INICIO > AVES DE RAPINA > MOCHO-DIABO
   

Mocho-diabo
(Asio stygius)

Asio stygius (Wagler, 1832)
Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome popular: Mocho-diabo

Outros nomes: Coruja-diabo
Nome em inglês: Stygian Owl
Tamanho: 38-46 cm de comprimento
Habitat:
Florestas, Borda de matas
Alimentação:
Pequenos mamíferos, aves


Distribuição no Brasil:



Status: (DD) Dados desconhecidos


Primeiro registro da Asio stygius realizado por Dante Meller no Parque Estadual do Turvo - Derrubadas/RS. Fev 2010.
Foto:
Dante Meller


Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Nick Athanas)

• Descrição: O mocho-diabo mede entre 38 e 46 cm, pesando entre 632 e 675 g, sendo as fêmeas mais pesadas. Apresenta o dorso preto, mosqueado e barrado de branco-ardósia, as partes inferiores em ardósia com muitas estriações pretas, face escura, íris amarela e bico preto. Seus dedos são desnudos embora os tarsos sejam emplumados (Mikich & Bérnils 2004). Grande, porém discreto, o Mocho-diabo, além de ter uma coloração com aspecto escuro e sombrio, apresenta dois tufos que se parecessem com orelhas acima da cabeça, o que permite ajudar em sua identificação. também conhecida como coruja-diabo e mocho-do-diabo. Recebe esses nomes devido a sua coloração escura e pela cor vermelho brilhante dos olhos ao refletir a luz incidente, lembrando a figura de um “demônio” (Konig & Weick, 2008).


Asio stygius Parque das Garças, Lago Norte - Brasília/DF, Dezembro de 2007.
Foto:
Herbert O. R. Schubart

• Alimentação: A Coruja-diabo se alimenta de pequenos mamíferos, incluindo morcegos, e aves até o tamanho de pombos. Inclui-se também outros pequenos vertebrados e insetos. Sua estratégia de caça consiste em realizar busca movendo-se de poleiro em poleiro, procurando localizar sons emitidos involuntariamente por suas presas quando tocam a folhagem (morcegos, outros pequenos mamíferos, aves e insetos) (Mikich & Bérnils 2004).

• Reprodução: Durante a corte, é comum macho e fêmea vocalizarem próximos ao local do ninho. Época reprodutiva coincide com a primavera, no hemisfério sul. Embora possa nidificar em cavidades de árvores e sobre o próprio solo, existem observações de indivíduos utilizando ninhos de outras aves. Oliveira (1981) acompanhou a nidificação do mocho-diabo em ambiente de Floresta Ombrófila Mista no Rio Grande do Sul; na ocasião o ninho encontrava-se no vértice de um dos caules secundários de uma araucária (Araucaria angustifolia), onde foram observados dois filhotes. A alimentação dos filhotes ocorreu durante a noite até o período crepuscular matutino (Oliveira, 1981 citado em: Mikich & Bérnils 2004).

• Distribuição Geográfica: Essa espécie se distruibui do noroeste do México, America central até o nordeste da Argentina. Faixa entre a Colômbia e o Equador até o norte e nordeste da Argentina. No Brasil, ocorre nos estados do Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal (Sick, 1997; Konig & Weick, 2008).

• Hábitos/Informações Gerais: Vive principalmente em florestas de locais montanhosos de 700 até 3.000 m de altitude. No estado do Paraná existem alguns registros para a região litorânea, no nível do mar, e mesmo sendo considerado florestal, o mocho-diabo caça em ambientes abertos, como em ambiente de Cerrado. Desloca-se batendo lentamente as asas, muitas vezes planando a longas distâncias. Ocupa todas as vegetações florestais, podendo mesmo habitar áreas suburbanas de grandes cidades, como na região metropolitana de Curitiba (Carrano, 1998; Mikich & Bérnils 2004). Quando alarmada, apresenta postura bastante fina e ereta, com “orelhas” (tufo de penas) eretos. Quando em posição relaxada, as “orelhas” permanecem abaixadas e não visíveis.

• Status nas listas vermelhas estaduais: Esta espécie é pontada por Stotz et al. (1996) como prioridade média de conservação e prioridade alta de pesquisa, com distribuição pouco conhecida, podendo haver populações vulneráveis.

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Dados desconhecidos (ICMBio, 2008).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).

• Ameaças: As ameaças que incidem sobre esta espécie são as mesmas observadas na maioria das corujas, destacando-se a supressão das florestas interioranas e da baixada litorânea. Tal ameaça decorre da expansão de áreas urbanas sobre as paisagens naturais e da abertura de espaço à agropecuária e ao plantio de arbóreas exóticas. Adicionalmente, o abate desta ave é comum devido a ataques fortuitos a animais de criação e em decorrência de crendices populares (Mikich & Bérnils 2004).


Mocho Diabo Asio stygius, Jacutinga - MG
Foto:
Geiser Trivelato

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Carrano, E. 1998. Registros do mocho-diabo Asio stygius (Wagler, 1832) no Estado do Paraná. AO. 85: 2.

ICMBIO, 2008. Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

Konig, Claus & Weick, Friedhelm - “Owls of the World”, 2a edição - 2008

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap

Sick, H.1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.

STOTZ, D. F.; FITZPATRICK, J. W.; PARKER III, T. A.; MOSKOVITS, D. K. Neotropical Birds:
ecology and conservation. Chicago: University of Chicago Press, 1996.


 
 


"A Favor da PreservAção"
Home
| Espécies| Arquivos | Mais sobre aves de rapina | Quem Somos | Contato | Links

Aves de Rapina Brasil © Copyright 2008 - Informações editadas por: Willian Menq S.

Proibida a reprodução total do conteúdo sem aviso prévio aos autores. Leia os termos de uso.