig & Weick, 2008).

• Hábitos/Informações Gerais: Vive principalmente em florestas de locais montanhosos de 700 até 3000 m de altitude. Ocupa todas as vegetações florestais, podendo mesmo habitar áreas suburbanas de grandes cidades, como na região metropolitana de Curitiba (Carrano, 1998; Mikich & Bérnils 2004). Desloca-se batendo lentamente as asas, muitas vezes planando a longas distâncias. Quando alarmada, apresenta postura bastante fina e ereta, com “orelhas” (tufo de penas) eretos. Quando em posição relaxada, as “orelhas” permanecem abaixadas e não visíveis. Costuma não responder ao playback, se aproximando silenciosamente da fonte.

• Status nas listas vermelhas estaduais: Esta espécie é apontada por Stotz et al. (1996) como prioridade média de conservação e prioridade alta de pesquisa, com distribuição pouco conhecida, podendo haver populações vulneráveis.

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Dados desconhecidos (ICMBio, 2008).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).

• Ameaças: As ameaças que incidem sobre esta espécie são as mesmas observadas na maioria das corujas, destacando-se a supressão das florestas interioranas e da baixada litorânea. Tal ameaça decorre da expansão de áreas urbanas sobre as paisagens naturais e da abertura de espaço à agropecuária e ao plantio de arbóreas exóticas. Adicionalmente, o abate desta ave é comum devido a ataques fortuitos a animais de criação e em decorrência de crendices populares (Mikich & Bérnils 2004).


Indivíduo Adulto. Lago Norte - Brasília/DF, Dezembro de 2007. Foto: Herbert O. R. Schubart

Primeiro registro da espécie no Parque Estadual do Turvo - Derrubadas/RS. Fev 2010. Foto: Dante Meller


Indivíduo Adulto. Juiz de Fora/MG, Março de 2010.
Foto:
Roberto Braga

Indivíduo Adulto. Lago Norte - Brasília/DF, Dezembro de 2007. Foto: Herbert O. R. Schubart


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::


• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Carrano, E. 1998. Registros do mocho-diabo Asio stygius (Wagler, 1832) no Estado do Paraná. AO. 85: 2.

ICMBIO, 2008. Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

Konig, C. & Weick, F. (2008) - "Owls of the World", 2a edição.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap

Sick, H.1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.

Stotz, D. F.; Fitzpatrick, J. W.; Parker III, T. A.; Moskovits, D. K. Neotropical Birds:
ecology and conservation. Chicago: University of Chicago Press, 1996.

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Mocho-diabo (Asio stygius) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/asio_stygius.htm > Acesso em: