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Corujinha-do-mato
Megascops choliba (Vieillot, 1817)

Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Tropical Screech-owl
Habitat:
Florestas, savanas e
áreas urbana
s
Alimentação:
Insetos e pequenos vertebrados.

Distribuição no Brasil:



Status:(LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Ribeirão Cascalheira/MT, Dez de 2013.
Foto: Willian Menq


Vocalização típica (B) - (gravado por: Don Jones)

É uma das corujinhas mais comuns nas florestas, borda de matas, bosques e áreas arborizadas do Brasil. Durante o período reprodutivo vocaliza com frequência, seu canto lembra um sapo-cururu. Alimenta-se basicamente de insetos, como besouros, mariposas e gafanhotos.

• Descrição: Coruja pequena, possui 20-24 cm de comprimento e peso de 96-160 g. Nesta espécie destacam-se os dois tufos de penas no alto da cabeça, íris amarela, face cinza contornada com preto; peito cinza estriado e finas listras transversais; dorso cinza amarronzado com machas escuras. Há também indivíduos com plumagem marrom avermelhada ao invés de cinza (Sick, 1997; Holt et al. 1999; Antas, 2005). O juvenil é mais claro e não apresenta os tufos de penas no alto da cabeça. Ocorre ao lado de suas congêneres, podendo ser facilmente confundida com elas, sendo a vocalização a forma mais segura de identificar a M. choliba (Menq & Anjos 2015).

• Alimentação: Caça principalmente insetos como gafanhotos e mariposas. Em ambientes urbanos fica próxima à postes de iluminação para capturar insetos atraídos pela luz. Pequenos vertebrados como camundongos e rãs são menos frequentes em sua dieta, há registros oportunos de caça a cuícas (Gracilinanus sp.), cobras e anuros (Sick, 1997; Holt et al. 1999; Motta-Junior, 2002).

• Reprodução: Nidifica em ninhos abandonados, cavidades e ocos de árvores. No norte do Brasil se reproduz nos períodos de janeiro a julho, já no sul e sudeste seu período de reprodução é nos meses de setembro a outubro (Sick, 1997; Holt et al. 1999). Coloca de 3 a 7 ovos que são incubados pela fêmea durante 26 dias, neste período o macho é responsável pela alimentação da fêmea e posteriormente de toda a família. No período reprodutivo, ambos os sexos vocalizam ativamente.

Fêmea chocando em seu ninho.
Piraí do Sul/PR, Setembro de 2010. Foto:
Tony Bichinski Teixeira

Indivíduo Jovem. Anápolis/GO,
Maio de 2010.
Foto
Balthasar Meili

Fêmea no ninho. Boa Nova/BA, Dezembro de 2010.
Foto:
Josafá Almeida

• Distribuição Geográfica: É encontrada desde o leste dos Andes, Costa Rica, leste do Equador, Colômbia, Peru e Bolívia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana francesa, Paraguai, Uruguai, norte da Argentina e em todo o Brasil (Sick, 1997).

• Hábitos/Informações Gerais: Aparentemente é generalista quanto ao habitat, pode ser encontrada em savanas, matas de galeria, clareiras e bordas de matas, áreas semiabertas com árvores esparsas, parques urbanos e áreas residenciais com boa arborização (Sick 1997; Menq & Anjos 2015). Normalmente estão ativas nos primeiros minutos da noite, são bem detectáveis e respondem muito bem ao playback.

Barros & Motta-Junior (2014) monitoraram quatro indivíduos machos com radiotransmissores para estimar o tamanho da área de ação e seleção de hábitat no cerrado do sudeste do Brasil. O tamanho médio da área de vida variou de 51 a 80 ha. Durante o período noturno, a espécie preferia áreas semiabertas (campos e cerrado sensu stricto), evitando áreas abertas (campo sujo). Os bosques e áreas com plantações de Pinus eram usados como sítio de descanso durante o dia. São frequentes os atropelamentos de indivíduos da espécie ao longo de rodovias, que são usadas como sítio de caça.

Seu chamado mais característico é um piar acelerado, ascendente, emitido com grande frequência no escurecer, lembrando um sapo-cururu.




Indivíduo no ninho. Águas de Lindóia/SP, Out de 2009.
Foto: Thomaz Raso

Família de Corujas-do-mato. Sítio no Bom Retiro - Bragança Paulista/SP. Foto: Douglas Carvalho

Filhotes junto a um adulto ao centro. Barueri/SP, Janeiro 2010.
Foto: Rafael Milani


Indivíduo adulto. Meruoca/CE, Dezembro de 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Ribeirão Cascalheira/MT, Dez de 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Ribeirão Cascalheira/MT, Dez de 2013.
Foto: Willian Menq

 


:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2016. ::


• Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN: Sesc.

Barros, F. M. & Motta-Junior, J. C. (2014) Home range and habitat selection by the Tropical Screech-owl in a brazilian savanna. J Raptor Res. 48(2) :142-150

Holt, W., Berkley, R., Deppe, C., Enríquez Rocha, P., Petersen, J.L., Rangel Salazar, J.L., Segars, K.P. & Wood, K.L. (1999) Species acounts of Strigidae. Em: Del Hoyo, J., A. Elliott, e J. Sargatal, (eds.) Handbook of the birds of the world. Volume: 5: barn-owls to hummingbirds. Barcelona, Espanha. Lynx Edicions. 759p.

Konig, C. & Weick, F. (2008) Owls of the world. Segunda Edição. New Haven, Connecticut: Yale
University Press.

Menq, W. & Anjos, L. (2015) Habitat selection by owls in a seasonal semi-deciduous forest in southern Brazil. Brazilian Journal of Biology. v. 75(4.1):143-149.

Motta-Junior, J.C. (2002) Diet of breeding Screech-owls (Otus choliba) in southeastern Brazil. J. Raptor Res. 36: 332-334.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira, RJ.

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Corujinha-do-mato (Megascops choliba) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/megascops_choliba.htm > Acesso em: