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Sovi
Ictinia plumbea (Gmelin, 1788)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-milano

Nome em inglês: Plumbeous Kite
Habitat:
Florestas, borda de matas e savanas.
Alimentação:
Insetos e lagartos.

Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco
Migrante Neotropical


Indivíduo adulto. Ribeirão Cascalheira/MT, Ago 2013.
Foto: Willian Menq


Vocalização de chamado (B) - (gravado por: Andrew Spencer)

• Descrição: Mede de 34-37 cm de comprimento, peso de 190-267 g (macho) e 232-280 g (fêmea) (Marquez et al. 2005). Adulto apresenta dorso e coberteiras cinza-escuro, partes inferiores e cabeça de cor cinza-ardósia. A face inferior das primárias possui uma coloração castanha-avermelhada, bem vísivel quando o gavião esta em voo. Apresenta bico pequeno, tarsos e dedos amarelos, e íris vermelho-escuro. O jovem apresenta as partes inferiores brancas estriadas de marrom, com dorso e coberteiras cinza-amarronzado com pequenas pintas brancas, e íris mais clara que a do adulto (Antas, 2005; Ferguson-Lees e Christie 2001).

• Espécies similares: Devido a silhueta com asas pontiagudas, pode ser confundido com os falcões do gênero Falco, porém voa planado e mais lento. É quase indêntico ao gavião-do-mississippi (I. mississippiensis), sendo o sovi mais escuro e com marcado castanho-avermelhado na face das primárias. Também pode ser confundido com o gavião-peneira (Elanus leucurus) e gavião-tesoura (Elanoides forficatus), principalmente quando pousado.

• Alimentação: É insetívoro, 95% de sua dieta é composta por insetos. Alimenta-se de libélulas, formigas, besouros, cigarras, caramujos e outros invertebrados. Costuma capturar formigas, cupins e outros insetos em revoadas, que captura com os pés e come ainda em pleno voo. Também captura pequenas presas na copa das árvores e lagartos e cobras no chão (Antas, 2005; Sick, 1997). Loures-Ribeiro et al (2003) relataram um indivíduo adulto capturando uma pomba-de-bando (Zenaida auriculata), sendo uma das maiores presas registradas para esta espécie.

• Reprodução: Parcialmente migratório, reproduz-se no Pantanal, no sul/sudeste do Brasil e na Amazônia (Antas, 2005). Constrói um ninho pequeno com ramos e galhos de árvore, podendo aproveitar o mesmo ninho por várias temporadas. Coloca de 1 a 2 ovos, com período de incubação de 30 a 32 dias, ambos os pais participam da construção do ninho e incubação (Seavy et al. 1998). Durante o período reprodutivo, os pais são agressivos e territoriais, ataca qualquer intruso que se aproximar do local. No município de Peabiru/PR, W. Menq (obs pess.) monitorou um ninho e registrou a espécie defendendo a área do ninho, através de voos rasantes, contra caracarás (C. plancus), gaviões-carijó (R. magnirostris) e urubus-de-cabeça-vermelha (C. aura).

Loures-Ribeiro et al (2003) monitoraram dois ninhos no município de Maringá/PR. Os ninhos foram encontrados no ano de 2000 e 2001, estavam situados em árvores diferentes, mas pertencentes à mesma espécies, a canafístula (Peltophorum dubium). O primeiro ninho localizava-se a 8 m do solo, nele foi registrado a presença de um único filhote. Já o segundo ninho situava-se a 15 m de altura, que foi construído pelo casal em meados de setembro, e com postura de um único ovo. No dia 10 de novembro foi visto o filhote, na qual era alimentado pelos pais principalmente por insetos voadores. Os pais foram vistos várias vezes caçando nos arredores. O primeiro filhote (período reprodutivo de 2000) deixou o ninho por volta do dia 05 de dezembro, já o filhote do período de 2001 permaneceu so cuidado dos pais por aproximadamente 26 dias, e no início de dezembro, não foi mais avistado.

• Distribuição Geográfica: Ocorre desde o México até a Bolívia, Paraguai, Argentina e por todo o Brasil (Sick, 1997), exceto as regiões mais secas do nordeste.

• Hábitos/Informações Gerais: É migratório na região do pantanal, no sul e sudeste do Brasil, com população residente na região amazônica. As populações migratórias normalmente aparecem nas áreas de reprodução (sul/sudeste e pantanal) em agosto, retornando para o norte em março/abril. Habita bordas de florestas, capoeiras altas, florestas de galeria, bosques e áreas urbanas arborizadas. Vive solitário, aos pares ou mesmo em bandos, às vezes misturado a outras espécies de gaviões. Voa muito durante o dia, inclusive a grande altura, podendo sobrevoar queimadas para caçar (Antas, 2005; Ferguson-Lees e Christie 2001).


Indivíduo adulto.
CESC - Canoinhas/SC, Nov 2010.
Foto:
Cid Espínola

Indivíduo adulto em voo.
Campinas/SP, Setembro de 2010.
Foto:
Carlos H. Carneiro

Indivíduo adulto.
Sítio da Alegria - Aracruz/ES. Set 2009. Foto:
Moysés Lima


Casal copulando.
Goiânia/Go, Agosto de 2009.
Foto:
Wagner Machado C. Lemes

Indivíduo adulto.
Ribeirão Cascalheira/MT, Nov 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo Jovem.
Valparaíso-SP, Janeiro de 2011.
Foto:
Oscar Farina Junior


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::


• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN. Sesc.

Freguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the world. Boston, New York: Houghton Miffin Company.

Loures-Ribeiro, A., Gimenes, M. R. & Anjos, L. (2003) Observações sobre o comportamento reprodutivo de Ictinia plumbea (Falconiformes: Accipitridae) no Campus da Universidade Estadual de Maringá, Paraná, Brasil. Ararajuba 11 (1): 85-87.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005). Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Seavy, M.E., M.D. Schulze, D.F. Whitacre, and M.A. Vásquez. (1998). Breeding biology and behavior of the Plumbeous Kite. Wilson Bulletin 110:77-85.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Sovi (Ictinia plumbea) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/ictinia_plumbea.htm > Acesso em: